Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Março 11 2017

 

Terrina em faiança, com cerca de 13,4 x 18,2 x 27,7 cm., decorada a azul com o motivo habitualmente conhecido como Cantão Popular.

 

Tal como acontece em diversos outros exemplares semelhantes, quer do século XIX quer do século XX (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/cant%C3%A3o+popular), esta decoração combina motivos aplicados a stencil com pintura manual.

 

Como acontece também em muitos exemplares com esta decoração, particularmente nos mais antigos, esta peça não se encontra marcada. 

 

© MAFLS

 


Dezembro 26 2011

 

Terrina formato Estoril apresentando decoração floral estampada sobre o vidrado. 

 

Veja-se o prato de base para esta terrina, que também pode servir como travessa, em: http://mfls.blogs.sapo.pt/121477.html.

 

 

© MAFLS


Outubro 19 2011

 

Terrina, formato Popular, decorada sob o vidrado com o motivo número 1290.

 

A particularidade desta decoração reside no facto de ser aplicada sob o vidrado, o que evita o desgaste da mesma com o uso e as sucessivas lavagens.

 

No entanto, verifica-se uma diferença de tonalidade entre a pintura complementar das pegas e a dos círculos, o que traduz não só uma pintura com técnicas diferentes (as pintas terão sido aplicadas com aerógrafo sobre stencil) mas também uma pintura em duas fases distintas.

 

 

Esta decoração pintalgada, conhecida em inglês como Polka Dot, já se encontra documentada e aplicada em tecidos a partir do século XIX, embora se tenha tornado particularmente popular a partir do século XX, não só em tecidos como também em diversas peças cerâmicas, nacionais e internacionais.

 

O padrão tradicional apresenta as pintas num conjunto homogéneo e equidistante, embora através dos tempos se tenham vindo a criar diversas variantes para essa disposição original.

 

Uma dessas variantes pode ser observada no conjunto de cafeteira e açucareiro em porcelana, da fábrica polaca Wałbrzych, reproduzido acima.

 

 

Uma outra variante, já mais recente, pode ser observada na bracelete em plástico do relógio de pulso Dotchair, desenhado em 1992 e comercializado pela Swatch no ano seguinte.

 

Aqui, o contraponto do preto e branco à evocação das cores associadas quer a Espanha quer à Catalunha não só remete para uma aproximação aos vestidos e aos tecidos característicos do flamenco e das sevilhanas, como acentua e destaca o design pós-modernista da cadeira, muito característico dos gabinetes barcelonenses de então.

 

 

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Janeiro 30 2011

 

Terrina sem tampa decorada com decalcografia (motivo 2061?) e filete dourado, sobre o vidrado.

 

Este modelo não se encontra reproduzido no Catálogo de Formatos de Loiças Domésticas, de Maio de 1950, pelo que, certamente, é um modelo posterior a esta data.

 

Veja-se uma molheira com o mesmo formato, mas decoração distinta (motivo 1811), em: http://mfls.blogs.sapo.pt/48506.html.

 

 

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Outubro 22 2010

 

Terrina Art Déco, formato Estoril, decorada como o motivo 989, e filetagem a dourado, sobre o vidrado.

 

Este corresponde ao formato Casino, lançado cerca de 1932 pela fábrica inglesa Royal Doulton. A própria decoração é semelhante às decorações Marquis (laranja e preto) e Radiance (verde e preto) apresentadas por essa fábrica.

 

No entanto, na composição dos serviços Estoril a FLS apenas produziu pratos cobertos, saladeiras (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/38568.html) e terrinas seguindo o formato Casino, da Royal Doulton. Os serviços de café e chá correspondiam a um outro formato, com denominação desconhecida, apresentado pela fábrica inglesa Carlton Ware (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/27114.html).

 

As terrinas, saladeiras e pratos cobertos formato Estoril não estão referenciadas nas tabelas de 1932 e 1938 mas surgem no catálogo de 1950. 

 

 

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Agosto 27 2010

 

Terrina decorada, com o motivo 1082, a esmalte laranja e preto, sobre o vidrado.

 

Este formato já não surge no Catálogo de Formatos de Loiças Domésticas, de Maio de 1950.

 

O registos de decoração existentes no CDMJA apresentam, sob o número 1024, uma decoração sobre pires muito semelhante a esta. Aí se refere, em texto dactilografado: "Para serviços de chá, café, tete-a-tete e jantar, formatos / Avenida, Coimbra, Estoril, Miramar e Granja [acima do pires] / Classe II [sobre o pires] / Fabrica-se em todas as cores e barros [abaixo do pires]". Uma nota posterior, à margem e manuscrita a tinta preta, refere: "Retirado / Aviso 34/46".

 

Reproduzindo-se no referido catálogo de 1950 os formatos de terrinas Coimbra e Estoril, deduz-se que este seja o formato de terrina Avenida, Miramar ou Granja.

 

Apesar da anotação sobre formatos existente nos registos de decoração, veja-se uma chávena de chá e pires com a mesma decoração desta terrina, mas com o formato Sacavém, em: http://mfls.blogs.sapo.pt/10210.html.

 

 

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Agosto 03 2010

 

Terrina com decoração floral e filete, a verde, sob o vidrado.

 

De acordo com o Catálogo de Formatos de Loiças Domésticas, de Maio de 1950, este exemplar corresponde ao formato Popular, que não se encontra referenciado nas tabelas de preços de 1932 e de 1938.

 

  

 

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Julho 10 2010

 

Terrina com decoração a esmalte azul sobre o vidrado.

 

Embora este exemplar não apresente qualquer marca, nem na pasta nem no vidrado, corresponde ao formato Inglês da FLS, ilustrado no Catálogo de Formatos de Loiças Domésticas, de Maio de 1950.

 

Este formato já surgia referenciado no suplemento de 1 de Setembro de 1931 à tabela geral, com os preços de 170$00, branco, 190$00, colorido s/ ouro, e 210$00, colorido com ouro, para os serviços de 49 peças destinados a 6 pessoas. Os serviços de 94 peças, destinados a 12 pessoas, apresentavam os seguintes preços – 330$00, branco, 365$00, colorido s/ ouro, e 405$00, colorido com ouro.

 

Para as pinturas coloridas c/ ouro e "tarja azul sévres" [i. e., azul cobalto], números 170 ou 172, surgiam os preços de 255$00, para o serviço de 6 pessoas, e 490$00, para o serviço de 12 pessoas.

 

 

De acordo com o mesmo suplemento, a composição de um serviço de jantar para 6 pessoas era a seguinte – 1 terrina, 1 prato terrina, 1 prato coberto, 1 saladeira, 1 molheira, 2 azeitoneiras, 1 saleiro, 1 mostardeira, 1 travessa grande, 2 travessas médias, 1 travessa pequena, 24 pratos (6 de sopa, 18 de guardanapo), 6 pratos de sobremesa e 6 pratos de doce.

 

Já o serviço para 12 pessoas apresentava 2 terrinas, 2 pratos terrinas, 2 conchas, 2 pratos cobertos, 1 saladeira,  1 mostardeira, 4 azeitoneiras, 1 saleiro, 1 molheira, 2 travessas grandes, 2 travessas médias, 2 travessas pequenas, 48 pratos (12 de sopa, 36 de guardanapo), 12 pratos de sobremesa e 12 pratos de doce.

 

Na tabela de Janeiro de 1932, o prato para terrina surge a 13$70, para branco, 15$65, para colorido s/ ouro, e 19$50 para colorido c/ ouro do 1.º lote (0,35x0,27 cm) e a 6$85, 8$80, e 11$75, respectivamente, para o 2.º lote (0,31x0,25 cm). As terrinas surgem, pela mesma ordem, a 25$00, 32$00 e 40$00 para o 1.º lote (2,5 litros), 20$00, 26$00 e 30$00 para o 2.º lote (2 litros), e a 11$50, 15$00 e 20$00 para o 3.º lote (5 decilitros). Como se depreende, este serviço continua a ser referenciado nas tabelas de 1938 e 1949.

 

A terrina reproduzida tem a capacidade de 2 litros, pelo que pertence ao 2.º lote, e custaria 26$00, uma vez que não se encontra decorada com azul cobalto.

 

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Março 22 2010

 

Terrina formato Leiria decorada com decalcografia e filete a esmalte, sobre o vidrado.

 

Este modelo não se encontra reproduzido no Catálogo de Formatos de Loiças Domésticas, de Maio de 1950, pelo que, provavelmente, é um modelo posterior a esta data.

 

Na já citada obra A Cerâmica Portuguesa (1935), pronunciou-se assim um dos responsáveis da VA, João Teodoro Ferreira Pinto Basto (1870-1953), sobre o processo de decalcografia em Portugal e as decalcomanias:

 

"Para tornar possivel e facilitar a exportação, ha necessidade de baixar os direitos das tintas vitrificaveis, e das decalcomanias, que servem para ornamentar a louça. São direitos que pouco rendem ao Estado e que encarecem muito os produtos a exportar, mesmo os que se destinam ás colonias.

 

Não sendo pratico dar qualquer compensação de drawback á industria, devem as alfandegas prescindir dessa receita, para elas insignificante. Acresce que indubitavelmente se trata de materias primas da industria, sobre as quais não devem pesar direitos fortes.

 

 

As decalcomanias poderiam talvez ser impressas em Portugal, e não se deve pôr de parte essa ideia, mandando vir um gravador especializado para criar essa industria no País, onde, pelo concurso dos seus artistas, poderiam essas gravuras tomar vantajosamente uma feição artistica caracteristicamente nacional.

 

A uma fabrica só, não convem porém criar subsidiariamente essa industria.

 

O publico é exigente quanto á variedade de desenhos, e uma fabrica por si não teria capacidade para consumo de grandes series de cada desenho, como só vale a pena a sua impressão.

 

Assim, hoje, cada fabrica tem de adquirir decalques de todos os gostos, e em todas as fabricas estrangeiras.

 

Reputamos essa importação ainda em cerca de 800 contos anualmente.

 

Quanto ás tintas preparadas, outra materia prima da ceramica, não julgo a sua industria comercialmente adaptavel no País, conquanto o seu consumo aumente com a pintura á pistola, aplicação que em parte substitui o emprego de decalques.

 

O consumo nacional de tintas, nunca poderia compensar o capital a empregar em tão dispendiosa industria."

 

 

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Dezembro 14 2009

 

Prato coberto e travessa, formato Paris, estampados com o motivo Beira, sob o vidrado, apresentando filetagem e decoração complementar a ouro, sobre o vidrado.

 

 

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