Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Setembro 06 2010

Legenda original, no artigo: "O novo forno, que tem 85 metros de comprimento [e] 6 d'alto."

 

Transcreve-se de seguida, integralmente, o artigo Uma Festa Operária publicado na revista Ilustração Portuguesa, número 346, de 7 de Outubro de 1912:

 

"A vida do trabalhador vae-se modificando por toda a parte. Ha sempre uma grande lição a tirar das relações entre o proletariado e o capitalismo. São eles unidos que fomentam a riqueza e se equilibram. As festas de trabalhadores em que tomam parte n'uma confraternisação comovente ficam sempre assinaladas como promessas de bom futuro.

 

Realisou-se ha dias na fabrica de louça de Sacavem uma d'essas festas em que o proprietario do grande estabelecimento, sr. Gilman, se mostrou um devotado amigo dos seus operarios, aos quaes ofereceu o seu retrato, com as palavras do maior carinho.

 

Legenda original, no artigo: "A' entrada do novo forno [17?]: As vagonetas da louça."

 

Inaugurou-se tambem no mesmo dia na fabrica um grande forno para cosedura [sic], o que representa um importante melhoramento na industria da louça d'aquela fabrica já classica em Portugal.

 

O sr. Gilman passou entre os seus operarios e de todos ouviu os mais entusiasticos aplausos, sendo uma verdadeira confraternisação essa festa do industrial e dos seus obreiros.

 

As raparigas empregadas nas oficinas fizeram tambem uma calorosa recéção ás senhoras da familia Gilman e ás suas convidadas, sendo tocante e enternecedor esse espetaculo nas vastas dependencias e nos terrenos da fabrica no dia da festa aos trabalhadores dedicada."

 

Legenda original, no artigo: "Uma operaria da fabrica, transportando louça."

 

Todas as fotografias que ilustram o artigo, e foram aqui reproduzidas, são da autoria de Joshua Benoliel (1873-1932).

 

© MAFLS


Agosto 29 2010

 

Imagens publicadas originalmente na revista Ilustração Portuguesa, número 346, de 7 de Outubro de 1912, a complementar o artigo Uma Festa Operária.

 

Em ambas se pode observar James Gilman (1854-1921), sendo particularmente notável na imagem de cima a numerosa presença e a importância das operárias na FLS.

 

Na fotografia de baixo, à direita de James Gilman, pode-se ver novamente o mestre geral da fábrica, José de Sousa (datas desconhecidas).

 

 

© MAFLS


Agosto 25 2010

 

Imagens publicadas originalmente na revista Ilustração Portuguesa, número 346, de 7 de Outubro de 1912, a complementar o artigo Uma Festa Operária.

 

Na fotografia de cima vê-se a família de James Gilman (1854-1921) caminhando entre uma alameda de palmas ornamentadas com pratos decorativos, cromolitografados com figuras femininas. No desenho da cercadura, notem-se as vinhetas alusivas à diversa produção cerâmica da FLS.

 

Na fotografia de baixo pode-se observar James Gilman, à esquerda,  acompanhado do mestre geral da fábrica, José de Sousa (datas desconhecidas).

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Setembro 10 2009

 

 

Prato estampado em policromia, celebrando o sétimo centenário do nascimento de Santo António de Lisboa (1195-1231), conhecido também como Santo António de Pádua.

 

A imagem evoca um episódio mencionado nos relatos medievais da vida dos santos que se seguiram à  Legenda Aurea, de Jacobus de Voragine (c. 1230-1298), particularmente nos diversos Flos Sanctorum, e que foi fixado para a parenética e para a literatura pelo Padre António Vieira (1608-1697), no seu famoso Sermão de Santo António aos Peixes (1654).

 

A marca Real Fábrica de Sacavém está associada à protecção real concedida à fábrica, particularmente durante a vida do rei consorte D. Fernando II (1819-1885), e à nomeação em 1885 de John Stott Howorth (1829-1893) como Barão Howorth de Sacavém, título que lhe foi concedido por D. Luís I (1838-1889; rei, 1861-1889).

 

A designação "Real" segue a tradição inglesa de atribuição de privilégios a determinadas empresas e fornecedores reais, numa nomenclatura que inclui as designações "Royal", "Purveyor" e "By appointment to".

 

Este prato apresenta uma marca aplicada sobre o vidrado, algo pouco comum na FLS, pelo que este facto, aliado à limpidez da legenda, poderá traduzir uma adopção desta prática no período de  transição para a marca da administração dos herdeiros do Barão Stott Howorth e de James Gilman.

 

 

© MAFLS


Setembro 01 2009

 

Secção do Museu de Cerâmica de Sacavém que preserva no local original o forno número 18.

 

Fundada entre 1856 e 1859 na localidade de Sacavém, à época pertencente a Lisboa e a partir de 1886 ao então recém-criado concelho de Loures, a fábrica manteve durante décadas a mítica referência a 1850 como ano de fundação, tendo a administração celebrado oficialmente o seu centenário em 1950.

 

Não se conhece, contudo, documentação que consolide a referência de 1850 como data de fundação da empresa, pelo que actualmente se aceita 1856 como o ano em que Manuel Joaquim Afonso (1804-1871) procedeu à efectiva fundação da fábrica, embora João Teodoro Ferreira Pinto Basto (1870-1953), na sua obra A Cerâmica Portuguesa (1935), indique a data de 1859.

 

Antes de estabelecer esta empresa, Manuel Joaquim Afonso administrara a fábrica de vidros da Marinha Grande, que fora de John Beare (datas desconhecidas) e depois dos irmãos Stephens (Guilherme, 1731-1803, e João Diogo, 1748-1826), e a fábrica de vidros da Rua das Gaivotas, em Lisboa.

 

A permanência de Manuel Joaquim Afonso na empresa que fundara foi breve, tendo-a vendido entre 1861-1863 a John Stott Howorth (1829-1893; nomeado Barão Howorth de Sacavém em 1885). Logo após a morte deste último proprietário, os seus herdeiros estabeleceram uma parceria empresarial em comandita com James Gilman (1854-1921), antigo funcionário da fábrica.

 

John Stott Howorth teve descendêndia de três senhoras – Alice Rawstron (1831-1925), mãe de Alice Annie Howorth (nasceu e faleceu em 1859); Henriquete da Conceição Almeida (datas desconhecidas), mãe de João George Howorth (1865-?) e Henrique Almeida Howorth (1868-?); e Maria Margarida Pinto Bastos (1866-1916; registos alternativos referem 1936 como data de falecimento), mãe de John Pinto Stott Howorth (?-1949), Mary Stott Howorth (1890-1977) e Henrique Anthony Stott Howorth (1891-1981).

 

Embora este assunto esteja longe de ser consensual, algumas fontes referem que foi Maria Margarida Pinto Bastos quem usou o título de Baronesa Howorth de Sacavém, e não Alice Rawstron, o que parece consentâneo quer com as suas datas de maternidade quer com a data em que o título foi conferido a John Stott Howorth.

 

No entanto, nem ela (entretanto falecida?) nem nenhum dos seus descendentes surgiam como accionistas da FLS entre 1922 e 1946, ao contrário do que acontecia com Alice Rawstron, que, com o apelido Howorth, surgia ainda como accionista da FLS em 1922.

 

Espaço envolvente do Museu de Cerâmica de Sacavém.

 

Após a morte de James Gilman, sucedeu-lhe na orientação da fábrica seu filho Raul Gilman (?-1935), em associação com Herbert Gilbert, tendo a fábrica sido administrada até ao seu encerramento por três gerações desta última família, que entretanto se tornara proprietária da FLS  –  Herbert Gilbert (1878-1962), Leland Gilbert (1907-1979) e Clive Gilbert (n. 1938).

 

Depois de um período áureo que se desenvolveu até princípios da década de 1970, a fábrica acabou por encerrar, segundo algumas fontes em 1983 (embora se conheçam peças datadas de 1986...), segundo fontes mais fidedignas, como Clive Gilbert e o MCS, em 1989, tendo a falência judicial sido declarada em 1994.

 

Contudo, segundo os registos do MCS, cerca de meia centena de trabalhadores garantiram o funcionamento da empresa entre 1989 e 1994.

 

No local onde originalmente se encontrava a fábrica desenvolveu-se uma urbanização que, entre as contrapartidas negociadas pelo município com a empresa construtora, promoveu a preservação de um pequeno espaço da zona fabril, onde se veio a implantar o Museu de Cerâmica de Sacavém (http://www.cm-loures.pt/aa_patrimonioredemuseussacavema.asp), inaugurado em 2000.

 

Este museu integrou parte dos arquivos da antiga FLS no acervo do Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso (http://www.ipmuseus.pt/pt-PT/rpm/museus_rpm/admin_local/PrintVersionContentDetail.aspx?id=1234) e apresenta algumas centenas de peças da produção da fábrica, promovendo ainda exposições e actividades regulares de divulgação da história, do património e do saber-fazer na cerâmica.

 

O Museu Nacional do Azulejo (http://mnazulejo.imc-ip.pt/) é também depositário de parte do património cerâmico da Fábrica de Loiça de Sacavém, conservando nas sua reservas exemplares de particular relevância na história dos vidrados, da modelagem e das diversas técnicas da fábrica.

 

Em 2007 constituiu-se a Associação Amigos da Loiça de Sacavém, que conta entre os seus associados com Clive Gilbert, último administrador e proprietário da fábrica.

 

Veja mais algumas fotografias do exterior do museu aqui: http://www.trekearth.com/viewphotos.php?l=3&p=1018222 e aqui: http://www.trekearth.com/gallery/Europe/Portugal/South/Lisboa/Sacavem/photo883468.htm.

 

Uma das entradas do Museu de Cerâmica de Sacavém.

 

© MAFLS


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