Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Dezembro 30 2016

 

Jarra em grés, com cerca de 24,8 cm. de altura, produzida pela fábrica francesa Rambervillers.

 

Este modelo surgiu pela primeira vez no catálogo de 1920 e, com excepção do azul metalizado característico da empresa, apresenta tonalidades esverdeadas similares a algumas das que surgem, na mesma época, nos vidrados escorridos da fábrica americana Fulper (http://mfls.blogs.sapo.pt/the-twelve-days-of-christmas-ii-339668).

 

Também os elementos verticais, que ora evocam uma estranha estilização vegetal truncada ora adornos metálicos repuxados ao gosto Arts & Crafts, surgem de forma similar, mas desenvolvendo-se a partir da base, em alguns formatos daquela empresa americana.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 00:01

Setembro 01 2014

 

Duas peças da fábrica francesa Société Anonyme des Produits Céramiques de Rambervillers que ilustram diferentes vidrados de diferentes épocas.

 

A primeira, um cinzeiro, ou vide-poche, com cerca de 17 cm. de comprimento, ostenta uma papoila modelada de acordo com a característica gramática sinuosa Art Nouveau.

 

Embora corresponda ao formato 229, que já surge no catálogo de 1906, a peça continuou a surgir nos catálogos de 1920 e 1930, sendo este um exemplar tardio, como se pode comprovar pela pasta vermelha e pela marca, que habitualmente se atribui ao período de 1950 a 1957.

 

 

A figura que representa um cachorro da raça basset, com cerca de 15 x 17,8 x 10,4 cm., ostenta, impressas, a assinatura de Jean-Baptiste-Alphonse Cytère (1861-1941) e a marca Unis-France, correspondente ao período de 1920 a 1931.

 

É esta uma peça que surge pela primeira vez no catálogo de 1920, sob o número 269, e que, quer pelo seu formato quer pelo seu peso, pode ser usada como ampara-livros, embora tal não esteja expressamente indicado no catálogo.

 

Apesar de este exemplar apresentar as supracitadas marcas, o original havia sido modelado pelo consagrado escultor alemão Ludwig Habich (1872-1949), um dos expoentes da renomada comunidade artística de Darmstad, e apresentado numa versão em bronze durante a Exposição Universal de Paris, realizada em 1900, embora se conheçam também versões em grés da fábrica alemã Scharvogel Künsttopferei, de Munique.

 

Os vidrados desta peça não revelam apenas uma aproximação ao original em bronze mas também uma busca de novas tonalidades para sucederem aos reflexos metalizados, como o famoso azul, os verdes e o sang-de-boeuf, da produção inicial da fábrica.

 

Vejam-se outras peças da Rambervillers aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/rambervillers.

 

     

 

© MAFLS


Janeiro 04 2014

 

Como se pode verificar através deste exemplo, embora a jarra assinada por Charles Catteau reproduzida no ano passado (http://mfls.blogs.sapo.pt/213467.html) fosse um notável paradigma do melhor que se produziu naquela fábrica, a Société Anonyme des Produits Céramiques de Rambervillers produziu também peças que nada tinham de excepcional quanto ao seu formato.

 

Correspondente ao modelo 381, a jarra encontra-se referenciada nos catálogos de 1920 e 1930, apresentando este exemplar uma curiosa palette de algumas das diferentes tonalidades que a fábrica conseguia obter nos seus vidrados.

 

Mas a empresa consolidou a sua imagem de excepcional qualidade com base em peças como a que surge abaixo, mesmo quando estas apresentavam apenas diferentes variantes do seu famoso vidrado azul.

 

 

 

Referenciada já no catálogo de 1907, esta peça, assinada por René Jeandelle (1883-1935) e com cerca de 26,8 cm. de altura, foi uma das duas que o artista modelou para representar a famosa dançarina americana Loïe Fuller (1862-1928; veja-se uma caricatura que Rafael Bordalo Pinheiro fez dela, em 1902, numa posição muito semelhante, aqui: http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/69718.html.)

 

Tal como a actriz Sarah Bernhardt (1844-1923) o epitomizou nas artes gráficas, a dançarina Loïe Fuller epitomizou o espírito Art Nouveau na arte das esculturas de pequenas dimensões, algumas das quais podem ser vistas aqui: https://sites.google.com/site/artnouveaudance/catalog/sculpture.

 

Observando a peça de Rambervillers que surge na ligação acima mencionada, nota-se que apresenta detalhes mais nítidos e modelação mais vincada do que este exemplar. Isso deve-se ao facto de o exemplar aqui ilustrado ser já da década de 1950, denotando portanto um maior desgaste do molde.

 

A talentosa bailarina canadiana Margie Gillis (http://www.margiegillis.org/), recuperou notavelmente, desde finais do século XX, a arte da dança a solo que Loïe Fuller havia celebrizado cem anos antes.

 

     

 

© MAFLS


Janeiro 03 2013

 

Jarra de Rambervillers, em estilo Art Nouveau, com assinatura manuscrita de Charles Catteau (1880-1966).

 

No catálogo de Rambervillers de 1905 surgem três jarras de Catteau – esta, com o número 27 e altura indicada de 18,2 cm. (este exemplar tem cerca de 17,7 cm. de altura), e ainda as jarras número 11 (a única que surge também nos catálogos de 1920 e 1931) e 29, surgindo posteriormente no suplemento de 1906 uma outra jarra com o número 42 e uma jardineira com o número 81. 

 

Estas cinco peças parecem resumir toda a colaboração deste conceituado ceramista, cujo nome é sinónimo da extraordinária produção Art Déco da fábrica belga Boch Frères / Keramis (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/211552.html) e raramente aparece associado a Rambervillers, com esta notável fábrica francesa.

 

A produção industrial de faiança em Rambervillers remonta a 1738, passando a fábrica herdeira dessa tradição a laborar também com grés a partir de 1850. Pouco depois, em 1863, cessou a produção de faiança.

 

A empresa que se gerou com essa transformação, a Société Anonyme des Produits Céramiques de Rambervillers não fugiu à influência da gramática decorativa da escola de Nancy, localidade vizinha, contando entre os seus colaboradores com vários expoentes dessa escola e do movimento Art Nouveau, tais como Louis Majorelle (1859-1929: cf. http://fr.wikipedia.org/wiki/Louis_Majorelle), que aqui assinou pelo menos seis peças, e Jacques Gruber (1870-1936; cf. http://www.ecole-de-nancy.com/web/index.php?page=jacques-gruber), que assinou pelo menos nove.

 

Aliás, esta jarra assinada por Catteau, embora numa forma mais depurada e despojada da maioria dos complementos vegetais relevados, evoca de certa maneira a jarra Ombelles, correspondente ao número 9 do catálogo Rambervillers de 1905 e com cerca de 49 cm. de altura, modelada em 1903 por Gruber.

 

                    

 

Administrada a partir de 1891 pelo engenheiro ceramista Jean-Baptiste-Alphonse Cytère (1861-1941; cf. http://www.ecole-de-nancy.com/web/index.php?page=alphonse-cytere), a fábrica entrou então num perídodo áureo durante o qual executou diversas peças que surgem como paradigma do melhor que se produziu em cerâmica no estilo Art Nouveau.

 

Foi no início do século XX que Pierre-Roger Claudin (1877-1936) modelou uma das mais notáveis jarras da colecção da SAPCR – La Vague, acima numa versão exemplificativa do famoso azul irisado de Rambervillers, a qual surge já, numa das duas versões de diferentes dimensões – 26 cm. (o exemplar aqui apresentado tem cerca de 27,4 cm.) e 86 cm. de altura, ilustrando a capa do catálogo número 3 da fábrica, correspondente ao ano de 1905.

 

Veja-se um pequeno texto sobre a empresa, e a continuadora da sua tradição – Julie Bernaudin, aqui: http://www.ville-rambervillers.fr/gr%C3%A8s-flamm%C3%A9s.

 

 

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