Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Fevereiro 08 2014

 

Conjunto para chá em porcelana da Vista Alegre.

 

Ostentando a marca correspondente ao período 1947-1968, foi certamente produzido já na década de 1960, podendo ter sido criado, ou desenhado, nos finais da década anterior. Conhece-se, no entanto, um anúncio, de página inteira, publicado na revista Panorama, número 5, IV série, de Março de 1963, que apresenta este formato.

 

Com a legenda "Vista Alegre / apresenta / SOLTEIRINHA / [imagem] / a sua última criação", o anúncio, reproduzido abaixo, apresenta um conjunto com este formato, mas com diferente decoração, onde se comprova que, originalmente, este integrava também, para além das três tacinhas, um pequeno prato.

 

Na fotografia pode-se ainda constatar que a reentrância na base do bule permite que este se encaixe por cima da chávena, um conceito pragmático e minimalista, orientalizante, que aqui se associa à modernidade.

 

 

 

 

Curiosamente, quer a designação (que se aplicará ao formato e não à decoração) quer a composição do conjunto, que nem sequer se destina a duas pessoas, como os tête-à-tête popularizados nas décadas de 1920 e 1930, mas apenas a uma, traduzem uma nova mentalidade e uma nova aproximação à vivência do quotidiano feminino.

 

Notem-se as diversas combinações peculiares nos formatos apresentados, características de certas propostas híbridas das décadas de 1950 e 1960, como sejam o conservador bico do bule conjugado com o seu cilíndrico formato modernista, e a asa em verga revestida a fita sintética, e as, aparentemente conservadoras, asas, quer da chávena quer da leiteira, combinadas com o formato menos conservador do corpo principal das peças.

 

Embora estas asas não sejam efectivamente tão conservadoras como parecem, até pelo amplo espaço criado no seu interior, a verdade é que propostas posteriores destas formas cilíndricas, ou mesmo tronco-cónicas, vieram a prescindir de quaisquer asas, tal como já anteriormente tinha acontecido em alguns modelos modernistas derivados das propostas da Bauhaus.

 

A simples decoração listada, no seu minimalismo repetitivo, contribui também para sublinhar a modernidade da proposta deste conjunto.

 

 

© MAFLS


Julho 21 2013

 

Procurando complementar as mais recentes e diversas referências que a autora do espaço *CMP (http://ceramicamodernistaemportugal.blogspot.pt/search/label/Lu%C3%ADs%20Ferreira%20da%20Silva) vem fazendo à obra de Luís Ferreira da Silva  (n. 1928; http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/ferreira+da+silva), apresenta-se hoje mais uma placa cerâmica, com cerca de 16 x 16 x 2,7 cm., produzida por este ceramista durante a década de 1960 para a fábrica Secla, das Caldas da Rainha.

 

No tardoz apresenta, incisas, a sigla e as iniciais do artista, "FS", a inscrição "Secla / Portugal" e o número "4", que corresponde à decoração, ostentando ainda, a exemplo do que acontece com outro exemplar já aqui apresentado (http://mfls.blogs.sapo.pt/94060.html), quatro suportes em borracha.

 

Recorde-se que diversas placas semelhantes a estas haviam sido exibidas por Ferreira da Silva, em 1960, na sede da The Architectural League of New York, onde, complementarmente, uma montra ao nível da rua lhe foi dedicada em exclusivo.

 

Durante toda a década de 1960 as suas peças, muitas delas únicas, não cessaram de ganhar reconhecimento internacional, sendo essa a altura em que o empresário sueco Ingvar Kamprad (n. 1926), fundador da célebre cadeia IKEA (http://www.ikea.com/ms/pt_PT/about_ikea/the_ikea_way/history/index.html), se tornou no maior coleccionador particular da obra deste notável ceramista.

 

A fim de evitar mal-entendidos sobre dois artistas distintos, mas que têm apelidos iguais e são ambos oriundos da região do Grande Porto, aproveita-se esta oportunidade para reproduzir abaixo a imagem de uma peça de Mário Ferreira da Silva e referir alguma da sua obra.

 

 

Apresentada no número 37, IV série, da revista Panorama, publicada em Março de 1971, esta imagem mostra a peça com que Mário Ferreira da Silva (datas desconhecidas) obteve o Prémio Nacional de Cerâmica de 1969, atribuído no IV Salão Nacional de Arte organizado pela Secretaria de Estado da Informação e Turismo (S.N.I.).

 

Esta nova consagração da obra de Mário Ferreira da Silva (http://www.mariofsilva.com/biografia.html) seguiu-se à que já havia ocorrido em 1960, quando recebera o prémio Sebastião de Almeida, destinado à cerâmica e atribuído a uma base de candeeiro, no II Salão dos Novíssimos promovido pelo SNI. 

 

No catálogo correspondente ao Salão de 1960, onde apresentou três peças – 24, Base de Candeeiro; 25, Jarra Decorativa; 26, Jarra Decorativa, surge sob o nome Mário Ferreira da Silva, com morada na Rua Domingos de Matos, 644, em Coimbrões, V. N. de Gaia.

 

Já nos catálogos dos Salões de 1962, onde apresentou duas peças – 135, Fantasia I, Jarra, e 136, Fantasia II, Jarrão, e de 1965, onde apresentou quatro peças – 101, Pássaros (faiança), 102, Prato (grés), 103, Base para Candeeiro (grés), e 104, Base para Candeeiro (grés), surge apenas sob o nome Mário Silva, com morada na Rua Gil Eanes, 282, 2.º Esq.º, em Vila Nova de Gaia.

 

 

© MAFLS


Agosto 25 2012

 

     

Máscara cerâmica de grandes dimensões, com cerca de 46,8 x 31,4 cm. na base de madeira, assinada com as iniciais "R. H. (L.?)" e datada "49".

 

Conforme já foi referido anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/olaria+sanches), estas iniciais surgem associadas à produção da Olaria Sanches, eventualmente entre a década de 1940 e o início da década de 1970.

 

De acordo com as afirmações de João Teodoro Ferreira Pinto Basto (1870-1953) na obra A Cerâmica Portuguesa (1935), a Olaria Sanches já se encontrava activa em 1934 na zona da Luz (Benfica), em Lisboa, embora o autor inclua a empresa na "Ceramica de construção".

 

Este último pormenor não é, contudo, significativo, pois as diversas fábricas da empresa Lusitânia surgem também incluídas nessa classificação, quando se sabe que produziram loiças decorativas e de mesa.

 

 

A gramática desta máscara, e da sua base de apresentação em madeira, aproxima-se daquela que Jorge Barradas (1894-1971) escolheu para alguma da sua cerâmica das décadas de 1940 e 1950, como se pode apreciar pela imagem reproduzida acima.

 

Esta imagem foi publicada na revista Panorama, número 38, de 1949, para ilustrar um artigo sobre a exposição que Barradas havia efectuado pouco antes no estúdio do Palácio Foz, sede do SNI, em Lisboa. O artista já em 1945 tinha exibido as suas cerâmicas naquele espaço, podendo ver-se reproduzidas na revista Panorama, número 27, de 1946, três das peças então apresentadas.

 

Embora em algumas das máscaras de Barradas surjam rostos frontais com preponderância de um rígido eixo vertical, a sua imagem de marca surge associada a um requebro na transição do colo para a face, como se pode ver na peça reproduzida, a qual, na década de 1990, pertencia à colecção do arquitecto Januário Godinho (1910-1990).

 

Na obra de Jorge Barradas, este aspecto que, para além de traduzir uma certa dinâmica corporal, confere maior elegância e graciosidade às suas representações, é quase sempre complementado com o olhar das figuras ligeiramente dirigido para um plano inferior.

 

 

© MAFLS


Novembro 19 2009

 

Anúncio de página inteira publicado na revista Panorama, número dois, III série, de Junho de 1956.

 

Veja-se um anúncio semelhante, publicado no mesmo ano, e informação sobre a série completa de cavaleiros, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/8294.html.

 

Note-se que a figura equestre foi fotografada de um ângulo ligeiramente diferente e que o prato da Fábrica do Carvalhinho, para além de ser de um formato diferente, tem decoração distinta.

 

© MAFLS


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