Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Dezembro 02 2017

 

Conjunto de quatro pequenos azulejos, lambrilhas, parcialmente decorados a stencil (chapa recortada) e pintados à mão, sob o vidrado, com a combinação máxima de apenas três cores sobre o revestimento estanífero de fundo.

 

Com cerca de 7 cm. de lado, estas lambrilhas não apresentam qualquer marca no tardoz. Como já foi referido (http://mfls.blogs.sapo.pt/126700.html), a fábrica Viúva Lamego executou dezenas de peças com motivos populares semelhantes a estes, mas diversas outras fábricas e oficinas terão também seguido gramáticas equivalentes.

 

Note-se como dois dos motivos aqui apresentados reproduzem peças de cerâmica popular, motivos certamente desenvolvidos no âmbito da política e propaganda promotora e renovadora das artes populares que o SPN/SNI institucionalizou a partir da década de 1930.

 

© MAFLS


Outubro 04 2013

 

Anúncio de página inteira publicado no número 22, III série, de Junho de 1961, da revista Panorama, publicação mensal do Secretariado Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo (SNI).


Note-se a menção às filiais da FLS no Funchal, inaugurada em finais da década de 1950 e que já havia sido referida anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/136411.html), e em Luanda.


Veja-se um exemplar desta estatueta aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/210356.html, e outros dois anúncios referentes a esta série aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/d.+jo%C3%A3o+i.

publicado por blogdaruanove às 21:01

Outubro 20 2012

 

 

Prato em faiança, pintado à mão sob o vidrado, em 1958, por Artur José (1932-2010).

 

O mestre ceramista Artur José participou em diversas edições do Salão dos Novíssimos, evento promovido a partir de 1959 pelo SNI (Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo), que exibia pintura, desenho, gravura, escultura e cerâmica.

 

Nesses certames, a produção então exibida centra-se particulamente nas composições azulejares cujos motivos se aproximam mais da vertente abstraccionista do que da reinterpretação figurativista, de vaga influência barroca e neo-barroca, patente neste exemplar.

 

 

Com efeito, em 1962 exibiu três painéis de azulejo – Fantasia, Fuga e Verão, tendo recebido o prémio Sebastião de Almeida (destinado à cerâmica) pelo segundo, reproduzido acima, um painel com 51 x 72 cm. que se encontrava à venda por 1.200$00. A peça cerâmica mais cara custava 12.000$00 e era da autoria do escultor Abel Baptista dos Santos (1924-2012), que em 1954 havia sido também galardoado pelo SNI.

 

Curiosamente, a peça mais cara desse IV Salão era um óleo de Artur Bual (1926-1999; veja-se uma placa cerâmica que lhe é atribuída aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/148413.html.), com 230 x 162 cm., ao preço de 25.000$00. Isto num salão onde também exibiram a concurso, entre outros, Charters de Almeida (n. 1935), prémio Mestre Manuel Pereira de escultura nesse ano, Maria Irene Vilar (1930-2008), Luís Pinto Coelho (1942-2001) e António Lino (1914-1996).

 

Capa do catálogo do IV Salão dos Independentes, provavelmente criada por Sebastião Rodrigues (1929-1997), autor, entre outras, das capas para os catálogos dos Salões de 1960, 1963 e 1964.

 

Em 1963, no V Salão, em que João [Lopes] Segurado (n. 1920) recebeu o prémio Sebastião de Almeida com o painel azulejar Homenagem a Garcia Lorca, Artur José exibiu quatro novos painéis cerâmicos – Painel em relevo, Sinfonia-Painel, Ritmo e Fantasia.

 

Já em 1965, no VII Salão, em que Carlos Alberto Martins Alves (datas desconhecidas) recebeu o prémio Sebastião de Almeida com a peça Enquanto Fiz Castelos no Ar, Artur José exibiu apenas um prato e dois painéis cerâmicos.

 

 

© MAFLS


Agosto 25 2012

 

     

Máscara cerâmica de grandes dimensões, com cerca de 46,8 x 31,4 cm. na base de madeira, assinada com as iniciais "R. H. (L.?)" e datada "49".

 

Conforme já foi referido anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/olaria+sanches), estas iniciais surgem associadas à produção da Olaria Sanches, eventualmente entre a década de 1940 e o início da década de 1970.

 

De acordo com as afirmações de João Teodoro Ferreira Pinto Basto (1870-1953) na obra A Cerâmica Portuguesa (1935), a Olaria Sanches já se encontrava activa em 1934 na zona da Luz (Benfica), em Lisboa, embora o autor inclua a empresa na "Ceramica de construção".

 

Este último pormenor não é, contudo, significativo, pois as diversas fábricas da empresa Lusitânia surgem também incluídas nessa classificação, quando se sabe que produziram loiças decorativas e de mesa.

 

 

A gramática desta máscara, e da sua base de apresentação em madeira, aproxima-se daquela que Jorge Barradas (1894-1971) escolheu para alguma da sua cerâmica das décadas de 1940 e 1950, como se pode apreciar pela imagem reproduzida acima.

 

Esta imagem foi publicada na revista Panorama, número 38, de 1949, para ilustrar um artigo sobre a exposição que Barradas havia efectuado pouco antes no estúdio do Palácio Foz, sede do SNI, em Lisboa. O artista já em 1945 tinha exibido as suas cerâmicas naquele espaço, podendo ver-se reproduzidas na revista Panorama, número 27, de 1946, três das peças então apresentadas.

 

Embora em algumas das máscaras de Barradas surjam rostos frontais com preponderância de um rígido eixo vertical, a sua imagem de marca surge associada a um requebro na transição do colo para a face, como se pode ver na peça reproduzida, a qual, na década de 1990, pertencia à colecção do arquitecto Januário Godinho (1910-1990).

 

Na obra de Jorge Barradas, este aspecto que, para além de traduzir uma certa dinâmica corporal, confere maior elegância e graciosidade às suas representações, é quase sempre complementado com o olhar das figuras ligeiramente dirigido para um plano inferior.

 

 

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Junho 02 2012

          

 

Pequena figura em terracota esmaltada produzida no Estúdio de Cerâmica Artística (que poderá corresponder, ou ter sucedido, à Escola Cerâmica de Lisboa, fundada pelo escultor João Fragoso [1913-2000]).

 

A sua autoria está atribuída a Maria Luísa Fragoso (1907-1985; Pamplona indica 1917 como data do seu nascimento), esposa de João Fragoso e artista sobre a qual existe informação muito pouco desenvolvida (cf. http://www.matriznet.imc-ip.pt/MatrizNet/Entidades/EntidadesConsultar.aspx?IdReg=40576), mesmo considerando a entrada que lhe é dedicada no Dicionário de Pintores e Escultores (3.ª edição, 1991), volume II, de Fernando de Pamplona (n. 1909).

 

Sabe-se, ainda, que colaborou com as iniciativas do S.N.I. (SPN, entre 1933 e 1944, SNI a partir deste último ano até 1968), estando referenciada como ceramista no catálogo da exposição As Artes ao Serviço da Nação, realizada no Museu de Arte Popular, Lisboa, em 1966, para assinalar os 40 anos do regime.

 

Em 1960, Mário Ferreira da Silva (datas desconhecidas; não confundir com o ceramista de apelido homónimo Luís Ferreira da Silva, n. 1928) foi galardoado com o prémio Sebastião de Almeida, destinado à cerâmica e atribuído a uma base de candeeiro, no II Salão dos Novíssimos promovido pelo SNI. Nessa edição Maria Luísa Fragoso exibiu duas peças – Desânimo e Cabecinha, não apresentando depois peças nos Salões de 1962, 1963 e 1965.

 

Como se pode observar, a sua obra liga-se à gramática cerâmica seguida em Portugal por Jorge Barradas (1894-1971), a qual, por sua vez, foi influenciada por obras desenvolvidas na fábrica austríaca Goldscheider e noutros centros cerâmicos europeus, particularmente os franceses e italianos.

 

Uma exposição dedicada a alguns trabalhos de Maria Luísa Fragoso, que permitirá saber algo mais sobre esta ceramista, poderá ser visitada até 1 de Julho de 2012 no Museu de Cerâmica das Caldas da Rainha: http://museudaceramica-exptemporaria.blogspot.pt/2012/04/maria-luisa-fragoso-nas-coleccoes-do.html.

 

 

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