Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Outubro 20 2012

 

 

Prato em faiança, pintado à mão sob o vidrado, em 1958, por Artur José (1932-2010).

 

O mestre ceramista Artur José participou em diversas edições do Salão dos Novíssimos, evento promovido a partir de 1959 pelo SNI (Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo), que exibia pintura, desenho, gravura, escultura e cerâmica.

 

Nesses certames, a produção então exibida centra-se particulamente nas composições azulejares cujos motivos se aproximam mais da vertente abstraccionista do que da reinterpretação figurativista, de vaga influência barroca e neo-barroca, patente neste exemplar.

 

 

Com efeito, em 1962 exibiu três painéis de azulejo – Fantasia, Fuga e Verão, tendo recebido o prémio Sebastião de Almeida (destinado à cerâmica) pelo segundo, reproduzido acima, um painel com 51 x 72 cm. que se encontrava à venda por 1.200$00. A peça cerâmica mais cara custava 12.000$00 e era da autoria do escultor Abel Baptista dos Santos (1924-2012), que em 1954 havia sido também galardoado pelo SNI.

 

Curiosamente, a peça mais cara desse IV Salão era um óleo de Artur Bual (1926-1999; veja-se uma placa cerâmica que lhe é atribuída aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/148413.html.), com 230 x 162 cm., ao preço de 25.000$00. Isto num salão onde também exibiram a concurso, entre outros, Charters de Almeida (n. 1935), prémio Mestre Manuel Pereira de escultura nesse ano, Maria Irene Vilar (1930-2008), Luís Pinto Coelho (1942-2001) e António Lino (1914-1996).

 

Capa do catálogo do IV Salão dos Independentes, provavelmente criada por Sebastião Rodrigues (1929-1997), autor, entre outras, das capas para os catálogos dos Salões de 1960, 1963 e 1964.

 

Em 1963, no V Salão, em que João [Lopes] Segurado (n. 1920) recebeu o prémio Sebastião de Almeida com o painel azulejar Homenagem a Garcia Lorca, Artur José exibiu quatro novos painéis cerâmicos – Painel em relevo, Sinfonia-Painel, Ritmo e Fantasia.

 

Já em 1965, no VII Salão, em que Carlos Alberto Martins Alves (datas desconhecidas) recebeu o prémio Sebastião de Almeida com a peça Enquanto Fiz Castelos no Ar, Artur José exibiu apenas um prato e dois painéis cerâmicos.

 

 

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Junho 02 2012

          

 

Pequena figura em terracota esmaltada produzida no Estúdio de Cerâmica Artística (que poderá corresponder, ou ter sucedido, à Escola Cerâmica de Lisboa, fundada pelo escultor João Fragoso [1913-2000]).

 

A sua autoria está atribuída a Maria Luísa Fragoso (1907-1985; Pamplona indica 1917 como data do seu nascimento), esposa de João Fragoso e artista sobre a qual existe informação muito pouco desenvolvida (cf. http://www.matriznet.imc-ip.pt/MatrizNet/Entidades/EntidadesConsultar.aspx?IdReg=40576), mesmo considerando a entrada que lhe é dedicada no Dicionário de Pintores e Escultores (3.ª edição, 1991), volume II, de Fernando de Pamplona (n. 1909).

 

Sabe-se, ainda, que colaborou com as iniciativas do S.N.I. (SPN, entre 1933 e 1944, SNI a partir deste último ano até 1968), estando referenciada como ceramista no catálogo da exposição As Artes ao Serviço da Nação, realizada no Museu de Arte Popular, Lisboa, em 1966, para assinalar os 40 anos do regime.

 

Em 1960, Mário Ferreira da Silva (datas desconhecidas; não confundir com o ceramista de apelido homónimo Luís Ferreira da Silva, n. 1928) foi galardoado com o prémio Sebastião de Almeida, destinado à cerâmica e atribuído a uma base de candeeiro, no II Salão dos Novíssimos promovido pelo SNI. Nessa edição Maria Luísa Fragoso exibiu duas peças – Desânimo e Cabecinha, não apresentando depois peças nos Salões de 1962, 1963 e 1965.

 

Como se pode observar, a sua obra liga-se à gramática cerâmica seguida em Portugal por Jorge Barradas (1894-1971), a qual, por sua vez, foi influenciada por obras desenvolvidas na fábrica austríaca Goldscheider e noutros centros cerâmicos europeus, particularmente os franceses e italianos.

 

Uma exposição dedicada a alguns trabalhos de Maria Luísa Fragoso, que permitirá saber algo mais sobre esta ceramista, poderá ser visitada até 1 de Julho de 2012 no Museu de Cerâmica das Caldas da Rainha: http://museudaceramica-exptemporaria.blogspot.pt/2012/04/maria-luisa-fragoso-nas-coleccoes-do.html.

 

 

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