Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Fevereiro 13 2016

 

Jarra em faiança, com cerca de 22,4 cm. de altura, produzida e pintada à mão na Olaria de Alcobaça.

 

Apresentando ainda uma decoração com o característico azul da fábrica, assume-se como peça de transição para obras mais tardias, das décadas de 1950 e 1960, onde o dourado surge já com alguma frequência (http://mfls.blogs.sapo.pt/61886.html).

 

A profusão e a riqueza do dourado desta jarra não só criam um efeito feérico, que oscila ente o kitsch e o sumptuoso, como resultam numa peça invulgar em toda a produção da OAL.

 

Este exemplar foi exibido na exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada em 2005 nos EUA.

 

 

© MAFLS


Julho 21 2015

 

Tal como já foi aqui referido, a escritura de constituição da SPAL foi lavrada a 21 de Julho de 1965.

 

A Sociedade de Porcelanas de Alcobaça teve como fundadoras as empresas Elias & Paiva, Lda., Olaria de Alcobaça, Lda., Raul da Bernarda & Filhos, Lda., e ainda Joaquim Augusto Coelho Ferreira da Bernarda.

 

O capital social de constituição ascendia a 9.000.000$00, estando distribuído pelas seguintes quotas – Elias & Paiva, Lda., 3.000.000$00; Olaria de Alcobaça, Lda., 3.000.000$00; Raul da Bernarda & Filhos, Lda., 2.100.000$00; e Joaquim Augusto Coelho Ferreira da Bernarda, 900.00000.

 

À data de constituição da sociedade apenas cinquenta por cento deste capital se encontrava realizado, tendo sido estipulado que os restantes quatro milhões e quinhentos mil escudos deveriam dar entrada na caixa social até 31 de Dezembro daquele ano.

 

 

Contrastando com o sóbrio e tristonho pin que a SPAL escolheu para assinalar o seu cinquentenário, o qual está ilustrado no início deste artigo, nada melhor do que reproduzir uma das suas decorações mais feéricas para sublinhar a habitual excelência da maioria da produção da empresa.

 

Em sintonia com tal contraste, intitula-se este motivo Paradoxo. Surge aqui ilustrado num conjunto de pires e chávena de café, peças que ostentam a versão IV desta decoração comercializada na década de 1990.

 

O motivo Paradoxo apresentava diferentes composições geométricas onde se inscreviam combinações cromáticas, semelhantes a esta, sumptuosamente complementadas a ouro.

 

Veja-se como a decoração desta série pode perfeitamente competir com alguns dos motivos das célebres Espresso Sammeltasse, no formato "Cupola" concebido por Mario Bellini (n. 1935), comercializadas também na mesma década pela conceituada fábrica alemã Rosenthal: http://www.rosenthal.de/en/shop/brands/studio-line-2-en/gifts-and-accessories-en/espresso-collectors-cups-en/.

 

 

© MAFLS

 


Janeiro 05 2014

 

Pequeno prato em faiança da Olaria de Alcobaça.

 

Note-se como as formas que partem do motivo floral central para o rebordo recordam os corações habitualmente conotados com a ourivesaria e os bordados do Minho.

 

 

© MAFLS


Maio 31 2013

 

Pequena jarra em faiança, da Olaria de Alcobaça, decorada com o motivo Athenea.

 

Conforme se tem vindo a ilustrar (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/decora%C3%A7%C3%A3o+tipo+athenea), três fábricas portuguesas produziram motivos muito semelhantes entre si – a Elpa, a FLS e a OAL, tendo esta última indicado claramente nas suas peças a denominação do motivo, como se pode verificar abaixo.

 

Da produção das fábricas de Alcobaça conhecem-se ainda peças de toucador, nomeadamente pequenas cestas, que ostentam decoração monocromática verde no exterior e apresentam alças, ou outros complementos, em vime ou palhinha.

 

Note-se como, apesar de por vezes o fundo dourado ser semelhante, as representações florais, e as suas tonalidades, permitem distinguir a produção de cada uma das fábricas.

 

 

© MAFLS


Janeiro 08 2012

 

Prato de parede reticulado, em faiança da Olaria de Alcobaça, pintado à mão sob o vidrado.

 

Conhecem-se estes mesmos versos aplicados também em pratos sem reticulado e em azulejos desta fábrica.

 

Aproveitando o exemplo datado da grafia deste texto, poderia anunciar-se a adopção neste espaço, a partir deste ano, da grafia preconizada pelo novo Acordo Ortográfico.

 

No entanto, como o período de transição se prolonga até 2015, os textos continuarão a ser publicados com uma grafia conservadora durante mais algum tempo.

 

 

 

© MAFLS


Julho 24 2011

 

Grande centro de mesa reticulado, ou fruteiro, em faiança da Olaria de Alcobaça, com 32 cm. de diâmetro e quatro pés, pintado à mão sob o vidrado.

 

Segundo o opúsculo Faiança de Alcobaça (1997), de Jorge Pereira de Sampaio, as iniciais correspondentes ao pintor, A. S., tanto são atribuíveis a Alfredo Santos (datas desconhecidas) como a Armando Saraiva Mendes (datas desconhecidas).

 

De qualquer modo, atente-se na notável pintura dos motivos vegetais a azul cobalto e do conjunto central de flores.

 

Vejam-se peças de outras fábricas, com abas recortadas, em: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/abas recortadas.

 

 

© MAFLS


Outubro 09 2010

 

Jarra da Olaria de Alcobaça, Lda., OAL, decorada com desenhos de groselhas, folhas e ramos desse arbusto, sob o vidrado, e retoques e filete a ouro sobre o vidrado brilhante.

 

Esta decoração, bem distinta da produção tradicional das décadas de 1930 e 1940 e rara na produção das décadas subsequentes, ilustra claramente a abertura da empresa às exigências do mercado de exportação, sem contudo abdicar de uma decoração manual especializada.

 

Como se pode verificar nas imagens reproduzidas abaixo, a decoração com groselhas foi bastante popular, estando as bagas, em geral, especialmente associadas à decoração Art Nouveau. Poderá ver mais alguns exemplos de cerâmica europeia e americana decorada com desenhos de bagas aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/78448.html e aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/87433.html.

 

Fundada em 1927, a empresa OAL veio a encerrar em 1984.

 

 

Prato de sobremesa em porcelana, marcado "IT / UNO / "Favorite" / Bavaria", pintado à mão sobre o vidrado, fora da fábrica, e assinado e datado "B. Curke / 1914", na decoração.

 

Esta fábrica alemã, sobre a qual poucas referências existem, exportava no início do século XX para os EUA, onde a empresa Burley & Tyrrell Co., de Chicago, era uma das suas importadoras e distribuidoras.

 

 

Cafeteira em porcelana pintada à mão sobre o vidrado, fora da fábrica, assinada "K. R.", na base, e assinada e datada " K. Ryan / 14", no interior da tampa. A peça encontra-se marcada "Victoria / Austria", na base. Esta empresa foi fundada em 1883 na então localidade austríaca de Altrohlau, que hoje integra a República Checa e é conhecida como Stará Role, tendo sido nacionalizada em 1945.

 

A pintura de peças brancas de porcelana vidrada, fora das suas fábricas de origem, foi comum durante todo o século XX. Em Portugal é vulgar encontrarem-se peças dos serviços brancos da Vista Alegre, pintadas sobre o vidrado, que foram cozidas em muflas exteriores à fábrica e apresentam assinaturas que não correspondem aos artistas da VA. 

 

 

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Dezembro 10 2009

 

Chávena e pires em faiança, com decoração sob o vidrado, da Olaria de Alcobaça (OAL).

 

Este conjunto ilustra claramente a similaridade de uma linha decorativa revivalista, das décadas de 1960 e 1970, anteriormente exemplificada por um prato  da FLS (http://mfls.blogs.sapo.pt/22890.html).

 

A Olaria de Alcobaça foi fundada em 1927, tendo encerrado em 1984.

 

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publicado por blogdaruanove às 21:01

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