Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Janeiro 31 2017

 

Bule formato Hotel com a inscrição CHÁ LI-CUNGO aplicada com barbotina em relevo sobre o vidrado.

 

Veja-se um bule do mesmo formato ostentando a mesma legenda, mas aplicada com diferente técnica, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/152569.html.

 

Note-se que este exemplar apresenta uma pasta argilosa com acabamento acastanhado, muito diferente da generalidade da produção da FLS, mas semelhante a outras peças da fábrica relacionadas com esta bebida, característica também comum a alguma da produção cerâmica inglesa especificamente destinada ao chá.

 

 

Como já foi referido anteriormente, este chá era cultivado em Moçambique e, como se pode comprovar pela embalagem aqui reproduzida, comercializado através da Companhia da Zambézia.

 

Vejam-se outras peças, também com legendas alusivas ao chá, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/ch%C3%A1.

 

 

© MAFLS


Dezembro 15 2013

 

Chávena de chá e pires, formato Hotel, apresentando uma legenda publicitária do Chá Namúli.

 

Esta marca adoptou o nome do famoso monte Namúli, em Moçambique, celebrado pela qualidade do seu chá.

 

A publicidade a distintas marcas de chá – Licungo, Lipton, em outras peças da FLS, já foi aqui documentada: http://mfls.blogs.sapo.pt/230660.html.

 

A presente imagem consta do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, e é da autoria do fotógrafo João Francisco Vilhena (n. 1965).

 

Note-se que a imagem original foi registada em película e posteriormente digitalizada, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Julho 03 2012

 

Travessa oval em faiança, com cerca de 37,8 x 26,2 cm., apresentando uma variante da decoração habitualmente designada por Cantão Popular pintada à mão e aplicada a stencil (chapa recortada).

 

Este exemplar ilustra uma das inúmeras variantes conhecidas do Cantão Popular, neste caso uma variante produzida pela Companhia da Fábrica [a designação "fábricas" apenas foi instituída por escritura de 3 de Dezembro de 1929] Cerâmica Lusitânia, a única das grandes unidades industriais portuguesas de faiança que parece ter replicado este motivo.

 

Com efeito, a marca pintada e manuscrita existente nesta travessa, e reproduzida no final deste artigo, corresponde à primeira marca conhecida da fábrica Lusitânia, em Lisboa.

 

Uma marca que, sendo pintada e manuscrita, variava consoante a maior ou menor qualidade do pintor e a segurança do seu traço. Imediatamente abaixo pode ver-se uma variante dessa marca aplicada no tardoz de um prato semelhante a outro que já foi apresentado pelo autor do blog A Memória dos Descobrimentos na Cerâmica Portuguesa: http://memoriadosdescobrimentosnaceramica.blogspot.pt/2011/02/n60-prato-nau-portuguesa-fabrica-de.html.

 

 

Embora desde a sua fundação, em 1890, a fábrica Lusitânia tivesse estado particularmente ligada à produção de material cerâmico destinado à construção, e assim tivesse continuado logo após a venda que o casal Bessière efectuou em 1920, surgiu nesta nova fase uma clara intenção de entrar no segmento da loiça doméstica e decorativa.

 

É certamente nesse pressuposto que o artigo terceiro dos estatutos, estabelecidos por escritura de 28 de Dezembro de 1921, consagra o seguinte: "O seu objecto é a fabricação e venda de produtos cerâmicos, especialmente tejolo, telha, manilhas, produtos artísticos e similares (...)".


Mas logo em nova escritura, datada de 2  de Junho de 1925, esse artigo passava a ter diferente redação, clarificando esse objectivo – "O seu objecto é a fabricação e venda de produtos cerâmicos e especialmente telhas, tejolos, manilhas, azulejos, faianças, produtos refractários, ladrilhos, mosaicos, etc. (...)".

 

Talvez o período de transição entre as intenções expressas nos estatutos e a real capacidade de produzir faianças na CFCL explique os intrigantes aspectos patentes nesta travessa.

 

De facto, para além da marca pintada e manuscrita, esta travessa ostenta ainda uma marca impressa na pasta que se pode ver imediatamente a seguir.

 

 

A marca talvez não se apresente muito nítida nesta imagem, mas é perfeitamente legível na peça, à vista desarmada. Trata-se de um conjunto de dois numerais, "57" e "?", entre os quais surge, invertida, a palavra... SACAVEM!

 

Com efeito, esta travessa parece corresponder ao formato Hotel da FLS. Estaremos, portanto, perante um surpreendente caso de produção repartida que, tanto quanto se sabe, ainda não havia sido detectada ou divulgada.

 

Parece, assim, que a CFCL se terá socorrido inicialmente de alguns biscoitos, ou chacotas, da FLS, os quais seriam depois decorados e vidrados nas suas instalações. Esta tese está em consonância com o deficiente vidrado da travessa, que é particularmente visível nas três manchas claras existentes na ponte, as quais correspondem a três áreas não vidradas.

 

Através da consulta de correspondência arquivada no CDMJA sabe-se que a FLS estabeleceu colaboração com outras fábricas portuguesas em situações pontuais, tal como o intercâmbio de ouro para decoração com a VA, em períodos de escassez do produto, mas ainda não haviam sido encontrados documentos, ou peças, que comprovassem uma colaboração com a CFCL.

 

Este exemplar surge, assim, como um importante e inédito testemunho dessa possível colaboração.

 

Sobre características e outros exemplares de Cantão Popular veja-se o que foi escrito nos seguintes blogs:

 

≈  Arte, livros e velharias (http://artelivrosevelharias.blogspot.pt/2011/07/algumas-versoes-do-cantao-popular.html

≈  Lérias e Velharias (http://leriasrendasvelhariasdamaria.blogspot.pt/search/label/Cant%C3%A3o%20Popular%3A%20Amostragem

≈  Velharias (http://velhariasdoluis.blogspot.pt/search/label/faian%C3%A7a%3A%20cant%C3%A3o%20popular).

 

 

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Março 15 2012

 

Pequeno açucareiro, formato Hotel, em pasta azul.

 

 

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Março 01 2012

          

          

 

Bule com decoração floral azul estampada sob o vidrado e complementos a platina sobre o vidrado. Apesar de não apresentar qualquer marca, este exemplar corresponde ao formato Hotel da FLS.

 

Esta decoração nostálgica, que remete para motivos florais de outros séculos, surge como um anacronismo comum nas peças da FLS da década de 1930, pois conhece-se também um outro bule, com o modernista formato Avenida, apresentando uma decoração floral de inspiração oitocentista estampada a azul sob o vidrado.

 

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Fevereiro 10 2012

 

         

 

Bule formato Hotel com a inscrição CHÁ LI=CUNGO sob o vidrado.

 

Conhecem-se outras peças da FLS com inscrições relativas a diferentes marcas de chá – na exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, foi exibida uma chávena de chá e pires, formato Hotel, com a inscrição CHÁ-NAMÚLI, e na exposição 150 Anos – 150 Peças, Fábrica de Loiça de Sacavém, realizada em 2006 no Museu de Cerâmica de Sacavém, foi exibido um bule com a inscrição CHÁ LIPTON.

 

Veja-se um artigo, em inglês, sobre a maior região moçambicana produtora de chá – Gurué (antiga Vila Junqueiro), a que esta marca, a marca Namúli, e outras, se encontravam ligadas, nesta página: http://en.wikipedia.org/wiki/Gurúè.

 

 

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Junho 07 2011

 

Travessa, formato Hotel, decorada sob o vidrado com o motivo Quinta.

 

O motivo Quinta foi produzido com diferentes fundos e diversas representações florais em loiça doméstica  (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/motivo+quinta), existindo também em loiça decorativa, como se indica na tabela de Maio de 1960. Aí, entre jarras, vasos, pratos, bengaleiros, caixas para pó de arroz e cinzeiros, surgem referenciadas 36 peças com esta decoração.

 

Note-se a invulgar marca da FLS, que parece ter sido usada durante as décadas de 1950 e 1960, particularmente no motivo Quinta e em algumas peças de exportação.

 

A mais completa referenciação das marcas da FLS surge no catálogo Porta Aberta às Memórias, volume I, editado pelo MCS em 2008, onde estão reproduzidas quase todas as marcas conhecidas, incluindo esta.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 21:01

Dezembro 22 2009

 

Grande travessa, formato Hotel, estampada sob o vidrado com o motivo Chorão.

 

Para mais informação sobre alguns aspectos relacionados com este motivo pode consultar o seguinte texto: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/23504.html.

 

 

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