Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Março 25 2017

 

Taça em faiança, com cerca de 4,8 cm. de altura e 23,2 cm. de diâmetro máximo, e ostentando como motivo central a imagem de um veado, produzida pela fábrica Estatuária Artística de Alcobaça.

 

Como se comprova por este exemplar, a decoração revivalista apresentando animais, reminiscente de alguma produção cerâmica dos séculos XVII e XVIII, não se limitou no século XX à mais conhecida loiça policromática de Coimbra.

 

No caso da E.A.L., não será alheio à existência destes motivos o facto de um dos seus sócios e modeladores ser alegadamente oriundo de Coimbra e, eventualmente, também alguns pintores.

 

As datas habitualmente apontadas para a laboração desta fábrica situam-se entre 1945 e 1949, tendo pouco depois sido declarada a sua falência e ficando as instalações abandonadas até 1953.

 

Neste último ano, o consagrado ceramista José Pedro (datas desconhecidas), que havia saído da O.A.L. para a E.A.L., e posteriormente para a Olajul, no Juncal, retomou a laboração nas instalações da E.A.L., onde a Pedros viria ser fundada, pelo seu filho Silvino Ferreira Pedro (n. 1925), em 1955.

 

De acordo com a obra Faiança de Alcobaça (1997), de Jorge Pereira de Sampaio (n. 1965), de onde foram adaptadas as informações dos dois parágrafos anteriores, a assinatura corresponderá ao pintor Noel Costa (datas desconhecidas), que posteriormente transitou para a Vestal.

 

 

© MAFLS 


Janeiro 22 2017

 

Conjunto de duas chávenas de café, e pires, em faiança da J.P.M., empresa fundada em 1996 e com sede nas Caldas da Rainha.

 

A conjugação dos formatos e das combinações cromáticas foi concebida pelo artista plástico José de Guimarães (n. 1939), correspondendo a uma gramática bem característica das suas criações tridimensionais.

 

No tardoz, estas peças ostentam os logótipos da Expo'98 e do ICEP (Investimentos, Comércio e Turismo de Portugal), bem como o logótipo que José de Guimarães criou em 1993 para o Turismo de Portugal.

 

 

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Dezembro 31 2016

 

Cinzeiro, com cerca de 9,6 x 15,9 x 2,7 cm., em faiança da OAL, Olaria de Alcobaça.

 

Este exemplar documenta uma curiosa conjugação da tradicional decoração floral da loiça de Alcobaça com um inesperado formato modernista.

 

Reminiscente de alguns exemplares modernistas alemães das décadas de 1920 e 1930, este formato teve também algumas variantes produzidas em Portugal, nomeadamente durante o período de administração da Fábrica do Carvalhinho pela Fábrica de Loiça de Sacavém.

 

 

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Novembro 19 2016

 

Prato em faiança, com cerca de 22,4 cm. de diâmetro, da fábrica Sant'Anna, de Lisboa.

 

Apresenta uma mancha mais clara na cercadura interior que se deve a um retoque aplicado na pasta ainda antes de a pintura manual ser executada.

 

 

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Outubro 30 2016

 

Grande castiçal em faiança, com cerca de 50,4 cm. de altura, modelado pela ceramista Bela Silva (n. 1966).

 

Produzido na fábrica Bordallo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, e comercializado em 2005 pelo Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa, esta peça inseria-se num conjunto de criações contemporâneas que pretendia evocar e homenagear a herança da cerâmica caldense, em geral, e celebrar, em particular, o impulso criativo e artístico que Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) trouxe a esta indústria no último quartel do século XIX.

 

Na mesma ocasião o museu promoveu e comercializou também recriações de conjuntos tradicionais das peças bordalianas em faiança, recobertas a crochet, concebidos por Joana Vasconcelos (n. 1971).

 

 

Capa do catálogo, com design de Jorge Colombo (n. 1963), da exposição de Bela Silva intitulada Antes do Mar, As Águas, que esteve patente no Museu Nacional do Azulejo entre 15 de Abril e 25 de Junho de 1999.

 

 

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Outubro 16 2016

 

Placa cerâmica decorada a stencil e esponjado, com cerca de 0,7 x 20,1 x 30,1 cm., comercializada pelo Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, no primeiro lustro do século XXI.

 

A nota impressa que originalmente acompanhava a peça apresenta a seguinte inscrição: "Azulejos / azul e amarelo / Adaptação livre a partir dos "Biombos Nambam" pertencentes à época clássica da Escola de Kano – Japão séc. XVI, XVII. Pormenor de detalhes do biombo atribuído a Kano Domi (1593-1600). / Ana Cordovil Wemans / M. N. A. A. 2 / IPM".

 

A autora deste motivo, que reinterpreta uma criação artística directamente relacionada com a presença dos portugueses e dos gaijin em solo nipónico durante os séculos XVI e XVII, a ceramista Ana Cordovil Wemans (n. 1956), dispõe de uma oficina própria de azulejaria, em Lisboa, e de um site onde ilustra a sua produção: http://www.anacordovil.com/home/projectos-realizados.

 

Uma vez que o tardoz se encontra revestido a aglomerado de cortiça, não é possivel identificar qualquer marca da fábrica / oficina que produziu esta placa cerâmica.

 

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Setembro 04 2016

 

 

Dois cinzeiros promocionais em faiança da fábrica Aleluia, de Aveiro.

 

O primeiro, com cerca de 5,6 cm. de altura, 8,1 cm. de diâmetro na base e 9,1 cm. de diâmetro máximo nos suportes para cigarro, ostenta quatro conjuntos de legendas – "CAIS / DA / FONTE / NOVA", "TELEF. / 22061 / (3 linhas) / APARTADO 13", "AZULEJOS / BRANCOS / E PINTADOS" e "LOUÇAS / DOMÉSTICAS / SANITÁRIAS / E ARTÍSTICAS".

 

O segundo, com cerca de 3,9 cm. de altura, 11,6 cm. de diâmetro na base e 13,1 cm. de diâmetro no rebordo, apresenta um vidrado pouco vulgar na produção da Aleluia e ostenta apenas as legendas que se podem observar na imagem – "Aleluia / Aveiro".

 

Obviamente, nenhum destes exemplares apresenta qualquer marca na base.

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Agosto 14 2016

 

Paliteiro em faiança, com cerca de 12,4 x 5,2 x 2,2 cm., ostentando nos flancos as inscrições HOTEL do FACHO / FOZ do ARELHO - PORTUGAL e na base a assinatura manuscrita M. Antónia / C. da RAINHA.

 

A assinatura corresponde a Maria Antónia Parâmos (1922-1976), ceramista e pintora caldense que colaborou com a fábrica Secla em 1954 e 1955.

 

Inaugurado em 1910, o centenário Hotel do Facho passou por algumas vicissitudes, mas foi entretando recuperado e encontra-se actualmente a funcionar em pleno (https://fachoguesthouse.wordpress.com/myhome/fachoguesthouse/).

 

 

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Julho 02 2016

 

Paliteiros em faiança moldada reproduzindo dois chapéus característicos do século XIX.

 

O primeiro exemplar, com cerca de 6,4 x 10,6 x 8,4 cm., foi produzido em pasta branca, ligeiramente amarelada, vidrada e não apresenta qualquer marca.

 

O segundo, com cerca de 6,2 x 8,8 x 7,8 cm., foi produzido em pasta esbranquiçada pintada mas não vidrada e apresenta a marca "JM / 51". A eventual origem das iniciais JM já havia sido discutida anteriormente aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/69408.html.

 

 

Sendo substancialmente mais pesado e apresentando pasta moldada com maior espessura, é possível que o primeiro paliteiro tenha sido produzido nas Caldas da Rainha.

 

Como se sabe, os paliteiros abertos, tal como os conjuntos abertos para sal e pimenta, eram característicos do século XIX, tendo os modelos decorativos com várias perfurações subsistido até ao primeiro quartel do século XX, como se pode comprovar na diversificada produção da Vista Alegre, altura em que começaram a ser substituídos pelos populares modelos triangulares com um único orifício.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 21:01

Junho 04 2016

 

Par de azulejos em faiança, com cerca de 10,4 x 10,4 cm., produzidos na fábrica Aleluia, de Aveiro.

 

Estes motivos folclóricos estiveram particularmente em voga na produção da fábrica durante a década de 1950, podendo-se encontrar dois outros exemplos aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/371206.html.

 

Tal como ali foi referido – "a recuperação e reformatação dos valores do folclore bem como a sua dinamização nas décadas de 1940 a 1960 está geralmente associada ao Estado Novo e aos vários organismos corporativos desenvolvidos pelo regime – SPN/SNI, FNAT, Casas do Povo."

 

"Um aspecto, contudo, é muitas vezes subvalorizado ou escamoteado na análise desse revivalismo. É que ele havia sido promovido já na década de 1920 por artistas como Bernardo Marques (1898-1962) ou Roberto Nobre, (1903-1969),  certamente na senda da recuperação de um imaginário popular europeu relançado anteriormente pelos Ballets Russes, de Diaghilev (Sergei Pavlovich Diaghilev, 1872-1929), e rapidamente aplaudido, acarinhado e  adoptado pelos modernistas."

 

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