Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Abril 27 2013

     

 

Pires de café com motivo de inspiração oriental estampado sob o vidrado.

 

Embora este pires apenas apresente as marcas que se podem ver abaixo, trata-se certamente de uma peça produzida pela FLS, pois a fábrica comercalizou este motivo, conforme se pode constatar numa manteigueira e num açucareiro anteriormente aqui reproduzidos: http://mfls.blogs.sapo.pt/?tag=chinoiserie.

 

Tendo este exemplar sido provavelmente produzido nas primeiras décadas do século XX, apresenta contudo um formato, com o rebordo ligeiramente levantado, que remete para modelos anteriores, de finais do século XVIII e princípios do seguinte.

 

 

Os pires com o rebordo pronunciadamente levantado eram também complementados por uma chávena sem asa – uma pequena taça, como se pode verificar acima num conjunto de faiança, datável do primeiro quartel do século XIX, produzido pela fábrica inglesa Davenport.

 

Neste pires inglês, notem-se os pontos dispostos em triângulo, que correspondem às marcas das trempes que separavam as peças no forno, bem como a ausência de qualquer concavidade para encaixar a base da chávena.

 

Finalmente, note-se ainda a semelhança de representação patente na perspectiva em que foi desenhada a flor principal deste pires inglês e a flor ilustrada, à esquerda, na base da decoração do pires monocromático.

 

 

© MAFLS

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Outubro 17 2012

 

Prato raso do último período de produção da FLS com decoração de inspiração oriental aplicada sobre o vidrado.

 

 

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Setembro 01 2012

 

Completam-se hoje três anos de publicação do espaço Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém.

 

Um momento adequado para agradecer às pessoas e instituições que, além de visitarem estas páginas, têm enriquecido o espaço com a partilha de imagens dos seus arquivos, e colecções, e a partilha de conhecimentos nos seus comentários.

 

Um momento adequado, também, para agradecer em particular a todos os técnicos e funcionários do Museu de Cerâmica de Sacavém e, muito especialmente, do Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso a colaboração que têm dado a este espaço e todo o apoio que têm prestado à investigação do autor ao longo da última década.

 

No entanto, ao fim de três anos qualquer espaço com estas características tende a evidenciar inevitável desgaste, perdendo algum do impacto e do interesse inicial. Ponderou-se, por isso, cessar a sua publicação.

 

Por coincidência, nesse período de indecisão, um desafio lançado a um dos protagonistas da história recente da FLS teve boa aceitação e trouxe a possibilidade de se poder contar com nova e inestimável colaboração neste espaço. Uma colaboração que, só por si, justifica a manutenção do MAFLS.

 

Assim, é possível anunciar desde já a disponibilidade de Clive Gilbert para evocar o seu percurso pessoal na FLS através da publicação de textos inéditos, expressamente escritos para este espaço, que virão a ser reunidos sob o título Memórias de Clive Gilbert

 

Ao longo dos seus doze anos de existência o MCS tem vindo a registar e a divulgar, nas suas exposições e nos seus catálogos, as experiências e as memórias de muitos trabalhadores da FLS. Precioso contributo para as memórias da empresa, que a partir de agora passarão certamente a ficar ainda mais completas.

 

 

 

 

A peça escolhida para assinalar esta efeméride é uma invulgar escultura moldada de um dragão, em biscoito, ou chacota, com as dimensões aproximadas de 22,8 x 23,8 x 18 cm.

 

Na cultura oriental, em cuja gramática escultural este exemplar se insere, o dragão surge como uma criatura benévola e auspiciosa para o novo ano, sendo comum nas representações associadas a esse rito de passagem.

 

Este dragão, de que não se conhece qualquer outro exemplar acabado em faiança vidrada ou pintada, corresponderá eventualmente à peça referenciada na tabela de Novembro de 1945 sob o número 371 e a designação "Figura de Dragão", ao preço de 264$00 para "Colorido s/ ouro". Tal valor colocava aquela peça entre as 15 mais caras da FLS na categoria, num total de 415 peças tabeladas nesse ano.

 

A peça surge ainda na tabela de Maio de 1951, ao preço de 303$50 para "Côres Mates ou coloridos s/ ouro", mas já não aparece na tabela de Maio de 1960.

 

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Agosto 14 2012

 

Prato raso, do último período, da FLS com decoração de inspiração oriental sobre o vidrado.

 

 

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Junho 19 2012

 

Pote com tampa, formato Chinês, decorado com esmalte policromado e ouro, sobre o vidrado.

 

Esta peça corresponde ao pote com tampa formato "Chinez" do 2.º, referenciado sob o número 360-A da tabela de Novembro de 1945, cujo preço é de 30$00 para "Colorido s/ ouro", 35$00 para "Colorido c/ ouro" e 71$00 para "Azul Sevres".

 

Este formato surge ainda na tabela de Maio de 1960, ao preço de 34$50 para "Branco colorido s/ ouro", 40$00 para "Vidros cores s/ dec. Branco col. c/ ouro Pint. mod. s/ ouro" e 80$00 para "Azul Sévres com ouro". Segundo a cópia dessa tabela existente no CDMJA, esta peça tem 235 gramas de peso.

 

Um outro pote profusamente decorado a esmalte e ouro como este, com as mesmas dimensões mas com decoração floral mais próxima da gramática Art Déco, foi exibido na exposição Dar Sentido à Argila, Os Ateliês de Decoração na Fábrica da Loiça de Sacavém, realizada em 2007 no MCS.

 

O catálogo refere que essa era "uma peça com decoração única, que não foi comercializada", da autoria de Álvaro Mendes Alves (1905-1996).

 

No formato "Chinez" a designação "do 1.º" era utilizada para potes com 27,8 cm. de altura e a "do 2.º" para potes com 17,3 cm., como este. Aliás, nos catálogos e tabelas da FLS, a designação "do 1.º" indica sempre o tamanho maior e os ordinais seguintes tamanhos sucessivamente menores.

 

Um exemplar formato "Chinez do 1.º", com o mesmo motivo floral mas apresentando diferente decoração complementar e diferente cor de fundo, pode ser visto aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/125141.html.

 

Um pote com tampa ostentando o mesmo motivo, mas com outro formato, pode ser visto no catálogo da exposição Porta Aberta às Memórias, segunda edição, realizada no MCS em 2009.

 

 

© MAFLS


Abril 12 2012

 

Bule formato Porto estampado sob o vidrado com o motivo número 7 e filetagem a ouro sobre o vidrado.

 

Note-se a aposição da marca Gilman Lda. e o azul escorrido (flow blue) tão comum na estampagem a azul.

 

 

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Outubro 25 2011

 

Manteigueira com decoração estampada a preto sob o vidrado e complementos policromáticos sobre o vidrado.

 

Veja-se um açucareiro com o mesmo motivo, mas apenas com a estampa a preto, em http://mfls.blogs.sapo.pt/124517.html.

 

Note-se a aposição da marca Gilman Lda., da marca incisa SACAVEM e do código alfa-numérico, também inciso na pasta mas não legível na imagem, 4BD.

 

Como se sabe, a marca Gilman Lda. tem sido referida como uma marca que foi aposta apenas cerca de 1918, embora ainda não tenha aparecido documentação que consolide e corrobore definitivamente essa tese.

 

 

© MAFLS


Outubro 05 2011

 

Conforme é comummente referido nos catálogos e livros que tratam da história e da produção da porcelana na Vista Alegre, esta é a empresa cerâmica portuguesa que apresenta um dos mais claros registos cronológicos para a mudança de logótipo e marcas, uma vez que a mudança de administração é tradicionalmente acompanhada de mudança da marca que se apõe nas peças.

 

Estas breves notas debruçam-se sobre algumas marcas utilizadas entre 1922 e 1980 que, se exceptuarmos variantes, se resumem a quatro modelos e aos correspondentes períodos – 1922-1947, 1947-1968, 1968-1971 e 1971-1980.

 

Entre outras publicações, esta tabela encontra-se registada no livro Vista Alegre: Porcelanas (1989), de autoria colectiva, e no opúsculo Vista Alegre: Porcelanas Portuguesas (1998), de Ilda Arez (datas desconhecidas).

 

   Marca correspondente ao período 1924-1947.

 

Através da consulta dessa tabela, constata-se que a marca reproduzida acima correponde ao período de 1924 a 1947, sendo que a antecedente desta variante, em que, por exemplo, os traços horizontais que rematam a inicial V são mais curtos, havia sido introduzida em 1922 e esteve também em uso até 1947.

 

Neste primeiro exemplo, contudo, o interessante é que esta é a marca aposta no verso do cinzeiro, sob o vidrado, enquanto que a frente apresenta a marca e a data que se reproduzem. Tal como a filetagem, surgem a azul sobre o vidrado.

 

Será esta uma indicação de a nova marca ter sido apenas introduzida a 19 de Julho de 1948, uma segunda-feira? O facto de a nova marca surgir em destaque na peça sugere que a data celebra uma efeméride relativa à VA, muito possivelmente a da introdução do novo logótipo. Assim sendo, haveria lugar a um pequeno ajustamento na cronologia da referida tabela.

 

 

O segundo exemplo, patente numa peça experimental, apresenta a marca correspondente ao período 1947-1968 acompanhada de anotações referentes aos tempos de cozedura.

 

A marca VA surge sob o vidrado, bem como a referência e a data P. H. 19.7-54. Também o tempo de  cozedura de 20 minutos foi aposto, a azul, sob o vidrado, embora a indicação de cozedura adicional de mais 15 minutos tenha sido já aposta sobre o vidrado.

 

Esta peça, decorada a azul cobalto, sob o vidrado, e a dourado, sobre o vidrado, é um excelente exemplo do acompanhamento que a VA fazia do design da época.

 

Marca correspondente ao período 1947-1968.

 

De facto, este é um motivo que está muito próximo de outros motivos que então surgiram na cerâmica escandinava, particularmente em algumas peças desenhadas por Stig Lindberg (1916-1982; http://mfls.blogs.sapo.pt/63240.html), a partir da década de 1940, para a fábrica sueca Gustavsberg.

 

No entanto, esta peça da VA destaca-se dos desenhos florais de Lindberg pela maior elegância decorrente do tratamento singelo e harmonioso das formas vegetais e pela abordagem quase minimalista da composição.

 

Além de tudo isto, note-se ainda como a circularidade do rebordo está bastante imperfeita, traduzindo assim as características experimentais da peça.

 

          

 

O exemplo seguinte surge numa taça decorada integralmente sobre o vidrado, com um motivo mais uma vez próximo do gosto orientalizante que marcou durante décadas a produção da VA.

 

As romãzeiras, a representação das flores de maiores dimensões e a predominância em exclusivo dos tons de azul e dos retoques a dourado remetem claramente para essa gramática oriental.

 

Marca especial correspondente a 1974.

 

A marca aqui reproduzida corresponde à marca comemorativa dos 150 anos da VA, utilizada durante todo o ano de 1974.

 

Surge ainda a legenda complementar "1.° dia do lançamento / da nova marca / 2-1-74". Esta indicação "nova marca" refere-se exclusivamente à marca do centenário, pois uma versão quase igual deste logótipo, sem coroa de louros nem as datas 1824-1974, como se pode ver abaixo, havia sido já introduzida em 1971.

 

 

Finalmente, o último exemplo apresentado ilustra algo que aconteceu com frequência na década de 1970 – a aposição simultânea da marca VA e da marca SP.

 

Como referido anteriormente, a Sociedade de Porcelanas, de Coimbra, foi adquirida pela VA em 1945. No entanto, até à década de 1970 não era comum haver sobreposição das distintas marcas da fábrica de Coimbra e da fábrica de Ílhavo.

 

A peça apresenta a marca SP sob o vidrado, indicando portanto ser originária de Coimbra, e a marca VA sobre o vidrado, o que poderá indicar ter sido decorada em Ílhavo. Esta sobreposição é conhecida em peças com marca VA correspondentes quer a 1968-1971 quer a 1971-1980, quer ainda em peças exportadas nesse período para os EUA.

 

Esta decoração, de grande qualidade, aliás, embora não pintada à mão, como à primeira vista parece, poderá ter sido também destinada ao mercado de exportação.

 

   Marca correspondente ao período 1971-1980.

 

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Outubro 02 2011

 

Prato com decoração estampada a preto, e posteriormente colorida, sob o vidrado. A cercadura a azul, que surge por cima de um rebordo com uma variante do formato espiga em relevo, foi aplicada sobre o vidrado.

 

A fábrica Cesol, Cerâmica de Souselas (Coimbra), foi fundada em 1947. No início da década de 1990 passou a integrar o grupo Apolo Cerâmicas, tendo as suas instalações sido deslocalizadas em 2004 para Aguada de Baixo, no concelho de Águeda. Em Fevereiro deste último ano a Apolo Cerâmicas passou a integrar o grupo CeramicApolo, que por sua vez veio a integrar-se na Aleluia Cerâmicas (http://www.aleluia.pt/) em 2006. 

 

A  existência de este formato na Cesol vem novamente levantar dúvidas sobre a empresa que efectivamente produziu um prato não marcado, com uma imagem do templo romano de Évora, anteriormente aqui reproduzido (http://mfls.blogs.sapo.pt/70160.html). 

 

Verificam-se, no entanto, duas diferenças entre esta peça e o prato não marcado – o prato Cesol é mais pesado e apresenta três círculos em relevo, na base (um junto ao rebordo e dois no centro), enquanto que o prato  não marcado apresenta apenas dois.

 

Deve-se notar, apesar de tudo, que este exemplar ilustrado com uma chinoiserie apresenta qualidade de decoração e acabamento superior àquela que habitualmente se encontra nas peças da Cesol, pelo que o pouco cuidado evidenciado no acabamento aerografado da cercadura do prato com a imagem de Évora se poderia enquadrar na tipologia de produção desta empresa.

 

 

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Setembro 15 2011

          

 

Pote com tampa, formato Chinês, decorado com esmalte policromado e ouro, sobre o vidrado.

 

Esta peça corresponde ao pote com tampa formato "Chinez" do 1.º, referenciado sob o número 360 da tabela de Novembro de 1945, cujo preço é de 97$00 para "Colorido s/ ouro", 115$00 para "Colorido c/ ouro" e 230$00 para "Azul Sevres".

 

Este formato surge ainda na tabela de Maio de 1960, ao preço de 111$50 para "Branco colorido s/ ouro", 132$00 para "Vidros cores s/ dec. Branco col. c/ ouro Pint. mod. s/ ouro" e 264$00 para "Azul Sévres com ouro".

 

Segundo a cópia dessa tabela existente no CDMJA, esta peça tem 610 gramas de peso.

 

Um outro pote profusamente decorado a esmalte e ouro como este, mas de menores dimensões e com decoração floral mais próxima da gramática Art Déco, foi exibido na exposição Dar Sentido à Argila, Os Ateliês de Decoração na Fábrica da Loiça de Sacavém, realizada em 2007 no MCS.

 

O catálogo refere que essa era "uma peça com decoração única, que não foi comercializada", da autoria de Álvaro Mendes Alves (1905-1996).

 

 

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