Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Setembro 01 2025

 

 

Malga decorada a stencil (chapa recortada) sob o vidrado, com cerca de 7,8 cm. de altura e 27 cm. de diâmetro, correspondendo ao formato Liso.

 

O motivo, apresentando espigas e flores, celebra a abundância da produção cerealífera, podendo associar-se claramente à comemoração anual do Dia da Espiga.

 

 

 

Ao contrário da porcelana e do grés, a faiança coloca os coleccionadores perante dilemas inerentes à fragilidade desta cerâmica, nomeadamente a diferente dilatação entre a pasta e o vidrado, o subsequente craquelé do vidrado, o consequente entranhamento de líquidos e gorduras que acabam por manchar a pasta e a maior facilidade em ocorrerem cabelos e esbeiçadelas.

 

Muitos coleccionadores preferem as suas peças restauradas e limpas, sem quaisquer manchas, como se a idade de cada objecto não existisse e a peça devesse apresentar-se tal como saíu da fábrica. 

 

  

Fotografia de autoria não identificada.

 

Pessoalmente, também já passei por essa fase, mas, no que respeita à faiança utilitária, tenho vindo a aceitar as marcas do tempo e a encontrar um certo charme na decadência das peças, como se a patine do tempo e do seu uso devesse estar nelas documentada.

 

Hoje em dia, peças com gatos centenários, ou velhos de muitas décadas, combinados com as diferentes manchas que alastram pela pasta, exercem uma certo fascínio sobre mim, originando memórias imaginárias sobre os hipotéticos usos a cada refeição e em cada família.

 

Em homenagem a essas famílias e às suas vivências, in illo tempore, e em homenagem aos velhos amoladores, sempre com a mesma música em realejos hoje quase esquecidos, aqui ficam algumas imagens cheias de nostalgia.

 

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 23:59

Setembro 01 2025

 

 

Jarra, com cerca de 27,8 cm. de altura, da fábrica Boch Frères Keramis, La Louvière, Bélgica.

 

 

 

Correspondendo a uma inequívoca mas peculiar gramática Art Déco, esta invulgar decoração de Charles Catteau (1880-1966), aplicada sobre uma jarra com o formato 258, ilustra o motivo D738, introduzido cerca de 1923.

 

 

 

 

além de ilustrar um motivo menos comum na produção da BFK, a base deste exemplar ostenta ainda a marca dos célebres armazéns norte-americanos Macy, uma estrela dentro de um círculo, marca que raramente surge associada à produção desta empresa belga.

 

 

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 23:01

Setembro 01 2025

 

Grande prato da Olaria Velha, Porches, com cerca de 4,2 cm. de altura e 29,8 cm. de diâmetro, ostentando as iniciais do ceramista Jorge Mealha (1934-2021) e datado de [19]81.

 

O motivo do galo, para além de estar indelevelmente ligado à icónica imagem do galo de Barcelos e à olaria popular, na área da cerâmica, surge com frequência destacado em outros contextos nacionais e internacionais.

 

Vejam-se, por exemplo, a capa, da autoria de Cipriano Dourado (1921-1981), do volume de contos O Galo que cantou na Baía (1959), de Manuel Lopes (1907-1925) ou a obra de cerâmica, pintura e tapeçaria do francês Jean Lurçat (1892-1966), que também colaborou com a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre.

 

 

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 22:01

Setembro 01 2025

 

 

Molheira, com cerca de 8,4 cm. x 18,4 cm., em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal, Vila Nova de Gaia.

 

Apresentando uma decoração minimalista, com listas monocromáticas cinzentas e filetagem a dourado, esta molheira apresenta a peculiaridade, partilhada com algumas outras peças similares que já vinham do século XIX, mas não muito vulgar, de juntar prato base e molheira numa só peça.

 

 

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Setembro 01 2025

 

 

Pequenas alfineteiras, com cerca de 2 cm. de altura e 6,4 cm. de diâmetro, em porcelana da Electrocerâmica do Candal.

 

Apesar da filetagem a dourado, estas peças não tinham custo elevado, uma vez que as imagens eram estampadas a preto e recebiam pequenas pinceladas coloridas sobre a estampa.

 

 

 

Peças diversas, como alfineteiras, cinzeiros, jarrinhas e paliteiros, ostentando técnica decorativa semelhante, tornaram-se muito populares em Portugal, como objectos de recordação, em estâncias balneares, estâncias termais, e outras localidades turísticas, durante o pós-guerra, particularmente entre as décadas de 1940 e 1950, sendo também produzidas pela Sociedade de Porcelanas e a Vista Alegre.

 

A verdade é que esta cultura dos pequenos souvenirs vinha já do século XIX, tanto em faiança e porcelana como em vidro.

 

 

  

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 19:01

Setembro 01 2025

 

 

Cinzeiro, com cerca de 3,8 cm. de altura e 19,6 cm. de largura máxima, em grés da fábrica da Madalena, Leiria.

 

O formato deste cinzeiro é característico da fábrica da Madalena, como se pode constatar em exemplares anteriormente apresentados e oriundos da mesma empresa.

 

Note-se como a empresa aqui publicitada assume o emblema do Futebol Clube de Alverca, trocando as iniciais F. C. A. pelas suas, A. M. C.

 

 

  

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 17:01

Setembro 01 2025

 

 

Pequena figura de elefante, com cerca de 5,3 cm. de altura e 7,8 cm. de comprimento, em porcelana da Empresa Electro-Cerâmica do Candal.

 

Através deste exemplar, podemos constatar que o modelo E10, anteriormente apresentado, apesar de ser aparentemente semelhante a este modelo, que é o E20, não só ostenta cor diferente como apresenta pequenas diferenças fisionómicas.

 

Como se verifica através das publicações anteriores, o bestiário da Electro-Cerâmica integra diferentes versões de elefantes, cuja popularidade poderá dever-se a diferentes razões – o facto de ter sido um dos ícones da Exposição Colonial do Porto, realizada em 1934, o facto de ser um animal cuja imagem está associada ao denominado "Império Colonial", o facto de ser um dos animais populares nos espectáculos circenses ou, ainda, o facto de estar associado a uma superstição que o identifica como amuleto da sorte.

 

 

 

 

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publicado por blogdaruanove às 15:01

Setembro 01 2025

 

 

Prato pintado à mão e rebordo perfurado, com cerca de 2,8 cm. de altura e 25,5 cm. de diâmetro, em faiança da Fábrica do Carvalhinho.

 

Como é habitual neste tipo de cerâmica de parede, apresenta decoração floral, desta vez correspondente ao motivo 129 N aplicado no formato C/7 P. 29.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 13:09

Setembro 01 2025

 

Pequenos saleiros, com cerca de 2,2 cm. de altura e 6,3 cm. de diâmetro, em porcelana da SPAL, Alcobaça.

 

É claro que estes pequenos recipientes poderiam também ser utilizados como alfineteiras, na tradição do século passado ou, seguindo já a globalizante tendência deste século, como tacinhas para molho de soja.

 

O motivo Polka Dot ampliado sugere que este será um design já do segundo quartel do século XX, ou posterior.

 

 

 

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publicado por blogdaruanove às 11:01

Setembro 01 2025

 

Dois cinzeiros ostentando decoração pintada à mão, com cerca de 2,4 cm. de altura e 12,2 cm. de lado, em porcelana da fábrica Campos & Filhos, de Viana do Castelo.

 

 

 

Apresentando decorações monocromáticas e policromáticas características da louça de Viana, estes dois exemplares permitem-nos documentar os motivos 310 e 400 aplicados sobre o mesmo formato, correspondente ao número 183. 

 

De igual modo, permitem-nos identificar duas pintoras da fábrica, que apenas assinam como os seus nomes próprios – respectivamente, Rosa Maria e Ana.

 

 

   

 

 

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publicado por blogdaruanove às 09:01

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