Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Junho 25 2017

 

Conjunto de bule, chávena e pires produzido pela Vista Alegre no último quartel do século XX, por encomenda da Mottahedeh e The Museum of Modern Art, de Nova Iorque, que detem o copyright e o comercializou na sua loja.

 

As peças reproduzem fielmente motivos suprematistas criados por Nicolai Suetin (1897-1954) e aplicados em 1923 na produção da fábrica soviética de porcelana de Petrograd.

 

O Suprematismo teve como seu teorizador e intérprete mais aclamado o pintor russo Kasimir Malevich (1878-1935), o qual visou promover, com o seu manifesto de 1915 e com as suas obras, a supremacia absoluta do abstracto na pintura e na arte.

 

O movimento De Stijl, criado nos Países Baixos em 1917, com Gerrit Rietveld (1888-1964), Piet Mondrian (1872-1944) e Theo van Doesburg (1883-1931), seguiu alguns dos seus princípios, tal como aconteceu a partir de 1919 com o movimento alemão da Bauhaus, fundado por Walter Gropius (1883-1969).

 

 

Como se comprova pela decoração patente neste saleiro, a VA também reproduziu, na época, pois esta peça ostenta a marca correspondente ao período 1924-1947, motivos próximos da gramática composicional característica quer do Suprematismo quer do movimento De Stijl, quer ainda do design promovido pela Bauhaus.

 

Note-se, também, que a obra do notável pintor português Nadir Afonso (1920-2013) radica em princípios muito próximos daqueles que foram estabelecidos por estes três movimentos vanguardistas do século XX (http://www.nadirafonso.com/obra/periodos/), podendo ver-se a taça Copacabana, lançada em 2011 pela VA, com base numa tela de sua autoria, aqui: (http://mfls.blogs.sapo.pt/122862.html).

 

Este artista tem, em Portugal, dois notáveis edifícios consagrados à sua obra – o Centro de Artes Nadir Afonso (http://architizer.com/projects/centro-de-artes-nadir-afonso/), em Boticas, concebido pelo gabinete da arquitecta nova-iorquina Louise Braverman (datas desconhecidas; http://www.louisebravermanarchitect.com/), inaugurado em 2013, e o Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso (http://www.archdaily.com.br/br/791205/museu-de-arte-contemporanea-nadir-afonso-alvaro-siza-vieira), em Chaves, concebido por Álvaro Siza Vieira (n. 1933) e inaugurado em Julho de 2016.

 

Lamentavelmente, ainda nenhuma das instituições desenvolveu um website específico para estes projectos.

 

 

© MAFLS


Julho 05 2012

 

Caneca, formato Lagos, com decoração sobre o vidrado.

 

Comparem-se as cores e linhas desta decoração com as da capa e contracapa do catálogo de uma exposição da obra do pintor Nadir Afonso (n. 1920), realizada na Galeria S. Mamede, Lisboa, em 1984, reproduzido abaixo.

 

           

 

A obra que ilustra a capa inclui-se numa fase da obra do pintor, densenvolvida essencialmente durante a década de 1950, que veio a designar-se por período egípcio (cf. http://www.nadirafonso.com/obra/periodos/periodo-egipcio/).

 

A caneca, como se pode comprovar pela marca, é posterior ao final da década de 1960.

 

Veja-se ainda um conjunto de chávena de café e pires da mesma época, onde o verde e o laranja  também surgem, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/52503.html.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Dezembro 03 2011

 

Depois de um período de conservadorismo e de eterno retorno a um revivalismo orientalizante, ocorrido entre as décadas de 1970 e 1990, a Vista Alegre tem vindo a prestar maior atenção, desde o final do século XX, ao design contemporâneo.

 

Diversificando a sua oferta de formatos e decorações na loiça doméstica e recorrendo a designers e artistas plásticos, nacionais e estrangeiros, para a criação de inovadoras e interessantes peças na loiça decorativa, a VA tem vindo a apostar, finalmente, num segmento de mercado que consolidou a imagem de marca e deu grande prestígio a outras fábricas de porcelana europeias, como a Rosenthal (http://www.rosenthal.de/) e a Villeroy & Boch (http://www.villeroy-boch.com/en/au/home.html).

 

Lançada em 2008, a colecção Artistas Contemporâneos, com edição numerada e limitada, apresentando normalmente entre 200 a 500 exemplares, já promoveu obras de Eduardo Nery (n. 1938), Joana Vasconcelos (n. 1971; cf. a sua taça La Tache aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/127933.html), Manuel João Vieira (n. 1962), Oscar Mariné (n. 1951) e Pedro Calapez (n. 1953).

 

A última peça editada nesta série, em Julho deste ano, foi a taça Copacabana, de Nadir Afonso (nascido a 4 de Dezembro de 1920), de que aqui se reproduz o exemplar número 396 de um total anunciado como sendo de 500.

 

Esta peça recebeu o seu título da pintura homónima, datada de 1955, que foi adaptada a esta forma cerâmica e aqui apresenta a inovação do complemento a ouro na própria composição geométrica.

 

O subtil trocadilho copa/taça, contido também no título e no formato desta peça, traduz uma nova aproximação do autor ao valor dos títulos na sua obra, uma vez que Nadir Afonso sempre defendeu serem os títulos meras formas de catalogar as suas obras, sem que qualquer outra leitura lhes devesse estar subjacente.  

 

Ver as edições especiais da VA em: http://www.vistaalegreatlantis.com/peca.aspx/543/5ddot;50%20Tea%20Set%20(%C3%81lvaro%20Siza)/29/.

 

Detalhe de uma montra da loja Vista Alegre Atlantis, patente entre Julho e Setembro no Centro Comercial Vasco da Gama, em Lisboa.

 

© MAFLS


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