Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Novembro 13 2009

 

Grande figura de urso polar em faiança, no estilo Art Déco.

 

A tabela de preços da FLS de 1945 apresenta esta figura sob o número 206, Figura Urso, ao preço de 105$50, para exemplares coloridos sem ouro, e a de 1951, ao preço de 121$50, para peças de cores mates ou coloridas sem ouro. A peça já não está referenciada na tabela de 1960.

 

Esta escultura foi também comercializada pela fábrica inglesa Copeland and Spode, na década de 1930, em faiança onyx (modelo K.447). Nesta fábrica, a autoria do modelo original é atribuída ao escultor norueguês Erling ("Eric") B. Olsen (1903-1992), que anteriormente trabalhara na Wedgwood e ingressara na Copeland em 1932. Depois de 1945, Olsen tornou-se o designer principal da empresa cerâmica americana Haeger Potteries, em Illinois.

 

Existe uma versão posterior desta peça, em barro parian, no acervo do Museu de Cerâmica de Sacavém. Esse exemplar foi exibido na exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Esta peça foi ainda reeditada pela SECLA em 2008, imediatamente antes de fechar, tal como outras (macaco, corsas, etc.) realizadas anos antes pela Fábrica de Sacavém. Terão os moldes sido adquiridos pela SECLA à Fábrica de Sacavém, que já estava encerrada, ou terão chegado à SECLA por outra via? Obrigada.
Rita Ferrão a 19 de Junho de 2011 às 13:06

Grato pela informação, que desconhecia.

As figuras da FLS foram produzidas em faiança com vidrado brilhante, as mais antigas, em barro parian (biscuit) e em grés com vidrado mate, as mais recentes.

Seria interessante saber qual a pasta e o vidrado das peças da Secla.

Quanto à forma como os moldes chegaram à fábrica das Caldas da Rainha, talvez os/as peritos/as do Museu de Cerâmica de Sacavém disponham de alguma informação sobre o facto.

No entanto, os antigos responsáveis da Secla disporão certamente de dados sobre este assunto.Desde já aqui fica renovado o convite para que essa informação seja divulgada.

Saudações.

De facto, quando vi estas peças pela primeira vez ocorreu-me que os originais fossem britânicos, pois são muito semelhantes aos animais desenhados por John Skeaping para a Wedgwood a partir de 1926. As primeiras peças de Skeaping têm vidrado mate, ao contrário das da FLS, talvez o escultor Eric B. Olsen tenha trabalhado directamente com Skeaping na Wedgwood. Quando à reedição da SECLA, não sei se chegou ao mercado, uma vez que as peças que possuo ou tenho acesso (urso, corsas e macaco) foram adquiridas na loja da fábrica, já depois dela ter fechado, e estão marcadas com a última marca da SECLA. O urso e o macaco têm vidrado mate, as corsas têm o típico vidrado brilhante cor de caramelo da SECLA, mas lembro-me que também existiam em branco mate, sobre a pasta ou outras especificidades técnicas não consigo dar informações, mas posso enviar imagens ou mostrar as peças. Já agora, gostaria de saber se me permite a utilização de algumas das imagens do seu blog num forum internacional de cerâmica, onde tenho tentado divulgar a produção portuguesa do século XX. Muito obrigada. Cordialmente, RF
Rita Ferrão a 20 de Junho de 2011 às 14:24

Grato por mais este seu contributo.

A gramática de Skeaping é de facto ecléctica, como se verifica comparando as suas criações para a Wedgwood com os desenhos publicados na sua obra Animal Drawing (1936), mas a modelação particular desta figura não lhe será atribuível.

A sua produção inicial para a Wedgwood, em 1927, limitou-se apenas a 14 modelos, sendo o seu urso polar bastante distinto deste,como se pode observar na página 56 do livro Art Deco and Modernist Ceramics (1995), de Karen McReady.

Aí se verifica que as corças e os macacos são também distintos dos da FLS. Aliás, estas figuras serão muito provavelmente da autoria de Donald Gilbert (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/9909.html ), que produziu modelos para diversas fábricas inglesas e tinha laços familiares com os administradores da FLS.

Terei todo gosto em receber imagens das suas peças para publicação, mas agradeço que sejam fotografadas sobre fundo negro, sem brilho, para manterem uniformidade com a imagem do blog.

Não tenho qualquer objecção à reprodução pública das imagens aqui divulgadas desde que seja referida a sua autoria, a sua origem e os seus direitos reservados de copyright.

Saudações.

MAFLS.

Obrigada por todas as informações. Segundo o diz, então o urso não será do mesmo autor das corsas e do macaco, quais serão os mais antigos na produção da FLS? Aproveito ainda para perguntar que bibliografia aconselharia a propósito da produção cerâmica em Portugal nas décadas de 1950 e 1960, para além dos volumes sobre a SECLA "A Nova Cerâmica das Caldas" e "Estúdio SECLA".
Neste momento não disponho de fotos com as características que exige, talvez mais tarde. Agradeço também a permissão para utilizar algumas imagens, devidamente identificadas, claro.
Cordialmente, RF
Anónimo a 24 de Junho de 2011 às 16:38

Este urso corresponde ao que o escultor norueguês Erling ("Eric") Olsen produziu para a fábrica inglesa Copeland and Spode.

O macaco da FLS foi modelado por Donald Gilbert, pois um dos exemplares expostos em 2005 na exposição Portuguese Ceramics of The Art Deco Period, do acervo do MCS, está assinado Gilbert Sc. A peça criada por Skeaping para a Wedgwood apresenta uma cria com a mãe.

A corça, que também foi exibida nos EUA, não apresenta assinatura visível mas é diferente do modelo de Skeaping, tendo provavelmente sido também modelada por Gilbert.

Todos os modelos originais serão da década de 1930, tendo o macaco o número 191, a corça o número 187, e o urso o número 206, de acordo com a tabela de 1945. Existe ainda uma figura intitulada Macaca com filho, sob o número 192, que poderá corresponder ao modelo de Skeaping, mas nunca tive oportunidade de ver qualquer exemplar.

Quanto à bibliografia sobre a cerâmica das décadas de 1950 e 1960, em Portugal, debatemo-nos com manifesta escassez de títulos publicados.

Aos já referidos, acrescentaria o também já aqui mencionado catálogo Maria de Lourdes Castro: Uma Exposição Biográfica (2005), o catálogo 50 Anos de Cerâmica Caldense, 1930-1980 (1990) e a monografia Vista Alegre: Porcelanas (1989). Para além destes títulos, existem diversas comunicações e artigos publicados em revistas.

Saudações.

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