Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Agosto 30 2012

 

Prato decorativo com pintura parcial à mão (e figura cromolitografada ?) sob o vidrado e complementos a ouro, sobre o vidrado. No vestido e adereços da figura apresenta ainda retoques a esmalte branco, em relevo, sobre o vidrado.

 

Como se viu anteriormente, a técnica de retoques a esmalte branco sobre o vidrado foi recorrente nas peças decorativas da FLS durante as últimas décadas do século XIX e as primeiras do século seguinte (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/retoques+a+esmalte+branco).

 

Embora este prato não ostente nenhuma marca visível, pode encontrar-se um exemplar do mesmo formato, com as marcas "Coroa" e "Granito" impressas na pasta, no catálogo da exposição Porta Aberta às Memórias, segunda edição, realizada no MCS em 2009.

 

Um outro prato com o mesmo formato mas diferente decoração, também sem qualquer marca, foi anteriormente apresentado aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/174640.html.

 

© MAFLS

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Agosto 28 2012

© MCS/CDMJA 

 

Fotografia de uma peça cerâmica representando a estilização de um elefante.

 

A reprodução desta fotografia é uma cortesia do Museu de Cerâmica de Sacavém / Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso.

 

© MAFLS

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Agosto 26 2012

 

Prato raso estampado, a preto sob o vidrado, com o motivo Veneza.

 

Apesar das reservas quanto à identificação deste motivo registadas no catálogo da exposição Primeiras Peças da Produção da Fábrica de Loiça de Sacavém: O Papel do Coleccionador, realizada em 2004 no Museu de Cerâmica de Sacavém, pode constatar-se pelo comentário publicado abaixo que as mesmas já não se justificam.

 

No tardoz, notem-se os dois orifícios que iriam servir para consolidar o prato através da colocação de um gato metálico unindo as fissuras.

 

 

© MAFLS

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Agosto 25 2012

 

     

Máscara cerâmica de grandes dimensões, com cerca de 46,8 x 31,4 cm. na base de madeira, assinada com as iniciais "R. H. (L.?)" e datada "49".

 

Conforme já foi referido anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/olaria+sanches), estas iniciais surgem associadas à produção da Olaria Sanches, eventualmente entre a década de 1940 e o início da década de 1970.

 

De acordo com as afirmações de João Teodoro Ferreira Pinto Basto (1870-1953) na obra A Cerâmica Portuguesa (1935), a Olaria Sanches já se encontrava activa em 1934 na zona da Luz (Benfica), em Lisboa, embora o autor inclua a empresa na "Ceramica de construção".

 

Este último pormenor não é, contudo, significativo, pois as diversas fábricas da empresa Lusitânia surgem também incluídas nessa classificação, quando se sabe que produziram loiças decorativas e de mesa.

 

 

A gramática desta máscara, e da sua base de apresentação em madeira, aproxima-se daquela que Jorge Barradas (1894-1971) escolheu para alguma da sua cerâmica das décadas de 1940 e 1950, como se pode apreciar pela imagem reproduzida acima.

 

Esta imagem foi publicada na revista Panorama, número 38, de 1949, para ilustrar um artigo sobre a exposição que Barradas havia efectuado pouco antes no estúdio do Palácio Foz, sede do SNI, em Lisboa. O artista já em 1945 tinha exibido as suas cerâmicas naquele espaço, podendo ver-se reproduzidas na revista Panorama, número 27, de 1946, três das peças então apresentadas.

 

Embora em algumas das máscaras de Barradas surjam rostos frontais com preponderância de um rígido eixo vertical, a sua imagem de marca surge associada a um requebro na transição do colo para a face, como se pode ver na peça reproduzida, a qual, na década de 1990, pertencia à colecção do arquitecto Januário Godinho (1910-1990).

 

Na obra de Jorge Barradas, este aspecto que, para além de traduzir uma certa dinâmica corporal, confere maior elegância e graciosidade às suas representações, é quase sempre complementado com o olhar das figuras ligeiramente dirigido para um plano inferior.

 

 

© MAFLS

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Agosto 24 2012

 

Prato raso com filetagem e decoração floral estampada sobre o vidrado.

 

 

© MAFLS

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Agosto 22 2012

 

Macaco em grés revestido a vidrado semi-mate verde azeitona, com cerca de 21,4 x 18,8 x 10,4 cm., do último período de produção da FLS. Note-se o característico vidrado deficiente destas peças tardias.

 

Ao contrário da maioria dos exemplares conhecidos, este apresenta incisa na base a inscrição manuscrita "5-1-86 / G. [C. ?] A. V. F.", conforme se pode ver abaixo. Apesar das consultas realizadas junto de peritos da FLS que se encontravam ligados à empresa nessa data, não foi possível desvendar o significado destas iniciais.

 

Como já foi referido anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/158380.html), esta escultura foi modelada por Donald Gilbert (1901-1961), correspondendo eventualmente à peça registada na tabela de Novembro de 1945 sob o número 191, "Figura Macaco", ao preço de 141$00 para "Colorido s/ ouro". Esta surge ainda na tabela de Maio de 1951 ao preço de 162$00 para "Côres Mates ou coloridos s/ ouro", não constando já da tabela de Maio de 1960.


Notem-se as diferentes dimensões desta peça relativamente às outras duas que estão referenciadas na ligação apresentada acima, e veja-se uma imagem de um outro exemplar, em conjunto com outros animais da FLS, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/176503.html.

 

 

A fim de ilustrar outros vidrados e outras abordagens estilísticas dentro da gramática Art Déco, reproduz-se acima a escultura de um mandril, com cerca de 22,8 cm. de altura, executada em grés pela fábrica dinamarquesa Dagnaes.

 

Esta fábrica foi estabelecida em 1930 pelo ceramista Niels Peter Nielsen (1888-1968), o qual havia já fundado anteriormente uma pequeno estúdio em Egebjerg (1909-1918) e a Danico (1919-1929), empresas que sempre tiveram as suas diferentes sedes na região de Horsens. 

 

 

© MAFLS

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Agosto 20 2012

© MCS/CDMJA

 

Fotografia, dos arquivos do CDMJA, ilustrando três formatos da Fábrica do Carvalhinho das décadas de 1930 e 1940.

 

Estes formatos surgem na tabela de preços não datada que tem vindo a ser referida, sob as designações A 27, "Caixa oval", ao preço de 25$00, A 28, "Candelabro para 3 velas", ao preço de 60$00 (s⁄ velas [cada vela, fornecida pelas próprias lojas da FLS ou do Carvalhinho, custaria 2$50]), e A 33, "Caixa redonda", ao preço de 20$00.

 

Cortesia do Museu de Cerâmica de Sacavém / Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso.

 

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Agosto 19 2012

 

Prato em faiança da fábrica Bordalo Pinheiro, Caldas da Rainha, decorado com motivos marinhos em relevo – algas, amêijoas, um berbigão, um pequeno búzio, mexilhões e percebes.

 

Característico, como se sabe, da produção oitocentista e novecentista de diversas fábricas caldenses, este tipo de decoração é muitas vezes enriquecido com a adição de diversos peixes e crustáceos.

 

Escrevendo em Os Gatos (seis volumes publicados entre 1889 e 1894; citação efectuada a partir do volume 6, editado em 1992 pelo Círculo de Leitores) sobre a cerâmica de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) e a visita que efectuou às Caldas da Rainha em 27 de Setembro de 1892, Fialho de Almeida (1857-1911) declarou:

 

"A cerâmica de Bordalo abrange artefactos de louça caseira ou decorativa, azulejos, telha de cores, etc., constituindo a produção usual da fábrica, e obras de escultura, que são na desabrochante curva da vida artística do meu amigo a terceira grande fase monumental do seu talento."

 

 

Com efeito, pratos como este, que foi certamente produzido depois do falecimento de Rafael e seu filho Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920), mas seguia modelos executados em vida dos artistas, traduzem a convergência da produção bordaliana face à tradição cerâmica Caldense, a qual vinha na linha dos modelos quinhentistas do ceramista francês Palissy (1510-c.1590). 

 

Fialho de Almeida prosseguiu o seu texto no sentido de destacar não estas peças mais vulgares mas sim as figuras monumentais da Paixão de Cristo, executadas por Rafael para as capelas da mata do Buçaco, e a talha manuelina que foi adquirida nesse ano pelo rei D. Carlos (1863-1908; rei, 1889-1908).

 

Mas a dimensão da genialidade criativa e inovadora de Rafael na cerâmica define-se ainda com a monumental jarra Beethoven, com as figuras de movimento, com as peças únicas dedicadas a homenagear diversas personalidades, com as figuras de escárnio e maldizer produzidas entre o episódio do Ultimato (1890) e a captura (1895) do régulo Gungunhana (c.1850-1906) e com as inúmeras outras peças de cerâmica decorativa que a fábrica executou.

 

Um conjunto de sete pratos da colecção Berardo, utilizando essencialmente variantes da decoração aqui apresentada, pode ser visto no catálogo da exposição O Universo de Rafael Bordalo Pinheiro: da Caricatura à Cerâmica, realizada no Museu do Douro em 2009.

 

 

© MAFLS

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Agosto 18 2012

 

Chávena de chá e pires formato Sacavém, apresentando como decoração um conjunto de filetagem a esmalte azul e preto, sobre o vidrado.


Apesar de a decoração sobre o vidrado se encontrar quase intacta, note-se como, sob o vidrado, a pasta se encontra extensivamente manchada devido à absorção dos líquidos colocados no conjunto.


Veja-se uma decoração em laranja, com filetagem próxima desta, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/10210.html.



© MAFLS

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Agosto 18 2012

 

Apenas uma pequena nota para recordar que a exposição A Arte Nova nos Azulejos em Portugal (http://mfls.blogs.sapo.pt/171382.html) continua aberta ao público no Museu de Cerâmica de Sacavém.

 

Inaugurada no passado dia 18 de Maio, esta exposição estará patente até 31 de Janeiro de 2013.

 

Com cerca de 20,2 x 20,2 cm. e sem qualquer marca no tardoz, mas de possível fabrico espanhol, este azulejo apresenta motivo e colorido semelhantes a outros exemplares actualmente em exibição no MCS. 

 

© MAFLS 

publicado por blogdaruanove às 13:09

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