Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Setembro 01 2016

 

Jarra, com cerca de 11,7 cm. de altura, em faiança da fábrica Belo, das Caldas da Rainha.

 

Esta peça ostenta na base as inscrições, incisas, "184/2 / BELO / C. DA RAINHA" e no corpo cilíndrico a legenda, pintada à mão sobre uma faixa desdobrada na diagonal, "VI TORNEIO ABERTO / DE / TENIS DE MESA / DAS / CALDAS DA RAINHA / 29-4-1962".

 

Como se viu anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/61006.html), este tamanho corresponde à dimensão intermédia deste tipo de jarras, que evocam um dos tradicionais formatos orientais dos balões de iluminação (http://mfls.blogs.sapo.pt/17090.html).

 

 

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publicado por blogdaruanove às 13:09

Março 30 2014

 

Cesto em faiança, com cerca de 30,4 cm. de diâmetro e 7,6 cm. de altura, apresentando decoração policromada nas flores. Note-se como estas não surgem em todas as intersecções dos círculos.

 

Esta técnica de disposição da pasta cerâmica é popularmente denominada como verguinha, por referência à similar técnica de cestaria e ao vime, ou verga, usado como matéria-prima para essa produção artesanal.

 

Embora não seja exclusiva do nosso país, o que é comprovável em inúmeros exemplares europeus e americanos, tal técnica tem tradições em Portugal, nas Caldas da Rainha, que remontam pelo menos ao século XIX.

 

Como se pode ler no catálogo da exposição 50 Anos de Cerâmica Caldense: 1930-1980, realizada em 1990, esta técnica já surgia na segunda metade daquele século na oficina de Manuel Cipriano Gomes, por alcunha o "Mafra", tradição que foi preservada na fábrica Belo durante as décadas de 1930 e 1940 por uma operária de nome América.

 

Na década de 1980 esta técnica foi recuperada nas Caldas pela fábrica Subtil, cujas peças, contudo, têm tendência a apresentar composições florais mais volumosas e elaboradas do que as que surgem neste exemplar.

 

No catálogo da Expo Caldas 77, sob o número 404,  pode-se ver um cesto da colecção do escultor caldense António Duarte (1912-1998; cf. http://www.cm-caldas-rainha.pt/portal/page/portal/PORTAL_MCR/VISITANTE/MUSEUS/CENTRO_ARTES/ANTONIO_DUARTE.) com formato diferente e menores dimensões, mas produzido com a mesma técnica e apresentando decoração muito semelhante.

 

Curiosamente, as fissuras que aqui se podem observar na pasta entrançada não correspondem a uma queda e quebra, e consequente restauro dos filamentos da peça, mas sim a fracturas que se desenvolveram gradual e naturalmente na pasta.

 

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Janeiro 06 2013

 

Cinzeiro em faiança da fábrica Belo, nas Caldas da Rainha.

 

Sendo uma representação da lendária padeira de Aljubarrota (http://pt.wikipedia.org/wiki/Padeira_de_Aljubarrota), alegadamente uma personagem contemporânea da batalha de Aljubarrota (1385), esta figura sem feições remete para outras figuras femininas similares produzidas também nas Caldas da Rainha, pela fábrica Secla.

 

 

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Agosto 11 2012

     

 

Jarra em faiança da fábrica Belo, das Caldas da Rainha, com cerca de 26,8 cm. de altura, apresentando decoração floral pintada à mão sob o vidrado.

 

 

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Abril 01 2012

     

 

Ama das Caldas em faiança da fábrica Belo, Caldas da Rainha, produzida no segundo quartel do século XX.

 

Trata-se de uma versão da célebre figura de movimento criada em 1897 por Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905).

 

Em Portugal esta imagem associa-se imediatamente a Rafael, mas será interessante sublinhar que em Inglaterra existe uma versão intitulada The Brighton Wet Nurse, por alusão à famosa banheira dessa localidade, Martha Gunn (1726-1815), comercializada com a marca Rye B4.

 

Tendo Rafael exibido as suas criações na Exposição Universal de Paris, de 1889, onde a sua obra foi elogiada pelo curador do Museu de Sèvres, Edouard Garnier (datas desconhecidas), e na Feira Mundial de St. Louis, de 1904, e tendo-se também deslocado com seu filho Manuel Gustavo (1867-1920) à Exposição Universal de Paris, em 1900, é possível que estejamos perante um dos poucos casos em que as criações cerâmicas portuguesas foram reproduzidas por fábricas estrangeiras.

 

Conhecem-se outras versões desta figura, como a produzida pela fábrica caldense Cunha & Sucessores, que apresenta base convexa, tal como no original de Rafael, mas feições ligeiramente diferentes na ama e no bébé.

 

Embora nos últimos anos tenha vindo a promover a concepção e execução de novas peças, entre as quais se destaca a colecção que serviu para marcar os 125 anos da empresa (http://www.vistaalegreatlantis.com/product.aspx/Bordallo%20Pinheiro/Faian%C3%A7a/Premium/125%20Anos/), a Bordallo Pinheiro (http://www.bordallopinheiro.pt/) tem mantido a produção das figuras criadas por Rafael, por vezes com uma adaptação aos tempos actuais, como acontece com as peças que apresentam a inscrição Moody′s, um conceito que se deve à jornalista Anabela Mota Ribeiro (n. 1972).

 

Finalmente, compare-se a qualidade de pormenor e acabamento deste exemplar com as características das peças que actualmente são comercializadas pela empresa (cf. http://www.vistaalegreatlantis.com/detail.aspx/Figuras%20de%20Movimento/10152/), entretanto adquirida pelo grupo Vista Alegre / Atlantis, um grupo integrado no conglomerado empresarial Visabeira (http://www.grupovisabeira.pt/).

 

Esta peça foi exibida na exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005.

 

 

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Novembro 14 2010

 

Pequena taça em faiança, decorada à mão sob o vidrado. 

 

Acompanhando as aproximações inovadoras que a fábrica Secla trouxera à cerâmica das Caldas da Rainha durante a década de 1950, a fábrica Belo desenvolveu decorações que se encontravam em plena sintonia com as novas tendências da cerâmica escandinava, e internacional, do pós-guerra, mantendo contudo uma inequívoca ligação aos formatos tradicionais.

 

Curiosamente, este constante esforço de actualização das fábricas das Caldas da Rainha veio a resultar num movimento exportador para a Escandinávia, durante a década de 1960, protagonizado pela produção cerâmica desta cidade mas também pela de Alcobaça.

 

Taça modelada e decorada por Stig Lindberg (1916-1982), para a fábrica sueca Gustavsberg.

 

Comparativamente à taça produzida pela fábrica Belo, nesta peça destaca-se o tratamento mais ousado e inovador da forma que, no entanto, apresenta uma intervenção decorativa muito semelhante à da peça portuguesa.

 

Stig Lindberg foi um mais criativos designers escandinavos do pós-guerra, transmitindo à produção cerâmica da fábrica Gustavsberg um novo alento. Tendo iniciado a sua carreira na empresa em 1937, enquanto pupilo de Wilhelm Kåge (1889-1960), Lindberg manteve-se ligado à mesma até 1980, ano em que decidiu criar um estúdio em Itália.

 

Lindberg ladeado por Kåge (à esquerda) e Friberg. Do álbum Beauty in the Making (1947).

 

Na sequência das inovações que Kåge havia introduzido nas décadas anteriores, a obra de Lindberg, em conjunto com a de Kåge e de Berndt Friberg (1899-1981), contribuiu para que a Gustavsberg se continuasse a manter na vanguarda do design e da produção cerâmica mundial.

 

Vejam-se duas peças de Kåge aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/78448.html.

 

É muito pouco provável que a decoração da peça produzida na fábrica Belo seja semelhante à da peça sueca por simples acaso, parecendo evidente que esta seguiu a gramática decorativa desenvolvida por Lindberg. 

 

 

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Setembro 11 2010

 

Jarra com decoração policromática, aplicada à mão sob o vidrado.

 

Na base apresenta as seguintes inscrições: "X: 1 [pintada a negro] / 184/3 / BELO / C. DA RAINHA [incisas] / E. L. [pintada a negro]". Os números incisos referem-se ao formato (184) e ao tamanho (3) da peça, sendo que os números mais altos indicam peças maiores. Neste caso a peça mede cerca de 17,3 cm. de altura, correspondendo o tamanho 1 a cerca de 10,5 cm.

 

De acordo com a brochura Caldas da Rainha, Roteiro-Guia, publicada pelo jornal Gazeta das Caldas em 1926, a situação da indústria cerâmica de então era a seguinte:

 

"Ha muitas fabricas de Faianças nesta vila: Fabrica Bordalo Pinheiro, Lt,ª − junto ao Parque das Faianças nesta vila; Francisco Elias, R. Tenente Sangreman Henriques; José A. Cunha, Sucessores, Lt.ª, R. Candido dos Reis; Avelino Belo, R. da Liberdade; José Belo, R. da Liberdade; Salvador F. Souza, Rua Candido dos Reis; Eduardo Elias, R. Sebastião de Lima; João Arroja, R. Miguel Bombarda; João Angelico, R. da Liberdade; Herculano Serra, Largo da Copa."

 

A mesma publicação destaca ainda os seguintes ceramistas:

 

"Dos actuais ceramistas sobresae Francisco Elias, o miniaturista que todo o Paiz conhece pelos seus trabalhos que mais dignos eram de ser feitos em ouro e prata do que no barro fragil; Avelino Belo, considerado o melhor tecnico da ceramica caldense; José Carlos dos Santos e Acelino de Carvalho, os dois mestres da actual Fabrica Bordalo Pinheiro; Eduardo Elias, que se tem dedicado a faiança religiosa, tendo imagens de valor; Salvador Fausto de Sousa, Raul Figueiredo, José Belo, Germano da Silva, Francisco do Couto, Herculano Serra entre outros, havendo em todas as fabricas trabalhos de muito merecimento que colocam a faiança caldense num logar de destaque – sendo de maior valor as terras-cotas e as tintas de fogo com vidrados perfeitos, sempre superiores á louça pintada depois de cosida."

 

 

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