Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Outubro 19 2014

 

Jarra, com cerca de 27,4 cm. de altura, produzida na Cruz da Légua, concelho de Porto de Mós.

 

Apresentando embora recursos técnicos ancestrais, como o engobe e os óxidos sobre a pasta de argila vermelha, e um formato característico que remonta aos célebres albarellos do século XV, esta peça, na repetição dos seus motivos, remete para uma certa ideia de modernidade desenvolvida também, durante as décadas de 1950 e 1960, em algumas das peças da Campos & Filhos, em Viana do Castelo, e da Secla, nas Caldas da Rainha.

 

Apesar de não se conhecer informação sobre a oficina que produziu esta peça, a assinatura Romeu corresponderá à do mestre ceramista Romeu Augusto que, durante a década de 1940, esteve associado à C.A.I.L., na vizinha localidade da Moitalina (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/223714.html).

 

Pertencentes à freguesia de Pedreiras, as localidades de Cruz da Légua e da Moitalina encontram-se na área de influência tradicional e histórica de uma célebre região cerâmica setecentista e oitocentista, a do Juncal, cuja freguesia é contígua a esta e tem sede na vila com o mesmo nome.

 

 

© MAFLS


Janeiro 26 2013

     

 

Pequena jarra cilíndrica, com cerca de 16,6 cm. de altura e cerca de de 8,6 cm. de diâmetro, em faiança da Cerâmica Artística e Industrial, Lda. (C.A.I.L.), localizada em Moitalina, Porto de Mós.

 

Por escritura de 31 de Dezembro de 1947, a Cerâmica Artística Industrial, Lda., através da cessão de quotas, passou a ter apenas quatro sócios – Álvaro Augusto das Neves, Jaime Augusto das Neves, Romeu Augusto e Rogério Amaral.

 

Pouco depois, através de nova escritura datada de 10 de Janeiro de 1948, a sociedade aumentou o seu capital social de 60.000$00 para 300.000$00, passando este a ficar assim distribuído – uma quota de 210.000$00, em nome de Álvaro Augusto das Neves, e três quotas de 30.000$00, estando cada uma destas em nome de Jaime Augusto das Neves, Romeu Augusto e Rogério Amaral.

 

Poder-se-ia pensar que o nome de José Rosa (datas desconhecidas), citado no catálogo da exposição Cerâmica em Alcobaça – 1875 até ao Presente: CeRamICa PLUS (2011), seria um daqueles que estaria associado à C.A.I.L. antes de 1948, mas o texto patente nesse catálogo apenas refere o seguinte sobre a fábrica – "(...) e CAIL ou Cerâmica Artística Industrial, Lda., na Moitalina, a que está ligado o nome de Romeu Augusto e, depois, José Rosa; (...)"

 

A C.A.I.L. foi dissolvida a 3 de Dezembro de 1964, não havendo lugar a qualquer liquidação por, de acordo com certidão publicada em Diário do Governo, "a sociedade não possuir activo ou passivo".

 

 

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