Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Abril 11 2018

 

Taça, formato Avenida, com decoração floral estampada sobre o vidrado.

 

Realizar-se-á no próximo 22 de Abril, domingo, pelas 15h00, nas instalações do Museu de Cerâmica de Sacavém, uma Assembleia Geral da Associação de Amigos da Loiça de Sacavém.

 

 

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Abril 01 2018

 

Pequena jarra, com cerca de 16,3 cm. de altura, em porcelana da fábrica Vista Alegre, de Ílhavo.

 

A decoração desta peça foi executada à mão e apresenta um motivo marinho com algas. Curiosamente, um motivo semelhante foi também aplicado numa pequena jarra, em faiança, de outra fábrica da região, a S. Roque, de Aveiro, como já foi anteriormente documentado aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/outras-fabricas-outras-loicas-cccxxxvi-385770.

 

Um outro exemplar deste formato art déco da VA, ostentando uma decoração minimalista repetitiva mas também com marca do período 1922-1947, já tinha sido aqui apresentado: http://mfls.blogs.sapo.pt/outras-fabricas-outras-loicas-cccxxv-382563.

 

 

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Outubro 11 2017

 

Leiteira formato Granja com decoração vegetal de inspiração Art Déco.

 

Este motivo, pintado à mão sobre o vidrado, é semelhante a outros motivos que surgiram na cerâmica inglesa durante as décadas de 1920 e 1930, nomeadamente na produção de Clarice Cliff (1899-1972) e das fábricas Royal Doulton e Shelley.

 

Uma chávena de chá e pires com o mesmo motivo aparece reproduzida no livro Fábrica de Loiça de Sacavém (1997), de Ana Paula Assunção (n. 1957), embora uma gralha da legenda refira que este é um motivo Arte Nova (Art Nouveau).

 

Obviamente, esta classificação não se deve confundir com a das peças da série Arte Nova (cujo trocadilho na designação é intencional) que a FLS produziu a partir da década de 1950.

 

 

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Outubro 01 2017

 

Açucareiro, com cerca de 10,2 x 14,9 cm., e 10,4 cm. de diâmetro máximo, em porcelana da Vista Alegre.

 

Constitui, na simplicidade do seu motivo essencialmente assente na filetagem, um dos mais elegantes e interessantes exemplos dos formatos Art Déco, desta fábrica, com decoração minimalista.

 

 

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Maio 28 2017

 

Jarra em porcelana da Vista Alegre, com decoração minalista repetitiva, a verde, sobre fundo creme.

 

Veja-se uma jarra com o mesmo motivo e considerações sobre o seu formato, e a sua eventual origem de influência estrangeira, que não se restringirá apenas à produção da fábrica alemã Rosenthal e se alargará à produção inglesa, e de outras nacionalidades, aqui: http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/2013/01/jarra-art-deco-com-riscas-verdes-vista.html.

 

 

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Abril 16 2017

 

Jarra em terracota, com cerca de 21,3 cm. de altura, produzida na Cerâmica Macedo, Barcelos.

 

A decoração floral de inspiração Art Déco foi aplicada a aerógrafo sobre stencil (neste caso, cartão ou chapa recortada) para o amarelo, azul, verde e vermelho, e aplicada livremente para o preto e o fundo beige.

 

Sendo louça com fins decorativos, mas também utilitários, a interessante e extensa produção da Cerâmica Macedo sobreviveu em ínfimas quantidades até aos dias de hoje e, como se verifica neste e na maioria desses reduzidos exemplares, em condições de grande deterioração da pintura.

 

Este problema técnico, que afectou também as grandes fábricas de faiança produtoras de decoração sobre o vidrado, como a FLS, acentuava-se na decoração sobre terracota.

 

Embora a Cerâmica Macedo submetesse as suas peças a um banho impermeabilizante antes de aplicar as tintas, o processo de escamagem acentuava-se na terracota com a passagem do tempo, mesmo sem que as jarras recebessem água no seu interior.

 

 

De acordo com Adélio Macedo Correia (n. 1943), a Fábrica de Cerâmica Joaquim Macedo Correia foi fundada em 1893, em Areias de S. Vicente, embora Joaquim Macedo Correia (1871-1948) provavelmente já viesse a produzir cerâmica desde o início dessa década.

 

Exportando, na década de 1920, para todo o país, incluindo Madeira, e Espanha, a fábrica veio a denominar-se Cerâmica Macedo entre 1930 e 1949, difícil período, que se seguiu ao crash bolsista de 1929 e foi afectado quer pela Guerra Civil de Espanha (1936-1939) quer pela II Guerra Mundial (1939-1945), em que a administração passou a ser exercida pelo filho do fundador, o modelador e escultor cerâmico João Macedo Correia (1908-1987).

 

Apesar daquelas adversidades, datam deste período as inovações técnicas na decoração, nomeadamente a utilização do aerógrafo e do stencil, a adopção da gramática Art Déco e ainda a abertura de uma loja na Póvoa de Varzim, em 1935. 

 

Como já foi referido, a Cerâmica Macedo encerrou as suas últimas instalações, no Campo de S. José, Barcelos, em 1950. A loja da Póvoa de Varzim acabou por fechar em 1951.

 

João Macedo Correia, que entretanto, entre 1945 e 1947, dera muito de si e da sua experiência para implementar o projecto e evitar o malogro da efémera Fábrica de Loiça de Viana, ainda continuou em Barcelos a sua produção, de forma artesanal, durante as duas décadas seguintes.

 

 

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Março 19 2017

 

Pequena moldura, para fotografia ou relógio, com cerca de 7,8 x 5,5 x 2,5 cm. e 2,9 cm. de diâmetro na abertura, em porcelana da fábrica Artibus, de Aveiro.

 

A decoração floral da parte superior, aplicada sobre uma superfície em relevo, traduz uma certa gramática Art Déco que, na cerâmica portuguesa, se prolongou pela década de 1940 e chegou, inclusive, à década seguinte. 

 

A atenção ao pormenor, a delicadeza e a elegância de certa decoração desta fábrica estão bem patentes no detalhe do motivo floral complementar, já sem qualquer influência Art Déco mas também pintado à mão, como toda a outra decoração, aplicado no reverso da moldura.

 

 

Como acontece em peças de muitas outras fábricas, portuguesas e estrangeiras, a sigla junto da marca corresponderá ao/à pintor/a que executou a decoração.

 

Curiosamente, esta sigla de pintor/a, semelhante a um Phi, surge também em algumas peças de uma outra fábrica de Aveiro, a Aleluia – http://mfls.blogs.sapo.pt/arte-em-cacos-350019 .

 

 

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Março 03 2017

 

Atingiram-se hoje as quinhentas mil visitas ao espaço Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém.

 

Para assinalar a efeméride, apresenta-se uma figura de elefante em pasta de loiça sanitária, com cerca de 21,6 x 25,8 x 9,8 cm., ostentando vidrado pérola semi-mate.

 

Esta peça foi originalmente modelada pelo escultor britânico Donald Gilbert (1901-1961) e, tal como já foi mencionado, surge referenciada na tabela de preços de Novembro de 1945 sob o número 183 e a designação "Elefante" ao preço de 141$00 para "Colorido s/ ouro", surgindo ainda nas tabelas de Maio de 1951, ao preço de 162$00 para "Côres Mates ou coloridos s/ ouro", e de Maio de 1960, ao mesmo preço para "Branco colorido s/ ouro".

 

O exemplar desta última tabela existente no CDMJA/MCS regista que o peso da peça é de 930 gramas.

 

Elefantes com este formato estiveram em produção provavelmente até à década de 1980, sendo esta uma das esculturas de animais mais comercializadas pela FLS. Um exemplar com o mesmo vidrado pode ser visto numa fotografia onde aparece conjuntamente com outras figuras de animais que também tiveram uma produção prolongada no tempo: http://mfls.blogs.sapo.pt/176503.html

 

Dois outros exemplos de diferente vidrado monocromático aplicado em peças com o formato 183 podem ser vistos no espaço de MUONT: http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/search/label/Elefante.

 

Sendo esta uma peça do período final da FLS, não apresenta qualquer marca, como acontecia com outros exemplares dessa época produzidos na mesma pasta.

 

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Janeiro 04 2017

 

Pequena jarra em faiança, com cerca de 12,6 cm. de altura e 13,4 de diâmetro máximo, apresentando decoração floral Art Déco pintada manualmente sob o vidrado e craquelé induzido.

 

Este exemplar apresenta as iniciais correspondentes a Jules Tiélès (datas desconhecidas) sobre quem quase nada se sabe, ignorando-se mesmo se se trata um mero retalhista ou de um industrial ou artista cerâmico.

 

Existem peças assinadas com as iniciais JT, e o P dentro do triângulo, produzidas também em porcelana, ostentando algumas delas a marca complementar de Sèvres, embora não se saiba se esta última foi aplicada abusivamente ou se Tiélès adquiria peças de Sèvres que depois decorava ou comercializava.

 

O período de produção para as peças conhecidas parece corresponder ao final do século XIX e às primeiras três ou quatro décadas do século XX.

 

Esta técnica de decoração e pintura sob o vidrado foi também adoptada durante um curto período pela fábrica belga Boch Frères / Keramis, embora tenha sido abandonada devido à falta de homogeneidade cromática, nalgumas cores, que resultava num degradé muito irregular e esteticamente pouco apelativo.

 

No entanto, ao contrário desta, a decoração da Boch Frères / Keramis apresentava geralmente uma prévia estampagem dos motivos para estabelecer os contornos que depois seriam preenchidos com pintura manual: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/258654.html.

 

 

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Janeiro 02 2017

 

Duas jarras em faiança de Sarreguemines, com cerca de 25,6 cm. de altura, apresentando o mesmo formato mas ostentando diferentes motivos florais, de inspiração Art Déco, e diferentes técnicas decorativas.

 

A primeira surge ilustrada na estampa número 45 de um catálogo, datável da década de 1920, das Fayenceries de Sarreguemines, Digoin et Vitry-le-François.

 

Aqui se indica que este formato corresponde ao número 5203 da produção da empresa e a decoração, como também se pode verificar na marca reproduzida abaixo, ao motivo número 2329.

 

Curiosamente, combinam-se neste exemplar duas técnicas decorativas – no corpo, secções com um fundo craquelé artificial, estampado, alternando com secções apresentando motivos florais estilizados, aplicados sobre o vidrado. No bocal, pintura a esmalte num tom esverdeado que replica a tonalidade patente nos motivos vegetais.

 

 

 

A segunda jarra, apresentando também a mesma organização em secções verticais mas decorada exclusivamente em tons de azul, ostenta já motivos florais estilizados executados através de pintura manual.

 

O vidrado que serve de fundo à decoração, estilizada mas mais tradicional e classicizante que a anterior, é de um azul semi-mate homogéneo.

 

Este exemplar poderá não ser de produção anterior à do modelo 2329 mas, devido à sua técnica decorativa menos industrializada, surgirá certamente com menor frequência nos museus e lojas de antiguidades.

 

Segundo algumas publicações da especialidade, esta última marca, que integra ainda as iniciais de Utzschneider & Cie., remetendo para o patriarca da família e para a memória da empresa no princípio do século XIX, foi aplicada entre 1920 e 1950.

     

 

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