Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Outubro 13 2013

 

A propósito do recente artigo de MUONT (http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/2013/10/jarra-modelo-n-148-aleluia-aveiro.html#links) sobre as variantes de formato e cor de algumas peças da fábrica Aleluia, de Aveiro, apresentam-se hoje duas jarras em faiança dessa fábrica.

 

Acima surge um exemplar correspondente ao formato 15 com o motivo G, tal como se pode ver no catálogo habitualmente reproduzido por MUONT, o que também acontece no citado artigo, onde se apresenta a variante do formato 148 com este motivo.

 

Esta jarra, com cerca de 37,5 cm. de altura (sublinhe-se que o catálogo Aleluia indica uma altura de 36,5 cm.), foi exibida na exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005. A imagem, reproduzida no respectivo catálogo, é da autoria do fotógrafo João Francisco Vilhena (n. 1965).

 

Como tem vindo a ser referido, tais imagens originais foram registadas em película e posteriormente digitalizadas, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

 

De seguida apresenta-se uma outra variante de cor e formato, com cerca de 25,8 cm. de altura, que pode ser comparada com uma jarra anteriormente aqui apresentada: http://mfls.blogs.sapo.pt/68695.html.

 

O exemplar agora reproduzido corresponde ao modelo 18 O, correspondendo o anterior ao modelo 15 K. Assim sendo, como se pode depreender, estamos perante o formato 18 e a variante decorativa O nesta jarra e o formato 15 e a variante decorativa K na jarra anteriormente apresentada.

 

A interessante conclusão final é que as letras correspondentes às variantes não traduzem simplesmente uma variante de cor, como se poderia pensar comparando apenas estes dois últimos exemplares, mas podem traduzir também um motivo completamente distinto, como se depreende da comparação entre os formatos 15 aqui referidos.

 

No mencionado catálogo Aleluia são ilustradas três jarras formato 18 com outros motivos – B, G, K, completamente diferentes daquele que aqui se apresenta.

 

 

© MAFLS

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Agosto 18 2013

 

Placa em fainça relevada, com cerca de 16,7 cm. de diâmetro, apresentando a efígie do compositor polaco Chopin (Fryderyk Franciszek Chopin [Choppen no assento de nascimento redigido em Latim], 1810-1849).

 

Embora não apresente qualquer marca visível, esta peça evidencia, na pasta e no vidrado semi-mate, características atribuíveis à fábrica Aleluia, de Aveiro (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/154322.html).

 

Muito provavelmente esta peça terá sido produzida cerca de 1960, por ocasião das comemorações dos 150 anos do nascimento de Chopin, época que corresponde a uma utilização mais frequente deste vidrado na fábrica.

 

© MAFLS

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Maio 26 2013

 

Jarra em faiança da fábrica Aleluia, de Aveiro, com cerca de 25,2 cm. de altura, apresentando três diferentes animais estilizados pintados à mão sobre stencil (chapa recortada). Cada um destes animais repete-se duas vezes na superfície central da jarra.

 

Estas tonalidades e este vidrado semi-mate evocam uma imagem de marca característica da fábrica inglesa Poole Pottery nas décadas de 1950 e 1960, muito embora tal decoração figurativa não seja característica dos motivos preferidos pelos designers da empresa na época, nomeadamente de Alfred Burgess Read (1898-1973), que favoreciam uma decoração repetitiva e minimalista, sim, mas baseada mais em linhas e motivos geométricos.

 

 

© MAFLS

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Abril 25 2013

    

Pequeno cachepot em faiança da fábrica Aleluia, com cerca de 5,9 cm. de altura e 5,2 cm. de lado, ostentando cravos em três das suas faces e um motivo alusivo a uma dança folclórica na restante.

 

Símbolo por excelência da revolução de 25 de Abril de 1974, também conhecida como Revolução dos Cravos, esta flor surge aqui representada numa peça executada em Aveiro, concelho onde nasceu o cantor e compositor José Afonso (1929-1987).

 

 

Integrada no álbum Cantigas do Maio (1971), Grândola, Vila Morena foi também editada num EP homónimo, lançado em 1971, pela editora portuense Orfeu, de Arnaldo Trindade (n. 1934; cf. http://arnaldotrindade.no.sapo.pt/).

 

Neste EP, José Afonso interpreta ainda Traz Outro Amigo Também e Carta a Miguel Djéjé, composições de sua autoria, e Moda do Entrudo, uma composição popular da Malpica, na Beira Baixa.

 

Passando na Rádio Renascença durante a madrugada de 25 de Abril de 1974, como uma das senhas para o início do Movimento das Forças Armadas, esta composição tem sido recuperada com insistência nos últimos tempos.

 

Detalhe de um cinzeiro formato 490 da FLS que poderá ter sido oferecido ao compositor.

 

Em Portugal, particularmente como sinónimo de oposição ao governo e contestação quer dos seus membros quer da sua política. De um modo geral, também como uma forma de constestação da austeridade, da incompetência dos tecnocratas, das ineficazes políticas europeias e das desastrosas políticas financeiras mundiais.

 

Enquanto forma de contestação, a cantiga de José Afonso tem sido também entoada recentemente nas manifestações populares que se têm desmultiplicado em Espanha.

 

 

© MAFLS

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Abril 14 2013

 

Placa oval em biscuit, com cerca de 16,4 x 11,9 x 1 cm., representando um barco moliceiro da ria de Aveiro.

 

Encontrando-se aplicada sobre veludo, esta placa não ostenta qualquer marca visível. Sob a popa do moliceiro, contudo, é possível distinguir a assinatura manuscrita C. Calisto (Carlos da Rocha Calisto, 1934-2009).

 

Carlos Calisto foi um dos mestres modeladores da Vista Alegre, onde trabalhou até 1981.

 

Abaixo pode ver-se um pequeno azulejo quadrangular, com cerca de 10,1 cm. de lado, produzido pela fábrica Aleluia, de Aveiro, apresentando um motivo similar.

 

     

 

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Fevereiro 03 2013

     

 

Caixa hexagonal, com cerca de 16,4 x 21,8 x 21,2 cm., em faiança da fábrica Aleluia, Aveiro.

 

Apresentando motivos marinhos, a exemplo do que acontecia também com muita da tradicional cerâmica das Caldas da Rainha desde o século XIX, esta caixa ostenta decoração complementar a dourado e um acabamento nacarado sobre o vidrado, obtido por processos químicos, muito característico de alguma da produção da Aleluia nas décadas de 1950 e 1960.

 

Com efeito, conhecem-se ainda outras caixas desta fábrica, nomeadamente exemplares moldados em relevo para representar realisticamente conchas de vieiras no corpo e conchas de berbigão no remate das tampas, que recorrem a semelhante acabamento.

 

Este revestimento nacarado foi ainda comum a diversas outras fábricas portuguesas, como já pudemos constatar neste espaço, conhecendo-se a sua aplicação quer em faiança – em peças da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, sobre fundos escuros, da fábrica Lusitânia e da FLS, quer em porcelana – em peças da SP e da VA.

 

No período contemporâneo da produção deste exemplar, também a RB, de Alcobaça, utilizou este revestimento nacarado em alguns dos seus formatos modernistas.

 

O cavalo-marinho modelado em relevo, que na cerâmica portuguesa não é um dos motivos mais recorrentes no contexto da decoração marinha, conhece-se ainda na produção caldense de finais do século XIX e primeira metade do século XX, nomedamente numa pequena jarra cónica, não marcada mas provavelmente da FFCR ou da fábrica San Rafael, que apresenta quatro mexilhões na base e dois cavalos-marinhos assumindo-se como asas.

 

Com efeito, este motivo modelado em relevo surge particularmente na produção cerâmica da família Bordalo Pinheiro, conhecendo-se uma floreira datada de 1898, com um caranguejo e dois cavalos-marinhos aplicados sobre a sua superfície, e um castiçal datado de 1901, onde surgem dois cavalos-marinhos a sobrepujar um búzio assente sobre mexilhões.

 

Já do período da Fábrica San Rafael, conhece-se uma "Jarra com hypocampos", da autoria de Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920), que surge num catálogo de 1913 sob o número 18, ao preço de 1$50.

 

 

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Março 10 2012

 

          

 

Duas pequenas figuras em faiança da fábrica Aleluia, Aveiro, com vidrado mate translúcido e bases pintadas a ouro.

 

A delicadeza e elegância destas duas corças são acentuadas pelo uso exclusivo do vidrado mate e do ouro, uma opção de acabamento característica de algumas peças de meados da década de 1950, que visava realçar o seu aspecto escultural.

 

Sendo habitualmente um acabamento reservado para peças de menores dimensões, devido ao custo do ouro, o seu uso é também conhecido em cinzeiros e pequenas jarras, mas com uma aplicação muito mais parcimoniosa de ouro, por vezes combinada com feéricos esmaltes multicoloridos (cf. http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/371206.html).

 

As peças medem cerca de 8,6 cm. e 5,6 cm. de altura, apresentando esta última a referência X228-F.

 

 

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Outubro 02 2011

 

Prato com decoração estampada a preto, e posteriormente colorida, sob o vidrado. A cercadura a azul, que surge por cima de um rebordo com uma variante do formato espiga em relevo, foi aplicada sobre o vidrado.

 

A fábrica Cesol, Cerâmica de Souselas (Coimbra), foi fundada em 1947. No início da década de 1990 passou a integrar o grupo Apolo Cerâmicas, tendo as suas instalações sido deslocalizadas em 2004 para Aguada de Baixo, no concelho de Águeda. Em Fevereiro deste último ano a Apolo Cerâmicas passou a integrar o grupo CeramicApolo, que por sua vez veio a integrar-se na Aleluia Cerâmicas (http://www.aleluia.pt/) em 2006. 

 

A  existência de este formato na Cesol vem novamente levantar dúvidas sobre a empresa que efectivamente produziu um prato não marcado, com uma imagem do templo romano de Évora, anteriormente aqui reproduzido (http://mfls.blogs.sapo.pt/70160.html). 

 

Verificam-se, no entanto, duas diferenças entre esta peça e o prato não marcado – o prato Cesol é mais pesado e apresenta três círculos em relevo, na base (um junto ao rebordo e dois no centro), enquanto que o prato  não marcado apresenta apenas dois.

 

Deve-se notar, apesar de tudo, que este exemplar ilustrado com uma chinoiserie apresenta qualidade de decoração e acabamento superior àquela que habitualmente se encontra nas peças da Cesol, pelo que o pouco cuidado evidenciado no acabamento aerografado da cercadura do prato com a imagem de Évora se poderia enquadrar na tipologia de produção desta empresa.

 

 

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Agosto 27 2011

 

Jarrão em faiança da fábrica Aleluia, Aveiro, com pintura manual sob o vidrado.

 

Com cerca de 54,1 cm. de altura, esta é uma peça extremamente invulgar, quer na produção desta fábrica quer na produção industrial da cerâmica artística portuguesa do século XX.

 

 

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Junho 18 2011

 

Jarra em faiança da fábrica Aleluia, Aveiro, com a decoração 713-B aplicada sobre um vidrado rosa semi-mate.

 

Trata-se de uma peça que terá sido produzida em finais da década de 1950, princípios da década de 1960.

 

Sabe-se que as peças com a decoração x261-AA foram produzidas em 1955 (como o cinzeiro apresentado aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/371206.html), ano em que se comemorou o cinquentenário da fundação da fábrica.

 

 

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