Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Dezembro 27 2013

 

Mário Tomé (n. 1940), deputado da UDP, abordou a questão da FLS na reunião plenária de 15 de Abril de 1982, entre as duas primeiras intervenções de Zita Seabra (n. 1949) anteriormente transcritas, fazendo as seguintes declarações:

 

"Aproveito a intervenção da Sr.ª Deputada Zita Seabra para me solidarizar com a luta dos trabalhadores da Fábrica de Louça de Sacavém …

 

Risos do PSD, do CDS e do PPM.

 

O Sr. Sousa Tavares (PSD): – Que grave problema constitucional!

 

O Orador: – … e para protestar, mais uma vez, nesta Câmara, contra a brutalidade das forças repressivas ao serviço deste governo, que tem de ser derrubado, e ao serviço directo dos administradores e do grande patronato.

 

O que se passa na Fábrica de Louça de Sacavém é intolerável para os trabalhadores: são sucessivos processos disciplinares – cerca de 53 –, é a repressão sobre os delegados sindicais, é a descapitalização da empresa, ao desviarem-se os seus capitais para uma outra empresa com novas características de laboração, onde os contratos a prazo são a regra, levando certamente ao despedimento de famílias inteiras que hoje trabalham na Fábrica de Louça de Sacavém.

 

Esta situação é intolerável; a luta dos trabalhadores é justa, é apoiada pela maioria dos trabalhadores portugueses e tem de ter uma solução, que será encontrada na luta dos trabalhadores da Fábrica de Louça de Sacavém, de todos os trabalhadores deste país, e passará, com certeza, pela derrota da administração daquela Fábrica e pelo derrube deste governo."

 

Excertos transcritos do Diário da Assembleia da República, I Série, número 74, de 16 de Abril de 1982.

 

A UDP, juntamente com diversas forças políticas de esquerda – Partido Socialista Revolucionário, Política XXI, e outras, deu origem no ano 2000 ao Bloco de Esquerda (http://www.bloco.org/).

 

 

© MAFLS

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Dezembro 27 2013

 

Fundada em 1825, a fábrica sueca Gustavsberg (cuja grafia original era Gustafsberg) tornou-se particularmente célebre entre as décadas de 1930 e 1960 pela sua produção modernista, pela produção de estúdio e pela série Argenta, criada por Wilhelm Kåge (1889-1960).

 

No entanto, a fábrica produzira já importantes peças decorativas no século XIX. Durante a última década desse século e as primeiras do século XX foram particularmente notáveis as criações do director artístico Josef Ekberg (1877-1945), que favoreceu a decoração de peças com a técnica de sgraffito.

 

Utilizando como base um corpo cerâmico em faiança branca, essa técnica caracteriza-se pela sobreposição de outras camadas monocromáticas (azuis e, com menor frequência, verdes), em tons claros e escuros,  que depois são trabalhadas e parcialmente retiradas para efectuar a decoração. O vidrado era preferencialmente mate, embora se tenham produzido algumas peças com vidrado brilhante.

 

 

Seguiu-se um período em que a decoração insistia particularmente no dourado para complementar o próprio formato das peças, mas na década de 1930, quando Wilhelm Kåge já era director artístico, a fábrica passou a favorecer a técnica da série Argenta, desenvolvida pelo próprio Kåge.

 

Esta técnica caracteriza-se pela utilização de uma  base de vidrado mate, preferencialmente verde de cobre mas também vermelho sangue de boi, a que se sobrepõe a decoração efectuada através de uma fina camada de prata.

 

A empresa Gustavsberg acabou por ser adquirida em 2000 pela companhia alemã Villeroy & Boch (fundada em 1748), que mantém aquela marca.

 

 

A primeira peça apresentada, com cerca de 20,4 cm. de altura, é uma jarra trabalhada com a técnica de sgraffito, ostentando um motivo de bagas e folhagem muito característico do gosto Art Nouveau. Assinada por Josef Ekberg, está datada de 1909.

 

A segunda, também assinada por Ekberg mas datada de 1919 e com cerca de 29,6 cm. de altura, apresenta um esgrafitado que evoca as rosas e flores estilizadas desenvolvidas por C. R. Mackintosh (1868-1928) numa específica e consagrada variante escocesa do estilo Art Nouveau.

 

 

A terceira peça, uma taça assinada já por Wilhelm Kåge, datada de 1928 e com cerca de 10 cm. de altura e 22,5 cm. de diâmetro máximo, apresenta uma decoração de estilo Art Déco, mais geometrizante e feérica, com predominância de dourados que não seriam posteriormente a imagem de marca das cerâmicas desenvolvidas por Kåge.

 

A quarta peça, também uma taça com cerca de 10,3 cm. de altura e 22 cm. de diâmetro máximo, utiliza mais sobriamente os dourados, procurando fazer ressaltar as formas geométricas e escultóricas da sua modelação. Assinada ainda por Ekberg, num período mais tardio das suas criações, quando este já era sexagenário, está datada de 1938.

 

                         

 

A última peça, uma pequena taça da série Argenta concebida por Kåge, com cerca de 8 cm. de altura e 8,8 cm. de diâmetro máximo, é já de uma fase intermédia desta linha, sendo datável da década de 1940 ou 1950.

 

               

 

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