Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Março 29 2014

 

Molheira, formato Inglês, com decoração floral policromática estampada por decalcografia.

 

Para além da mancha decorrente da absorção de líquidos e gorduras, note-se como é possível observar, à esquerda, a mancha alargada e angulosa da decalcografia floral.

 

 

© MAFLS

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Julho 20 2013

 

Prato coberto estampado sob o vidrado com decoração monocromática a azul.

 

Embora não apresente qualquer marca, esta peça corresponde indubitavelmente ao formato Inglês das terrinas e pratos cobertos produzidos pela FLS (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/formato+ingl%C3%AAs). Pelo que foi possível comprovar noutros exemplares semelhantes a este, mas marcados, a decoração aqui apresentada corresponde ao motivo Rio.

 

Apesar de as designações de motivos correspondendo a topónimos serem correntes em diversas fábricas nacionais e estrangeiras, não se pode ignorar que o facto de a FLS comercializar motivos com as denominações Brasil (http://mfls.blogs.sapo.pt/221134.html) e Rio (esta suficientemente ambígua para corresponder à cidade do Rio de Janeiro) poderia constituir um atractivo suplementar visando uma eventual exportação para o mercado brasileiro.

 

Nesse mercado, estas designações apelariam não só aos nacionais mas também à vasta comunidade portuguesa. Em Portugal, apelariam ainda particularmente à nostalgia daqueles emigrantes portugueses que, tendo feito fortuna (ou não...) no Brasil, haviam regressado a Portugal – os brasileiros de torna-viagem.

 

Na literatura portuguesa do século XIX, estes brasileiros de torna-viagem já haviam sido consagrados por Camilo Castelo Branco (1825-1890) em muitas das suas obras, havendo ainda no século XX alguns autores que testemunharam essa mesma experiência de emigração, como Ferreira de Castro (1898-1974) e Miguel Torga (pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, 1907-1995).

 

Capa do catálogo da exposição Os Brasileiros de Torna-Viagem no Noroeste de Portugal, realizada em 2000.

 

© MAFLS


Janeiro 19 2013

 

Bilhete postal editado pela FLS, mas não datado, apresentando um conjunto de jantar formato Inglês (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/formato+ingl%C3%AAs), incluindo conchas, molheira, mostardeira e saleiro.

 

Conhecem-se bilhetes postais portugueses da década de 1920, com estas características e impressos nesta cor, produzidos na casa francesa Lévy et Neurdein Réunis, de Paris.

 

A hipotética datação deste postal como sendo da década de 1920, ou mesmo da década de 1930, é ainda consubstanciada pela indicação da sede da FLS na Rua Prata e não na Avenida da Liberdade.

 

Como se sabe, o domicílio social da FLS passou para a Avenida da Liberdade em 1941 (http://mfls.blogs.sapo.pt/188117.html), embora as instalações do rés-do-chão dessa morada abrigassem já uma loja da empresa desde a década anterior.

 

Bilhete postal pertencente ao acervo de José Carlos Roseiro, a quem se agradece a cedência das imagens.

 

 

© MAFLS

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Outubro 05 2012

 

Miniatura de urinol formato Inglez, conforme se verifica pela anotação manuscrita na etiqueta de papel. 

 

Esta raríssima peça, com cerca de 8,7 x 7,1 x 6,5 cm., integraria certamente os mostruários que a FLS disponibilizava através dos seus agentes ou, eventualmente, dos caixeiros-viajantes que representassem a empresa.

 

A tabela de preços de revenda das loiças sanitárias de Julho de 1938 regista urinóis deste formato ao preço de 65$00, referenciando ainda modelos de face e de canto, ao preço de 40$00, e higiénico, ao preço de 120$00. Regista ainda um "Formato especial para serie", "Tipo moderno Higienico", ao preço de 300$00.

 

 

Aparentemente, a marca aqui reproduzida aplicou-se apenas na loiça sanitária da FLS, pois ao contrário do que acontece nas tabelas de serviços de mesa e de loiça decorativa, esta tabela reproduz a marca da FLS que aparece neste exemplar, sem no entanto apresentar o acrónimo S.A.R.L.

 

A brochura encerra com diversos considerandos, entre os quais surgem os seguintes:

 

"A nossa loiça sanitaria é de faiança vitrificada que, não sendo porosa, não pode absorver aguas nem sujidades."

 

"O seu vidrado não é uma simples capa de vidro que cae ou fendilha com pouco uso, deixando infiltrar os detritos. Perfeitamente identificado com a pasta, torna o artigo impermeavel, dando-lhe a condição sine qua non para que seja efectivamente loiça sanitária."

 

"Toda a loiça sanitaria de Sacavem leva a nossa marca registada, devendo os nossos estimaveis clientes rejeitar qualquer peça que lhes seja apresentada como sendo do nosso fabrico e que não tenha a marca Sacavem".

 

 

Através da intervenção de Marcel Duchamp (1882-1968), que em 1917 assinou um exemplar com o pseudónimo de R. Mutt e, invertendo-lhe a  tradicional posição de colocação, o apresentou como uma fonte, o urinol acabou por ser um dos ícones paradigmáticos da revolução da arte na década de 1910.

 

Duchamp, aliás, desenvolveu ainda outros exemplares desses objectos, que posteriormente vieram a ser conhecidos por ready-made, como a roda de bicicleta, de 1913, o escorredor de garrafas, de 1914, e a famosa imagem litografada de Mona Lisa com bigode e pêra e a inscrição L.H.O.O.Q., de 1919 (desta, Duchamp produziu diversas réplicas, as últimas das quais em 1964; cf. http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/96303.html.).

 

A estrutura do escorredor de garrafas foi recentemente evocada e recriada, a outra escala, numa obra (http://mirror.berardocollection.com/?toplevelid=33&CID=102&opt=sw&v1=988&lang=pt) de Joana Vasconcelos (n. 1971) executada em 2006 para a Fundação Colecção Berardo, em Lisboa, que aliás possui uma das réplicas do modelo original que Duchamp veio a produzir já na década de 1960 (http://mirror.berardocollection.com/?toplevelid=33&CID=102&a1=artist&v1=110&lang=pt&tab=works).

 

© Nick Knight Show Studio & Lady Gaga

 

Mais recentemente ainda, o conceito do urinol de Duchamp foi reaproveitado pela cantora e performer Lady Gaga (pseudónimo de Stefani Joanne Angelina Germanotta, n. 1986) para uma sessão fotográfica da revista Japan Vogue Home (http://www.vogue.co.jp/).

 

Esse urinol, da marca Armitage Shanks, em que Lady Gaga inscreveu o texto “I’m not a fucking king Duchamp but I love pissing with you” e a sua assinatura, foi colocado à venda em Novembro de 2011 por US $ 460,000.

 

 

© MAFLS


Janeiro 06 2011

 

Azeitoneira decorada com decalcografia e filete azul pintado à mão sobre o vidrado.

 

Embora esta peça não se encontre marcada, integra o conjunto de uma molheira do formato Inglês (http://mfls.blogs.sapo.pt/79792.html), ilustrado no catálogo de Maio de 1950.

 

© MAFLS

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Dezembro 09 2010

 

Molheira decorada com decalcografia e filete azul pintado à mão sobre o vidrado.

 

Embora esta peça não se encontre marcada, corresponde ao formato Inglês ilustrado no catálogo de Maio de 1950.

 

© MAFLS


Julho 10 2010

 

Terrina com decoração a esmalte azul sobre o vidrado.

 

Embora este exemplar não apresente qualquer marca, nem na pasta nem no vidrado, corresponde ao formato Inglês da FLS, ilustrado no Catálogo de Formatos de Loiças Domésticas, de Maio de 1950.

 

Este formato já surgia referenciado no suplemento de 1 de Setembro de 1931 à tabela geral, com os preços de 170$00, branco, 190$00, colorido s/ ouro, e 210$00, colorido com ouro, para os serviços de 49 peças destinados a 6 pessoas. Os serviços de 94 peças, destinados a 12 pessoas, apresentavam os seguintes preços – 330$00, branco, 365$00, colorido s/ ouro, e 405$00, colorido com ouro.

 

Para as pinturas coloridas c/ ouro e "tarja azul sévres" [i. e., azul cobalto], números 170 ou 172, surgiam os preços de 255$00, para o serviço de 6 pessoas, e 490$00, para o serviço de 12 pessoas.

 

 

De acordo com o mesmo suplemento, a composição de um serviço de jantar para 6 pessoas era a seguinte – 1 terrina, 1 prato terrina, 1 prato coberto, 1 saladeira, 1 molheira, 2 azeitoneiras, 1 saleiro, 1 mostardeira, 1 travessa grande, 2 travessas médias, 1 travessa pequena, 24 pratos (6 de sopa, 18 de guardanapo), 6 pratos de sobremesa e 6 pratos de doce.

 

Já o serviço para 12 pessoas apresentava 2 terrinas, 2 pratos terrinas, 2 conchas, 2 pratos cobertos, 1 saladeira,  1 mostardeira, 4 azeitoneiras, 1 saleiro, 1 molheira, 2 travessas grandes, 2 travessas médias, 2 travessas pequenas, 48 pratos (12 de sopa, 36 de guardanapo), 12 pratos de sobremesa e 12 pratos de doce.

 

Na tabela de Janeiro de 1932, o prato para terrina surge a 13$70, para branco, 15$65, para colorido s/ ouro, e 19$50 para colorido c/ ouro do 1.º lote (0,35x0,27 cm) e a 6$85, 8$80, e 11$75, respectivamente, para o 2.º lote (0,31x0,25 cm). As terrinas surgem, pela mesma ordem, a 25$00, 32$00 e 40$00 para o 1.º lote (2,5 litros), 20$00, 26$00 e 30$00 para o 2.º lote (2 litros), e a 11$50, 15$00 e 20$00 para o 3.º lote (5 decilitros). Como se depreende, este serviço continua a ser referenciado nas tabelas de 1938 e 1949.

 

A terrina reproduzida tem a capacidade de 2 litros, pelo que pertence ao 2.º lote, e custaria 26$00, uma vez que não se encontra decorada com azul cobalto.

 

© MAFLS


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