Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Setembro 01 2013

 

Chávena de café e pires, em porcelana da fábrica Artibus, de Aveiro, ostentando o brasão de armas do navegador Gaspar Corte Real (c. 1450-1501?). O pires apresenta ainda a marca, impressa a azul sobre o vidrado, "Hand Painted" (pintado à mão).

 

Este conjunto terá sido produzido, muito provavelmente, num período próximo das comemorações henriquinas, que decorreram em 1960.

 

A diferença entre as cores do brasão desta chávena e as da medalha que se apresenta abaixo deve-se ao facto de a chávena representar em prata, entretanto escurecida, as cores que na medalha surgem a esmalte branco.

 

A representação em prata é a que segue fidedignamente os preceitos heráldicos para as armas deste navegador.

 

 

Medalha em bronze dourado e esmalte, com o módulo de 50 mm., apresentando o brasão de Gaspar Corte Real. Integra um conjunto de 12 medalhas, evocativas de outros tantos navegadores portugueses, cunhadas e comercializadas na década de 1980.

 

A modelação foi executada por J. P. Abreu Lima (1922-2009) e a cunhagem efectuada pela empresa Gravarte, de Lisboa. Este exemplar corresponde ao número 287 de uma tiragem prevista de 1.000 conjuntos de medalhas, conforme indica a sua numeração à francesa.

 

No entanto, de acordo com o gravador Vasco Costa (n. 1930), fundador da empresa Gravarte/Indugrave (http://gravarte-gravadores.pai.pt/), a tiragem acabou por se limitar a um número próximo dos 300 conjuntos.

 

 

© MAFLS


Agosto 24 2013

 

Grande prato de parede, com cerca de 37,2 cm. de diâmetro, em faiança da fábrica Soares dos Reis, de Vila Nova de Gaia, decorado com um fantasioso motivo heráldico, ostentando um elmo de cavaleiro, pintado à mão sob o vidrado.

 

A pequena superfície triangular não vidrada, visível na parte inferior da fotografia, corresponde a um defeito de fabrico.

 

Sobre esta fábrica e a empresa sua antecessora, a Fábrica do Agueiro, veja-se o que já foi escrito anteriormente: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/f%C3%A1brica+soares+dos+reis.

 

 

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Agosto 10 2013

 

Medalha em terracota relevada, com cerca de 5,7 x 3,8 x 0,8 cm., ostentando o antigo brasão de Reguengos de Monsaraz no anverso e a legenda REGUENGOS / 15 / DE AGOSTO DE / 1922 no reverso. 

 

Recuperada com outro formato durante as duas últimas décadas, a concorrida feira de Agosto, em Reguengos de Monsaraz (http://www.cm-reguengos-monsaraz.pt/pt), ecoa uma tradição com muitas mais décadas no concelho e na região do Alto Alentejo.

 

É possível que esta medalha, cuja gramática formal, muito característica das últimas décadas do século XIX e das primeiras do século XX, também se encontra noutras regiões portuguesas, como as Caldas da Rainha (http://mfls.blogs.sapo.pt/125187.html) e Estremoz, tenha sido produzida numa olaria da região de Reguengos de Monsaraz.

 

Contudo, da Olaria Alfacinha, em Estremoz, cujas origens remontam ao século XIX, conhecem-se algumas medalhas semelhantes – uma datada de 1933 e alusiva às Festas de Estremoz, outra datada de 26 de Setembro de 1970 e alusiva à inauguração da Pousada de Santa Isabel.

 

De acordo com o já citado opúsculo Cerâmica Portuguesa (1931), a Olaria Alfacinha terá sido fundada em 1881. Permaneceu na posse da família até 1987, acabando por encerrar em 1995 (cf. http://museuestremoz.wikia.com/wiki/Fam%C3%ADlia_Alfacinha).

 

Assim, esta medalha alusiva a Reguengos de Monsaraz poderia também ter sido produzida nessa olaria embora, ao contrário desta, as duas medalhas anteriormente referidas apresentem no anverso a alusão ao evento e no reverso apenas a marca Olaria Alfacinha.

 

 

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Outubro 14 2012

 

Jarra em faiança, com cerca de 21,8 cm. de altura, da fábrica Faiança Battistini, de Maria de Portugal, apresentando o brasão de Santarém e as datas evocativas dos oitocentos anos da conquista da localidade aos mouros.

 

Maria de Portugal (pseudónimo de Albertina dos Santos Leitão, 1884-1971), discípula e musa de Leopoldo Battistini (1865-1936), surge retratada em vários obras de Battistini datadas das décadas de 1910 e 1920.

 

Depois do breve matrimónio com Clotilde Pinto de Carvalho (c. 1882- ?; matrimónio, 1899-1903?; divórcio definitivo decretado em 1912), Battistini manteve com Maria de Portugal uma relação afectiva que se prolongou por cerca de dezoito anos.  

 

 

Embora a generalidade da bibliografia sobre a fábrica refira que Maria de Portugal apenas assumiu a sua direcção e gestão após o falecimento de Battistini, foi recentemente levantada a hipótese de isso ter acontecido em 1930, hipótese consubstanciada na data e na abreviatura que surgem nesta peça: http://artelivrosevelharias.blogspot.pt/2011/05/pote-da-fabrica-constancia.html.

 

A hipótese de leitura da referida abreviatura foi colocada como sendo "Companhia [de Maria de Portugal]". Contudo, dado que a legibilidade da mesma é contestável, é mais provável que estejamos perante a abreviatura da palavra "composição", a exemplo da inscrição, por extenso, que se encontra num dos painéis do conjunto azulejar pintado em 1940 para o Mercado dos Lavradores, no Funchal, como se pode ver abaixo.

 

 

Fundada em 1836, em Lisboa, como Companhia Fabril de Louça, aquela que viria a ser a fábrica Battistini recebeu em 1842 a designação de Fábrica de Cerâmica Constância, nome que haveria de perdurar até à falência da empresa, ocorrida já neste século.

 

Durante o século XIX, o grande impulsionador da qualidade cerâmica e da celebridade da fábrica foi Wenceslau Cifka (1811-1884), que ali mandou cozer muitas das mais de centena e meia de peças que se lhe conhecem. Nascido na Boémia, Cifka parece ter chegado a  Portugal no contexto do casamento de D. Maria II (1819-1853; rainha, 1834-1853) com D. Fernando (1816-1885), realizado em 1836.

 

Em Portugal, a sua primeira actividade pública mais notória foi a de fotógrafo, surgindo já com um estúdio em Lisboa no ano de 1848 e assumindo  o estatuto de fotógrafo da Casa Real em 1855.

 

A sua ligação à produção cerâmica terá decorrido a partir da década de 1860, muito embora a primeira peça datada e assinada conhecida apenas seja de 1870. Nesta área, o seu percurso foi vertiginoso e as suas qualidades reconhecidas internacionalmente, tendo participado com sucesso na Exposição de Paris de 1878 e, como já foi referido (http://mfls.blogs.sapo.pt/20086.html), na Exposição do Rio de Janeiro de 1879. 

 

Não é muito extensa a bibliografia dedicada exclusivamente a Cifka, sendo a obra mais recente o catálogo da exposição Cifka: Obra Cerâmica, realizada em 1993-1994 no Museu Nacional do Azulejo.

 

Capa de catálogo reproduzindo uma tela de Battistini intitulada Amanti (c. 1914).

 

Natural de Jesi, Itália, Leopoldo Battistini chegou a Portugal em 1889 para leccionar na Escola Avelar Brotero, em Coimbra, onde permaneceu até 1903. Nessa cidade veio a criar amizade com diversos intelectuais, escritores e artistas, entre os quais Eugénio de Castro (1869-1944) e Carlos Reis (1863-1940).

 

Transferindo-se para Lisboa em 1903, passou a leccionar na Escola Marquês de Pombal. Depois de quase duas décadas de ensino e bem sucedidas exposições de pintura nesta cidade, Batistini assumiu em 1921, com Viriato Silva (datas desconhecidas), a recuperação e administração da fábrica Constância, que apenas depois do seu falecimento, por homenagem de Maria de Portugal, passou a ostentar o seu nome.

 

Logo nessa década a qualidade da produção cerâmica da fábrica foi, mais uma vez, reconhecida e aclamada além fronteiras, particularmente nas exposições de Milão, realizada em 1927, e de Sevilha, realizada em 1929.

 

Uma vista parcial do pavilhão de Portugal em Sevilha, com revestimentos azulejares executados por Battistini e Viriato Silva, já foi aqui apresentada anteriormente: http://mfls.blogs.sapo.pt/59383.html.

 

No artigo de José Dias Sanches (1903-1972) ali referido, Como se Trabalha em Azulejos, publicado no magazine Civilização, número 44, de Fevereiro de 1932, surge ainda, apesar da exclusividade do título, uma imagem de um monumental "Pote estilo D. João V, de Baptistini e Viriato Silva", que se reproduz abaixo.

 

 

Esta imagem já havia sido apresentada no Diário de Notícias de 11 de Abril de 1929, para ilustrar o seguinte texto:

 

"Na Fabrica Ceramica Constancia, Ltd. esteve ontem exposto, para a Imprensa, o jarrão de faiança artistica que aquela empresa vai enviar ao certame de Sevilha.

Trata-se dum trabalho que honra sobremaneira o nosso país e os seus executantes, srs. Leopoldo Battistini e Viriato Silva.

A notavel peça, que se intitula ' Varões de Portugal ', tem por divisa o seguinte verso dos ' Lusiadas ': ' Aqueles que por obras valorosas se vão das leis [sic] da morte libertando ' e é encimada por um elmo de cavaleiro. O brasão de D. João II, o iniciador da grandes descobertas marítimas, constitui a sua principal peça de heraldica. No jarrão, que tem na base reproduções das três caravelas [sic] que foram á India e, na peanha, uma teoria das esferas armilares, vêem-se ainda brasões de guerreiros e navegadores."

 

Ainda do artigo de José Dias Sanches transcreve-se de seguida um breve trecho, dedicado a Battistini:

 

"Êste artista realizou a continuidade da grande obra de Lucca Della Robbia, na execução de um altar em majolica, representando um milagre de Santo António, em rica policromia. Ultimamente tem pintado notáveis trabalhos, destinguindo-se a reprodução das Tapeçarias de Pastrana, trabalho policrómico de grande valor técnico. Na exposição que efectuou em Milão, em 1927, entre vários trabalhos, avultava o panneaux da Madonna del Fascio em estilo primeira renascença, o qual foi adquirido por Mussolini, e que se encontra actualmente na Igreja de Predapio. As suas últimas produções foram executadas para a Biblioteca Municipal, no Palácio Galveias."

 

Leopoldo Battistini retratado por Carlos Reis.

 

Em 1969, na sequência da doação de dezenas de peças por Maria de Portugal, foi inaugurada na escola Marquês de Pombal, em Lisboa, uma sala consagrada a esse acervo de Battistini. Ainda hoje ali podem ser observadas algumas das criações cerâmicas deste autor, nomeadamente a notável jarra Nereida de Harlem, que tão ligada está ao Simbolismo português e à obra homónima (1896) de Eugénio de Castro.

 

Também ali se encontra patente o retrato de Battistini executado por Carlos Reis.

 

Tal como acontece com Cifka, tampouco é muito extensa a bibliografia exclusivamente dedicada a Battistini, destacando-se os opúsculos Harmonia Latina (1936), de Joaquim Leitão (1875-1956), e Leopoldo Battistini: Um Pré-Rafaelita Italiano na Dimensão do seu Classicismo (1992), de Manuel Cadafaz de Matos (n. 1947), e os catálogos das exposições Leopoldo Battistini: Exposição Artística e Documental (1984) e Leopoldo Battistini e l'Accademismo Romantico nella Provincia di Ancona tra ' 800 e ' 900 (1987).

 

A monografia mais completa, e recente, sobre este artista italiano deve-se a Maria Alice de Oliveira Lázaro (datas desconhecidas), que elaborou uma dissertação de mestrado publicada pela Câmara Municipal de Coimbra, em 2002, sob o título Leopoldo Battistini: Realidade e Utopia.

 

 

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Junho 05 2012

 

Prato fundo (de sopa), em pasta azul, com brasão não identificado sobre o vidrado.

 

Pelo seu recorte, este prato parece corresponder ao formato Império.

 

 

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Julho 10 2011

 

Prato decorativo, de médias dimensões, com decoração heráldica, ostentando um brasão estilizado não identificado, aplicada a stencil (chapa recortada) e pintada à mão sob o vidrado.

 

Não apresenta qualquer marca podendo, pelo fundo estanífero que suporta a decoração, ser atribuível a uma qualquer oficina das regiões de Alcobaça, Aveiro, Coimbra, Leiria/Pombal ou outras.

 

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