Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Outubro 16 2011

 

Pequeno prato de parede, com cerca de 19,2 cm. de diâmetro, em terracota patinada a verde e purpurina dourada.

 

A peça está moldada em relevo e, aparentemente, não apresenta qualquer marca, assinatura ou conjunto de iniciais.

 

Esta imagem pretende retratar Vasco da Gama (c.1469-1524), num registo muito característico do século XIX e bastante próximo do retrato frontal criado no princípio desse século por José Joaquim Marques (activo entre c. de 1799 e 1817).

 

O registo aproxima-se ainda do busto criado em 1898 por Avelino António Soares Belo (1872-1927) para uma medalha em terracota apresentada dois anos depois na exposição de Paris, do busto criado por Domingos Alves do Rego (1873-c.1960) para outra medalha de 1898, e, finalmente, do busto criado por Tomás da Costa (1861-1932) para o monumento erigido em Macau em 1911.

 

Embora os retratos de Vasco da Gama recriados para as celebrações do IV centenário da chegada à Índia, acima referidos, sejam distintos desta imagem em particular, é possível que este prato também tenha sido produzido cerca de 1898.

 

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Outubro 15 2011

 

Capa do catálogo da exposição Mulheres na Fábrica de Loiça de Sacavém, realizada no MCS em 2001.

 

Para além de vários textos e fotografias que documentam a situação da mulher na FLS, este catálogo apresenta ainda um interessante estudo dedicado às diversas técnicas decorativas aplicadas na fábrica e ao papel das operárias nesse trabalho.

 

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Outubro 13 2011

 

Grupo escultórico em biscuit, designado na FLS como barro Parian, representando três faunos.

 

Embora a assinatura não se encontre visível, esta é indubitavelmente uma obra de Clariano Casquinha da Costa (n. 1929, activo na FLS durante as décadas de 1950 e 1960), tal como as duas outras anteriormente aqui reproduzidas (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/clariano+casquinha+da+costa).

 

No exemplar da tabela de preços de 1960 existente no CDMJA refere-se que o preço desta peça, catalogada sob o número 622 e a designação "Grupo de faunos (3 figuras)", é de 250$00, sendo o seu peso de 270 gramas.

 

A marca incisa na base regista apenas a inscrição Made in Portugal / Sacavem. É possível que esta seja já uma peça de produção tardia, pois conhece-se um exemplar em que o número 622 é bem visível.

 

Além disso, nesse exemplar, todo o conjunto da marca se encontra em alto-relevo e não inciso, como nesta peça e nas outras duas anteriormente apresentadas.

 

As peças em barro Parian da FLS ainda se produziam em 1979, como se pode constatar na tabela de preços de 15 de Maio desse ano, onde surgem referenciados 27 exemplares.

 

Nessa tabela, este "Grupo de faunos", com a referência 9501, surge a 673$00.

 

 

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Outubro 11 2011

 

Tigela, formato Francês, com o motivo 771 estampado a castanho sob o vidrado.

 

 

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Outubro 09 2011

 

Cinzeiro com a legenda União Fabril Farmacêutica (UNIFA), uma empresa do antigo grupo CUF, e os logótipos das cinco empresas que em 1951 se juntaram para lhe dar origem.

 

Veja-se um outro cinzeiro relacionado com o antigo grupo CUF em: http://mfls.blogs.sapo.pt/40574.html.

 

 

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Outubro 08 2011

 

 

 

Azulejo, com cerca de 16,8 x 16,8 x 1,3 cm., produzido pela Empresa Cerâmica do Fojo, em Vila Nova de Gaia, muito provavelmente durante a década de 1960 ou 1970.

 

Abaixo reproduz-se um anúncio da mesma empresa publicado no Almanaque Ilustrado de Fafe para 1939.

 

 

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Outubro 07 2011

 

Caneca formato Direita, com decoração estampada sobre o vidrado, produzida na transição da década de 1960 para a década de 1970.

 

 

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Outubro 05 2011

 

Conforme é comummente referido nos catálogos e livros que tratam da história e da produção da porcelana na Vista Alegre, esta é a empresa cerâmica portuguesa que apresenta um dos mais claros registos cronológicos para a mudança de logótipo e marcas, uma vez que a mudança de administração é tradicionalmente acompanhada de mudança da marca que se apõe nas peças.

 

Estas breves notas debruçam-se sobre algumas marcas utilizadas entre 1922 e 1980 que, se exceptuarmos variantes, se resumem a quatro modelos e aos correspondentes períodos – 1922-1947, 1947-1968, 1968-1971 e 1971-1980.

 

Entre outras publicações, esta tabela encontra-se registada no livro Vista Alegre: Porcelanas (1989), de autoria colectiva, e no opúsculo Vista Alegre: Porcelanas Portuguesas (1998), de Ilda Arez (datas desconhecidas).

 

   Marca correspondente ao período 1924-1947.

 

Através da consulta dessa tabela, constata-se que a marca reproduzida acima correponde ao período de 1924 a 1947, sendo que a antecedente desta variante, em que, por exemplo, os traços horizontais que rematam a inicial V são mais curtos, havia sido introduzida em 1922 e esteve também em uso até 1947.

 

Neste primeiro exemplo, contudo, o interessante é que esta é a marca aposta no verso do cinzeiro, sob o vidrado, enquanto que a frente apresenta a marca e a data que se reproduzem. Tal como a filetagem, surgem a azul sobre o vidrado.

 

Será esta uma indicação de a nova marca ter sido apenas introduzida a 19 de Julho de 1948, uma segunda-feira? O facto de a nova marca surgir em destaque na peça sugere que a data celebra uma efeméride relativa à VA, muito possivelmente a da introdução do novo logótipo. Assim sendo, haveria lugar a um pequeno ajustamento na cronologia da referida tabela.

 

 

O segundo exemplo, patente numa peça experimental, apresenta a marca correspondente ao período 1947-1968 acompanhada de anotações referentes aos tempos de cozedura.

 

A marca VA surge sob o vidrado, bem como a referência e a data P. H. 19.7-54. Também o tempo de  cozedura de 20 minutos foi aposto, a azul, sob o vidrado, embora a indicação de cozedura adicional de mais 15 minutos tenha sido já aposta sobre o vidrado.

 

Esta peça, decorada a azul cobalto, sob o vidrado, e a dourado, sobre o vidrado, é um excelente exemplo do acompanhamento que a VA fazia do design da época.

 

Marca correspondente ao período 1947-1968.

 

De facto, este é um motivo que está muito próximo de outros motivos que então surgiram na cerâmica escandinava, particularmente em algumas peças desenhadas por Stig Lindberg (1916-1982; http://mfls.blogs.sapo.pt/63240.html), a partir da década de 1940, para a fábrica sueca Gustavsberg.

 

No entanto, esta peça da VA destaca-se dos desenhos florais de Lindberg pela maior elegância decorrente do tratamento singelo e harmonioso das formas vegetais e pela abordagem quase minimalista da composição.

 

Além de tudo isto, note-se ainda como a circularidade do rebordo está bastante imperfeita, traduzindo assim as características experimentais da peça.

 

          

 

O exemplo seguinte surge numa taça decorada integralmente sobre o vidrado, com um motivo mais uma vez próximo do gosto orientalizante que marcou durante décadas a produção da VA.

 

As romãzeiras, a representação das flores de maiores dimensões e a predominância em exclusivo dos tons de azul e dos retoques a dourado remetem claramente para essa gramática oriental.

 

Marca especial correspondente a 1974.

 

A marca aqui reproduzida corresponde à marca comemorativa dos 150 anos da VA, utilizada durante todo o ano de 1974.

 

Surge ainda a legenda complementar "1.° dia do lançamento / da nova marca / 2-1-74". Esta indicação "nova marca" refere-se exclusivamente à marca do centenário, pois uma versão quase igual deste logótipo, sem coroa de louros nem as datas 1824-1974, como se pode ver abaixo, havia sido já introduzida em 1971.

 

 

Finalmente, o último exemplo apresentado ilustra algo que aconteceu com frequência na década de 1970 – a aposição simultânea da marca VA e da marca SP.

 

Como referido anteriormente, a Sociedade de Porcelanas, de Coimbra, foi adquirida pela VA em 1945. No entanto, até à década de 1970 não era comum haver sobreposição das distintas marcas da fábrica de Coimbra e da fábrica de Ílhavo.

 

A peça apresenta a marca SP sob o vidrado, indicando portanto ser originária de Coimbra, e a marca VA sobre o vidrado, o que poderá indicar ter sido decorada em Ílhavo. Esta sobreposição é conhecida em peças com marca VA correspondentes quer a 1968-1971 quer a 1971-1980, quer ainda em peças exportadas nesse período para os EUA.

 

Esta decoração, de grande qualidade, aliás, embora não pintada à mão, como à primeira vista parece, poderá ter sido também destinada ao mercado de exportação.

 

   Marca correspondente ao período 1971-1980.

 

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Outubro 03 2011

 

Azulejo decorado, sob o vidrado, com policromia aplicada a aerógrafo sobre stencil (chapa recortada).

 

Esta parece ser uma variante do motivo 516, originada por motivos técnicos, pois a folha do catálogo da FLS que ilustra os motivos 516 a 524 não apresenta as linhas curvas interrompidas, como acontece neste exemplar.

 

Como é óbvio, esses interstícios são causados pelos pequenos elos de ligação existentes no recorte das chapas metálicas. Neste exemplar note-se, além disso, a incorrecta sobreposição dessas chapas, como se pode verificar particularmente no canto inferior esquerdo.

 

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Outubro 02 2011

 

Prato com decoração estampada a preto, e posteriormente colorida, sob o vidrado. A cercadura a azul, que surge por cima de um rebordo com uma variante do formato espiga em relevo, foi aplicada sobre o vidrado.

 

A fábrica Cesol, Cerâmica de Souselas (Coimbra), foi fundada em 1947. No início da década de 1990 passou a integrar o grupo Apolo Cerâmicas, tendo as suas instalações sido deslocalizadas em 2004 para Aguada de Baixo, no concelho de Águeda. Em Fevereiro deste último ano a Apolo Cerâmicas passou a integrar o grupo CeramicApolo, que por sua vez veio a integrar-se na Aleluia Cerâmicas (http://www.aleluia.pt/) em 2006. 

 

A  existência de este formato na Cesol vem novamente levantar dúvidas sobre a empresa que efectivamente produziu um prato não marcado, com uma imagem do templo romano de Évora, anteriormente aqui reproduzido (http://mfls.blogs.sapo.pt/70160.html). 

 

Verificam-se, no entanto, duas diferenças entre esta peça e o prato não marcado – o prato Cesol é mais pesado e apresenta três círculos em relevo, na base (um junto ao rebordo e dois no centro), enquanto que o prato  não marcado apresenta apenas dois.

 

Deve-se notar, apesar de tudo, que este exemplar ilustrado com uma chinoiserie apresenta qualidade de decoração e acabamento superior àquela que habitualmente se encontra nas peças da Cesol, pelo que o pouco cuidado evidenciado no acabamento aerografado da cercadura do prato com a imagem de Évora se poderia enquadrar na tipologia de produção desta empresa.

 

 

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