Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Março 08 2015

 

Conjunto de três pratos, em porcelana da fábrica da Quinta Nova, com ilustrações de Lima de Freitas (1927-1998).

 

Representando cenas alusivas às batalhas de S. Mamede (1128), acima, do Salado (1340), abaixo, e das Linhas de Elvas (1659), no final do artigo, estes pratos fazem parte de uma série de doze exemplares, intitulada Tempos de Bravura - Da Fundação ao Liberalismo, editada pelas Colecções Philae em 1986.

 

Note-se como o exemplar da batalha de S. Mamede, através da indumentária dos combatentes, do armamento, nomeadamente da cimitarra, e da simbologia dos escudos, se coadunaria mais com os intervenientes na batalha de Ourique (1139), que também se encontra representada nesta série.

 

 

A fábrica da Quinta Nova, criada na década de 1980, pertencia ao grupo Vista Alegre e assegurava uma produção mais centrada na porcelana de mesa e de hotelaria, estando localizada em Chousa Nova, Ílhavo.

 

Manteve esta designação autónoma até 2001, ano em que a VAA - Vista Alegre Atlantis, SGPS, SA, absorveu a Porcelanas da Quinta Nova, S.A, cuja designação social passou a ser Fábrica de Porcelana da Vista Alegre, S.A , a Cristais Atlantis, SGPS, S.A e a Vista Alegre - Sociedade de Controlo, SGPS, S.A.

 

Como é de tradição na empresa, esta mudança traduziu-se na criação de uma nova marca VA, que foi aposta nos exemplares da sua produção entre os anos de 2001 e 2008 (cf. http://www.myvistaalegre.com/catalog/evolucaomarca.pdf).

 

 

© MAFLS


Setembro 01 2014

 

Azulejo com motivos militares e florais aplicados sobre stencil (chapa recortada), produzido, provavelmente no segundo quartel do século XX, pela fábrica Viúva Lamego, de Lisboa. 

 

Este azulejo destinar-se-ia, certamente, a ser colocado no revestimento de edifícios de uma unidade militar não identificada, embora seja possível encontrar na composição o símbolo da arma de Infantaria, duas espingardas entrecruzadas, e um motivo associado à arma de Cavalaria, o carro de combate, que tem como símbolo duas espadas entrecruzadas.

 

© MAFLS


Junho 11 2014

 

Estatueta de militar apeado representando um Captain of the Pikemen.

 

Esta fotografia foi remetida por Hector Castro, coleccionador e proprietário deste exemplar, a quem se agradece a cedência da imagem.

 

© MAFLS

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Maio 14 2014

 

Estatueta caricatural representando o marechal inglês Montgomery (Bernard Law Montgomery, 1887-1976).

 

A propósito deste célebre militar inglês, e da relação que as peças da FLS tiveram com ele, veja-se o que Clive Gilbert registou nas suas memórias: http://mfls.blogs.sapo.pt/249613.html.

 

Modelada por Leonel Cardoso (1898-1987), esta estatueta corresponde provavelmente ao número 383 mencionado na tabela de preços de Novembro de 1945, "Figura de General", onde surge ao preço de 35$00 para "Colorido s/ ouro".

 

Recorde-se que a notável série Bébé de Leonel Cardoso, lançada nesse período e também pintada à mão, apresentava este mesmo preço para a maioria dos seus exemplares. 

 

A presente imagem consta do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, e é da autoria do fotógrafo João Francisco Vilhena (n. 1965).

 

Note-se que a imagem original foi registada em película e posteriormente digitalizada, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

Esta peça integra a colecção de Museu de Cerâmica de Sacavém, onde está inventariada sob o número 3539.

 

© MAFLS

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Maio 08 2014

 

Figura equestre do visconde de Turenne (Henri de la Tour d'Auvergne, 1611-1675) em barro parian pintado à mão.

 

Esta peça, modelada por António Moreira (datas desconhecidas), já surgia na tabela de preços de 1973, sob o número 9527, em versão de barro parian sem qualquer pintura.

 

Apresenta a assinatura manuscrita A. Pimentel (datas desconhecidas), na base, bem como a data 1983. É possível que esta assinatura corresponda ao pintor A. Pimentel da Vista Alegre.

 

Fotografia remetida por Hector Castro, coleccionador e proprietário deste exemplar, a quem se agradece a cedência da imagem.

 

© MAFLS


Fevereiro 03 2014

© CDMJA/MCS

 

Estudo, provavelmente da autoria de Armando Mesquita (1907-1982), para a figura apeada de um soldado da Leal Legião Lusitana.

 

Esta peça surge referenciada pela primeira vez na tabela de Maio de 1960, sob o número 613 e a designação "Soldado Leal Legião Lusitânia (Bussaco)", ao preço de 200$00 para "Vidros cores s/ dec. Branco col. c/ ouro Pint. mod. s/ ouro". De acordo com a anotação manuscrita a um exemplar desta tabela existente no CDMJA, o peso desta peça é de 245 gramas.

 

Apesar de também surgir com um uniforme verde, esta peça não deve ser confundida com a que representa um soldado do 95.º Regimento de Infantaria (Britânico), anteriormente reproduzida aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/35956.html.

 

A reprodução desta imagem é uma cortesia do Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso / Museu de Cerâmica de Sacavém.

 

© MAFLS

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Janeiro 24 2014

 

Figura da série Bébé, modelada por Leonel Cardoso (1898-1987), representando um elemento a cavalo da Guarda Nacional Republicana.

 

Ultimamente têm surgido no mercado réplicas grosseiras deste modelo, não vidradas e não marcadas, abusivamente executadas, com toda a probabilidade, após o encerramento da FLS.

 

A presente imagem, correspondente a uma peça do acervo do MCS, consta do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, e é da autoria do fotógrafo João Francisco Vilhena (n. 1965).

 

Note-se que a imagem original foi registada em película e posteriormente digitalizada, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

© MAFLS

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Setembro 06 2013

 

Publica-se hoje o milésimo artigo no espaço Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém.

 

Para marcar a efeméride, reproduz-se aqui uma peça do acervo do MCS que esteve patente na exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005.

 

Uma vez que existe uma natural curiosidade pelos exemplares cerâmicos então exibidos, passarão a divulgar-se ao longo deste ano, semanalmente, algumas das peças da FLS ali apresentadas.

 

Esta figura caricatural de Otto von Bismarck (1815-1898), com cerca de 26 x 14,9 x 8,6 cm., sem qualquer marca ou número de produção na pasta, encontra-se catalogada no MCS sob o número 3540, desconhecendo-se o seu autor.

 

Embora se saiba que Leonel Cardoso (1898-1987), para além da série Bébé, modelou diversas caricaturas, como as do primeiro-ministro inglês Winston Churchill ou do, também inglês, marechal Montgomery, não é possível atribuir-lhe com certeza absoluta a sua autoria.

 

Veja-se como esta caricatura evoca claramente os cavalinhos de cartão ou madeira de meados do século XX e antecede o conceito que o artista plástico Costa Pinheiro (n. 1932) haveria de vir a retomar e desenvolver no final daquele século (http://mfls.blogs.sapo.pt/181679.html).

 

A presente imagem consta do catálogo da exposição e é da autoria do fotógrafo João Francisco Vilhena (n. 1965).

 

Note-se que a imagem original foi registada em película e posteriormente digitalizada, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

© MAFLS

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Julho 01 2013

 

© MCS/CDMJA

 

O INÍCIO DE UMA CARREIRA NA FLS (XI) 

 

Um dos produtos que mais evidenciou a Sacavém, em particular a nível internacional, foi a loiça decorativa e, nesta área, a série de peças relacionadas com a Guerra Peninsular ou, como também são referidas, as Invasões Francesas, bem como as figuras equestres de cavaleiros medievais. O conjunto de peças da Guerra Peninsular era composto por figuras de oficiais e soldados, montados ou apeados, dos vários regimentos, quer dos exércitos britânicos e portugueses quer dos franceses.

 

Estas peças apenas eram vendidas nos espaços comerciais da empresa, ou seja, nas lojas de Lisboa, Porto e Coimbra. Não houve, contudo, grande procura em Portugal, pois as invasões haviam correspondido a um período de enorme sofrimento para o povo português, parecendo este não querer relembrar aquele período dramático da sua história através destas peças. A memória de tal sofrimento ainda hoje perdura no léxico, através de expressões como "ir tudo para o maneta", que alude aos saques perpetrados pelas tropas comandadas pelo general Loison (Louis Henri Loison, 1771-1816).

 

A nível internacional, no entanto, estas figuras foram muito apreciadas e ainda hoje são avidamente disputadas pelos coleccionadores quando algum exemplar aparece em leilões ou em lojas da especialidade, principalmente nos países anglo-saxónicos. Em Portugal, existem pelo menos três  museus onde se podem apreciar colecções destas estatuetas – o Museu Militar, em Lisboa, o Museu Militar, no Buçaco, e o Museu Leonel Trindade, em Torres Vedras (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/museu+municipal+leonel+trindade).

 

Curiosamente, a única colecção completa das figuras das Invasões Francesas, de que tenho conhecimento, encontra-se nos Estados Unidos, mais especificamente na posse de um director jubilado da Faculdade de História da Florida State University. Tive o privilégio de visitar esta colecção quando fui convidado a apresentar uma comunicação durante um congresso sobre o período napoleónico, que se realizou nessa universidade, sedeada em Tallahassee, capital da Flórida, em Janeiro de 2010.

 

De qualquer forma, penso que estas figuras, bem como as dos cavaleiros medievais, são consideradas pelo meio especializado como sendo das melhores no seu género até este momento, não só pela qualidade do fabrico e modelação, da autoria de Armando Mesquita (1907-1982), mas também pelas aturadas pesquisas realizadas, que se traduziram numa minuciosa e fiel reprodução quer dos uniformes quer da heráldica medieval.

 

Estas peças eram consideradas de grande prestígio, de tal forma que o Estado Português tinha o costume de as oferecer em visitas oficiais ou a personalidades importantes. Consta que uma delas foi oferecida ao marechal inglês Montgomery (Bernard Law Montgomery, 1887-1976), o qual já havia sido homenageado pela FLS na década de 1940 através de uma peça caricatural executada por Leonel Cardoso (1898-1987).

 

© Clive Gilbert

© MAFLS


Fevereiro 28 2013

     

 

Esta figura de soldado surge referenciada na tabela de Novembro de 1945 sob o número 281, tendo sido comercializada quer isoladamente quer em conjunto de seis elementos, que se faziam acompanhar de um sargento.

 

O uniforme aqui ilustrado, correspondente àquela que posteriormente se veio a designar por farda número dois, foi usado pelo Exército português até à década de 1960.

 

Fotografias da peça por Hector Castro, coleccionador e proprietário deste exemplar, a quem se agradece a cedência das imagens.

 

 

© MAFLS

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