Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Maio 20 2015

 

Durante o próximo fim-de-semana celebra-se, uma vez mais, a centenária tradição oleira de São Pedro do Corval, no alentejano concelho de Reguengos de Monsaraz (http://www.cm-reguengos-monsaraz.pt/pt/Paginas/home.aspx), através da XXI edição da FIOBAR, que terá lugar entre os  dias 22 e 24 de Maio.

 

Por ocasião desta XXI Festa Ibérica realizar-se-ão, também, as Jornadas Ibéricas da Olaria e do Barro, pelo que não deixará de ser oportuno reproduzir aqui duas peças representativas da produção oleira de Portugal e Espanha e acrescentar uma pequena nota etimológica sobre o léxico que lhe está associado.

 

Poder-se-á ter uma ideia da produção específica das inúmeras olarias existentes na freguesia de Corval visitando o site da Junta de Freguesia (http://www.freguesias.pt/portal/destaque.php?cod=071102&id=549), onde se encontra uma lista de vinte e duas ligações.

 

Note-se, no entanto, que apenas estão activas as ligações para a Olaria XarazArte (http://www.xarazarte.pt/), a Olaria Beijinho (http://www.evora.net/olariabeijinho/), a Olaria Carrilho Lopes (http://www.olaria-carrilho.com/), e a Olaria Polido & Filho (http://www.olariapolido.com/).

 

 

Apresenta-se acima um exemplar da característica arte oleira de Nisa, onde a decoração se realiza com pequenos fragmentos de quartzo branco embutidos na pasta vermelha, aqui na versão de empedrado denominada como de apenas uma ida, ou linha.

 

Diversos exemplares desta olaria, cuja decoração evoca algumas técnicas de bordado, podem ser encontrados em Nisa no acervo de um projecto museológico muito adequada e perspicazmente designado como Museu do Bordado e do Barro (http://museubordadoebarro.cm-nisa.pt/pt/clay/).

 

Por outro lado, apresenta-se abaixo um exemplar ostentando diferentes técnicas, produzido na Alfarería Góngora (http://www.alfareriagongora.com/home.html), fundada em 1846 e localizada em Úbeda, Espanha.

 

Embora hoje em dia a olaria comercialize revestimentos com diversas outras cores, este exemplar ilustra o seu tradicional verde ferruginoso mosqueado e o característico esgrafitado, que aqui surge com um motivo invulgarmente evocativo da gramática Art Nouveau.

 

Para concluir, e a propósito de algumas questões etimológicas, medite-se na provável origem comum, a partir da língua árabe, do vocábulo espanhol alfareros (oleiros), do topónimo português Alfarelos, e do vocábulo italiano albarello (pote de farmácia, canudo, jarra cilíndrica), pese embora a discórdia que ainda prevalece sobre a etimologia deste último (http://it.wikipedia.org/wiki/Albarello).

 

 

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