Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Abril 02 2017

 

Taça em porcelana, com cerca de 7 x 19,6 x 21,1 cm., da Sociedade de Porcelanas, Coimbra.

 

Apresenta decoração estampada, com retoques coloridos de pintura manual, e filetagem dourada.

 

 

© MAFLS

 


Outubro 08 2016

 

Pequena jarra, com cerca de 9,3 cm. de altura, da Sociedade de Porcelanas, Coimbra.

 

Apresentando um invulgar tronco pentagonal, ostenta numa dessas cinco faces decoração vegetal, em relevo moldado, que está sublinhada com delineação a verde, aplicada manualmente.

 

Note-se, ainda, como a referenciação do formato, J29, replica o sistema utilizado na Electro-Cerâmica do Candal (http://mfls.blogs.sapo.pt/outras-fabricas-outras-loicas-ccv-309389), de Vila Nova de Gaia, que a partir de 1945, tal como a SP, passaria a integrar definitivamente o grupo Vista Alegre.

 

 

© MAFLS


Setembro 10 2016

 

Pequena leiteira, com cerca de 7,5 cm. de altura, 6,4  cm. na diagonal inferior e  8,6 cm. na diagonal superior, em porcelana da Sociedade de Porcelanas, de Coimbra. Apresenta na base, incisos, os números 4, impresso, e 15, manuscrito.

 

Expoente máximo dos modelos Art Déco da SP, este formato, denominado Cúbico, surge habitualmente com decoração geometrizante que, por vezes, pode acentuar ainda mais a desconstrução, minimalista e escultórica, do cubo – um corte na parte superior de um vértice, que fende a pasta virando-a para o exterior e criando o bico, um recorte no vértice oposto, que esculpe e vaza o interior criando a asa.

 

O resultado desta intervenção contida é uma evoção clara de quadrados, círculos e triângulos e a sugestão da sua projecção tridimensional, total ou seccionada, em cubos, esferas e pirâmides.

 

Numa cuidadosa e harmoniosa adaptação ao formato, este exemplar apresenta, contudo, uma ave exótica, motivo bem característico, também, de alguma decoração cerâmica internacional do período Art Déco.

 

 

Como já foi referido anteriormente, em Portugal conhecem-se ainda motivos com aves exóticas na produção cerâmica, decorativa e doméstica, da Companhia das Fábricas Cerâmica Lusitânia, quer da sua unidade de Coimbra quer da unidade de Lisboa, da Electro-Cerâmica, do Candal, e da Vista Alegre, de Ílhavo.

 

Acerca deste género de decoração, consultem-se os três artigos sobre Marcel Goupy (1886-1954) anteriormente aqui publicados: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/marcel+goupy.

 

Vejam-se mais alguns exemplares, com diferentes motivos deste notável formato, nas publicações de MUONT : http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/2012/01/servico-de-cafe-modelo-cubico-porcelana.html.

 

Apesar da sua protuberância no bico, que contradiz os princípios subjacentes à patente inglesa 693783 – empilhamento fácil e arrumação compacta sem danos, este modelo da SP será de origem estrangeira e derivará certamente dos famosos Cube Teapots, patenteados cerca de 1922, que foram comercializados por diversas fábricas do Reino Unido, como a Minton ou a Wedgwood, e equiparam navios como o Queen Mary ou o Queen Elizabeth.

 

 

© MAFLS


Julho 30 2016

 

Conjunto de azulejos decorativos, com cerca de 15,2 cm. de lado, ostentando decoração aplicada a stencil (chapa recortada) e aerógrafo sobre o vidrado.

 

No tardoz ostentantam, em relevo, a inscrição LUFAPO / Coimbra, que, como se sabe, correspondia a uma das marcas do grupo Lusitânia.

 

© MAFLS


Janeiro 31 2016

 

Taça fruteira produzida em faiança pela unidade de Coimbra da Companhia das Fábricas Cerâmica Lusitânia, ostentando decoração floral estilizada, ao gosto Art Déco, aplicada a aerógrafo sobre stencil (chapa recortada).

 

Como já foi aqui referido em devido tempo (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/malga), na FLS este formato era habitualmente designado como malga.

 

 

© MAFLS


Setembro 20 2015

 

Caixa em porcelana, com cerca de 10, 4 cm. de altura e 11,2 cm. de diâmetro maior, produzida pela Sociedade de Porcelanas, de Coimbra.

 

Habitualmente designadas como guarda-jóias, as caixas deste género, que apresentavam diversos formatos e surgiam predominantemente em conjuntos de toucador em cerâmica ou vidro, mas também em exemplares isolados de estanho ou prata, ou outros materiais, tiveram particular divulgação durante  os segundo e terceiro quartéis do século XX.

 

A decoração deste exemplar apresenta uma exuberante gramática floral característica dos finais da década de 1960, e princípios da década seguinte, podendo padrões semelhantes, mais, ou menos, estilizados, ser encontrados em diversos tecidos estampados desse período.

 

 

© MAFLS


Abril 09 2015

 

Com a publicação deste terceiro volume, parece confirmar-se que a predominância de ilustrações alusivas às artes gráficas, aqui representando cerca de dois terços das imagens totais, configura uma opção da coordenação editorial e não dos diversos autores do texto principal de cada volume.

 

Continua a ser surpreendente o contraste entre a diversidade dos temas abordados nos textos principais, regra que a autora também segue neste volume, e as obsessivas opções pela arte gráfica que os acompanham. Infelizmente, continua a ser evidente, também, a ausência de uma revisão atenta e unificadora das afirmações patentes nos artigos de diferentes autores.

 

Só assim se compreende como é possível que, no mesmo volume, José Bártolo e Maria João Baltazar afirmem que a Secla foi fundada em 1947, enquanto Rita Gomes Ferrão nos assegura que a empresa surgiu em 1944. Quem acompanha este blog sabe bem qual destes três autores é o grande especialista na Secla e em qual destas duas datas deve confiar.

 

Mas, à puridade, à puridade, sublinhe-se que embora esta tenha as suas origens em 1944, a escritura pública da constituição legal de uma empresa sob a designação Secla apenas foi estabelecida em 18 de Dezembro de 1946 (http://mfls.blogs.sapo.pt/60571.html).

 

 

No artigo anterior referiram-se os sinetes como pequenos objectos do quotidiano que, na sua singeleza, poderiam traduzir também l'air du temps. E assim é, embora a sua origem remonte a uma tradição secular, bem anterior ao século XX. Mas é indubitavelmente através de alguns deles que podemos testemunhar uma mudança patente nas décadas de 1930 e 1940.

 

Com efeito, é nestas duas décadas que os tradicionais materiais nobres empregados na sua constituição, como a madrepérola, a prata, e o marfim, começam a ceder lugar ao bronze e a metais cromados, e a novos e sedutores materiais sintéticos, como a baquelite e o plástico.

 

Acima podem ver-se alguns exemplares com acabamento em prata de punção portuguesa, e punhos em madrepérola ou marfim, mas também dois exemplares com punho em baquelite e um outro com punho em plástico verde e preto.

 

A iconografia religiosa não ficou imune a estes materiais inovadores, como se  pode constatar abaixo, surgindo nestas décadas diversas imagens em plástico ou baquelite, muitas vezes combinadas com o alumínio que, numa versão popular, veio substituir a prata nos produtos de menor custo.

 

 

Datam também deste período as famosas figuras religiosas em plástico fosforescente, de que as esculturas evocativas de Nossa Senhora do Rosário de Fátima se tornaram paradigma incontornável, em Portugal.

 

Foi ainda no pós-guerra que a indústria de moldes para plástico, intimamente associada à tradição de moldes para vidro, teve particular expansão na área de Leiria e da Marinha Grande, permitindo aproximações inovadoras à prática do design nacional (http://mfls.blogs.sapo.pt/34301.html).

 

Um outro material que se popularizou neste período, particularmente nos brinquedos, embora já viesse a ser largamente utilizado desde o século XIX noutras áreas, como a dos enlatados, foi a folha de flandres.

 

Esta chapa metálica estanhada, frequentemente revestida a tinta de esmalte, pode-se combinar em diferentes secções para constituir modelos mais complexos, com movimento de corda, como o exemplar que se apresenta abaixo, o qual pretende ser uma réplica relativamente fidedigna de uma automotora da CP (http://www.transportes-xxi.net/tferroviario/automotoras).

 

 Exemplar em folha de flandres litografada, com logótipo da casa Coelho de Sousa. Porto, década de 1950.

 

 

No entanto, a ausência iconográfica mais notória nestes três volumes prende-se com o design da indústria vidreira.

 

Perante a magnífica fotografia, reproduzida no volume II, do stand que a Companhia Industrial Portuguesa apresentou na V Exposição Industrial e Agrícola das Caldas da Rainha, realizada em 1927, parece inacreditável que nestes volumes não se tenha dedicado maior espaço à arte do vidro e da cristalaria, que no nosso país conta já com cerca de 300 anos de constante produção industrial.

 

Não interessará aqui resumir a história das dezenas de empresas que, desde 1719, ano em que se fundou a Real Fábrica de Vidros de Coina, até ao presente, contribuíram e têm contribuído para criar um notável património português na história da indústria vidreira e no nosso quotidiano.

 

Muitos dos diversos aspectos do design e da indústria vidreira nacional do século XX foram já anteriormente referidos e documentados, embora traduzindo as limitações da fotografia não profissional e as dificuldades inerentes à especificidade do registo de imagem do vidro, quer num outro espaço (http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/?skip=10&tag=vidro) quer aqui mesmo (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/vidro), pelo que agora apenas se reproduzirão três significativas peças da produção nacional com diferentes técnicas decorativas. 

 

 

Acima apresentam-se dois pequenos copos evocativos da secular tradição de decoração a esmalte, que em Portugal remonta ao século XVIII e aos famosos copos de saudação ao rei D. João V (1689-1750; rei, 1707-1750), promotor e protector da indústria vidreira.

 

Estas duas peças, contudo, são datáveis de 1929, foram fabricadas pela Companhia Industrial Portuguesa e ostentam a decoração que o consagrado arquitecto e designer Raul Lino (1879-1974) concebeu para que exemplares semelhantes, bem como garrafas licoreiras ostentando os mesmos motivos, fossem exibidos durante aquele ano no pavilhão português da Exposição Internacional de Sevilha (http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/tag/sevilha+1929).

 

Abaixo ilustra-se uma grande jarra, com cerca de 42 cm. de altura, elaborada em vidro doublé, com camada exterior de tonalidade ametista, lapidado e gravado a ácido e à roda.

 

Paradigma maior da arte vidreira portuguesa do segundo quartel do século XX, ostenta na sua secção central a representação de um campino conduzindo toiros numa lezíria, através de uma composição atribuível a Jorge Barradas (1894-1971).

 

 

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Setembro 01 2014

 

Mealheiro em porcelana da Sociedade de Porcelanas, Coimbra, representando uma galinha estilizada alusiva ao aforismo "Grão a grão enche a galinha o papo.

 

Esta imagem não teve qualquer retoque digital para mostrar propositadamente a fractura que resultou do uso da peça enquanto mealheiro, que depois veio a ser aberto pelo método tradicional.

 

Veja-se um outro mealheiro alusivo ao mesmo aforismo, este da FLS, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/25039.html.

 

 

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Setembro 01 2014

 

Azulejo apresentando imagem parcialmente executada a aerógrafo, com um motivo onde o humor se cria a partir do non-sense, na unidade de Coimbra da Companhia das Fábricas Cerâmica Lusitânia.

 

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Agosto 17 2014

 

Em pleno Verão, imagens de duas peças em faiança, simples mas curiosas, que evocam as memórias refrescantes de diversas bebidas.

 

Acima, uma caneca, sem marca, cujas cores remetem claramente para as preferências cromáticas da produção de algumas fábricas de Vila Nova de Gaia durante o século XIX.

 

Abaixo um copo, fabricado, provavelmente na década de 1950, pela Cesol, Cerâmica de Souselas, em Coimbra, que curiosamente documenta não só o consumo de vinho a copo numa cervejaria como também a grande expansão e venda do vinho verde a granel.

 

Note-se, ainda, o interessante e sui generis lettering utizado na legendagem deste copo.

 

     

 

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