Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Junho 07 2012

 

Pequena figura de corça em barro parian, com cerca de 8,4 x 8,8 x 4,7 cm., apresentando incisa na parte superior da base a assinatura "Clariano" (Clariano Casquinha da Costa, n. 1929, activo na FLS durante as décadas de 1950 e 1960).

 

Não existe consenso quanto às datas de actividade de Clariano Casquinha da Costa na FLS – segundo os dados da exposição Percurso Documental pelos Artistas da Fábrica de Loiça de Sacavém, realizada no MCS em 2007, tal terá ocorrido entre 1958 e 1974. Segundo Clive Gilbert (n. 1938), último proprietário da FLS, Clariano Casquinha da Costa terá saído da FLS em 1965, indo trabalhar para a fábrica de Valadares.

 

Note-se ainda que os dados constantes da referida exposição são contraditórios, pois ali se exibiu a fotografia de um cavaleiro tauromáquico da autoria de Clariano Casquinha da Costa, com a indicação de que a peça se encontra já referenciada na tabela de 1951, quando as datas apontadas para a sua actividade na FLS são 1958-1974.

 

Esta peça encontra-se referenciada na tabela de Maio de 1960 sob o número 661 e a designação "Figura Gazela", ao preço de 100$00, não surgindo já na tabela de Maio de 1979.

 

No exemplar da tabela de preços de 1960 existente no CDMJA refere-se que o seu peso é de 85 gramas.

 

Esta e outras execuções escultóricas (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/clariano+casquinha+da+costa) colocam Clariano Casquinha da Costa ao nível dos melhores modeladores da FLS, como Armando Mesquita (1907-1982), e da cerâmica portuguesa.

 

 

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Março 05 2012

         

 

                       

 

 

 

Duas provas de capa, não seleccionadas, para o catálogo da exposição homónima apresentada nos EUA em 2005.

 

Estas propostas destacavam duas peças do acervo do MCS, cuja modelação é da autoria de Donald Gilbert (1901-1961), produzidas na FLS e exibidas na exposição — a figura de um macaco numa versão em vidrado semi-mate alaranjado (catalogada sob o número 128) e numa versão em barro Parian (catalogada sob o número 140). O primeiro exemplar mede cerca de 23,1 x 14,4 x 10,9 cm, o segundo cerca de 14 x 12,5 x 7,1 cm.

 

Uma peça com outro vidrado, aparentemente experimental ou submetido a temperaturas inadequadas (logo, tratar-se-á de uma peça rara, ou mesmo única), da colecção particular de Maria João Pinheiro e Jorge Andrew, foi exibida na exposição Porta Aberta às Memórias, segunda edição, realizada no MCS em 2009, e uma imagem da mesma, sem indicação de dimensões, pode ser encontrada no catálogo desse evento.

 

A imagem seleccionada para a capa deste catálogo pode ser vista em: http://mfls.blogs.sapo.pt/31762.html.

 

                         

 

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Outubro 13 2011

 

Grupo escultórico em biscuit, designado na FLS como barro Parian, representando três faunos.

 

Embora a assinatura não se encontre visível, esta é indubitavelmente uma obra de Clariano Casquinha da Costa (n. 1929, activo na FLS durante as décadas de 1950 e 1960), tal como as duas outras anteriormente aqui reproduzidas (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/clariano+casquinha+da+costa).

 

No exemplar da tabela de preços de 1960 existente no CDMJA refere-se que o preço desta peça, catalogada sob o número 622 e a designação "Grupo de faunos (3 figuras)", é de 250$00, sendo o seu peso de 270 gramas.

 

A marca incisa na base regista apenas a inscrição Made in Portugal / Sacavem. É possível que esta seja já uma peça de produção tardia, pois conhece-se um exemplar em que o número 622 é bem visível.

 

Além disso, nesse exemplar, todo o conjunto da marca se encontra em alto-relevo e não inciso, como nesta peça e nas outras duas anteriormente apresentadas.

 

As peças em barro Parian da FLS ainda se produziam em 1979, como se pode constatar na tabela de preços de 15 de Maio desse ano, onde surgem referenciados 27 exemplares.

 

Nessa tabela, este "Grupo de faunos", com a referência 9501, surge a 673$00.

 

 

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Maio 29 2010

 

 

Pequena jarra em pasta feldspática porosa, com vidrado microcristalino mate e decoração a dourado.

 

Este é um exemplar que, à priori, a maioria dos especialistas e coleccionadores não associaria à produção da FLS. Tal facto deve-se quer à pasta utilizada, uma variante do denominado "barro Parian", quer à decoração mate com microcristais escorridos.

 

Durante a administração de Clive Gilbert desenvolveu-se a decoração com microcristais escorridos, a qual era essencialmente aplicada, em tons de azul, verde, laranja e castanho, em figuras de animais.

 

Precisamente porque essa decoração raramente era aplicada em jarras, porque esta tonalidade matizada é bastante incomum e também porque o vidrado microcristalino da FLS não costuma ser complementado com dourado, encontramo-nos perante uma peça bastante invulgar.

 

 

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Novembro 07 2009

Capa do catálogo da exposição organizada pelo Museu de Cerâmica das Caldas da Rainha, em 1989.

 

A personalidade multifacetada de Leonel Cardoso (1898-1987) exprimiu-se em diversas áreas – na economia e nas finanças, áreas em que se formou, mas também nas letras, na escultura, no desenho, na caricatura e na modelação cerâmica.

 

A sua obra cerâmica foi comercializada pelas fábricas Belo e Bordalo Pinheiro (Caldas da Rainha), O.A.L. (Alcobaça), Pickman (Cartuja, Sevilha, Espanha, em 1948), Sacavém, Sociedade de Porcelanas (Coimbra) e Vista Alegre (Ílhavo).

 

Na FLS a sua criação de maior sucesso correspondeu às várias figuras da série Bébé, cujo registo, de acordo com a descrição do Boletim de Propriedade Industrial, de 3 de Agosto de 1945, teria sido requerido pela FLS em 27 de Fevereiro desse ano.

 

De facto, a Tabela de Preços de Loiças Decorativas em Faiança, de Novembro de 1945, regista já, nas últimas peças da lista, cinco criações correspondentes a essa série, ainda sem a designação Bébé – 399, Figura de pequeno Alentejano; 400, Figura de pequena Alentejana; 401, Figura de pequena Peixeira; 402, Figura de pequeno marujo e 403, Figura de pequeno galucho, todas ao preço de 35$00, para colorido sem ouro.

 

O exemplar dessa tabela existente no CDMJA apresenta ainda uma adenda manuscrita com os modelos 416 a 437, 444 a 451, 477 e 477a-e, 511, 512, 521 a 523, 532 e 534 já com a designação "Figura Bébé".

 

Autocaricatura (datada de 1980?) publicada na contracapa do mesmo catálogo.

 

Leonel Cardoso, no entanto, produziu muitas outras peças para a FLS. Entre elas, e para além do cavaleiro que ilustra a capa deste catálogo (criado em 1942), refiram-se uma imagem de Campino a Cavalo, uma imagem equestre de Guarda Republicano, uma imagem da Última Ceia, um Crucifixo, um Galo, um Jarro com um Galo, um Cão Pekinois, um Casal de Cães, uma imagem conjunta de John Bull e do Zé Povinho (criada em 1957), uma Caneca com a imagem de Churchill, um Prato decorado com um Cavaleiro Tauromáquico e um Prato decorado com uma Varina (ambos criados em 1965).

 

A estas peças acrescentem-se imagens de personalidades como o estadista inglês Winston Churchill (1874-1965), a actriz italiana Gina Lollobrigida (n. 1927), o marechal inglês Bernard Montgomery (1887-1966) e o Santo Condestável (Nuno Álvares Pereira, 1360-1431)

 

Modelou diversos cinzeiros, entre os quais um cinzeiro com o brasão de Aveiro, um cinzeiro com a imagem de Eisenhower (criado em 1953),  um cinzeiro com Chaminé Algarvia (já reproduzido: http://mfls.blogs.sapo.pt/16293.html), um cinzeiro com um  Buda numa Concha, um cinzeiro com um Chinês segurando dois Potes (reproduzido aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/23504.html), um cinzeiro da mesma série com uma Chinesa, um cinzeiro com um Caracol e um cinzeiro com um Canguru.

 

Em barro parian criou ainda um medalhão com a imagem do cavaleiro tauromáquico João Branco Núncio (1901-1976), em 1950, uma imagem do Padre Cruz (1859-1948), em 1956, um Presépio, em 1960, e um medalhão com a imagem da Princesa Grace do Mónaco (1929-1982), em 1979.

 

Note-se que a FLS realizou para esta exposição de 1989 algumas réplicas da série Bébé, a partir dos moldes originais, pelo que a produção da fábrica poderá ter continuado para além de 1986, ano de produção que havia sido comprovado com a caneca alusiva aos 600 anos da Aliança Anglo-Portuguesa (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/11964.html).

 

 

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Outubro 19 2009

       

 

Pequena figura de músico, em barro parian, modelada por Clariano Casquinha da Costa (n. 1929, activo na FLS durante as décadas de 1950 e 1960).

 

Como o número de referência indica, existem quatro modelos nesta série – 692-1, Menino com bandolim; 692-2, Menino com lira; 692-3, Menino com flauta e 692-4, Menino com pratos.

 

Na tabela de preços de 1960 (exemplar existente no CDMJA) refere-se que o preço de cada peça era de 90$00, sendo o seu peso de 60 gramas.

 

 

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Setembro 11 2009

  

 

Durante as décadas de 1950, 1960, 1970 e, talvez ainda, 1980, a FLS produziu diversas peças em Parian Ware, uma variante de pasta biscuit que nos catálogos da empresa surge com a designação de barro parian.

 

Trata-se, no entanto, de uma pasta de porcelana, que constitui notável excepção à generalidade da produção da fábrica, executada essencialmente em faiança, na loiça decorativa e na de mesa, em pó de pedra, nalguma azulejaria e loiça de mesa, ou em grés, na cerâmica sanitária e em algumas peças escultóricas mais tardias.

 

Algumas das peças modeladas nesta pasta reproduzem, em duas séries, figuras derivadas das tradicionais imagens de putti, mas aqui com um tratamento bastante peculiar nas suas versões de músicos ou marinheiros.

 

O modelador que produziu estas séries de putti foi Clariano Casquinha da Costa (n. 1929, activo na FLS durante as décadas de 1950 e 1960), o qual, segundo Clive Gilbert, se veio a mudar para a Valadares, fábrica de loiça sanitária, depois de ter efectuado na FLS um percurso, também notável, como designer nesta área.

 

Em 1958 Clariano Casquinha da Costa expôs no Salão da Primavera, naquela que constituiu a 54.ª exposição de pintura e escultura da Sociedade Nacional de Belas Artes. Em Valadares, Vila Nova de Gaia, ainda hoje se encontra registada em seu nome uma empresa de cerâmica sanitária.

  

 

A produção em barro parian não se encontra registada na tabela de faianças decorativas de Maio de 1951, mas surge na de Maio de 1960. Aqui, as figuras que integram a série ilustrada surgem identificadas como – 713.1, marujo com armónio [sic]; 713.2, timoneiro; 713.3, oficial com óculo.

 

Cada uma destas três peças tem indicado o peso de 80 gramas e o preço de 100$00. Nesta tabela, a oferta em barro parian regista 44 peças com numeração autónoma, a que correspondem, de facto, 58 peças.

 

A peça mais cara, um carro romano, com 1.700 gramas de peso, encontra-se tabelada a 1.500$00 e a peça mais barata, uma placa com padre Cruz, com 145 gramas de peso, a 30$00. A peça mais pesada é uma figura de Santo António, com 3.500 gramas e o preço de 750$00, e a mais leve uma figura de Menino e passarinhos n.º 1 (tamanho maior), com 20 gramas de peso e o preço de 350$00.

 

Todas as peças conhecidas das séries músicos e marinheiros apresentam a assinatura "Clariano" incisa na área modelada da pasta, habitualmente na parte superior da base rectangular, ou circular, da peça.

 

 

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