Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Fevereiro 18 2017

© Imagem Associação Turismo de Lisboa

 

Após catorze anos de encerramento, e muitos mais de abandono e desoladora degradação, foi hoje reaberto o Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa.

 

Agora sob a gestão da Associação Turismo de Lisboa (https://www.visitlisboa.com/pt-pt) este edifício com quase cem anos, que representou Portugal na Exposição Internacional do Rio de Janeiro, comemorativa do Centenário da Independência do Brasil, em 1922, teve uma recuperação integral que inclui o restauro dos magníficos painéis azulejares executados por Jorge Colaço (1868-1942) na Fábrica de Loiça de Sacavém.

 

Vejam-se alguns pormenores dos quatro painéis alegóricos – intitulados A Ala dos Namorados, Cruzeiro do Sul, Ourique e Sagres,  aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/exposi%C3%A7%C3%A3o+internacional+rio+de+janeiro.

 

© MAFLS


Outubro 19 2016

 

O Museu de Cerâmica de Sacavém retomará a partir do próximo dia 22 de Outubro, sábado, pelas 15h00, a série de encontros mensais intitulada "À Conversa com...".

 

A conferência que dará o mote a esta nova conversa intitula-se A Azulejaria de Jorge Rey Colaço e será proferida por Cláudia Emanuel Franco dos Santos, que se encontra a realizar uma tese de doutoramento subordinada ao tema “Jorge Rey Colaço: Biografia, inventário azulejar e problemas de conservação (1868-1942)”.

 

Transcreve-se a nota bio-bibliográfica sobre Jorge Colaço que a autora forneceu ao MCS:

 

"JORGE COLAÇO nasceu em Tânger em 1868 e faleceu em 1942. Fez os estudos artísticos em Madrid e em Paris.

 

Em 1903, já em Lisboa começa a experimentar um novo suporte para as suas pinturas, o azulejo, dado que havia conhecido os Gilman, proprietários da Fábrica de Sacavém, o que lhe permite ensaiar o seu traço sobre um novo suporte. Em data incerta, Colaço vai trabalhar, para a fábrica de Sacavém e aí permanece até 1924. A partir desta data vai trabalhar para a Fábrica Lusitânia em Lisboa, em atelier independente da fábrica, tal como tinha acontecido em Sacavém e aí permanece até 1942.

 

O estudo da obra azulejar que tenho vindo a fazer abrange apenas Portugal, Açores e Madeira e permitiu inventariar cerca de 1000 painéis, em 116 locais diferentes.

 

Colaço pintava azulejo segundo a técnica tradicional, isto é sobre vidrado cru. Pintava também com a técnica da estampilha, da estamparia, da corda seca e terá ainda utilizado a técnica da serigrafia cerâmica, a quem se atribui, sem certeza, ser pioneiro. Pintou sobre chacota texturada, utilizou prateados, dourados, mas principalmente inovou. Colaço pintou painéis sobre vidrado já cozido!

 

Colaço num artigo que ele próprio escreve em 1933, refere ter como base essencial do seu trabalho um lema: Portugal. Pelas razões que o próprio invoca a temática da portugalidade é diversificada, desde cenas históricas, a cenas de carácter militar, cenas etnográficas (rurais e piscatórias), cenas religiosas, episódios da literatura de Camões e de outros autores … um manancial de temáticas a que uma imaginação criativa não ficou alheia.

 

Até ao ano de 1930, a expansão da rede ferroviária originou uma enorme renovação das antigas estações ferroviárias e Colaço foi o primeiro dos escolhidos para esta empreitada o que nos permite contemplar a bela Estação de S. Bento no Porto, com azulejos produzidos na Fábrica de Sacavém."

 

 

Painel azulejar da autoria de Jorge Colaço (1868-1942), ostentando a legenda Ecce Agnus (Eis o Cordeiro [do Senhor]), aplicado na fachada de uma vivenda em Santa Cruz, concelho de Torres Vedras.

 

Apresenta ainda a assinatura manuscrita do artista, bem como indicação do local de manufactura, "Lisboa", e da data de conclusão, "11 / 6 / 925".

 

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publicado por blogdaruanove às 21:01

Abril 30 2012

 

O destaque que a edição de Agosto de 2011 da revista Travel + Leisure (http://www.travelandleisure.com/articles/worlds-most-beautiful-train-stations/11) deu à estação ferroviária de S. Bento, classificando-a entre as mais belas do mundo, fez disparar na net a procura de imagens sobre os seus painéis azulejares, sobre o autor desses painéis, Jorge Colaço (1868-1942) e sobre a cidade.

 

Recentemente, um universo internacional de 212.688 votantes atribuíu o galardão Best European Destination 2012 à cidade do Porto (http://www.europeanconsumerschoice.org/travel/european-best-destination-2012/).

 

Regozijando-se com essa distinção, este espaço aproveita a ocasião para divulgar mais duas imagens de este emblemático edifício da cidade, desta vez dedicadas à temática das festas e romarias.

 

 

© MAFLS


Maio 04 2011

 

Cerca de cinco meses depois de aqui ter sido publicada uma imagem dos trabalhos de restauro (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/80286.html), eis um aspecto parcial dos painéis de Jorge Colaço (1868-1942) então escondidos por telas e andaimes e entretanto recuperados.

 

© MAFLS


Dezembro 11 2010

 

Aspecto das obras de restauro, conservação e consolidação dos painéis de azulejo da estação de S. Bento, Porto, que estão a ser realizadas durante o corrente mês de Dezembro.

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Outubro 16 2010

 

Pormenor do painel Ourique, de Jorge Colaço (1868-1942), concluído em 15 de Julho de 1922.

 

Painel do Pavilhão Carlos Lopes evocativo da célebre Batalha de Ourique, travada entre cristãos e muçulmanos no ano de 1139 (cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Ourique).

 

Jorge Colaço concebeu ainda um outro painel de azulejos alusivo a esta batalha, que se encontra no actual Centro Cultural Rodrigues de Faria, em Esposende, uma antiga escola escola primária inaugurada em 1934 e encerrada em 2001 (cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Centro_Cultural_Rodrigues_de_Faria).

 

Em ambos os painéis, note-se como um dos elementos centrais é a cruz que evoca a expressão In Hoc Signo Vinces e a suposta visão milagrosa testemunhada pelos cavaleiros cristãos, uma imagem que sincreticamente remete para episódio semelhante supostamente testemunhado pelo imperador Constantino (272-337) no ano de 312, antes da batalha (cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_da_Ponte_M%C3%ADlvio) em que derrotou o imperador Maxêncio (282-312).

 

 

© MAFLS


Outubro 06 2010

 

Pormenor do painel A Ala dos Namorados, de Jorge Colaço (1868-1942), concluído em 15 de Julho de 1922.

 

Painel do Pavilhão Carlos Lopes evocativo da famosa Ala dos Namorados, que  combateu na batalha de Aljubarrota (1385) e constituíu uma das alas na formação do quadrado (cf. http://www.fundacao-aljubarrota.pt/?idc=186). O episódio desta batalha é tratado por Luís de Camões (c. 1524-1580) no canto IV do seu poema épico Os Lusíadas (1572).

 

O denodo e voluntarismo dos cavaleiros portugueses que lutavam pela honra e por um ideal, e também pela sua dama, viria ainda a ser abordado e consagrado por Camões no canto VI do mesmo poema, onde se relatam as façanhas dos Doze de Inglaterra, alegadamente ocorridas no reinado de D. João I (1358-1433; rei, 1385-1433).

 

Em 1993 formou-se um grupo musical com o nome Ala dos Namorados: http://www.lastfm.pt/music/Ala+dos+Namorados/+videos/+1-OCQdP3LmUg8.

 

 

© MAFLS


Setembro 30 2010

 

Detalhes de painéis de azulejos da estação ferroviária de S. Bento, Porto.

 

Notem-se as manchas presentes na imagem superior, que correspondem à tela adesiva colocada para suster alguns dos azulejos dos diversos painéis que necessitam de urgente consolidação.

 

 

Este último é um dos painéis restaurados, parcial ou extensivamente, em 1978, por F. Gonçalves (activo entre c. 1954 e c. 1978), pintor que esteve ligado à Fábrica do Carvalhinho, de Vila Nova de Gaia.

 

 

© MAFLS


Setembro 20 2010

 

 

Pormenor do painel Sagres, de Jorge Colaço (1868-1942), concluído em 31 de Julho de 1922. Note-se como no ângulo superior esquerdo surge no promontório uma figura serena, supostamente o Infante D. Henrique (1394-1460), que se sobrepõe à agitação de Poseidon / Neptuno e das restantes divindades marinhas.

 

© Google Earth / IGP/DGRF / Tele Atlas / Digital Globe

 

Situado à esquerda do observador, este é um dos quatro painéis que ornamentam a fachada principal do actualmente denominado Pavilhão Carlos Lopes, localizado na zona nascente do Parque Eduardo VII, em Lisboa. O revestimento azulejar estende-se também às colunatas e portas interiores, que se encontram agora entaipadas.

 

 

© MAFLS


Setembro 02 2010

 

(continuação)

 

"Foi na Fábrica de Louça de Sacavém que o artista [Jorge Colaço] começou a trabalhar em azulejos, e dali saíram os seus panneaux decorativos dos Passos Perdidos da Escola Médica de Lisboa, e em seguida os do Hotel do Bussaco, da Estação dos Caminhos de Ferro no Pôrto, já feitos com um processo de trabalho diferente. A par da sua vida de ceramista, continuou mais tarde a colaborar em jornais de caricaturas, fundando o "Talassa", que começou em 1913, e acabou a 14 de Maio de 1915. Nesta familiar descrição que o mestre nos faz, ressurgiu-nos [sic] os seus últimos trabalhos realizados para a Exposição do Rio de Janeiro, Sevilha, etc. A Ala dos namorados, In Hoc Signo Vinces, e tantos outros. Nas molduras que orlam êstes quadros, domina o baroco [sic], que em Portugal ficou quási inteiramente livre de exagêros. É já tempo de deixar o mestre novamente entregue à sua obra; e por isso, despedimo-nos de aquela figura típica de artista sempre de negro, barbicha quichotesca, grande laço preto a emmoldurar-lhe a expressão."

 

in Como se Trabalha em Azulejos, artigo publicado no magazine Civilização, número 44, de Fevereiro de 1932.

 

 

Pavilhão de Portugal na Exposição de Sevilha de 1929.

 

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