Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Janeiro 06 2013

 

Cinzeiro em faiança da fábrica Belo, nas Caldas da Rainha.

 

Sendo uma representação da lendária padeira de Aljubarrota (http://pt.wikipedia.org/wiki/Padeira_de_Aljubarrota), alegadamente uma personagem contemporânea da batalha de Aljubarrota (1385), esta figura sem feições remete para outras figuras femininas similares produzidas também nas Caldas da Rainha, pela fábrica Secla.

 

 

© MAFLS


Agosto 11 2012

     

 

Jarra em faiança da fábrica Belo, das Caldas da Rainha, com cerca de 26,8 cm. de altura, apresentando decoração floral pintada à mão sob o vidrado.

 

 

© MAFLS


Abril 01 2012

     

 

Ama das Caldas em faiança da fábrica Belo, Caldas da Rainha, produzida no segundo quartel do século XX.

 

Trata-se de uma versão da célebre figura de movimento criada em 1897 por Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905).

 

Em Portugal esta imagem associa-se imediatamente a Rafael, mas será interessante sublinhar que em Inglaterra existe uma versão intitulada The Brighton Wet Nurse, por alusão à famosa banheira dessa localidade, Martha Gunn (1726-1815), comercializada com a marca Rye B4.

 

Tendo Rafael exibido as suas criações na Exposição Universal de Paris, de 1889, onde a sua obra foi elogiada pelo curador do Museu de Sèvres, Edouard Garnier (datas desconhecidas), e na Feira Mundial de St. Louis, de 1904, e tendo-se também deslocado com seu filho Manuel Gustavo (1867-1920) à Exposição Universal de Paris, em 1900, é possível que estejamos perante um dos poucos casos em que as criações cerâmicas portuguesas foram reproduzidas por fábricas estrangeiras.

 

Conhecem-se outras versões desta figura, como a produzida pela fábrica caldense Cunha & Sucessores, que apresenta base convexa, tal como no original de Rafael, mas feições ligeiramente diferentes na ama e no bébé.

 

Embora nos últimos anos tenha vindo a promover a concepção e execução de novas peças, entre as quais se destaca a colecção que serviu para marcar os 125 anos da empresa (http://www.vistaalegreatlantis.com/product.aspx/Bordallo%20Pinheiro/Faian%C3%A7a/Premium/125%20Anos/), a Bordallo Pinheiro (http://www.bordallopinheiro.pt/) tem mantido a produção das figuras criadas por Rafael, por vezes com uma adaptação aos tempos actuais, como acontece com as peças que apresentam a inscrição Moody′s, um conceito que se deve à jornalista Anabela Mota Ribeiro (n. 1972).

 

Finalmente, compare-se a qualidade de pormenor e acabamento deste exemplar com as características das peças que actualmente são comercializadas pela empresa (cf. http://www.vistaalegreatlantis.com/detail.aspx/Figuras%20de%20Movimento/10152/), entretanto adquirida pelo grupo Vista Alegre / Atlantis, um grupo integrado no conglomerado empresarial Visabeira (http://www.grupovisabeira.pt/).

 

Esta peça foi exibida na exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005.

 

 

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Novembro 14 2010

 

Pequena taça em faiança, decorada à mão sob o vidrado. 

 

Acompanhando as aproximações inovadoras que a fábrica Secla trouxera à cerâmica das Caldas da Rainha durante a década de 1950, a fábrica Belo desenvolveu decorações que se encontravam em plena sintonia com as novas tendências da cerâmica escandinava, e internacional, do pós-guerra, mantendo contudo uma inequívoca ligação aos formatos tradicionais.

 

Curiosamente, este constante esforço de actualização das fábricas das Caldas da Rainha veio a resultar num movimento exportador para a Escandinávia, durante a década de 1960, protagonizado pela produção cerâmica desta cidade mas também pela de Alcobaça.

 

Taça modelada e decorada por Stig Lindberg (1916-1982), para a fábrica sueca Gustavsberg.

 

Comparativamente à taça produzida pela fábrica Belo, nesta peça destaca-se o tratamento mais ousado e inovador da forma que, no entanto, apresenta uma intervenção decorativa muito semelhante à da peça portuguesa.

 

Stig Lindberg foi um mais criativos designers escandinavos do pós-guerra, transmitindo à produção cerâmica da fábrica Gustavsberg um novo alento. Tendo iniciado a sua carreira na empresa em 1937, enquanto pupilo de Wilhelm Kåge (1889-1960), Lindberg manteve-se ligado à mesma até 1980, ano em que decidiu criar um estúdio em Itália.

 

Lindberg ladeado por Kåge (à esquerda) e Friberg. Do álbum Beauty in the Making (1947).

 

Na sequência das inovações que Kåge havia introduzido nas décadas anteriores, a obra de Lindberg, em conjunto com a de Kåge e de Berndt Friberg (1899-1981), contribuiu para que a Gustavsberg se continuasse a manter na vanguarda do design e da produção cerâmica mundial.

 

Vejam-se duas peças de Kåge aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/78448.html.

 

É muito pouco provável que a decoração da peça produzida na fábrica Belo seja semelhante à da peça sueca por simples acaso, parecendo evidente que esta seguiu a gramática decorativa desenvolvida por Lindberg. 

 

 

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