Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Agosto 17 2013

 

 

 

Lápide em mármore, com medalhão em bronze, alusiva ao cavaleiro tauromáquico Joaquim José Antunes Correia (16 de Outubro de 1945 - 16 de Outubro de 1966), que se encontra na fachada do prédio número 30 da Rua União Piedense, na Cova da Piedade.

 

A propósito de uma escultura equestre anteriormente aqui apresentada (http://mfls.blogs.sapo.pt/178039.html), foi-nos colocada a questão de esta poder representar o cavaleiro Joaquim José Correia, sobrinho do escultor e consagrado modelador da FLS Armando Mesquita (1907-1982), sendo também questionada a autoria da mesma.


Conforme foi então referido, uma fotografia existente no CDMJA e exibida na exposição Percurso Documental pelos Artistas da Fábrica de Loiça de Sacavém, realizada no MCS em 2007, atribui a sua autoria a Clariano Casquinha da Costa (1929-2013; activo na FLS durante as décadas de 1950 e 1960) e não a Armando Mesquita.


Lamentavelmente, não se conhecem quaisquer declarações, qualquer iconografia, qualquer catalogação ou qualquer documentação, sequer, que permitam fazer coincidir a figura desta estatueta com a identidade de algum cavaleiro tauromáquico em particular.


No entanto, o simples facto de esta peça já aparecer referenciada no catálogo de 1960 torna muito improvável que possa representar alguém como Joaquim José Correia, que nessa data não tinha mais de quinze anos e que apenas recebeu a alternativa de cavaleiro em Abril de 1965.


Talvez os descendentes de Clariano Casquinha da Costa, que recentemente criaram uma página para homenagear a memória e a obra de seu pai (https://www.facebook.com/ClarianoCasquinhaDaCosta), possam oportunamente confirmar a sua autoria e esclarecer aspectos relativos a essa hipotética identidade.


Após o falecimento de Joaquim José Correia, o fado Tarde Triste no Campo Pequeno (Orfeu, 1967), com letra de José Guimarães (1930-2007; http://fadocanto.blogspot.pt/2008/08/jos-guimares-letrista.html) e música de Resende Dias (António Martins da Silva Dias, 1916-1992; http://resendedias.wordpress.com/), veio evocar esse evento (http://www.almadaintemporal.net/index.php/cultura/gentes-de-almada/117-joaquim-jose-correia).


Uma emocionante versão desse fado, a original, na voz da consagrada fadista Lenita Gentil (Maria Helena Gentil do Carmo, n. 1948), pode ser ouvida aqui: http://www.youtube.com/watch?v=QA_vmPaeL6E.


© MAFLS


Julho 17 2012

 

Cavaleiro tauromáquico em biscuit, designado na FLS como barro Parian, com as dimensões aproximadas de 21,8 x 17,5 x 7,6 cm.

 

As figuras da FLS relacionadas com cavalos e tauromaquia parecem ter  sido essencialmente modeladas por Leonel Cardoso (1898-1987), que criou aquela que será a figura de toureio a cavalo mais conhecida da fábrica (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/11619.html) e um medalhão em barro parian dedicado ao cavaleiro João Núncio (1901-1976), e Armando Mesquita (1907-1982), que executou diversos modelos de cavalos e figuras equestres, particularmente para a série de cavaleiros militares (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/militaria).

 

Através de uma pequena estátua em bronze, Armando Mesquita homenageou também o cavaleiro tauromáquico Joaquim José Correia (1945-1966), seu sobrinho, falecido na sequência de uma colhida sofrida na praça de touros do Campo Pequeno, em Lisboa.

 

Existiram ainda mais dois modeladores da FLS que executaram figuras de cavalos produzidas em barro Parian – o já mencionado Clariano Casquinha da Costa (n. 1929, activo na FLS durante as décadas de 1950 e 1960) e António Moreira (datas desconhecidas), que lhe sucedeu na FLS. Segundo Clive Gilbert (n. 1938), o primeiro executou, entre outras peças, um modelo da égua Aureole, que venceu a corrida de Epsom em 1953, e o segundo uma estatueta equestre do visconde de Turenne e duque de Bouillon, Henri de la Tour d'Auvergne (1555-1623).

 

A figura apresentada acima não ostenta qualquer assinatura visível, mas uma fotografia existente no CDMJA e exibida na exposição Percurso Documental pelos Artistas da Fábrica de Loiça de Sacavém, realizada no MCS em 2007, atribui a sua autoria a Clariano Casquinha da Costa.

 

Note-se, aliás, a semelhança de traços faciais, particularmente do nariz, entre esta peça e alguns dos putti de sua autoria que já foram aqui apresentados (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/clariano casquinha da costa). 

 

Da produção da FLS em barro Parian conhecem-se ainda mais dois cavaleiros tauromáquicos, com diferente modelação e diferentes dimensões – um maior do que este, outro menor, eventualmente modelados também por Clariano Casquinha da Costa.

 

No exemplar da tabela de preços de 1960 existente no CDMJA refere-se que o preço desta peça, catalogada sob o número 702 e a designação "Cavaleiro Tauromáquico", é de 350$00, sendo o seu peso de 520 gramas.

 

As peças em barro Parian da FLS ainda se produziam em 1979, como se pode constatar na tabela de preços de 15 de Maio desse ano, onde surgem referenciados 27 exemplares. Nessa tabela, este "Cavaleiro Tauromáquico" surge a 1.077$00, sob a referência 9524, que se pode ver abaixo.

 

 

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