Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Abril 22 2017

Manteigueira, com decoração floral estampada, em porcelana da Vista Alegre.

 

Apresenta uma marca VA, aplicada a carimbo, com apenas um ponto visível, e muito afastado, a seguir ao V. Eventualmente, poderá tratar-se de uma variante muito incompleta e não catalogada da marca habitualmente referida sob o número 24, correspondente ao período de 1881 a 1921, ou mesmo de uma variante incompleta da marca 29 (1922-1947), o que parece mais provável.

 

De qualquer modo, o carimbo complementar da Mercearia do Povo, de J. P. Martins, em Chaves, corresponde a uma loja cuja actividade publicitária está documentada na imprensa flaviense da última década do século XIX.

 

 

© MAFLS


Abril 16 2017

 

Jarra em terracota, com cerca de 21,3 cm. de altura, produzida na Cerâmica Macedo, Barcelos.

 

A decoração floral de inspiração Art Déco foi aplicada a aerógrafo sobre stencil (neste caso, cartão ou chapa recortada) para o amarelo, azul, verde e vermelho, e aplicada livremente para o preto e o fundo beige.

 

Sendo louça com fins decorativos, mas também utilitários, a interessante e extensa produção da Cerâmica Macedo sobreviveu em ínfimas quantidades até aos dias de hoje e, como se verifica neste e na maioria desses reduzidos exemplares, em condições de grande deterioração da pintura.

 

Este problema técnico, que afectou também as grandes fábricas de faiança produtoras de decoração sobre o vidrado, como a FLS, acentuava-se na decoração sobre terracota.

 

Embora a Cerâmica Macedo submetesse as suas peças a um banho impermeabilizante antes de aplicar as tintas, o processo de escamagem acentuava-se na terracota com a passagem do tempo, mesmo sem que as jarras recebessem água no seu interior.

 

 

De acordo com Adélio Macedo Correia (n. 1943), a Fábrica de Cerâmica Joaquim Macedo Correia foi fundada em 1893, em Areias de S. Vicente, embora Joaquim Macedo Correia (1871-1948) provavelmente já viesse a produzir cerâmica desde o início dessa década.

 

Exportando, na década de 1920, para todo o país, incluindo Madeira, e Espanha, a fábrica veio a denominar-se Cerâmica Macedo entre 1930 e 1949, difícil período, que se seguiu ao crash bolsista de 1929 e foi afectado quer pela Guerra Civil de Espanha (1936-1939) quer pela II Guerra Mundial (1939-1945), em que a administração passou a ser exercida pelo filho do fundador, o modelador e escultor cerâmico João Macedo Correia (1908-1987).

 

Apesar daquelas adversidades, datam deste período as inovações técnicas na decoração, nomeadamente a utilização do aerógrafo e do stencil, a adopção da gramática Art Déco e ainda a abertura de uma loja na Póvoa de Varzim, em 1935. 

 

Como já foi referido, a Cerâmica Macedo encerrou as suas últimas instalações, no Campo de S. José, Barcelos, em 1950. A loja da Póvoa de Varzim acabou por fechar em 1951.

 

João Macedo Correia, que entretanto, entre 1945 e 1947, dera muito de si e da sua experiência para implementar o projecto e evitar o malogro da efémera Fábrica de Loiça de Viana, ainda continuou em Barcelos a sua produção, de forma artesanal, durante as duas décadas seguintes.

 

 

© MAFLS


Abril 08 2017

 

Duas pequenas placas de suspensão, em relevo, produzidas em faiança pela Elias & Paiva, Alcobaça.

 

Apresentando texto e paisagens executadas com pintura manual livre, documentam uma reduzida opção cromática e ostentam motivos campestres com variantes muito limitadas.

 

 

Este tipo de placas com epigramas, particularmente populares no pós-guerra e nas décadas de 1950 e 1960, assumiram as mais diversas decorações e formatos, sendo comercializadas por diferentes fábricas portuguesas.

 

Note-se como estes epigramas podem ser conotados com uma certa filosofia de vida promovida pelo Estado Novo, reformulada segundo parâmetros supostamente associados à sabedoria popular.

 

O número 401 refere o formato, não a decoração, pois repete-se nos dois exemplares.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 21:01

Abril 02 2017

 

Taça em porcelana, com cerca de 7 x 19,6 x 21,1 cm., da Sociedade de Porcelanas, Coimbra.

 

Apresenta decoração estampada, com retoques coloridos de pintura manual, e filetagem dourada.

 

 

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Março 25 2017

 

Taça em faiança, com cerca de 4,8 cm. de altura e 23,2 cm. de diâmetro máximo, e ostentando como motivo central a imagem de um veado, produzida pela fábrica Estatuária Artística de Alcobaça.

 

Como se comprova por este exemplar, a decoração revivalista apresentando animais, reminiscente de alguma produção cerâmica dos séculos XVII e XVIII, não se limitou no século XX à mais conhecida loiça policromática de Coimbra.

 

No caso da E.A.L., não será alheio à existência destes motivos o facto de um dos seus sócios e modeladores ser alegadamente oriundo de Coimbra e, eventualmente, também alguns pintores.

 

As datas habitualmente apontadas para a laboração desta fábrica situam-se entre 1945 e 1949, tendo pouco depois sido declarada a sua falência e ficando as instalações abandonadas até 1953.

 

Neste último ano, o consagrado ceramista José Pedro (datas desconhecidas), que havia saído da O.A.L. para a E.A.L., e posteriormente para a Olajul, no Juncal, retomou a laboração nas instalações da E.A.L., onde a Pedros viria ser fundada, pelo seu filho Silvino Ferreira Pedro (n. 1925), em 1955.

 

De acordo com a obra Faiança de Alcobaça (1997), de Jorge Pereira de Sampaio (n. 1965), de onde foram adaptadas as informações dos dois parágrafos anteriores, a assinatura corresponderá ao pintor Noel Costa (datas desconhecidas), que posteriormente transitou para a Vestal.

 

 

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Março 19 2017

 

Pequena moldura, para fotografia ou relógio, com cerca de 7,8 x 5,5 x 2,5 cm. e 2,9 cm. de diâmetro na abertura, em porcelana da fábrica Artibus, de Aveiro.

 

A decoração floral da parte superior, aplicada sobre uma superfície em relevo, traduz uma certa gramática Art Déco que, na cerâmica portuguesa, se prolongou pela década de 1940 e chegou, inclusive, à década seguinte. 

 

A atenção ao pormenor, a delicadeza e a elegância de certa decoração desta fábrica estão bem patentes no detalhe do motivo floral complementar, já sem qualquer influência Art Déco mas também pintado à mão, como toda a outra decoração, aplicado no reverso da moldura.

 

 

Como acontece em peças de muitas outras fábricas, portuguesas e estrangeiras, a sigla junto da marca corresponderá ao/à pintor/a que executou a decoração.

 

Curiosamente, esta sigla de pintor/a, semelhante a um Phi, surge também em algumas peças de uma outra fábrica de Aveiro, a Aleluia – http://mfls.blogs.sapo.pt/arte-em-cacos-350019 .

 

 

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Março 11 2017

 

Terrina em faiança, com cerca de 13,4 x 18,2 x 27,7 cm., decorada a azul com o motivo habitualmente conhecido como Cantão Popular.

 

Tal como acontece em diversos outros exemplares semelhantes, quer do século XIX quer do século XX (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/cant%C3%A3o+popular), esta decoração combina motivos aplicados a stencil com pintura manual.

 

Como acontece também em muitos exemplares com esta decoração, particularmente nos mais antigos, esta peça não se encontra marcada. 

 

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Março 05 2017

 

Taça em faiança, com cerca de 9,8 cm. de altura e 22,9 cm. de diâmetro máximo, produzida em 1977 na ilha de S. Miguel, Açores.

 

Apresenta uma invulgar decoração floral, em relevo, onde predominam tonalidades de rosa e verde, combinação cromática que evoca alguma da iridescente cerâmica Art Nouveau produzida pela fábrica húngara Zsolnay na viragem do século XIX para o século XX.

 

Nesta ilha açoriana subsistem ainda três centros de produção cerâmica – a fábrica Micaelense, na Ribeira Grande, a fábrica Vieira, na Lagoa, fundada em 1862, e ainda um centro oleiro em Vila Franca do Campo, que produz essencialmente cerâmica não vidrada.

 

Ao contrário das restantes, as peças da Cerâmica Micaelense são originalmente produzidas no exterior e posteriormente decoradas e cozidas na fábrica.

 

 

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Fevereiro 25 2017

 

Duas pequenas estatuetas, com cerca de 6,5 cm. de altura, em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal.

 

Conhecem-se outras versões desta série, com diferentes cores de vestuário e diferentes instrumentos musicais, ostentando nesses instrumentos as duas variantes de metal, ouro e platina, aqui ilustradas.

 

 

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Fevereiro 19 2017

 

Dois açucareiros em faiança da fábrica Secla, Caldas da Rainha.

 

Este formato, com o código P.2942, foi concebido cerca de 1970 pelo designer Joaquim Alberto Pinto Ribeiro (1921-1989), fundador e gerente responsável pela fábrica Secla, para um serviço de café.

 

Exemplares semelhantes estão ilustrados na página 109 do livro A Nova Cerâmica das Caldas (1989), da autoria do mesmo Alberto Pinto Ribeiro, e na página 131 do catálogo da exposição Estúdio Secla: Uma renovação na cerâmica portuguesa, realizada em 1999 no Museu Nacional do Azulejo.

 

 

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