Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Dezembro 30 2016

 

Jarra em grés, com cerca de 24,8 cm. de altura, produzida pela fábrica francesa Rambervillers.

 

Este modelo surgiu pela primeira vez no catálogo de 1920 e, com excepção do azul metalizado característico da empresa, apresenta tonalidades esverdeadas similares a algumas das que surgem, na mesma época, nos vidrados escorridos da fábrica americana Fulper (http://mfls.blogs.sapo.pt/the-twelve-days-of-christmas-ii-339668).

 

Também os elementos verticais, que ora evocam uma estranha estilização vegetal truncada ora adornos metálicos repuxados ao gosto Arts & Crafts, surgem de forma similar, mas desenvolvendo-se a partir da base, em alguns formatos daquela empresa americana.

 

 

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Dezembro 29 2016

 

Pequena jarra em grés, com cerca de 11 cm. de altura, da fábrica francesa La Faïencerie Héraldique, localizada em Pierrefonds.

 

A combinação de um corpo de linhas curvas, naturalmente sugestivas da modelação artesanal (embora este exemplar tenha sido moldado), com remates angulosos remete para a execução de peças em metal e para um certa ideia característica da prática Arts & Crafts.

 

Tal prática surge também, pontualmente, na produção de outras empresas, como a francesa Denbac (http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/118998.html).

 

 

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Dezembro 25 2016

 

Duas jarras em grés produzidas na fábrica francesa Denbac.

 

Em cima, pequeno exemplar com cerca de 12,2 cm. de altura, ostentando o número 32, que corresponde ao formato e à sua catalogação. 

 

Apresenta o característico vidrado microcristalino da empresa escorrendo em três tonalidades sobre uma forma com sinuosas linhas, de inspiração vegetal, ao gosto Art Nouveau.

 

 

Jarra, que poderia também ser usada como base de candeeiro embora não apresente qualquer perfuração para esse fim, com cerca de 28,8 cm. de altura.

 

Ostenta o número 50 e o vidrado microcristalino, predominantemente em tons de verde e azul, que habitualmente se associa aos clássicos escorridos da Denbac.

 

Consulte-se informação sobre a empresa, e vejam-se mais alguns exemplares da produção Denbac, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/denbac.

 

 

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Outubro 02 2016

 

Jarra em grés com cerca de 17,4 cm. de altura, 12,9 cm. de diâmetro na base e 6,8 cm. no topo.

 

Apresenta punção na base, acima do tardoz, que corresponde ao ceramista Martim Santa Rita (n. 1964), tendo a peça sido produzida cerca de 2005.

 

Veja-se o belíssimo site deste ceramista, em Inglês, aqui: http://martim.oficinaraku.com/, e a sua página do FB aqui: https://pt-br.facebook.com/SantaRitaProjectoCeramicaEArte .

 

 

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Setembro 18 2016

 

Medalha em grés, com cerca 0,8 cm. de altura e 9 cm. de diâmetro, comemorativa dos 58 anos da fundação (25 de Abril de 1921) da fábrica de Valadares (http://archvaladares.com/historia/).

 

Esta fábrica de azulejaria e loiça sanitária, uma das maiores a laborar em Portugal durante a segunda metade do século XX, passou durante os últimos anos por diversos problemas que quase a levaram à falência, mas entretanto retomou a produção e parece estar a recuperar daquela situação periclitante.

 

Registe-se que, embora tal não corresponda hoje à imagem de marca da empresa, a Valadares criou e comercializou cerâmica decorativa durante o segundo quartel do século XX.

 

Como já foi aqui referido (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/clariano+casquinha+da+costa), um dos melhores modeladores da FLS, Clariano Casquinha da Costa (1929-2013), abandonou esta última fábrica para ingressar na Valadares durante a década de 1960.

 

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Setembro 01 2014

 

 

Prato de parede, com cerca de 21,4 cm. de diâmetro, apresentando assinatura manuscrita que parece corresponder às iniciais do ceramista francês Alfred Renoleau (1854-1930).

 

Esta peça de aspecto algo sombrio, e com uma imagem talvez pouco atractiva ao primeiro olhar, representa de facto uma interessante evolução no tratamento e exploração das características dos vidrados por parte de Renoleau.

 

A atraente superfície beige mate que se pode observar no tardoz recobre toda a pasta cerâmica branca. Sobre este fino vidrado, muito suave ao toque, foram depois aplicadas outras camadas espessas que conferem ao conjunto o seu aspecto experimental, rugoso e envelhecido, de onde sobressai a silhueta recortada de cervídeo.

 

Um exemplar com estas características específicas apenas pode ser justamente apreciado e percepcionado quando manuseado, o que permite apreender simultaneamente, através do tacto, o contraste entre os diferentes vidrados das suas duas faces.

 

O motivo, que evoca claramente a herança pictórica de grutas como Altamira ou Lascaux, e foi também tratado no período Art Déco por outras fábricas europeias, como a consagrada belga Boch Frères, corresponde certamente à produção final de Renoleau, sendo este acabamento um exemplo da maturidade das suas pesquisas e da sua praxis no vidrado cerâmico.

 

 

Uma superfície rugosa muito semelhante haveria de vir a ser aplicada em alguma cerâmica alemã das décadas de 1950, 1960 e 1970, cujo acabamento vidrado, curiosamente, acabaria por ser conhecido, já este século, através de uma expressão inglesa - fat lava (http://originalfatlava.wordpress.com/scheurich/).

 

Obviamente, esta designação evoca as expressões Etna e Vesuve correspondentes aos vidrados microcristalinos desenvolvidos pela fábrica francesa Sarreguemines (http://mfls.blogs.sapo.pt/278871.html), bem como outros tipos de vidrados escorridos oitocentistas.

 

O pequeno exemplar de fat lava ilustrado acima foi produzido pela fábrica alemã ES Keramik, cujas iniciais correspondem a Josef Emons & Söhne, de Rheinbach. Esta empresa foi fundada em 1921, cindiu-se em duas no pós-guerra, e acabou por encerrar em 1974.

 

O principal designer desta fábrica foi Willi Hack (datas desconhecidas), que ali laborou desde 1954 até 1974, sendo Hans Kraemer (datas desconhecidas) o modelador de todas as formas desde 1952 até 1968.

  

Veja-se outra peça de Renoleau, esta com vidrado escorrido ao gosto orientalizante de finais do século XIX, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/278173.html.

 

     

 

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Janeiro 04 2014

 

Como se pode verificar através deste exemplo, embora a jarra assinada por Charles Catteau reproduzida no ano passado (http://mfls.blogs.sapo.pt/213467.html) fosse um notável paradigma do melhor que se produziu naquela fábrica, a Société Anonyme des Produits Céramiques de Rambervillers produziu também peças que nada tinham de excepcional quanto ao seu formato.

 

Correspondente ao modelo 381, a jarra encontra-se referenciada nos catálogos de 1920 e 1930, apresentando este exemplar uma curiosa palette de algumas das diferentes tonalidades que a fábrica conseguia obter nos seus vidrados.

 

Mas a empresa consolidou a sua imagem de excepcional qualidade com base em peças como a que surge abaixo, mesmo quando estas apresentavam apenas diferentes variantes do seu famoso vidrado azul.

 

 

 

Referenciada já no catálogo de 1907, esta peça, assinada por René Jeandelle (1883-1935) e com cerca de 26,8 cm. de altura, foi uma das duas que o artista modelou para representar a famosa dançarina americana Loïe Fuller (1862-1928; veja-se uma caricatura que Rafael Bordalo Pinheiro fez dela, em 1902, numa posição muito semelhante, aqui: http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/69718.html.)

 

Tal como a actriz Sarah Bernhardt (1844-1923) o epitomizou nas artes gráficas, a dançarina Loïe Fuller epitomizou o espírito Art Nouveau na arte das esculturas de pequenas dimensões, algumas das quais podem ser vistas aqui: https://sites.google.com/site/artnouveaudance/catalog/sculpture.

 

Observando a peça de Rambervillers que surge na ligação acima mencionada, nota-se que apresenta detalhes mais nítidos e modelação mais vincada do que este exemplar. Isso deve-se ao facto de o exemplar aqui ilustrado ser já da década de 1950, denotando portanto um maior desgaste do molde.

 

A talentosa bailarina canadiana Margie Gillis (http://www.margiegillis.org/), recuperou notavelmente, desde finais do século XX, a arte da dança a solo que Loïe Fuller havia celebrizado cem anos antes.

 

     

 

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Janeiro 02 2014

 

Pequena jarra em grés com as iniciais AR, correspondentes a Alfred Renoleau (1854-1930), impressas na base.

 

Este ceramista dedicou-se inicialmente à produção de peças em faiança que, no seu melhor, recuperavam, sem desprimor, a composição escultural herdada do célebre estilo Palissy.

 

Posteriormente, influenciado talvez pelas tendência japonizante que resultou das exposições universais do último quartel do século, Renoleau passou a interessar-se pela produção de grès flammés.

 

 

Na produção de grés, executou quer peças esculturalmente modeladas quer peças de formato mais convencional, como a jarra que aqui se apresenta.

 

Esta pequena peça, apenas com cerca de 8 cm. de altura, dimensões que sugerem estarmos perante uma amostra de produção destinada a ser exibida por representantes da fábrica ou caixeiros-viajantes, traduz o elevado grau de perfeição e controle de vidrado multicolorido que Renoleau atingiu na sua obra.

 

Fundada em Angoulême no ano de 1896, a fábrica passou a ser administrada, após a morte do fundador, pelo seu sobrinho e filho adoptivo Joseph Roulett-Renoleau (1886-1956), encontrando-se ainda hoje em funcionamento e na posse dos seus descendentes (http://www.roullet-renoleau.fr/ROULLET_RENOLEAU_WEB/FR/Accueil.awp).

 

 

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Dezembro 26 2013

 

Um apurado sentido da estética contemporânea e uma grande perícia como ceramista  foram características fundamentais para estabelecer e desenvolver a qualidade e a celebridade, restrita ainda hoje a um círculo específico de especialistas e coleccionadores, das peças produzidas em grés por René Denert (1872-1937).

 

Fundada por Denert e René Louis Balichon (1885-1949), em Vierzon, França, no ano de 1910, já no período de declínio criativo do estilo Art Nouveau, a fábrica Denbac (denominação instituída c. 1914) consagrou grande parte do seu tempo à produção de exemplos notáveis e singulares de peças cerâmicas decorativas que epitomizam perfeitamente este movimento.

 

As quatro peças aqui reproduzidas ilustram, embora de forma incompleta, o aspecto ecléctico das formas e dos vidrados desenvolvidos por Denert quer no estilo Art Nouveau quer no estilo Art Déco, bem como o grande sentido escultórico que este imprimiu ao seu trabalho.

 

Apresentando vidrados quer mates quer brilhantes, ou uma combinação dos dois, mas com acentuada preferência pelos primeiros, Denert desenvolveu peças onde a estilização do figurativismo vegetal se combina com os microcristais escorridos para conceder à obra cerâmica uma harmonização simultaneamente discreta e feérica, em particular quando  a luz incide fortemente sobre o vidrado e faz cintilar a sua componente cristalina.

 

A utilização de microcristais no vidrado – técnica frequente durante o final do século XIX e princípios do século XX em fábricas como Pierrefonds, Sarreguemines e Sèvres, em França, Royal Copenhagen, na Dinamarca, Ruskin, em Inglaterra, Fulper e Roseville, nos E.U.A., e muitas mais, assumiu na fábrica Denbac uma expressão singular precisamente devido ao sentido e à harmonia escultórica que Denert desenvolveu nas peças que serviam de suporte ao vidrado microcristalino.

 

 

A primeira jarra, com cerca de 20,5 cm. de altura, ostenta uma combinação azul-esverdeada característica do vidrado da fábrica e apresenta uma notável modelação vegetalista elaborada ao sinuoso gosto Art Nouveau.

 

A segunda, com cerca de 9,8 cm. de altura, apresenta diferente combinação de vidrados numa inequívoca e clara alusão ao monte Fuji, ícone que surgia de forma algo equívoca e estilizada na peça BFK ontem apresentada (http://mfls.blogs.sapo.pt/276165.html), materializando assim mais uma homenagem ocidental à tradição cerâmica do Japão.

 

Este formato, correspondente ao número 185, não é exclusivo da Denbac, conhecendo-se variantes, com maiores ou menores semelhanças, em diversas fábricas e oficinas francesas e europeias. Aliás, dentro da própria produção da Denbac, esta mesma peça poderá ter surgido como uma variante mais depurada e harmoniosa do formato 184.

 

Fora da Denbac, a variante mais próxima deste formato 185, ligeiramente menos larga e menos achatada, é a que corresponde ao formato 124 criado em grés por Jean Pointu (1843-1925), já na fase final da sua carreira, depois de se instalar em Saint-Amand-en-Puisaye (http://www.grespuisaye.fr/ecolecarries/jpointu.html).

 

O facto de Pointu apenas ter começado a produzir grés a partir de 1906, ano da sua instalação naquela localidade, coloca a curiosa questão de saber qual das peças poderá ter inspirado a outra, pois Denert registou a empresa Denert, consagrada à produção de grès flammés e antecessora da Denbac, em 1909.

 

 

 

A terceira jarra, com cerca de 21,6 cm. de altura, ostenta novamente a mais célebre combinação cromática da Denbac, apresentando já um formato geometrizante ao gosto Art Déco.

 

Evocando, de alguma maneira, formas que surgem nas civilizações pré-colombianas e nas versões menos exuberantes da tendência Déco designada, particularmente no sudoeste dos EUA, por Pueblo Deco, esta proposta de composição haveria de surgir também numa peça de secções cilíndricas sobrepostas, da linha Futura, produzida na fábrica americana Roseville.

 

 

Finalmente, a última jarra, com cerca de 31,2 cm. de altura, apresenta de forma harmoniosa, discreta e elegante um dos símbolos da França – a flor-de-lis, integrando-o numa subtil composição escultórica de inspiração vegetalista.

 

O vidrado aqui patente, também comum a muitas outras peças Denbac, traduz nas suas tonalidades a ideia sugerida pela designação da técnica utilizada para produzir as peças – grès flammés, nesta pequena mas artisticamente importante unidade industrial cerâmica que acabou por encerrar em 1952.

 

Vejam-se diversos outros exemplares da produção Denbac aqui: http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/tag/denbac, e aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/tag/denbac, e consulte-se o fundamental trabalho de catalogação que Alexandre Hoffman está a desenvolver aqui: http://sandre74.free.fr/index%202006.htm.

 

               

 

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Julho 25 2012

   

 

Mais um exemplar das peças tardias, não marcadas, executadas em grés pela FLS.

 

Com cerca de 18,4 cm. de altura, e 7,3 cm. de diâmetro na base, este exemplar apresenta um vidrado verde brilhante invulgar, mais comum nas peças sanitárias do que nas peças de loiça decorativa.

 

Como se pode observar no lado direito da base, uma característica complementar destas peças é a apresentação de um vidrado imperfeito, que não recobre completamente a superfície.

 

Esta escultura corresponderá ao número 382 da tabela de Novembro de 1945, surgindo sob a referência Figura de Cegonha, ao preço de 61$50 para "Colorido s/ ouro". Na tabela de Maio de 1951 surge ainda ao preço de 70$50, para "Côres mates ou coloridos s/ ouro", não surgindo já na tabela de Maio de 1960.

 

Um exemplar semelhante, aparentemente não vidrado mas com decoração policromática, pode ser visto no segundo volume do catálogo da exposição Porta Aberta às Memórias, realizada no MCS em 2008. Um outro exemplar em gesso pode também ser visto no catálogo da exposição Porta Aberta às Memórias, segunda edição, realizada no MCS em 2009.


Em ambos a peça aparece catalogada como sendo um pelicano.

 

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