Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Fevereiro 10 2018

 

Azulejo da fábrica da Corticeira, Porto, ostentando a legenda "A MULHER QUANDO SE METE / A FALAR NA VIDA ALHEIA, / COMEÇA NA LUA NOVA / E ACABA NA LUA CHEIA."

 

Como se sabe, estas quadras ao gosto dito popular surgiram com frequência na cerâmica portuguesa – particularmente em azulejos, lambrilhas e quadrinhos de parede, durante as décadas de 1940 e 1950.

 

A declamação de semelhantes quadras, com frases chocarreiras provocando ou criticando homens e mulheres, era ainda tradicional nas zonas rurais durante o período do Carnaval, ou Entrudo, que agora se celebra.

 

 

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Fevereiro 04 2018

 

Açucareiro, chávena de café e pires, em porcelana da Sociedade de Porcelanas, Coimbra.

 

Estas peças correspondem ao formato Tânger, formato que a Vista Alegre, detentora dos direitos de este e muitos outros formatos da Electro-Cerâmica do Candal e da Sociedade de Porcelanas de Coimbra, reeditou já no início do século XXI.

 

Veja-se uma outra decoração deste modelo, ostentando apenas simples filetagem múltipla, em MUONT: http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/2012/03/servico-de-cafe-art-deco-modelo-tanger.html.

 

 

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Janeiro 27 2018

 

Conjunto de dois pequenos azulejos, lambrilhas, com cerca de 7 cm. de lado, parcialmente decorados a stencil (chapa recortada) e pintados à mão, sob o vidrado, com a combinação máxima de quatro cores sobre o revestimento estanífero de fundo.

 

À semelhença de outros exemplares anteriormente reproduzidos, certamente da mesma proveniência (http://mfls.blogs.sapo.pt/outras-fabricas-outras-loicas-cccliv-392994), estas lambrilhas também não apresentam qualquer marca no tardoz. 

 

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Janeiro 21 2018

 

Duas pequenas taças modeladas pelo ceramista Rui Paiva (n. 1956).

 

A primeira, medindo cerca de 7,7 cm. de altura e tendo cerca de 9,7 cm. de diâmetro máximo, foi criada em 2010; a segunda, medindo cerca de 9,8 cm. de altura e tendo cerca de 9,7 cm. de diâmetro máximo, foi criada em 2011.

 

 

Estas duas peças, na sua aparente, mas intencional, imperfeição de acabamento e modelação, nos seus revestimentos, e na sugestão da sua rude origem terrosa, evocam a essência das mais interessantes e clássicas taças de chá japonesas.

 

Visite-se o site do ceramista aqui: http://ruipaiva.net/blog-do-rui, onde estão ilustradas outras peças, funcionais ou decorativas, de maior dimensão, bem como diversas esculturas e instalações cerâmicas.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 21:01

Janeiro 13 2018

 

Pequena jarra bojuda, em pasta cerâmica vermelha e com cerca de 13 cm de altura, apresentando vidrado escorrido policromático.

 

Embora a marca não seja legível, parece corresponder a uma das marcas circulares da fábrica Bordalo Pinheiro, das Caldas da Rainha, do período posterior a Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920) e à Fábrica San Rafael.

 

 

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Janeiro 07 2018

 

Jarras em faiança, com cerca de 20,4 cm. e 11,7 cm. de altura, produzidas na fábrica Arfai, Alcobaça.

 

Não apresentando qualquer marca, e provavelmente destinados à exportação, estes dois modelos documentam, já no dealbar do século XXI, um revivalismo da centenária gramática Art Nouveau e a preferência por um vidrado verde semi-mate característico também de alguma produção internacional desenvolvida, à época, nesse estilo, nomeadamente em fábricas como a sueca Gustafsberg e as norte-americanas Rookwood e Teco.

 

Evocativas de certas formas vegetais, mas sugerindo também, inequivocamente, formas fálicas, estas jarras recordam ainda, no que respeita a esta última característica, um modelo, o número 326, produzido, há cerca de cem anos, pela fábrica francesa Rambervillers. 

 

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Dezembro 30 2017

 

Garrafa antropomórfica, com tampa e cerca de 21,4 cm. de altura, ostentando a inscrição, esgrafitada e manuscrita, "Bonita moça".

 

Não apresentando qualquer marca, esta peça insere-se numa tradição que está documentada na produção oitocentista das Caldas da Rainha, em particular nas mulheres com guitarrra atribuídas a Maria Póstuma, conhecida popularmente como Maria dos Cacos (1797-1853), mas não é impossível que seja oriunda de um centro oleiro do Minho ou do Alentejo.

 

Como é evidente, o tratamento facial desta figura remete para modelos mais arcaicos, que remontam a civilizações pré-clássicas, o mesmo acontecendo com algumas características, volumétricas e posicionais, do corpo.

 

Veja-se, ainda, como estes modelos antropomórficos foram também evocados nas lambrilhas que o SPN/SNI promoveu ao longo das décadas de 1930, 1940 e 1950 (http://mfls.blogs.sapo.pt/outras-fabricas-outras-loicas-cccliv-392994).

 

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Dezembro 24 2017

 

Pequeno prato, em porcelana da SPAL, comemorativo do Natal de 2003.

 

 

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Dezembro 16 2017

Jarra em faiança, com cerca de 12 cm. de altura e 11,8 cm. de circunferência na base, da fábrica Montargila, de Carnaxide, Oeiras.

 

Esta fábrica, cuja existência e produção têm sido escassamente divulgadas, foi fundada em finais do século XIX, em 1897 segundo algumas fontes, e terá laborado até à década de 1960.

 

Parte das suas instalações ainda subsistem, podendo ser vistas algumas fotografias e consultados alguns dados sobre a empresa, os seus administradores e alguns dos seus conhecidos colaboradores, neste site: http://gazetademiraflores.blogspot.pt/2017/04/casa-da-antiga-fabrica-de-ceramica-de.html.

 

A fundação da fábrica deve-se a J. J. Almeida Junça (datas desconhecidas), tendo a empresa contado ainda com a colaboração do conhecido pintor de azulejos José Estevam Cacella de Victoria Pereira (1877-1952), genro do também pintor José Maria Pereira Júnior (ou Pereira Cão; 1841-1921).

 

Há registo de, em 1928, a empresa ter recebido um engenheiro estagiário proveniente do Instituto Superior Técnico, provavelmente para colaborar na supervisão da extracção de materiais provenientes da barreira referida a seguir.

 

Segundo dados dos arquivos da Direcção Geral de Engenharia e Geologia, sabe-se ainda que, no início da década de 1930, a empresa explorava uma barreira nas imediações da estrada de Algés para Linda-a-Velha, de onde se retiravam, por ano, cerca de 12.171 m3 de barro destinados à fábrica.

 

Ali laboravam 24 trabalhadores, com o vencimento de 10$83 por dia, sob as ordens de um administrador, que tinha um vencimento de 12.000$00 anuais.

 

Embora algumas fontes refiram que a empresa apenas terá estado em laboração até à década de 1960, a verdade é que a mesma, sob a designação Sociedade Cerâmica Mont'Argila, SA,  ainda alterou os seus estatutos sociais em Novembro de 2000, mantendo como objecto social a indústria cerâmica.

 

Contudo, em Agosto de 2001 alterou novamente os seus estatutos e a designação social, que passou a ser Mont'Argila Imobiliária e Gestão, SA. Como se depreende, a partir de então o seu objecto social passou a estar centrado, exclusivamente, no sector imobiliário.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 21:01

Dezembro 10 2017

 

Jarra modular Double, em faiança e cortiça e com cerca de 32,5 cm. de altura, produzida pela Arfai, de Alcobaça.

 

Fundada em 1992, como simples empresa de comercialização de produtos cerâmicos, a Arfai iniciou em 1995 a sua própria produção. Actualmente afirma-se como uma das indústrias cerâmicas portuguesas que assegura produção decorativa de alta qualidade, a nível da pasta de faiança fina, dos vidrados e revestimentos e do design.

 

As excelentes peças da Arfai, contudo, beneficiariam da opção em reproduzir criações noutra pasta cerâmica mais resistente, como o barro vermelho duro ou o grés, pois a sua faiança fina revela-se demasiado frágil para um manuseamento intenso ou algo mais despreocupado.

 

Apesar dessa limitação técnica, grande parte da sua produção destina-se actualmente à exportação.

 

 

A Arfai tem colaborado com outras empresas do sector, como a Jomazé, na produção dos inúmeros modelos que cria e comercializa.

 

Uma vez que muita da sua produção se destina à exportação, nao é raro encontrar peças da Arfai sem qualquer marca, ou apresentando exclusivamente etiquetas em papel, ou, ainda, marcas de outras empresas estrangeiras, como a que se reproduz abaixo.

 

As interessantes peças da Arfai voltarão a ser reproduzidas neste espaço, mas entretanto pode-se consultar o site da empresa aqui: http://www.arfaiceramics.com/index.php.

 

 

Jarra, com cerca de 17,8 cm. de altura, produzida na Arfai para a marca dinamarquesa Knabstrup Keramik.

 

Esta jarra, integrando uma série denominada Anna (cf. https://knabstrup.com/produkter?series=16#product-grid), existe em diferentes dimensões e em três tons distintos – neste verde mate e ainda em azul claro e em branco, com esmalte brilhante, correspondendo a um modelo inspirado numa peça anteriormente criada pelo escultor e designer Johannes Hansen (1903-1995), director artístico da KK entre 1953 e 1970.

 

A KK foi fundada em 1897 mas acabou por encerrar em 1988. Entretanto, a marca foi recuperada durante o corrente ano de 2017, recorrendo à comercialização de cerâmica produzida em regime de outsourcing.

 

Consulte-se a história da KK aqui: https://knabstrup.com/historie.

 

 

 

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