Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Dezembro 14 2012

 

Estatueta equestre representando D. Nuno Álvares Pereira (1360-1431), condestável de Portugal.

 

Integrando a série de cavaleiros medievais, esta peça surge registada pela primeira vez na tabela de Maio de 1960, sob o número 612/7, com a designação Figura D. Nuno Álvares Pereira, ao preço de 1.250$00 e, segundo o exemplar desta tabela existente no CDMJA, com o peso de 1.950 gramas.

 

No entanto, conforme referido anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/8294.html), a série era já comercializada desde 1956, ano em que foram publicados dois anúncios com a estatueta de D. João I (1357-1433; rei, 1385-1433).

 

Em 20 de Fevereiro de 1968, o aviso 2/68 do serviço interno da FLS veio alterar os preços destas figuras, e regista duas categorias para estas peças coloridas com ouro – a categoria A, a 1.500$00, e a categoria B, a 1.250$00.

 

Neste aviso apenas surgem registadas as dezassete figuras que constituem a série de cavaleiros medievais, todas com as duas categorias que, provavelmente, corresponderão a diferente quantidade de dourado, ou platina, na sua decoração, uma vez que não há notícia de diferentes tamanhos nas figuras desta série.

 

A tabela de Maio de 1979 regista ainda esta figura, sob o número 9630, ao preço de 4.036$50.

 

A marca desta estatueta encontra-se incisa na pasta, pelo que a sua imagem, cujo contraste é difícil de obter, não se reproduz aqui.

 

Fotografias da peça por Hector Castro, coleccionador e proprietário deste exemplar.

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Dezembro 12 2012

   

 

Cafeteira formato Estoril, decorada a azul e dourado sobre o vidrado, com o motivo 933.

 

Este formato ainda surge referenciado no catálogo de formatos de Maio de 1950, embora a pasta rosa não esteja registada na tabela de preços de 1938. Se compararmos esta cor, que terá sido produzida num curto período de tempo, com o Damask Rose (http://mfls.blogs.sapo.pt/160638.html) da Newport Pottery, constatamos que este rosa da FLS foi produzido num tom mais claro.

 

Aliás, este tom é tão claro que poderia ser tomado pelo designado barro marfim do FLS, caso não seja muito mais provável que este corresponda ao tom ilustrado num açucareiro aqui mostrado: http://mfls.blogs.sapo.pt/76995.html.

 

Quanto ao design deste formato, é na cafeteira que se comprovam as características ergonómicas da asa, a qual permite perfeita adaptação de três dedos da mão ao seu ondulado.

 

Com a mesma decoração, mas em pasta azul, veja-se um conjunto de chávena de café e pires aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/motivo+933.

 

Conforme referido nesse artigo, este formato foi também produzido pela fábrica inglesa Carlton Ware, provavelmente aquele que serviu de protótipo a este modelo da FLS. Mas o formato foi ainda produzido pela empresa francesa Robj, a qual deverá ter sido a inspiradora do modelo comercializado também pela VA.

 

Conhece-se, com efeito, este modelo de cafeteira em porcelana da VA, que surge registado no verbete 4848, datado de Fevereiro de 1938, sob a designação Cafeteira Paris c/ asa canelada.

 

As observações desse verbete referem que o modelo se produzia no tamanho 3, com 195 mm. de altura, e no tamanho 5, com 150 mm. de altura, e ainda que se fazia também com as asas Valente, Quadrada e Mota.

 

De acordo com o verbete 1973 da VA, sabe-se que o modelo de chávena Paris com asa quadrada, e a decoração P.A. 458, já se produzia em Junho de 1934, registando-se nos dados históricos a seguinte anotação - "de 1 jornal francez". Os dados históricos do verbete 2242 da VA registam ainda que esse modelo, com a decoração FA. 64, foi produzido para "o [hotel] Continental de Vigo [Galiza, Espanha]".

 

 

© MAFLS

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Dezembro 10 2012

 

Azeitoneira decorada com decalcografia de motivos florais sobre o vidrado.

 

Note-se como, no lado direito, é visível o recorte curvo da imagem principal para que o seu redimensionamento permitisse a aplicação de uma decalcografia complementar.

 

É claro que a imagem já poderia ter sido produzida assim, de modo a que a sua curvatura se adaptasse ao rebordo de algumas peças, mas nesse caso não se entende a razão pela qual a imagem principal não foi puxada para o lado direito e a complementar passada para o lado esquerdo.

 

 

© MAFLS

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Dezembro 09 2012

 

Conjunto de taças e bandeja para aperitivos, com tampa, em faiança da fábrica do Outeiro, em Águeda.

 

Com cerca de 4,5 cm. de altura e 32 cm. de diâmetro este conjunto recorda alguma da produção da fábrica do Carvalhinho, particularmente quanto ao seu vidrado azul, sendo o fundo preto da tampa muito semelhante ao recurso decorativo de algumas variantes do motivo Quinta da FLS.

 

No inventário da Santa Casa da Misericórdia de Águeda há notícia de uma peça da fábrica do Outeiro assinada J. Breda e datada de 1933 (cf. http://memoriadosdescobrimentosnaceramica.blogspot.pt/2011/01/prato-nau-portuguesa-e-cruz-de-cristo.html).

 

 

© MAFLS

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Dezembro 08 2012

 

Açucareiro, a que falta a tampa, com o motivo Estátua (Cavalinho) estampado a preto sob o vidrado.

 

Note-se como a marca, habitualmente atribuída ao período 1863-1870, surge estampada a verde e apresenta ainda um fragmento de decoração semelhante à ramagem que se pode ver por cima do cavaleiro.

 

 

© MAFLS

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Dezembro 06 2012

 

Figura em barro Parian, com cerca de 22,2 cm. de altura, representando um guerreiro espartano.

 

A peça aqui reproduzida surgia já na tabela de Maio de 1960, sob o número 712 e a designação "Figura Soldado Grego", ao preço de 250$00. O exemplar desta tabela existente no CDMJA indica que peso desta peça é de 110 gramas. A tabela de Maio de 1979 ainda regista esta figura sob o número 9504, ao preço de 727$00, o mesmo preço de uma figura de soldado romano, número 9505, que entretanto havia sido também comercializada pel FLS.

 

Esta é uma das duas versões que se conhecem. Na outra versão, os calcanhares da figura encontram-se mais juntos, originando essa posição um ângulo agudo com abertura em direcção aos dedos dos pés. Nessa versão, o escudo apresenta ainda uma decoração estriada no rebordo.

 

Sendo uma estatueta que já existia em 1960, é muito provável que o seu original tenha sido modelado por Clariano Casquinha da Costa (n. 1929, activo na FLS durante as décadas de 1950 e 1960) ou Armando Mesquita (1907-1982).

 

Note-se a ausência da curta lâmina da espada que, tal como acontece em outras armas de figuras militares da FLS (http://mfls.blogs.sapo.pt/35956.html), seria em metal.

 

Este exemplar não ostenta também a representação em barro Parian das crinas, ou plumas, curvadas que rematam o capacete no modelo completo e aproximariam a sua altura total dos 24 centímetros.

 

 

© MAFLS

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Dezembro 04 2012

 

Prato raso, formato Espiga, decorado a aerógrafo, sob o vidrado, com o motivo 1202.

 

Como se verifica, este motivo 1202 não passa de uma pobre decoração com seis segmentos de recta, verdes e amarelos, displicentemente aplicados sobre um relevo que, só por si e sem qualquer outro complemento, resultaria muito melhor do que este produto final.

 

Notem-se ainda as manchas mais escuras que denotam o início do percurso do aerógrafo.

 

 

© MAFLS

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Dezembro 03 2012

Caricatura de Clive Gilbert executada em 1967 por Leonel Cardoso (1898-1987).

Note-se o novo logótipo da FLS concebido por Clive Gilbert.

 

O INÍCIO DE UMA CARREIRA NA FLS (IV) 

 

Para complementar os apoios sociais já referidos, existiu na fábrica, durante as décadas de 1930 e 1940, uma vacaria, pois havia a ideia de que o leite então disponível no mercado era, em grande parte, adulterado. Assim, a qualidade do leite disponível para o pessoal da empresa ficava assegurada. Junto às vacas havia uma cocheira com algumas mulas, que puxavam uns vagões sobre carris pelos arruamentos principais da fábrica. Estes vagões transportavam matérias-primas e outro material necessário em vários locais ou dependências da fábrica. O mais curioso era que, todos os dias, logo que tocava a sirene ao meio-dia para indicar a hora do almoço, as mulas recusavam-se a continuar a trabalhar e voltavam para a cocheira! Sem sequer acabarem o trabalho que tinham iniciado. Ao fim do dia acontecia exactamente a mesma coisa!

 

Alguns funcionários mais maliciosos comentavam que até parecia haver um sindicato das mulas na FLS! Estes comentários sibilinos estabeleciam contraponto com uma organização activa na empresa, que havia sido encorajada por Herbert Gilbert – o sindicato dos trabalhadores da indústria cerâmica, cuja primeira sede foi dentro da própria fábrica.

 

Continuando a referir os aspectos sociais, para além da vacaria havia uma horta, perto das moradias, que fornecia a cantina. A empresa tinha também o seu próprio corpo de bombeiros, pois os meios da corporação que nessa altura existia em Sacavém não se revelavam suficientes para acudir a um eventual incêndio industrial de grandes proporções.

 

Como não haviam grandes actividades fora das horas do trabalho, a empresa tinha um campo de jogos para a prática de futebol, hóquei em patins, basquetebol, atletismo, e outras modalidades. Ainda antes desta época, a empresa tinha já a sua equipa de futebol que, em 1909, jogou contra o S. L. Benfica. O resultado desse encontro foi de 1-0 a favor do Benfica.

 

Pouco tempo depois de eu começar a trabalhar na Sacavém, em Julho de 1960, fui convidado a candidatar-me a presidente do Grupo Desportivo da Fábrica de Loiça de Sacavém. Fui eleito (claro, aquilo só dava trabalho que não era pago!) e escolhi a minha equipe para a direcção. Qual não foi o meu espanto quando fui informado que teria de mandar a lista para a P.I.D.E., a fim de todos os membros da lista serem aprovados!

 

Uma das particularidades de que me apercebi quando fui acompanhar jogos da nossa equipa, que na altura participava no campeonato da F.N.A.T. (Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho, instituída em 1935), era que os jogos normalmente acabavam em pancadaria, com vários jogadores de ambas as partes a serem expulsos! Como resultado resolvemos acabar com a prática do futebol na FLS e aplicar a verba destinada a esta área (cerca de 100.000$00 escudos por época, o que na altura era um valor bastante elevado) para fins sociais. Essencialmente, garantindo empréstimos ou donativos aos trabalhadores mais carenciados. O funcionamento deste serviço foi entregue à assistente social da empresa. Tudo corria muito bem, mas ao fim de algum tempo notámos que os "clientes" eram sempre os mesmos pois aqueles que realmente precisavam de apoio tinham vergonha de o pedir…

 

O mais engraçado, no meio disto tudo, é que houve um caso de uma trabalhadora que tinha pedido um empréstimo e que um dia veio entregar a verba em dívida, despedindo-se da empresa na mesma altura. Viemos a saber mais tarde que ela tinha uma casa da má fama em Moscavide. Consta que, certo dia, um cliente, não tendo dinheiro para pagar o serviço prestado, lhe deu uma cautela da lotaria. Claro que já se está a ver o que veio a acontecer... A trabalhadora acabou por ganhar uma pequena fortuna!

 

© Clive Gilbert

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Dezembro 02 2012

 

Azulejo com decoração Art Nouveau em relevo e vidrado monocromático, numa variante cor de mel do motivo 14.

 

Ao contrário do que acontece com outras variantes deste motivo anteriormente apresentadas, este exemplar encontra-se marcado "(Coroa)" e "SACAVEM", em relevo, no tardoz. 

 

Vejam-se outros exemplares semelhantes, noutras cores, e uma página do catálogo de Agosto de 1910 em: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/azulejo+motivo+14.

 

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Dezembro 01 2012

     

 

Estatueta, em biscuit da Sociedade de Porcelanas, representando uma tricana de Coimbra.

 

Com cerca de 19,8 cm. de altura, esta peça aproxima-se claramente, quer na temática quer na modelação, das diversas estatuetas com trajos regionais produzidas pela Vista Alegre a partir do segundo quartel do século XX.

 

No entanto, os diversos detalhes da delicada modelação, o requebro das ancas e da cintura, e toda a sensação de longilínea elegância que emana desta estatueta, aproximam-na muito mais dos estilizados exemplares femininos modelados na VA durante o período 1947-1968, como a Mulher da Beira Litoral, a Mulher do Douro Litoral, ou a Varina de Lisboa, do que das figuras mais compactas e estáticas do período anterior (1922-1947).

 

É muito provável, aliás, que o modelador das referidas peças da VA tenha sido também o autor desta estatueta. O que não será de modo algum surpreendente, se recordarmos que a VA consolidou a sua posição na administração da SP em 1945, depois de um processo de aquisição que se tinha iniciado dez anos antes.

 

A revista Vista Alegre número 18, de Abril de 2001, apresenta um artigo de oito páginas dedicado ao escultor, modelador e gravador coimbrão Cabral Antunes (1916-1986), onde são apresentadas doze das treze figuras regionais que, em 1956, criou para a VA, incluindo as três mencionadas acima.

 

Comparando os traços característicos daquelas figuras com os desta tricana, facilmente se conclui que Cabral Antunes terá sido certamente o autor desta estatueta em biscuit da SP.

 

Medalha da autoria de Cabral Antunes cunhada em 1978.

 

Como se pode constatar pelo exemplar reproduzido acima, o autodidacta Cabral Antunes foi ainda um notável medalhista, actividade que iniciou em 1963 com uma peça dedicada ao escritor Aquilino Ribeiro (1885-1963).

 

Nessa área, celebrizou-se quer pelas composições figurativistas colectivas de algumas alegorias históricas, como a apresentada acima e a que pode ser vista aqui: http://chaves.blogs.sapo.pt/351622.html, quer pelo figurativismo realista de efígies singulares, como a que pode ser vista aqui: http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/292007.html.

 

 

© MAFLS

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