Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Março 19 2017

 

Pequena moldura, para fotografia ou relógio, com cerca de 7,8 x 5,5 x 2,5 cm. e 2,9 cm. de diâmetro na abertura, em porcelana da fábrica Artibus, de Aveiro.

 

A decoração floral da parte superior, aplicada sobre uma superfície em relevo, traduz uma certa gramática Art Déco que, na cerâmica portuguesa, se prolongou pela década de 1940 e chegou, inclusive, à década seguinte. 

 

A atenção ao pormenor, a delicadeza e a elegância de certa decoração desta fábrica estão bem patentes no detalhe do motivo floral complementar, já sem qualquer influência Art Déco mas também pintado à mão, como toda a outra decoração, aplicado no reverso da moldura.

 

 

Como acontece em peças de muitas outras fábricas, portuguesas e estrangeiras, a sigla junto da marca corresponderá ao/à pintor/a que executou a decoração.

 

Curiosamente, esta sigla de pintor/a, semelhante a um Phi, surge também em algumas peças de uma outra fábrica de Aveiro, a Aleluia – http://mfls.blogs.sapo.pt/arte-em-cacos-350019 .

 

 

© MAFLS 


Março 11 2017

 

Terrina em faiança, com cerca de 13,4 x 18,2 x 27,7 cm., decorada a azul com o motivo habitualmente conhecido como Cantão Popular.

 

Tal como acontece em diversos outros exemplares semelhantes, quer do século XIX quer do século XX (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/cant%C3%A3o+popular), esta decoração combina motivos aplicados a stencil com pintura manual.

 

Como acontece também em muitos exemplares com esta decoração, particularmente nos mais antigos, esta peça não se encontra marcada. 

 

© MAFLS

 


Março 05 2017

 

Taça em faiança, com cerca de 9,8 cm. de altura e 22,9 cm. de diâmetro máximo, produzida em 1977 na ilha de S. Miguel, Açores.

 

Apresenta uma invulgar decoração floral, em relevo, onde predominam tonalidades de rosa e verde, combinação cromática que evoca alguma da iridescente cerâmica Art Nouveau produzida pela fábrica húngara Zsolnay na viragem do século XIX para o século XX.

 

Nesta ilha açoriana subsistem ainda três centros de produção cerâmica – a fábrica Micaelense, na Ribeira Grande, a fábrica Vieira, na Lagoa, fundada em 1862, e ainda um centro oleiro em Vila Franca do Campo, que produz essencialmente cerâmica não vidrada.

 

Ao contrário das restantes, as peças da Cerâmica Micaelense são originalmente produzidas no exterior e posteriormente decoradas e cozidas na fábrica.

 

 

 © MAFLS


Fevereiro 25 2017

 

Duas pequenas estatuetas, com cerca de 6,5 cm. de altura, em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal.

 

Conhecem-se outras versões desta série, com diferentes cores de vestuário e diferentes instrumentos musicais, ostentando nesses instrumentos as duas variantes de metal, ouro e platina, aqui ilustradas.

 

 

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Fevereiro 19 2017

 

Dois açucareiros em faiança da fábrica Secla, Caldas da Rainha.

 

Este formato, com o código P.2942, foi concebido cerca de 1970 pelo designer Joaquim Alberto Pinto Ribeiro (1921-1989), fundador e gerente responsável pela fábrica Secla, para um serviço de café.

 

Exemplares semelhantes estão ilustrados na página 109 do livro A Nova Cerâmica das Caldas (1989), da autoria do mesmo Alberto Pinto Ribeiro, e na página 131 do catálogo da exposição Estúdio Secla: Uma renovação na cerâmica portuguesa, realizada em 1999 no Museu Nacional do Azulejo.

 

 

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Fevereiro 11 2017

 

Dois cinzeiros em faiança da fábrica Cerâmica da Madalena, Leiria.

 

Fundada em 1945, esta fábrica veio a ter como accionista, já no final da década de 1960, a empresa J. Pimenta, S.A.R.L., cujo logótipo está patente nestas peças.

 

O primeiro cinzeiro alude ainda à célebre publicidade gráfica e televisiva que, no início da década de 1970, apresentava o slogan "Pois, pois... J. Pimenta!", promovendo os empreendimentos do construtor civil João Pimenta (c.1925-2015).

 

Em 1986 a Cerâmica da Madalena, que entretanto já se tinha vindo a especializar na loiça sanitária durante as últimas duas décadas, passou a integrar o grupo espanhol Roca (http://www.pt.roca.com/home/home) e produziu 200.000 peças. No ano seguinte, registava já uma produção de um milhão de peças.

 

 

 

Esta empresa de origem catalã havia-se estabelecido em Portugal em 1972, comercializando produtos de aquecimento e banheiras de ferro fundido.

 

Em 1995 consolidou a sua posição no mercado inaugurando uma unidade de produção de banheiras em aço esmaltado, em Águeda, e no ano seguinte construiu uma segunda unidade em Leiria, que começou por produzir 233.000 peças e em 1998 produzia já 1.800.000 peças.

 

No âmbito desta diversificação na área sanitária, em 1999 a  Roca veio ainda a inaugurar, em Cantanhede, uma unidade de produção de torneiras. 

 

 

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Janeiro 28 2017

 

Pequena caixa para jóias, em porcelana da Electro-Cerâmica, do Candal, Vila Nova de Gaia, ostentando a legenda "Recordação do Bom Jesus [Braga]"

 

Conhece-se este motivo do santuário, que aqui surge litografado sobre o formato F12, aplicado em outras peças, como paliteiros triangulares e alfineteiras.

 

 

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Janeiro 22 2017

 

Conjunto de duas chávenas de café, e pires, em faiança da J.P.M., empresa fundada em 1996 e com sede nas Caldas da Rainha.

 

A conjugação dos formatos e das combinações cromáticas foi concebida pelo artista plástico José de Guimarães (n. 1939), correspondendo a uma gramática bem característica das suas criações tridimensionais.

 

No tardoz, estas peças ostentam os logótipos da Expo'98 e do ICEP (Investimentos, Comércio e Turismo de Portugal), bem como o logótipo que José de Guimarães criou em 1993 para o Turismo de Portugal.

 

 

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Janeiro 14 2017

 

Pequena escultura em barro negro, com cerca de 16,3 cm. de altura, ostentando a assinatura manuscrita Albano (Albano Pinto Carvalho; datas desconhecidas), Bisalhães.

 

Sendo essencialmente utilitária, esta louça conta desde a década de 1980 com Albano Carvalho como um inovador escultor cerâmico que veio trazer interesse suplementar à tradicional produção oleira da região.

 

No âmbito da recente declaração pela Unesco do barro negro de Bisalhães, concelho de Vila Real, como Património Cultural Imaterial da Humanidade, convém ainda recordar que esta técnica, em que se reduz a oxigenação durante a cozedura, não é exclusiva desta região portuguesa, ocorrendo também em várias outras regiões, como em Nantes, concelho de Chaves, local que durante várias décadas tem fornecido barro para as peças de Bisalhães, Molelos, concelho de Tondela, e Barcelos.

 

Sobre esta louça, uma das mais importantes e completas obras, que apresenta ainda o interesse suplementar de ser bilingue (Português/ Inglês), foi publicada em 2009, intitulando-se A Louça Preta de Bisalhães (Mondrões, Vila Real).

 

 

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Janeiro 08 2017

 

Jarra, ou jarro, em porcelana concebida pelo consagrado arquitecto Álvaro Siza Vieira (n. 1933).

 

Esta peça surgiu no âmbito de um projecto da empresa portuense Sátira, denominado minimalanimal, que foi organizado pelo designer Pedro Sottomayor (n. 1973; cf. http://www.pedrosottomayor.com/).

 

O projecto promoveu no ano 2000 um workshop à distância que resultou na criação de 21 peças em cerâmica, de diversos autores nacionais e internacionais, entre os quais se contam os arquitectos Siza Vieira e Eduardo Souto de Moura (n. 1952).

 

Produzidas entre 2001 e 2003, estas 21 peças constituem a totalidade da série minimalanimal, que pretendia traduzir o racional (minimal) e o emocional (animal) na aproximação à cerâmica.

 

 

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