Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Janeiro 27 2019

 

Jarra, com cerca de 21 cm. de altura, em porcelana da fábrica Artibus, Aveiro.

 

Já aqui foi sublinhada a qualidade excepcional da pintura de muitas peças desta fábrica, servindo esta jarra com putti para ilustrar, desta vez, um sentido composicional algo kitsch, quer na conjugação das figuras com as flores em relevo quer no posicionamento das figuras.

 

A base desta peça documenta, contudo, uma interessante conjugação de duas diferentes marcas da fábrica.

 

 

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Janeiro 19 2019

Pequeno cinzeiro circular, com a inscrição "HOTEL DE ANGRA / ILHA TERCEIRA / AÇORES", produzido pela extinta fábrica Secla, das Caldas da Rainha.

 

Este vidrado amarelo, evocativo de muita da cerâmica popular da zona de Barcelos, e de outras regiões portuguesas, surgiu com frequência, durante as décadas de 1960 e 1970, nas peças promocionais que a Secla desenvolveu. Entre outras cores, conhece-se vidrado com tonalidade semelhante em cinzeiros que o Turismo de Portugal encomendou à Secla neste período.

 

O motivo central do cinzeiro remete para as tradicionais touradas à corda da Ilha Terceira.

 

 

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Janeiro 13 2019

 

Figura, com cerca de 19,4 cm. de altura, em faiança não vidrada.

 

Não apresenta qualquer marca, mas o seu revestimento amarelo e castanho, aplicado a aerógrafo, recorda a técnica e as tonalidades utilizadas na Cerâmica Macedo, de Barcelos. A pasta branca, contudo, poderá indiciar uma produção oriunda de Coimbra.

 

Esta figura é característica de certas representações cerâmicas, de traço caricatural e infantilizante, que evocam as cowgirls Calamity Jane (Martha Jane Canary-Burke, 1852-1903) e, particularmente, Annie Oakley (Phoebe Ann Moses, 1860-1926), bem como as suas posteriores actuações circenses.

 

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Janeiro 05 2019

Caixa em porcelana da Vista Alegre, Ílhavo, com cerca de 6 x 16 x 13 cm., ostentado decoração linear lapidada na empresa Atlantis, de Alcobaça.

 

Esta caixa, representativa das crescentes tendências de design contemporâneo adoptadas pela Vista Alegre a partir do início deste século, ilustra ainda uma técnica de lapidagem, característica do vidro e do cristal, que recorda a aquisição da consagrada Atlantis pela Vista Alegre, ocorrida em 2001, e regista a produção de peças entrecruzando técnicas destas duas áreas industriais distintas.

 

A marca patente nesta peça foi aplicada na Vista Alegre entre 2001 e 2008.

 

 

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Janeiro 05 2019

 

Pequena jarra, com cerca de 14,6 cm. de altura, produzida em 1927 na fábrica inglesa Ruskin Pottery.

 

Fundada em 1898 por Edward Richard Taylor (1838-1911), esta empresa homenageou na sua designação a memória e os princípios artísticos de John Ruskin (1819-1900), de quem E. R. Taylor, ele próprio um influente membro do movimento Arts & Crafts, era contemporâneo e admirador.

 

Após a morte de E. R. Taylor, a fábrica foi administrada com o mesmo entusiasmo e zelo por seu filho, William Howson Taylor (1876-1935), mas acabou por encerrar com a morte deste último.

 

O presente exemplar tardio da produção supervisionada por W. H. Taylor mantém as características implementadas por seu pai na Ruskin Pottery, particularmente no que diz respeito à pesquisa e aplicação de vidrados inovadores, ao gosto pelo efeito do vidrado microcristalino e à sobreposição de diversas camadas de vidrado escorrido.

 

Embora não se aproxime da radical desconstrução de formas que o americano George Edgar Ohr (1857-1918), o auto-proclamado "Mad Potter of Biloxi", ensaiou nas suas criações, a torção deste exemplar remete para outras peças cerâmicas europeias que também romperam com a acabada perfeição dos formatos de torno ou de moldes, tal como aconteceu, por exemplo, em alguma da produção de Sarreguemines. 

 

A esta opção técnica e estética não será estranha, certamente, a produção Arts & Crafts de alguns vidros Clutha, concebidos por Christopher Dresser (1834-1904) para a empresa escocesa James Couper & Sons, bem como alguma da cerâmica que o mesmo concebeu para a Ault Pottery (1887-1922) e a Linthorpe Art Pottery (1879-1889).

 

Veja-se outra peça da Ruskin Pottery aqui: https://mfls.blogs.sapo.pt/162460.html.

 

 

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Janeiro 04 2019

 

Jarra em faiança, com cerca de 19,3 x 14,7 x 9 cm., da fábrica dinamarquesa Royal Copenhagen.

 

Decorada e concebida pelo conceituado designer Nils Thorsson (1898-1975), esta peça integra a série Baca e ilustra uma das inúmeras e inovadoras peças modernistas que a Royal Copenhagen comercializou nas décadas de 1960 e 1970.

 

Na marca, o traço sob a letra "G" indica que esta peça foi produzida entre 1969 e 1973.

 

 

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Janeiro 03 2019

 

Pequena jarra da fábrica norte-americana Roseville, activa entre1890 e 1954, apresentando o motivo Zephyr Lily, criado em 1946.

 

Este motivo foi aplicado em 52 formatos com três diferentes cores de fundo - azul, castanho-ocre e verde. Os  números que surgem em relevo na base das peças identificam o modelo e as suas dimensões. Assim, neste caso, o número 130 corresponde ao formato e o número 6'' à sua altura, 6 polegadas (cerca de 15 cm.)

 

 

Jarra ostentando o motivo Apple Blossom, que ocorre sobre peças apresentando fundos azuis, cor-de-rosa e verdes, criado em 1948-1949. 

 

Ao contrário do que é habitual na maioria das peças da fábrica, este exemplar não apresenta qualquer numeração em relevo ou identificação na base. É verdade que, apesar de muita da produção da Roseville deste período não atingir valores demasiado altos, o mercado norte-americano de antiguidades está inundado de réplicas ou falsificações recentes dos seus modelos.

 

Contudo, a numeração patente neste exemplar, que até indica a sua altura - 8 polegadas (cerca de 20 cm.), não é invulgar nalguma produção da Roseville, pelo que, atendendo também ao craquelé do vidrado, ao seu escorrido e à consistente qualidade da pintura, não será provável que estejamos perante uma réplica.

 

Veja-se um pequeno artigo com algumas notas sobre a fábrica, e outras peças da sua produção, aqui: https://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/84598.html.

 

 

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Janeiro 02 2019

 

Grande jarra da fábrica francesa de Pierrefonds ou, mais propriamente, como já foi referido, da Faïencerie Héraldique, de Pierrefonds, correspondendo ao formato 490.

 

As suas asas angulares remetem para a memória de algumas opções do movimento Arts & Crafts, em que se combinavam as peças cerâmicas, ou de vidro, com diversas intervenções e complementos em metal.

 

Embora a designação oficial da fábrica incluísse a especificação faïencerie, a sua produção cerâmica mais notável foi desenvolvida não em faiança mas em grés, tal como acontece com as duas peças agora apresentadas.

 

 

Pequena jarra, correspondendo ao formato 613 e com cerca de 8,6 cm. de altura, da mesma fábrica.

 

A opção pela tonalidade cor-de-rosa remete para o prestígio do rosa Pompadour, um rosa criado em honra de Madame de Pompadour (Jeanne-Antoinette Poisson, Marquesa de Pompadour, 1721-1764), que outras fábricas, como a Sarreguemines (https://mfls.blogs.sapo.pt/tag/sarreguemines), também aplicaram de forma revivalista no final do século XIX e princípios do século XX.

 

Vejam-se outras peças da Faïencerie Héraldique aqui: https://mfls.blogs.sapo.pt/tag/pierrefonds.

 

 

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Janeiro 01 2019

 

Pequena jarra, com cerca de 14,8 cm. de altura, decorada com motivos vegetais em relevo e produzida em Montières, Amiens.

 

Como é evidente, este acabamento com iridiscências metálicas, desenvolvido por Jean Barol (1873-1966), remete claramente para as técnicas de revestimento cerâmico que haviam sido anteriormente exploradas por Clément Massier (1845-1917) e sua família (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/cl%C3%A9ment+massier).

 

Na senda dos Massier, como já foi referido, veio também o trabalho de Jacques Sicard (1865-1923), cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/213887.html, bem como o de Jean-Baptiste Gaziello (1871-1957), cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/jean+gaziello., não se devendo ignorar ainda a excelente produção húngara da Zsolnay.

 

Jean Barol, que havia sido discípulo de Clément Massier, assumiu o cargo de director artístico da fábrica Montières, fundada em 1915, durante os anos de 1917 a 1920.

 

As bagas silvestres foram um motivo comum na cerâmica europeia (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/276534.html) e americana do período Art Nouveau, que ocorre ainda, embora de forma menos prolixa, no subsequente período Art Déco, mas aqui encontramo-nos perante a florescência da hera, motivo que remete directamente para a heráldica da municipalidade de Amiens.

 

 

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