Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Outubro 19 2014

 

Jarra, com cerca de 27,4 cm. de altura, produzida na Cruz da Légua, concelho de Porto de Mós.

 

Apresentando embora recursos técnicos ancestrais, como o engobe e os óxidos sobre a pasta de argila vermelha, e um formato característico que remonta aos célebres albarellos do século XV, esta peça, na repetição dos seus motivos, remete para uma certa ideia de modernidade desenvolvida também, durante as décadas de 1950 e 1960, em algumas das peças da Campos & Filhos, em Viana do Castelo, e da Secla, nas Caldas da Rainha.

 

Apesar de não se conhecer informação sobre a oficina que produziu esta peça, a assinatura Romeu corresponderá à do mestre ceramista Romeu Augusto que, durante a década de 1940, esteve associado à C.A.I.L., na vizinha localidade da Moitalina (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/223714.html).

 

Pertencentes à freguesia de Pedreiras, as localidades de Cruz da Légua e da Moitalina encontram-se na área de influência tradicional e histórica de uma célebre região cerâmica setecentista e oitocentista, a do Juncal, cuja freguesia é contígua a esta e tem sede na vila com o mesmo nome.

 

 

© MAFLS


Fevereiro 17 2013

     

 

Jarra em barro vermelho com tratamento policromático e posterior complemento decorativo em sgraffito.

 

Exemplar de uma fábrica, ou oficina, menos conhecida situada na Cruz da Légua, concelho de Porto de Mós, localidade para a qual o catálogo da exposição Cerâmica em Alcobaça – 1875 até ao Presente: CeRamICa PLUS (2011) apenas refere a empresa Silva Marques.

 

A assinatura S. Santos corresponderá eventualmente a Silva Santos (datas desconhecidas), pintor cerâmico que colaborou com a C.A.I.L., da Moitalina. Cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/223714.html.

 

Apesar de pertencer já a um outro concelho limítrofe, esta fábrica insere-se claramente na grande área cerâmica habitualmente identificada com Alcobaça, embora esta peça apresente características distintivas que  afastam a sua imagem da tradicional produção da região.

 

 

© MAFLS


Janeiro 26 2013

     

 

Pequena jarra cilíndrica, com cerca de 16,6 cm. de altura e cerca de de 8,6 cm. de diâmetro, em faiança da Cerâmica Artística e Industrial, Lda. (C.A.I.L.), localizada em Moitalina, Porto de Mós.

 

Por escritura de 31 de Dezembro de 1947, a Cerâmica Artística Industrial, Lda., através da cessão de quotas, passou a ter apenas quatro sócios – Álvaro Augusto das Neves, Jaime Augusto das Neves, Romeu Augusto e Rogério Amaral.

 

Pouco depois, através de nova escritura datada de 10 de Janeiro de 1948, a sociedade aumentou o seu capital social de 60.000$00 para 300.000$00, passando este a ficar assim distribuído – uma quota de 210.000$00, em nome de Álvaro Augusto das Neves, e três quotas de 30.000$00, estando cada uma destas em nome de Jaime Augusto das Neves, Romeu Augusto e Rogério Amaral.

 

Poder-se-ia pensar que o nome de José Rosa (datas desconhecidas), citado no catálogo da exposição Cerâmica em Alcobaça – 1875 até ao Presente: CeRamICa PLUS (2011), seria um daqueles que estaria associado à C.A.I.L. antes de 1948, mas o texto patente nesse catálogo apenas refere o seguinte sobre a fábrica – "(...) e CAIL ou Cerâmica Artística Industrial, Lda., na Moitalina, a que está ligado o nome de Romeu Augusto e, depois, José Rosa; (...)"

 

A C.A.I.L. foi dissolvida a 3 de Dezembro de 1964, não havendo lugar a qualquer liquidação por, de acordo com certidão publicada em Diário do Governo, "a sociedade não possuir activo ou passivo".

 

 

© MAFLS


Maio 27 2012

 

     

 

Prato de oficina não identificada, possivelmente a Cerâmica Artística e Industrial, Lda., no concelho de Porto de Mós, com motivos florais no rebordo e motivo folclórico no centro. 

 

Sublinhe-se que os motivos florais foram pintados à mão, livremente, enquanto que o motivo central foi pintado sobre stencil (chapa recortada).

 

Note-se, ainda, como a decoração central traduz a recuperação dos motivos folclóricos promovida pelo S.P.N./S.N.I. entre 1930 e 1970, muito embora já na década de 1920 essa recuperação fosse evidente através de ilustrações publicadas em algumas revistas (http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/371206.html).

 

Tal facto não pode ser dissociado do fascínio que os Ballets Russes, de Diaghilev (Sergei Pavlovich Diaghilev, 1872-1929), vinham exercendo em alguns artistas portugueses desde a década de 1910.

 

 

© MAFLS


mais sobre mim
Setembro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
14
15
16

18
19
20
21
22

24
25
26
27
28
29
30


pesquisar