Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Agosto 08 2015

 

Pequena jarra, com cerca de 6,1 cm. de altura, em faiança da fábrica Aleluia, de Aveiro. 

 

Como MUONT demonstrou recentemente, este formato inspirou-se num modelo que terá tido origem na consagrada fábrica alemã Rosenthal (http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/2015/07/jarra-art-deco-com-tres-asas-pequena.html), embora a Vista Alegre também tenha produzido um formato semelhante, com quatro asas, a partir do final da década de 1930.

 

Através desta peça pode comprovar-se como a decoração apresentada, embora em faiança, reproduz fielmente a simples e elegante decoração minimalista patente no modelo em porcelana da Rosenthal.

 

Curioso é constatar que a Aleluia apenas tenha optado por esta réplica do original, correspondente ao formato 273, numa fase mais tardia da sua produção e em dimensões ainda mais reduzidas do que as dos formatos 20 e 21.

 

Esta opção tardia poderá relacionar-se com o domínio de certas técnicas de vidrado que a Aleluia adoptou predominantemente na década de 1950 (http://mfls.blogs.sapo.pt/154322.html), conhecendo-se um cinzeiro com este vidrado e a referência X-261-AA (http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/371206.html), que ostenta a marca do cinquentenário da fábrica (1955).

 

 

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Junho 28 2015

 

Pequena taça em porcelana, com cerca de 14,6 cm. de diâmetro maior e cerca de 6,1 cm. de altura, produzida na fábrica Artibus, de Aveiro.

 

Notem-se a tendência japonizante na decoração floral e os toques distintivos da sua cuidada produção na faixa dourada interior e nos retoques a esmalte branco em relevo.

 

Esta última característica pode ser encontrada, no princípio do século XX, em diversas peças da FLS estampadas em cromolitografia, momedamente em pratos decorativos, apresentando algumas deles, também, motivos japonizantes (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/gueixa).

 

 

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Junho 21 2015

 

O programa Perdidos e Achados, do canal SIC Notícias, divulgou ontem uma peça, intitulada Viagem pela Cerâmica Portuguesa, sobre a cerâmica portuguesa, em geral, e sobre a produção das Caldas da Rainha, em particular.

 

Nesta peça televisiva, com 13 minutos e 21 segundos de duração, que ao longo da semana vinha sendo anunciada com o título genérico "A Arte em Cacos", registam-se depoimentos de antigas funcionárias da Secla, de gestores empresariais, de marchands, de curadores, de coleccionadores e de investigadores de cerâmica, entre os quais surge a incontornável autora do blog Cerâmica Modernista em Portugal (http://ceramicamodernistaemportugal.blogspot.pt/), Rita Gomes Ferrão.

 

A propósito da produção de outras notáveis regiões cerâmicas portuguesas, como a região de Aveiro, reproduz-se aqui uma das muitas e excelentes peças que foram comercializadas pela, também incontornável, fábrica Aleluia durante as décadas de 1950 e 1960.

 

Veja-se a reportagem da SIC Notícias aqui: http://sicnoticias.sapo.pt/programas/perdidoseachados/2015-06-20-Viagem-pela-ceramica-portuguesa.

 

 

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Dezembro 14 2014

Gomil em faiança, com cerca de 29,6 cm. de altura, produzido pela fábrica Aleluia, de Aveiro.

 

A exemplo de outras peças das décadas de 1950 e 1960, como um gomil da fábrica Raul da Bernarda, de Alcobaça, anteriormente aqui reproduzido (http://mfls.blogs.sapo.pt/119411.html), também esta peça remete claramente para elementos composicionais característicos de uma determinada época, quer na obra do pintor e escultor Jean [Hans] Arp (1886-1966; cf. http://en.wikipedia.org/wiki/Jean_Arp), quer na obra do escultor Henry Moore (1898-1986; cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_Moore). 

 

O acabamento nacarado que reveste parcialmente esta peça ocorre, como já aqui se referiu antes (http://mfls.blogs.sapo.pt/224453.html#comentarios), não apenas na Aleluia mas também na produção cerâmica de outras fábricas portuguesas.

 

Curiosamente, este recurso técnico está intimamente relacionado com a produção vidreira e com um acabamento químico específico, conhecido em inglês como flashing. Através de este processo, mais rápido e menos oneroso, obtem-se uma finíssima camada colorida, ou irisada, sobre a superfície, criando assim um efeito quase semelhante ao do dispendioso vidro oitocentista característico da Boémia, cuja designação se popularizou nos meios vidreiros portugueses como vidro doublé, em que as camadas coloridas sobrepostas eram lapidadas ou gravadas para mostrar as camadas inferiores.

 

 

O irisado da superfície do vidro atingiu a consagração no período e nas peças Art Nouveau, em fábricas como a europeia Loetz ou a americana Tiffany.

 

Uma versão muito característica acabou por se consagrar em Portugal, durante o segundo quartel do século XX, através de um revestimento alaranjado popularmente conhecido como "casca de cebola" (cf. http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/286639.html), embora existam também tonalidades que podem variar entre o verde e o azul, consoante a cor de fundo do vidro.

 

Na cerâmica, estes acabamentos, mais irisados do que nacarados, foram também consagrados no período Art Nouveau, em fábricas ou oficinas como a americana Weller (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/weller), a belga Boch Frères / Keramis (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/boch+fr%C3%A8res), as francesas Gaziello (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/jean+gaziello), Massier (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/cl%C3%A9ment+massier) e Rambervillers (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/rambervillers), ou a húngara Zsolnay.

 

A propósito do formato deste gomil, das suas combinações cromáticas e dos movimentos artísticos contemporâneos, vejam-se uma notável jarra da fábrica inglesa Beswick, e também uma outra notável jarra da Aleluia, aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/148829.html.

 

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Junho 28 2014

 

Jarra em faiança da fábrica Aleluia, em Aveiro, com cerca de  24,8 cm. de altura, apresentando decoração marinha com algas em relevo, pintadas à mão, complementadas com bandas horizontais, metalizadas, em tom de cobre.

 

Embora a cerâmica com motivos marinhos fosse uma das imagens de marca da produção bordaliana oitocentista (http://mfls.blogs.sapo.pt/144478.html), e da subsequente produção caldense do século XX (http://mfls.blogs.sapo.pt/182216.html), foi certamente a Aleluia uma daquelas fábricas nacionais que, fora dos painéis azulejares, melhor recuperaram e renovaram a utilização desses motivos na cerâmica decorativa do século passado.

 

 

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Junho 08 2014

 

Pequena jarra em faiança da fábrica da Fonte Nova, Aveiro, com cerca de 11,2 cm. de altura, apresentando decoração floral pintada à mão sob o vidrado e ligeiro relevo acima da base.

 

Note-se como esta decoração se aproxima daquela que os modelos da Fábrica do Carvalhinho haveriam de vir a recuperar, com grande apuro artístico e muito sucesso comercial, no período de administração da FLS.

 

O formato evoca claramente os modelos de jarras bojudas comuns às diversas fábricas portuguesas de faiança – desde Viana a Gaia, ou de Coimbra a Lisboa, durante os séculos XVIII e XIX.

 

 

Por outro lado, o pormenor simplificado do relevo moldado na pasta, remetendo para anteriores modelos orientais mais elaborados, haveria também de vir a ser recuperado, com um detalhe técnico mais fiel às suas origens, em algumas das peças que a VA comercializou já no terceiro quartel do século XX.

 

O pequeno pote com tampa ilustrado acima, produzido pela VA no período de 1947 a 1968 e medindo cerca 13,8 cm. na sua altura total, recupera esse modelo decorativo com a pasta de porcelana sendo trabalhada em separado e posteriormente aplicada ao conjunto.

 

     

 

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Abril 28 2014

 

Covilhete em faiança, das Louças da Pinheira, em Aveiro, com cerca de 20,8 cm. de comprimento, apresentando decoração estampada a decalcografia sobre o vidrado e filetagem a ouro.

 

Compare-se esta decoração com o motivo 1811 da FLS (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/motivo+1811) e veja-se como, para além da inversão da imagem e da quantidade e posição da ramagem, as restantes diferenças são mínimas.

 

Uma outra versão deste motivo, muito semelhante, foi também comercializada pelas Porcelanas Íbis, de Aveiro.

 

 

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Abril 19 2014

 

Estatueta em biscuit da fábrica Artibus.

 

Note-se como a madeixa e o posicionamento dos braços parecem ser uma imagem de marca da maioria dos putti produzidos por esta fábrica aveirense (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/144303.html).

 

Estas representações de meninos, cuja tradição remonta sincreticamente às figuras clássicas de Cupido ou Amor, e tiveram particular consagração nas faces de anjinhos pintadas por Rafael (Rafaello Sanzio, 1483-1520), foram favorecidas na modelação estatuária da Artibus, chegando inclusive a surgir em castiçais luxuosamente decorados a esmalte e ouro.

 

 

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Março 22 2014

     

 

Pequenos castiçais, com cerca de 6 cm. de altura cada um, em porcelana pintada à mão.

 

Curiosamente, encontramo-nos perante peças similares produzidas em diferentes fábricas e países. O exemplar da esquerda foi produzido na fábrica Artibus, de Aveiro, enquanto o da direita foi produzido na fábrica alemã Goebel (http://www.porzellanstrasse.de/Roedental.161+M52087573ab0.0.html), que se celebrizou pela produção das pequenas figuras Hümmel (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/h%C3%BCmmel).

 

A marca Goebel patente neste castiçal corresponde ao período 1950-1955.

 

Esta peça permite-nos documentar outras áreas de influência internacional que marcaram a produção da Artibus. Como já vimos anteriormente, a Artibus seguira também o design de fábricas italianas, como a Società Ceramica Italiana di Laveno (http://mfls.blogs.sapo.pt/144303.html).

 

     

 

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Janeiro 19 2014

 

Jarra em faiança, com cerca de 14,2 cm. de altura, produzida na fábrica Aleluia, em Aveiro.

 

Para além da marca, pintada à mão, Aleluia Aveiro, esta peça apresenta impresso o número 56 sobre a letra A, pintada a preto, código alfanumérico que corresponde ao formato e ao motivo.

 

Conhecem-se ainda diversas jarras deste formato, com cerca de 6 cm. de altura, ostentando o número 185 e apresentando quer vidrados distintos quer diferentes técnicas decorativas.

 

A presente imagem consta do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, e é da autoria do fotógrafo João Francisco Vilhena (n. 1965).

 

Note-se que a imagem original foi registada em película e posteriormente digitalizada, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

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