Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Setembro 01 2014

 

Frasco para chá formato Albuquerque, com cerca de 12 x 10,9 x 5,6 cm., em porcelana da Vista Alegre, apresentando decoração monocromática, a azul, Fortaleza.

 

O motivo Fortaleza foi apresentado em diversos formatos, que reproduzem, cada um deles, distintas gravuras baseadas nos desenhos de fortalezas compilados por Duarte d'Armas (1465?-?) naquele que é conhecido por Livro das Fortalezas (c. 1495- c. 1521; 1509-1510?; cf. http://digitarq.dgarq.gov.pt/viewer?id=3909707).

 

 

Este frasco de chá, o único desta série, apresenta as duas vistas da então vila de Chaves, incluindo a ponte romana sobre o rio Tâmega e o monte do Alto da Forca. Na tampa ostenta uma representação da torre de menagem, que ainda hoje subsiste.

 

Num dos desenhos de Duarte d'Armas pode ver-se ainda, em segundo plano, na direcção nascente, uma representação do castelo de Monforte de Rio Livre, que surge também em fólios separados naquela obra.

 

 

O castelo de Monforte de Rio Livre, cerca de 1876, em desenho de Manuel de Macedo (Manuel Maria de Macedo, 1839-1915) e gravura de Alberto (Caetano Alberto da Silva, 1843-1924). Imagem publicada na página 93 da revista O Occidente, 1.º ano, volume I, n.º 12, de 15 de Junho de 1878.

 

Parte do texto relativo a esta gravura transcreve-se abaixo:

 

"(...) O nosso desenhador Manuel de Macedo, divagando ha dois annos, em excursão artística, pelas faldas de Monforte, entendeu salvar o velho castello do esquecimento publico, e eis o motivo porque elle veiu na sua decrepitude receber o baptismo da gravura nas paginas do Occidente, rejuvenescendo assim por um momento para a curiosidade dos contemporâneos, já que não lhe é dado renascer para as façanhas militares do nosso tempo.

 

A paizagem que se estende ao sopé da velha fortaleza, é lindissima, celebrada mesmo pela sua amenidade, como é a extensa veiga de Chaves, villa que fica distante alguns kilometros. O horisonte é vasto, soberbo mesmo, e póde dizer-se que do alto do velho castello se offerece aos olhos do viajante um dos panoramas mais pittorescos e interessantes do paiz."

 

 

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Setembro 01 2014

 

Grande cinzeiro ou vide-poche, com cerca de 22,4 cm. de comprimento, em grés da fábrica francesa Denbac.

 

Correspondente ao formato 140, que raramente surge nas colecções privadas ou mesmo nos museus, esta peça ostenta um caracol como motivo principal, motivo comum a várias outras peças Art Nouveau de outras fábricas e que, na Denbac, se conhece ainda no formato 86, um cachepot.

 

 

Pequena jarra, com cerca de 17,7 cm. de altura, apresentando motivos vegetalistas estilizados. Este modelo corresponde ao formato 30.

 

Vejam-se outras peças Denbac, e ligações para informações referentes à fábrica, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/denbac.

 

     

 

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Setembro 01 2014

 

Azulejo apresentando imagem parcialmente executada a aerógrafo, com um motivo onde o humor se cria a partir do non-sense, na unidade de Coimbra da Companhia das Fábricas Cerâmica Lusitânia.

 

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Setembro 01 2014

 

Duas jarras em grés, com cerca de 16,6 cm. de altura, a primeira, e 22,7 cm, a segunda, produzidas na fábrica francesa Fourmaintraux-Delassus, situada em Desvres (veja-se o site do museu aqui: http://www.desvresmuseum.org/).

 

Note-se como a primeira peça apresenta um formato estilizado que remete para os motivos vegetais e para as florescências, particularmente para as flores do medronheiro, aproximação escultórica muito ao gosto do movimento Art Nouveau que, durante a última década do século XIX e as primeiras duas décadas do seguinte, foi comum a muitas das fábricas europeias e americanas na modelação das suas cerâmicas.

 

 

 

A empresa Fourmaintraux-Delassus desenvolveu entre cerca de 1936 e 1983 particular actividade na criação de peças em grés.

 

Herdeira da tradição ceramista da região de Desvres, a empresa manteve também a tradição de anteriores instituições produtoras de faiança, como a fábrica La Belle Croix, onde trabalharam, desde o século XIX, Charles Fourmaintraux-Courquin, Charles Fourmaintraux-Houzel e François Fourmaintraux.

 

A sua produção destacou-se na utilização decorativa de microcristais, seguindo uma tradição de finais do século XIX que se estendeu à produção de cerâmica Art Nouveau, aplicando particularmente uma cristalização azul semelhante àquela que era característica da fábrica Pierrefonds (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/pierrefonds).

 

     

 

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Setembro 01 2014

 

Tampa de uma terrina, com cerca de 28,8 cm. de largura e de provável fabrico inglês, apresentando o motivo Chorão (Willow Pattern) estampado a azul sob o vidrado.

 

Esta peça, apesar do acidente que sofreu, tem uma curiosidade complementar à da reparação efectuada pelo amolador com os arcaicos gatos, que é a de apresentar a seguinte inscrição incisa:

 

"Foi comcertada no dia 1,º de / Agõsto [rasurado] de 1915 por Jose Amulador, / Português"

 

Em homenagem à quase perdida e esquecida arte dos amoladores: http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/400501.html.

 

 

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Setembro 01 2014

 

Placa em biscuit da Vista Alegre, com cerca de 10,7 x 7,2 x 0,6 cm., comemorativa do centenário do corpo de bombeiros da empresa.

 

Apresenta as legendas "Centenário do Corpo de Bombeiros Privativo da Vista Alegre 1880-1980", no anverso, e "Um Século de Voluntária Devotação ao Irmão Homem", no verso.

 

Na parte inferior do anverso apresenta ainda as inscrições "Des. J. S. (?) Loureiro", à esquerda, e "Esc. C. Calisto [Carlos da Rocha Calisto, 1934-2009]", à direita.

 

 

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Setembro 01 2014

 

Conjunto de peças da fábrica belga Boch Frères / Keramis apresentando predominantemente vidrado amarelo.

 

Este amarelo foi muito característico das peças produzidas pela BFK nas décadas de 1920 e 1930, durante o período Art Déco, embora historicamente remeta para uma outra tonalidade conhecida no oriente como amarelo imperial, cor que era tradicionalmente exclusiva dos imperadores da China.

 

 

As duas primeiras peças, uma jarra com flores estilizadas em relevo, correspondente ao formato 1111 e com cerca de 22,3 cm. de altura, e uma base de candeeiro com angulosas linhas geométricas, correspondente ao formato 1027 e com cerca de 17 cm. de altura, ilustram o característico craquelé Art Déco da BFK.

 

A apresentação de um design moldado em relevo na pasta não é, contudo, muito comum na produção da fábrica, a não ser neste período, onde se conhecem mais alguns exemplares com diferentes decorações e formatos.

 

Já estas três jarras, apesar da ocorrência do amarelo, apresentam uma decoração escorrida com esmaltes de diferentes cores, cuja técnica foi mais característica de finais do século XIX e da influência japonizante que então se fez sentir.

 

 

Na época, foi este um recurso técnico comum a várias fábricas ocidentais, sendo em Portugal os exemplos mais consagrados aqueles que se associam à produção cerâmica das Caldas da Rainha, em geral, e à obra de Rafael (1846-1905) e Gustavo (1867-1920) Bordalo Pinheiro, em particular.

 

A marca apresentada abaixo, comum a todas as peças aqui ilustradas, surgindo quer a azul quer a preto, corresponde à jarra com o formato 612, que, com cerca de 16,9 cm. de altura, se encontra à frente das duas outras jarras na fotografia de conjunto apresentada acima.

 

Vejam-se algumas outras peças da BFK, com diferentes vidrados, formatos e pastas cerâmicas, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/boch+fr%C3%A8res.

 

 

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Setembro 01 2014

 

Completa hoje o Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém cinco anos de publicação.

 

Para assinalar a efeméride publica-se a imagem de uma peça personalizada, decorada a esmalte e ouro, ostentando inscrições referentes a António C. Adão e ao Sport Grupo Sacavenense e a data de 13 de Abril de 1955.

 

Curiosamente, esta peça, que aqui aparece com aspecto de troféu desportivo, encontra-se catalogada sob a designação Centro de Mesa Estilo Manuelino na tabela de Novembro de 1945, onde surge sob o número 262 ao preço de 70$00 para "Colorido s/ ouro" e 88$00 para "Colorido c/ouro".

 

 

 

Esta peça surge também referenciada nas tabelas de Maio de 1951, ao preço de 81$00 para "Côres Mates ou coloridos s/ ouro", de 95$00 para "Coloridos c/ ouro" e 190$00 para "Azul Sèvres ou Verde c/ ouro", e Maio de 1960, com os mesmos preços. 

 

Um exemplar desta última tabela existente nos arquivos do CDMJA refere ainda, através de uma anotação manuscrita, que o peso deste centro de mesa é de 1,165 gramas.

 

Veja-se outra peça, um cinzeiro, com o emblema do SGS aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/226237.html.

 

 

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