Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Dezembro 17 2016

 

Estatueta em porcelana da Vista Alegre, com cerca de 21,4 cm. de altura, representando uma figura feminina em trajo regional do Douro Litoral e ostentando a marca VA correspondente ao período de 1947 a 1968.

 

Como já foi anteriormente referido (http://mfls.blogs.sapo.pt/190317.html), esta peça integra um conjunto de treze figuras regionais que o consagrado escultor, modelador e gravador coimbrão Cabral Antunes (1916-1986) criou para esta empresa, em 1956.

 

Através de uma análise comparativa, é possível verificar como o exemplar em biscuit da Sociedade de Porcelanas ilustrado no referido artigo apresenta inegáveis semelhanças estilísticas com estas estatuetas da VA.

 

 

© MAFLS

 


Novembro 13 2016

 

Conjunto de pires e chávenas de café, em porcelana da Vista Alegre, apresentando motivos criados, na viragem do século XX para o século XXI, pela artista plástica Sofia Areal (n. 1960).

 

Ao contrário do que acontece nas chávenas, que têm cerca de 5,6 cm. de altura e também 5,6 cm. de diâmetro, a decoração dos pires, que têm cerca de 11,6 cm. de diâmetro, remete claramente para a gramática pictórica do conceituado pintor catalão Joan Miró (1893-1983).

 

Consulte-se o site da artista aqui: http://sofiaareal.com/sofiaareal/.

 

 

© MAFLS


Julho 17 2016

 

Castiçal em porcelana da Vista Alegre, com bobèches amovíveis, medindo cerca de 18,9 x 25,2 x 5,1 cm.

 

Esta peça ostenta a marca correspondente ao período de 1947 a 1968.

 

 

© MAFLS


Abril 24 2016

 

Par de pequenos castiçais, com cerca de 5,1 cm. altura e 7 cm. de diâmetro máximo, em porcelana da Vista Alegre.

 

Não é vulgar encontrar este modelo de castiçal com tais tonalidades. O mais comum é apresentar o fundo branco de porcelana decorado a dourado, ou outras cores, como se pode observar no catálogo do III Leilão Vista Alegre, realizado em 1999.

 

Nesse leilão, o lote 286, correspondente a dois castiçais, foi licitado por 30.000$00 (cerca de 150 euros).

 

Muitas vezes, as histórias dos antiquários, ou mesmo das famílias que se desfazem de peças sobre as quais a memória da sua origem se desvaneceu, são negligenciáveis quanto a uma indicação segura de proveniência das mesmas.

 

Neste caso, sem reparar certamente nas suas cores, a antiquária assegurou que os exemplares provinham de uma família de antigos diplomatas. Uma proveniência aliciante para justificar esta combinação cromática, onde surgem as cores nacionais.

 

Se considerarmos ainda que a Vista Alegre produziu, e produz, várias peças por encomenda institucional, e a isto somarmos o facto de existirem documentos comprovativos do facto de Raul Lino (1879-1974) haver desenhado, por exemplo, peças da VA para a Legação de Portugal em Berlim, no início da década de 1940, poderíamos ter uma explicação sedutora e plausível para esta decoração.

 

Pena é que a etiqueta presente numa destas peças se assemelhe mais a um registo comercial do que a um registo de inventariação institucional...

 

 

© MAFLS


Abril 09 2016

 

Busto, com cerca de 20,4 cm. de altura, em biscuit da Vista Alegre, de Ílhavo.

 

Esta peça reproduz a escultura intitulada Flor Agreste, a partir de uma variante esculpida em 1878 por António Manuel Soares dos Reis (1847-1889).

 

Juntamente com O Desterrado (1872) e a Viscondessa de Vinhó e Almedina (1882?), esta será uma das esculturas em mármore mais famosas deste artista gaiense, que se suicidou antes de cumprir 42 anos.

 

 

Embora se pudesse pensar que a VA reproduziu esta peça por altura do centenário da sua criação ou no centenário do falecimento do escultor, a verdade é que se conhecem exemplares ostentando a marca da empresa correspondente ao período de 1968 a 1971.

 

Veja-se notícia sobre algumas peças deste escultor existentes no acervo do Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, aqui: http://www.museusoaresdosreis.pt/pt-PT/coleccao/esculturamnsr/ContentList.aspx.

 

 

© MAFLS


Janeiro 03 2016

 

Pequena caixa em porcelana lapidada da VA, concebida pela designer Diana Borges (datas desconhecidas).

 

Para além das três peças que integram a série Plissé (http://red-dot.de/pd/online-exhibition/work/?lang=en&code=04-03248-2015&y=2015&c=181&a=0), também o serviço de mesa Orquestra (http://red-dot.de/pd/online-exhibition/work/?lang=en&code=04-05173-2015&y=2015&c=181&a=0) da VA recebeu galardão semelhante em 2015.

 

Diana Borges concluiu a sua licenciatura em Design de Comunicação e Técnicas Gráficas, em 2005, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Portalegre, tendo depois ingressado na SPAL, onde criou um conjunto, denominado Blue Rain, que também foi distinguido no concurso Design Plus 2010 (http://dbdesign.blogs.sapo.pt/780.html).

 

 

O Red Dot Design Award (http://en.red-dot.org/71.html) é concedido anualmente pelo Design Zentrum Nordrhein Westfalen, sedeado em Essen, na Alemanha, a objectos e projectos enquadráveis em trinta e uma diferentes categorias. Para o galardão de 2015 o painel de jurados foi constituído por vinte elementos, das mais diversas nacionalidades.

 

Como se pode verificar pela imagem apresentada abaixo, a série Plissé, quanto ao seu formato, evoca claramente caixas semelhantes da série Sarastro, lançada pela fábrica alemã Rosenthal e celebrizada pela sumptuosa decoração alusiva à ópera Die Zauberflöte, de Mozart (1756-1791), concebida pelo dinamarquês Bjørn Wiinblad (1918-2006).

 

 © Rosenthal

 

A grande inovação da série Plissé é a conjugação da tradicional técnica cerâmica com a intervenção dos lapidadores da Atlantis, resultando em peças que aliam uma exaustiva intervenção característica da indústria vidreira a um design onde os efeitos escultóricos são acentuados pela alternância de luz e sombra resultante do relevo da lapidação. 

 

A combinação das técnicas cerâmicas e vidreiras passou a ser aplicada na produção da VA quando a Atlantis integrou o grupo, havendo no início deste século sido lançadas já duas jarras globulares, uma com fundo negro, outra com fundo branco, onde a aplicação de dois círculos lapidados, não concêntricos e de diferente diâmetro, constituía o principal motivo decorativo das mesmas.

 

 

© MAFLS


Outubro 18 2015

 

Em cima, conjunto de bule, chávena de café e pires, em porcelana da Vista Alegre, com decoração floral estilizada ao gosto Pop Art característico das décadas de 1960 e 1970.

 

Em baixo, bule e chávena de chá com o mesmo formato mas diferente decoração.

 

Conjuntamente com outros formatos lançados também na década de 1960, nomeadamente Primavera (http://mfls.blogs.sapo.pt/149941.html) e Solteirinha (http://mfls.blogs.sapo.pt/outras-fabricas-outras-loicas-cxciii-294829), este constitui-se como paradigma das mais inovadoras propostas da VA nessa década e na seguinte, documentando uma contemporaneidade que se contrapõe aos modelos mais conservadores, quer de formatos quer de motivos, que a empresa viria a promover entre as décadas de 1970 e 1990.

 

 

Reproduz-se, de seguida, a contracapa da revista Modas e Bordados, número 3152, de 5 de julho de 1972, que, para além de publicitar a segunda loja da VA, também na zona do Chiado, em Lisboa, ilustra ainda duas outras decorações diferentes em bules com este mesmo formato.

 

 

As peças do primeiro conjunto apresentado neste artigo ostentam a marca VA correspondente ao período de 1947 a 1968, tal como o bule do segundo. No entanto, a chávena que acompanha este último apresenta a marca reproduzida abaixo.

 

Corresponde esta a uma variante do período 1968-1971, habitualmente não reproduzida nos diversos catálogos, livros e sites que divulgam registos históricos das marcas da empresa (http://vistaalegre.com/catalog/evolucaomarca.pdf).

 

A presente variante havia já sido registada anteriormente aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/265432.html.

 

 

© MAFLS


Julho 26 2015

 

Pequena taça promocional, com cerca de 9,9 cm. de diâmetro maior, em porcelana da SPAL.

 

Esta peça recente apresenta os nomes de diversos ceramistas e designers, nacionais e internacionais, que, ao longo das cinco décadas de existência da empresa, têm colaborado com a SPAL.

 

Para além de Mary Lou Goerzen (n. 1929), que já aqui foi referida (http://mfls.blogs.sapo.pt/outras-fabricas-outras-loicas-ccxlix-349090), nesta taça são também evocados Gerard [sic] Gullota (n. 1921), Stefanie Hering (n. 1967), Lauren Horwitz (datas desconhecidas), Martin Hunt (n. 1942), Carl Gustaf Jahnsson (n. 1935), António Mira (datas desconhecidas), Jack Prince (n. 1926), David [Douglas, marquess of] Queensberry (n. 1929), Rosaria Rattin (datas desconhecidas), Alda Tomás (n. 1970; cf. http://www.remadeinportugal.pt/default/designers/ver/ano/2012/id/5) e Rezzan Unver (datas desconhecidas). 

 

Nas últimas três décadas do século XX, o americano Gerald Gullota desenhou ainda peças de vidro e cristal para as fábricas de Alcobaça Crisal e Atlantis (https://www.brooklynmuseum.org/opencollection/artists/9806/Gerald_Gulotta), integrando esta última, actualmente, o grupo Vista Alegre Atlantis. 

 

 

A maioria destes artistas desenvolve criações para outras áreas do design e ainda para diversas outras fábricas de cerâmica, como o inglês Martin Hunt que criou o conjunto de taça e pires em porcelana, acima ilustrado, para a consagrada fábrica alemã Rosenthal.

 

Os nomes patentes nesta taça não esgotam, contudo, a totalidade dos artistas que durante o último meio século colaboraram com a SPAL. Entre os portugueses, por exemplo, note-se que também o pintor Luís Pinto-Coelho (1942-2001) criou em 1988 o motivo Palácio de Anglona, cuja designação deriva do homónimo palácio madrileno onde residia, para um serviço distribuído pela empresa Braz & Braz (http://www.brazebraz.pt/). 

 

Ao longo destas cinco décadas, a SPAL desenvolveu ainda diversas criações personalizadas para inúmeras empresas e instituições, nacionais e internacionais, algumas delas já desaparecidas, como a Torralta.

 

Desenvolveu também vários serviços de bordo para os aviões da TAP, empresa que, no ano do seu septuagésimo aniversário, acaba de ser privatizada e tem uma exposição que lhe é consagrada no MUDE, Museu do Design e da Moda (http://www.mude.pt/).

 

 

A TAP encomendou diferentes peças a, pelo menos, seis fábricas portuguesas de cerâmica – Carvalhinho, Fábrica de Loiça de Sacavém (http://mfls.blogs.sapo.pt/13526.html), Faiart, Gresval, SPAL e Vista Alegre, sendo esta última aquela que actualmente fornece o seu serviço de bordo Top Executive.

 

A Vista Alegre forneceu também esse serviço entre 1962 e 1974, seguindo-se um período, entre 1974 e 1979, em que tal fornecimento foi assegurado quer pela SPAL quer pela VA. Foi ainda no primeiro destes períodos, em 1966, que a VA desenvolveu, para a TAP, oito travessas ilustrando outros tantos motivos diferentes com danças regionais.

 

Durante mais de vinte e cinco anos, contudo, o serviço de bordo foi assegurado em exclusivo pela SPAL, nomeadamente entre 1980 e 2006. Neste período, a SPAL apresentou dois conjuntos diferentes, um entre 1979 e 2001, outro entre 2002 e 2006.

 

Acima apresentam-se três das peças que integravam o conjunto utilizado a partir de 1979, numa simples mas elegante e luxuosa combinação de ouro e azul cobalto, ostentando já o novo logótipo da TAP que havia sido adoptado nesse mesmo ano.

 

 

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Março 08 2015

 

Conjunto de três pratos, em porcelana da fábrica da Quinta Nova, com ilustrações de Lima de Freitas (1927-1998).

 

Representando cenas alusivas às batalhas de S. Mamede (1128), acima, do Salado (1340), abaixo, e das Linhas de Elvas (1659), no final do artigo, estes pratos fazem parte de uma série de doze exemplares, intitulada Tempos de Bravura - Da Fundação ao Liberalismo, editada pelas Colecções Philae em 1986.

 

Note-se como o exemplar da batalha de S. Mamede, através da indumentária dos combatentes, do armamento, nomeadamente da cimitarra, e da simbologia dos escudos, se coadunaria mais com os intervenientes na batalha de Ourique (1139), que também se encontra representada nesta série.

 

 

A fábrica da Quinta Nova, criada na década de 1980, pertencia ao grupo Vista Alegre e assegurava uma produção mais centrada na porcelana de mesa e de hotelaria, estando localizada em Chousa Nova, Ílhavo.

 

Manteve esta designação autónoma até 2001, ano em que a VAA - Vista Alegre Atlantis, SGPS, SA, absorveu a Porcelanas da Quinta Nova, S.A, cuja designação social passou a ser Fábrica de Porcelana da Vista Alegre, S.A , a Cristais Atlantis, SGPS, S.A e a Vista Alegre - Sociedade de Controlo, SGPS, S.A.

 

Como é de tradição na empresa, esta mudança traduziu-se na criação de uma nova marca VA, que foi aposta nos exemplares da sua produção entre os anos de 2001 e 2008 (cf. http://www.myvistaalegre.com/catalog/evolucaomarca.pdf).

 

 

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Fevereiro 21 2015

 

Peça em porcelana, com cerca de 10,6 x 13,8 x 8,2 cm., produzida na fábrica da Vista Alegre, em Ílhavo.

 

Embora este exemplar apresente a marca correspondente ao período de 1947-1968, sabe-se que o modelo foi aprovado pelo director artístico da VA, J. Cazaux (datas desconhecidas), em Maio de 1942.

 

Um verbete da VA onde se encontra o habitual registo de produção anota a data de criação como sendo 1941 e na secção de dados dados históricos refere ainda o nome C. Han (?) e o preço de 25$00. Estaremos, assim, perante um modelo de outra fábrica que a VA terá adquirido e adaptado para a sua produção, prática que não era nada invulgar, não só na VA e nas empresas cerâmicas portuguesas como nas internacionais.

 

O mesmo verbete classifica esta peça como sendo um "Floreiro" e refere a sua designação como "Golfinho", correspondendo ao desenho P.2124. Regista ainda que o preço de custo de um exemplar branco era de 5$40, de um exemplar pintado e com complementos a ouro de 18$60, ascendendo o preço de venda deste último a 22$00.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 21:01

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