Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Maio 23 2017

 

O Museu de Cerâmica de Sacavém promove no próximo sábado, dia 27 de Maio, pelas 15h00, mais uma das suas conversas mensais, desta vez subordinada ao tema Sacavém – Uma Paixão.

 

Nesta ocasião o orador convidado será Clive Gilbert (n.1938), MBE, administrador e último proprietário da Fábrica de Loiça de Sacavém e actual vice-presidente da Direcção da Associação dos Amigos da Loiça de Sacavém (https://www.facebook.com/associacao.amigos.loica.de.sacavem).

 

A imagem do operário da FLS que ilustra este convite é da autoria do consagrado fotógrafo, e antigo empregado da fábrica, Eduardo Gageiro (n. 1935).

 

© MAFLS

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Março 21 2014

 

Excerto de uma entrevista concedida ao jornalista José Cabrita Saraiva, e publicada na edição digital do semanário SOL no passado dia 19 de Março de 2014, pelo consagrado fotógrafo Eduardo Gageiro (n. 1935).

 

" (...) Foi precisamente aqui, na Fábrica de Loiça, que começou a trabalhar. O que fazia?

Andava de secção em secção a distribuir papéis. Depois comecei a escrever à máquina, a preencher facturas. Mas odiava números - e continuo a odiar. Tinha sempre fotografias na gaveta que coloria à mão. Aparecia o chefe atrás de mim e dizia: 'Isto não é uma loja de fotografia, é um escritório!'. Mas não foi assim tão negativo, porque passei a ter um contacto mais intenso com os operários e conheci uma série de artistas.

 

Que também trabalhavam na fábrica?

Sim. Comecei a relacionar-me especialmente com o Armando Mesquita. Era escultor e interessou-se por mim. Eu mostrava-lhe as fotografias, e um dia ele diz-me: 'Tens jeito, mas não percebes nada de composição. Tens de ir ao meu ateliê, que eu dou-te umas lições'. A primeira coisa que fez foi um rectângulo cheio de quadradinhos. 'Isto é a regra de ouro. O motivo principal tem de estar aqui, de preferência do lado direito, porque a vista tem tendência a ir para a direita'. E também foi ele que convenceu o meu pai a comprar-me a primeira máquina.

 

Como foi isso?

O Armando Mesquita chega lá um dia à hora do almoço e diz: 'Ó sr. Gageiro, então o sr. não tem vergonha? O seu filho anda aí a tirar fotografias com máquinas emprestadas!'. O meu pai ficou um bocado chateado e mandou-me saber o preço de uma máquina. Fui à J. C. Alvarez, onde comprava rolos para as máquinas dos outros, e o Amadeu Ferrari, que era pai do Nuno, disse-me: 'Tens aqui uma Rolleicord e uma Rolleiflex. A Rolleicord custa praticamente metade do preço'. E eu: 'Vou dizer ao meu pai quanto é'. 'Leva já a máquina'. Veja como teve confiança num puto de 16 ou 17 anos. E lá venho eu na camioneta da carreira a mudar as velocidades e as aberturas.

 

Lembra-se das primeiras fotografias que fez?

Estreei logo a máquina com retratos do Armando Mesquita. Fiz também uma fotografia muito rebuscada de uma prima minha e mandei-a para o primeiro concurso fotográfico de empregados de escritório do distrito de Lisboa. E não é que ganhei logo três prémios? Foi assim que começou a bola de neve.

 

 

Começou a trabalhar muito cedo. Como foi a sua infância?

Foi uma infância normal, não passei fome, nem pouco mais ou menos, mas os meus pais não tinham tempo para mim. Quem me criou praticamente foi uma tia que morava ali ao pé. Eu passava a vida ao colo dos velhos operários que chegavam ao fim da tarde para beber mais um copo, às vezes muito bêbedos, quase me deixavam cair.

 

Viveu toda a vida em Sacavém?

Nasci exactamente a 50 metros daqui, do lado de lá da estrada. O meu pai tinha uma casa de pasto onde os velhos operários iam com as marmitas para a minha mãe aquecer num fogão enorme. Almoçavam o que tinham trazido e consumiam uma pequena garrafa de vinho, aquilo a que se chamava um pirolito.

 

Passava muito tempo na casa de pasto?

Sim. Quando saía da fábrica ia para lá. Quando era mais crescido o meu pai punha-me no balcão a aviar. Aviava copos de três, como se dizia antigamente, e ao fim-de-semana fazia almoços.

 

Quando entra para os jornais?

Ir para os jornais era muito difícil porque havia uma máfia de maus fotógrafos que não deixavam ninguém entrar. Eram quatro ou cinco que trocavam fotografias entre si e tinham mais poder que os chefes de redacção. Eu tentei, mas não consegui. Entretanto um amigo de infância, o Mário Ventura, que estava no Diário Popular, organizava uns jantares com jornalistas e um dia convida-me para ir. Estavam lá os craques: o Urbano Carrasco, o Dr. Tavares Rodrigues, muitos. Ele apresenta-me e eu manifesto interesse em ir para os jornais. O Dr. Tavares Rodrigues diz-me: 'Apareça no Diário Ilustrado e leve fotografias suas'. Eu levei e ele gostou. 'Se quiser venha já amanhã'. E fui.

 

Que idade tinha?

Uns 20 anos.

 

Deixou o emprego na fábrica?

O meu pai queria bater-me porque eu tinha abandonado um emprego certo. E a minha mãe, coitadinha, dizia-me assim: 'Mas tu não tens necessidade de ser fotógrafo. Podes ser empregado de escritório'. (...) "

 

A entrevista pode ser lida, na íntegra, aqui: http://sol.sapo.pt/inicio/Cultura/Interior.aspx?content_id=101695.

 

© MAFLS

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Outubro 12 2013

 

Realizou-se durante a tarde de hoje, no auditório do Museu de Cerâmica de Sacavém, a primeira reunião aberta da Associação dos Amigos da Loiça de Sacavém, congregando, entre os presentes, coleccionadores, comerciantes, responsáveis do MCS, administradores dos blogs CMP* (http://ceramicamodernistaemportugal.blogspot.pt/), MAFLS e MUONT (http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/), bem como o fotógrafo Eduardo Gageiro (n. 1935).

 

Antes, os participantes tiveram oportunidade de assistir a uma visita guiada pelo próprio fotógrafo à exposição Eduardo Gageiro: Rapaz de Sacavém, Fotógrafo do Mundo, que continuará a estar patente no MCS até 15 de Fevereiro de 2014.

 

Os órgãos sociais da Associação dos Amigos da Loiça de Sacavém para o biénio 2013-2014 estão assim constituídos:

 

Direcção

Jorge Andrew (presidente), Clive Gilbert (vice-presidente), José Roseiro, João Rebelo Pinto, Miguel Calado.

 

Conselho Fiscal

Vasco Telles da Gama (presidente), Isabel Maria Costa Figueira, Maria João Pinheiro.

 

Mesa da Assembleia Geral

António Augusto Joel (presidente), Emma Gilbert, Luísa Roseiro.

 

O contacto da AALS é: loicadesacavem@gmail.com .

 

 

© MAFLS

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Fevereiro 23 2011

 

 

Fotograma retirado do documentário reproduzido abaixo, elaborado, a partir de diversas fotografias e reportagens televisivas, pela secção concelhia de Loures do Bloco de Esquerda, onde se ilustram diversas fases de produção da fábrica, bem como movimentações operárias, sindicais, administrativas e judiciais do período final da empresa.

 

Entre os inúmeros registos de imagens dos trabalhadores e da fábrica, surgem também registos (aos 3:16 e 3:53) do administrador Diamantino Monteiro Pereira, assassinado em Dezembro de 1982 por um alegado comando do grupo de extrema-esquerda FP-25, e fugazes registos (respectivamente aos 3:53 e 5:44) de Clive Gilbert, último dono e administrador da FLS, e do consagrado fotógrafo Eduardo Gageiro (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/eduardo+gageiro).

 

 

© MAFLS


Junho 30 2010

 

 

O consagrado fotógrafo Eduardo Gageiro (n. 1935), natural de Sacavém, trabalhou nos escritórios da FLS até 1957, referindo algumas fontes que a sua entrada na fábrica, como paquete, se deu em 1947, quando contava apenas doze anos de idade.

 

Durante este período recolheu inúmeras imagens que documentam a vida na região e o quotidiano da FLS, tal como se pode constatar no catálogo A Fábrica e Sacavém pelos Olhos de Eduardo Gageiro, editado em 2003 para a exposição homónima, realizada no MCS entre Abril de 2003 e Março de 2004.

 

Na mesma publicação podem-se encontrar fotografias dos escultores José Pedro (datas desconhecidas) e Armando Mesquita (1907-1982), bem como outra iconografia da fábrica e seus trabalhadores, da década de 1950 e do período que antecedeu o seu desmantelamento.

 

Sobre Eduardo Gageiro, consulte uma entrevista em: http://www.cm-loures.pt/p_lm6D.asp e uma referência a uma exposição (no Luxemburgo ?) em: http://www.bomdia.lu/galerias/thumbnails.php?album=224&page=1.

 

 

Fotografia de moldes para asas de chávenas, e louça de mesa, tirada por Eduardo Gageiro no período final da FLS.

 

© MAFLS

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