Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Setembro 05 2015

 

Medalha em biscuit, com cerca de 8 cm. de diâmetro, que pretende replicar o famoso e característíco jasperware azul e branco da bicentenária fábrica inglesa Wedgwood (Vejam-se outros exemplares, apresentando técnica semelhante e desenvolvidos por fábricas portuguesas, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/jasper+ware.) .

 

Modelada e produzida artesanalmente por Herculano Elias (1932-2015), esta peça faz parte de um conjunto de duas medalhas de sua autoria cuja edição foi promovida em 2004 pelos amigos do Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, para assinalar os 70 anos de inauguração daquela instituição.

 

Em memória do mestre ceramista caldense Herculano Elias, falecido a 26 de Agosto de 2015.

 

 

© MAFLS


Junho 10 2012

 

Caixa oval em jasper ware, com cerca de 4,4 x 10,2 x 8,4 cm., da fábrica Artibus, de Aveiro.

 

As particularidades que distinguem esta variante jasper ware da Artibus relativamente ao original desenvolvido pela fábrica inglesa Wedgwood encontram-se nas características da pasta e da decoração em relevo.

 

No caso da Artibus, como no de muitas outras fábricas europeias e americanas que procuraram seguir o modelo inglês, a decoração branca encontra-se modelada directamente na pasta, constituindo um todo com a peça.

 

Na Wedgwood, a decoração branca é inicialmente produzida em separado, sendo depois aplicada sobre o fundo colorido da pasta, o que obviamente lhe confere maior relevo. Ainda na Wedgwood, para cada peça existem dois tipos de pasta – a branca e a colorida (azul, preta, rosa, verde...) que lhe serve de fundo.

 

Neste tipo de peças da Artibus a pasta é totalmente branca no primeiro estádio de produção, recebendo depois uma fina camada colorida que permite destacar, a branco, o motivo central e os seus complementos decorativos.

 

Como se verifica por este exemplar, tal camada colorida é porosa e apresenta tendência para desenvolver manchas, decorrentes do seu manuseamento, resistentes à limpeza com produtos suaves.

 

Note-se ainda que se conhece uma variante desta caixa, com esta mesma técnica, apresentando fundo rosa.

 

 

© MAFLS


Outubro 13 2009

 

A produção de Jasper Ware em Portugal cingiu-se, tanto quanto se sabe, a quatro fábricas – Artibus, em Aveiro, Fábrica de Loiça de Sacavém, Sociedade de Porcelanas, em Coimbra, e Vista Alegre, em Ílhavo.

 

De todas as outras fábricas conhecidas, existiria mais uma com capacidade técnica e artística para produzir também peças nessa pasta cerâmica – a Electrocerâmica do Candal, fundada em finais da década de 1910, em Vila Nova de Gaia. Esta veio a ser adquirida em meados do século XX pela Vista Alegre, tal como a Sociedade de Porcelanas (SP), pelo que não seria de todo impossível que, tal como a SP, tivesse produzido peças nesta pasta.

 

A Artibus desenvolveu diversas peças de altíssima qualidade, quer na modelagem, quer na pintura, quer ainda na combinação de processos de tratamento da porcelana, incluindo o biscuit

 

 

Para complementar a peça da FLS apresentada anteriormente (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/1638.html) e ilustrar algumas das variantes conhecidas em Jasper Ware das restantes fábricas portuguesas, reproduzem-se duas peças da Vista Alegre, acima, e uma da Sociedade de Porcelanas.

 

A primeira peça da VA, em azul, apresenta a marca relativa aos anos de 1968-1971 e a segunda, uma caixa com remate metálico, de origem, nos rebordos de encaixe, a marca relativa a 1947-1968.

 

A peça da SP, como se pode observar, foi produzida em 1967 e apresenta a particularidade de combinar pasta azul, vidrada na superfície, com biscuit para a figura de Nossa Senhora.

 

Refira-se, ainda, que a combinação de biscuit com pasta de porcelana branca pintada a esmalte de outra cor ocorreu em diversas peças da Artibus, com notáveis resultados.

 

 

© MAFLS


Setembro 02 2009

 

Na década em que a empresa celebrou o seu centenário (1950) e a rainha Isabel II de Inglaterra visitou oficialmente Portugal (1957), a FLS desenvolveu algumas peças em Jasper Ware, tanto quanto se sabe apenas no formato de camafeu (conhecem-se quinze exemplares diferentes), que foram colocadas no mercado através das suas lojas e se mantiveram em comercialização até ao início da década seguinte. Estas peças foram modeladas pelo escultor Armando Mesquita (1907-1982), que já havia criado outras peças notáveis para a FLS.

 

Pela sua translucidez, pela qualidade da sua modelação clássica e pela sua limpidez estas peças chegam a superar algumas das características da produção Wedgwood, fábrica inglesa pioneira nesta técnica cerâmica, e suplantam largamente as peças também desenvolvidas pela Vista Alegre, com técnica diferente mas resultados semelhantes à produção Wedgwood, nos finais da década de 1960 e princípios da década de 1970, e mesmo nas décadas anteriores (conhecem-se peças a azul e branco com a marca utilizada na VA entre 1922 e 1947, a verde e branco  com a marca utilizada na VA entre 1947 e 1968, e a azul e branco com a marca utilizada na VA entre 1968 e 1971).

 

 

© MAFLS


Setembro 01 2009

 

Pormenor do painel cerâmico, executado por Armando Mesquita (1907-1982) em 1946, colocado à entrada do Museu de Cerâmica de Sacavém.

 

Na insuspeita e categorizada opinião de um administrador da fábrica da Vista Alegre, João Teodoro Ferreira Pinto Basto (1870-1953), expressa na obra anteriormente citada, a FLS apresentava no início da década de 1930 a maior produção do país naquele tipo de cerâmica:

 

"Fabrica de Sacavem. Antiga e importante fabrica de faiança fina. Produz loiças domesticas, artigos de ornamentação artisticos, sanitarios, mosaicos ceramicos e azulejos. Tem feito grandes ampliações e melhoramentos. Abastece o mercado da Metropole e exporta principalmente para Marrocos. É a fabrica de loiça de maior produção no Paíz; (...)"

 

A verdade, porém, é que a FLS se afirmou ainda como a fábrica cerâmica portuguesa de produção mais diversificada. Para além da loiça sanitária, dos azulejos e da loiça utilitária produziu uma enorme gama de loiça decorativa.

 

Nesta última área a sua produção foi impressionante pela diversidade das técnicas utilizadas, pelos modelos lançados, pela multiplicidade decorativa e pelas pastas cerâmicas desenvolvidas. Porque sendo essencialmente uma fábrica de faiança, a FLS produziu também peças de cerâmica decorativa em grés, em porcelana biscuit, que aqui assumiu a designação inglesa Parian Ware, e camafeus em Jasper Ware, à semelhança da famosa pasta desenvolvida pela fábrica inglesa Wedgwood.

 

 

© MAFLS


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