Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Novembro 15 2017

 

Chávena de café e pires, formato Aldeia, ostentando o motivo 627.

 

Este motivo, através da introdução do azul e do dourado, é uma variante do motivo 626, o qual, como já se referiu, surge também na produção da fábrica alemã Steingutfabrik Störnewitz AG (http://mfls.blogs.sapo.pt/200616.html).

 

Vejam-se outras peças com este motivo, mas no formato Sacavém, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/motivo+627.

 

 

 © MAFLS


Agosto 30 2014

 

Prato fundo, com cerca de 23 cm. de diâmetro, ostentando uma versão do motivo Estátua, popularmente conhecido como Cavalinho, aplicado a stencil (chapa recortada), na decoração central, e a esponjado, no rebordo e na decoração central mais clara.

 

Tal como o motivo Cantão, também o motivo Cavalinho teve várias versões populares. Este exemplar, não marcado, ostenta uma decoração correspondente às técnicas que, na versão popular, habitualmente substituíam a estampagem original – o recurso ao stencil e ao esponjado.

 

Note-se como o pastiche da figura central segue a versão do cavaleiro de braço direito levantado, comum quer à FLS, fábrica com a qual o motivo é habitualmente identificado, quer ainda a outras fábricas da região do Porto, como a Corticeira, as Devesas e Massarelos (http://mfls.blogs.sapo.pt/?tag=motivo+est%C3%A1tua).

 

© MAFLS

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Junho 29 2013

 

Taça fruteira em faiança, com cerca de 8,5 de altura e 28,9 cm. de diâmetro, sem qualquer marca visível. A decoração do motivo central foi aplicada sobre stencil (chapa recortada) enquanto o rebordo recebeu complementos esponjados a verde.

 

A denominação destes recipientes deu origem a diferentes vocábulos, que muitas vezes são usados indistintamente - alguidar, bacia, escudela, malga, palangana, taça, tigela.

 

Neste conjunto lexical há alguns vocábulos mais arcaizantes, como o castelhanismo palangana ou o termo medieval escudela, e outros de aplicação mais discutível, como o termo malga, que em certas regiões é sinónimo de tigela.

 

A já mencionada (http://mfls.blogs.sapo.pt/103727.html) obra Cerâmica Portuguesa (1931), onde a figura tutelar do coleccionador e estudioso de cerâmica José Queirós (1856-1920) é evocada através da caricatura reproduzida abaixo, regista também um léxico alargado onde, entre as dezenas de vocábulos, surgem referências a "malgas, cuncas, covilhetes tigellas, almofias ou almofas (que eram antigamente vasos grandes do feitio de tigellas)" e "Alguidares, bacias de mãos, palanganas (vasos de muita circunferencia e pouco pé), tigellas da casa (...)".

 

 

O vocábulo cuncas é obviamento um castelhanismo, estando os recipientes denominados concas, cuencos e cuncas bem ilustrados na obra Cerámica Popular Española (1970), da autoria do poeta e historiador de arte J. Corredor-Matheos (n. 1929) e do célebre ceramista J. Llorens Artigas (1892-1980).

 

Já o vocábulo de origem árabe almofia surge referido na obra Vestigios da Lingoa Arabica em Portugal (1830), de frei João de Sousa (1735-1812) e frei José de Santo António Moura (1770-1840), sendo tal recipiente aí definido como uma "Sopeira de estanho, ou de barro vidrado".

 

Visando uma uniformização e aplicação mais precisa de terminologia, o volume Itinerário de Faiança do Porto e Gaia (2001) observa e propõe: "Ao longo dos tempos, os termos malga e tigela foram sendo utilizados para descrever indiferentemente peças de loiça fosca, de vidrado plumbífero, estanífero ou porcelana. Assim sendo, e para que se comece a constituir um corpus terminológico para a descrição das formas cerâmicas, propomos que se passe a utilizar o termo malga para descrever tão só as peças de barro com as características atrás definidas [Vasilha de faiança em forma de calote esférica, com pé, com ou sem perfil carenado.] e revestidas de esmalte estanífero (faiança) ficando o termo tigela cativo para as peças de barro fosco (vermelha ou preta) ou de vidrado plumbífero."

 

Esta proposta, que, além de subestimar a importância do substrato regionalista na pluralidade da oferta lexical, pretende curiosamente constituir um corpus terminológico de formatos com base nas pastas e nos vidrados, acaba por contribuir, obviamente, para aumentar ainda mais a galáxia da disparidade e confusão terminológica.

 

Seja como for, nos catálogos da FLS, e sem que se pretenda sugerir de forma alguma que esta é uma peça dessa fábrica, os recipientes semelhantes a este surgem catalogados quer sob a designação malgas quer sob a designação fruteiras, coadunando-se esta última, sem dúvida, com a decoração da peça que aqui se ilustra.

 

 

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Julho 08 2012

 

Prato fundo em faiança, de oficina não identificada, com decoração esponjada e aplicada a stencil, no centro, e a legenda "Viva Portalegre" aplicada, também a stencil, no rebordo.

 

Especulando sobre a antiguidade deste exemplar, que poderá ser datável do século XIX, e os eventos que terão estado na origem da legenda, recorde-se que Portalegre se tornou capital de distrito em 1835 e que a sua estação ferroviária, inserida na Linha do Leste, foi naugurada em 1863.

 

Através das suas duas torres, o edifício da direita poderá corresponder a uma representação popular da sé de Portalegre, embora o corpo central seja claramente distinto daquele que passou a existir depois de concluídas as obras executadas em finais do século XVIII.

 

Veja-se aqui a ligação para uma página sobre cerâmica do Museu Municipal de Portalegre: http://www.geira.pt/mmportalegre/. Encerrado desde 2007, para obras de remodelação, o museu foi reaberto em Maio do corrente ano.

 

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Dezembro 22 2011

 

Chávena de chá e pires formato Sacavém com o motivo 627 esponjado e pintado à mão, sob o vidrado, e complementos a ouro.

 

Para outras peças da FLS decoradas com esponjado e variantes de cor deste motivo, sem complementos a ouro, cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/esponjado.

 

 

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Dezembro 06 2011

 

Chávena de chá e pires formato Sacavém com decoração, correspondente ao motivo número 1323, esponjada e pintada à mão sob o vidrado.

 

Vejam-se exemplares, neste formato e no formato Hotel, com a mesma técnica de esponjado utilizada como fundo decorativo em: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/esponjado.

 

 

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Fevereiro 07 2011

 

Chávena e pires formato Sacavém com o motivo 627 esponjado e pintado à mão, sob o vidrado.

 

Para uma variante de cor deste motivo cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/40059.html.

 

 

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Abril 01 2010

 

Conjunto de chávena de pequeno-almoço (almoçadeira) e pires, formato Ourique, decorado com o motivo 626 esponjado e pintado à mão, sob o vidrado.

 

Este conjunto surge no catálogo de formatos  de Maio de 1950 sob a designação "Chávenas c/ Pires p/ Almoço", que inclui os seguintes formatos – Aldeia, Cascais, Hotel, Inglês, Madeira, Ourique e W. [Wagon] Lits.

 

Pequena jarra Schramberg, de finais da década de 1920, princípios da década de 1930.

 

Esta decoração é evocativa de decorações em tonalidades de uma só cor de algumas fábricas alemãs, bem como das técnicas e decorações policromáticas que se utilizavam em algumas peças da fábrica alemã Schramberg, empresa de onde parece terem sido oriundos alguns dos técnicos estrangeiros da FLS que chegaram à fábrica nas décadas de 1920 e 1930.

 

Conhecem-se exemplares de outros formatos com esta decoração, variantes em tons de azul e variantes com decoração dourada aplicada sobre o vidrado, também em diversos formatos.

 

 

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