Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Outubro 08 2016

 

Pequena jarra, com cerca de 9,3 cm. de altura, da Sociedade de Porcelanas, Coimbra.

 

Apresentando um invulgar tronco pentagonal, ostenta numa dessas cinco faces decoração vegetal, em relevo moldado, que está sublinhada com delineação a verde, aplicada manualmente.

 

Note-se, ainda, como a referenciação do formato, J29, replica o sistema utilizado na Electro-Cerâmica do Candal (http://mfls.blogs.sapo.pt/outras-fabricas-outras-loicas-ccv-309389), de Vila Nova de Gaia, que a partir de 1945, tal como a SP, passaria a integrar definitivamente o grupo Vista Alegre.

 

 

© MAFLS

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Novembro 28 2015

 

Conjunto individual de chávena e prato para torradas em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal.

 

Correspondendo a uma tendência que se desenvolveu na Europa e nas Américas a partir de finais do século XIX, e se manteve durante a primeira metade do século seguinte, estes conjuntos eram predominantemente destinados a um serviço individual de pequeno-almoço ou lanche.

 

Em Portugal, conjuntos similares, mas com diferentes formatos, foram também produzidos em porcelana quer pela Sociedade de Porcelanas, de Coimbra, quer pela Vista Alegre.

 

Este conjunto apresenta, no seu prato de torradas, quer no rebordo, quer no relevo interior, sinuosidades características dos curvilíneos formatos Art Nouveau.

 

 

No entanto, uma observação atenta da chávena permite verificar que este exemplar comercializado pela EC replica o famoso formato Jugendstil (em alemão, equivalente ao galicismo Art Nouveau) denominado Donatello, que originalmente havia sido lançado pela fábrica alemã Rosenthal.

 

Acima reproduz-se uma chávena de café dessa fábrica, onde se pode encontrar uma decoração modernista que, ilustrando embora o tradicional prestígio do azul cobalto associado à porcelana, antecipa o minimalismo repetitivo de décadas mais recentes.

 

Ao contrário do que se verifica na conservadora versão floral aplicada no conjunto do Candal, a simplicidade deste motivo traduz bem um renovado espírito geométrico favorecido por algumas escolas pioneiras, como a escocesa Glasgow School of Art, fundada em 1845 mas com o seu apogeu oitocentista a ocorrer na última década desse século, em paralelo com a ascensão do consagrado Charles Rennie Mackintosh (1868-1928), a austríaca Wiener Secession, fundada em 1897, ou a alemã Bauhaus, fundada já em 1919.

 

 

© MAFLS 

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Janeiro 11 2015

 

 

Estavam estas peças reservadas para um trocadilho, fácil, a realizar no Outono deste ano.

 

Mas os acontecimentos desta semana justificam a sua publicação agora, com outro valor metafórico, porque nos querem transformar em coelhos acossados e assustados.

 

A tradicional e assustadora imagem do homem do saco surge aqui transformada na imagem do homem do cajado, que ora o maneja como instrumento para não deixar sair carneiros e ovelhas do rebanho, ora para os reconduzir ao seu seio. Ou ainda para esmagar, de uma só cajadada, mais de um coelho.

 

 

E a maior homenagem que se pode fazer às vítimas dos atentados desta semana, particularmente aos desenhadores e cartoonistas e à sua luta pela diferença e pela liberdade, é não nos deixarmos iludir ou limitar, ainda mais, nas nossas liberdades e garantias individuais, a pretexto de maior prevenção e maior segurança colectiva.

 

Nos últimos anos, a nossa liberdade já foi limitada a pretexto da crise económica e financeira e da alegada necessidade de uma austeridade específica e particular. Na última década, a pretexto de uma maior segurança global – veja-se a facilidade com que actualmente os governos acedem a informação privada dos cidadãos, sem indignação ou contestação, através dos seus telemóveis ou das suas contas nas redes sociais.

 

Homenageiem-se as vítimas, e os valores de liberdade que defendiam, não se criem novos pretextos para atacar ainda mais esses valores.

 

© MSP / Mauricio de Sousa Produções

 

Como o artigo de hoje quase não é sobre cerâmica, nem essa é a prioridade, deixa-se apenas a informação de que a figura do coelho azul é da Electro-Cerâmica do Candal e as argolas de guardanapo são da VA, com marca do período de 1922-1947.

 

Vejam-se variantes cromáticas da peça do Candal aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/31762.html.

 

Bravo, Charlie!

 

 

© MAFLS

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Setembro 01 2014

 

Figura de corça ajoelhada, com cerca de 24,7 x 19,8 x 10, 8 cm, em porcelana.

 

Embora não apresente qualquer marca visível, é possível que esta peça tenha sido produzida na Electro-Cerâmica do Candal ou na Sociedade de Porcelanas, de Coimbra, cujos exemplares, mais frequentemente do que acontece na primeira fábrica, por vezes surgem sem qualquer marca ou mesmo sem o simples carimbo S. P. que se pode encontrar nalgumas peças de biscuit.

 

Vejam-se outros exemplares de corças, também com dimensões médias mas em faiança, das unidades de Lisboa e Coimbra da Companhia das Fábricas Cerâmica Lusitânia, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/71973.html.

 

© MAFLS

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Agosto 23 2014

 

Apresentam-se hoje dois bules em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal, em Vila Nova de Gaia, que, numa tonalidade mais clara, evocam o famoso azul cobalto de Sèvres.

 

Datáveis das décadas de 1930 ou 1940, traduz o primeiro aquele que terá sido o mais modernista dos modelos de chá e café do Candal, embora o perfil da pega da tampa se conheça, com variantes, em peças quer da Manufactura de Faianças das Caldas da Rainha, quer da Vista Alegre, onde tal formato, com asas completamente diferentes, surge sob a designação Samuel.

 

O segundo bule, com o seu humorístico toque na pega da tampa, apresentando um caracol estilizado, será provavelmente mais tardio que o primeiro e traduz um retorno a formas mais conservadoras, com evocação de influências mais classicizantes e neo-barrocas.

 

 

A propósito ainda destes bules, inquestionavelmente enquadráveis no período Art Déco, e do pequeno cinzeiro apresentado abaixo, com cerca de 10 cm. de diâmetro, aproveita-se a oportunidade para sistematizar, sem o estabelecimento de uma cronologia específica, algumas das marcas utilizadas pela Electro-Cerâmica do Candal ao longo da sua existência.

 

O primeiro bule ostenta a marca C1a, o segundo a marca C3c, a qual surge aqui acompanhada de uma referência manuscrita à decoração, comum nas peças da Sociedade de Porcelanas, de Coimbra, mas pouco habitual nas peças do Candal, e o cinzeiro, surpreendentemente, a marca C4, correspondente à PORCEC, a última utilizada no Candal, de que se conhece ainda outra variante com o EC entrelaçado.

 

 

 

Registe-se, novamente, que existe um site dedicado à memória da EC do Candal, instituído pela Candal Park, Centro de Negócios e Empresas, empresa que veio recuperar, ocupar e adaptar as antigas instalações da fábrica: http://www.candalparque.pt/quemsomos.php.

 

Finalmente, recorde-se, mais uma vez, que há também um site consagrado exclusivamente à divulgação e ao coleccionismo de peças do Candal: http://detalhesceramicos.blogspot.pt/.

 

                    

C1a                                        C1b                                        C1c                                         C2

 

               

C3a                                        C3b                                        C3c                                         C4

 

© MAFLS

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Maio 17 2014

 

No dia em que, simbólica e supostamente, se fecha uma caixa de inanidades e se assiste ao demagógico e propagandístico regozijo oficial, enquanto sobre o país pairam inexoráveis avejões e a maioria dos portugueses sofre a dura realidade quotidiana herdada daquela tecnocrática boceta de Pandora, apresentam-se duas caixas de porcelana de diferentes fábricas e com diferentes formatos.

 

Primeiramente, um exemplar com decoração floral estampada, e complementos a platina, da fábrica Electro-Cerâmica do Candal. Esta caixa, com cerca de 7,6 x 11,9 x 7,6 cm., corresponde ao formato F8 da EC, como se pode comprovar no final do artigo.

 

Tal formato teve uma variante quadrada, que se conhece com decoração alusiva à Exposição do Mundo Português, realizada em Lisboa no ano de 1940 (cf. http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/tag/exposi%C3%A7%C3%A3o+do+mundo+portugu%C3%AAs).

 

 

Seguidamente, uma pequena caixa da Sociedade de Porcelanas de Coimbra, com cerca de 3,9 cm. de altura e 7 cm. de diâmetro, apresentando decoração vegetalista e floral, estilizada ao gosto Art Déco, pintada à mão e com complementos a ouro.

 

Embora estes exemplares sejam os dois, provavelmente, da década de 1940, note-se como a caixa da SP ostenta um motivo claramente modernista na sua representação figurativa.

 

Na marca da Electro-Cerâmica, note-se como surge um segundo logótipo esmaltado sobre o vidrado que foi sobreposto ao logótipo inciso na pasta.

 

     

 

© MAFLS

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Maio 03 2014

 

Pequena jarra em porcelana da fábrica Electro-Cerâmica do Candal, em Vila Nova de Gaia, decorada em tom monocromático rosa e apresentando complementos de filetagem a ouro.

 

Com cerca de 17,3 cm. de altura, esta peça corresponde ao formato J.22, como se pode verificar na inscrição, incisa na pasta, reproduzida abaixo.

 

 

Durante o segundo quartel do século XX e a década de 1950, formatos semelhantes a este surgiram também em significativa quantidade na produção vidreira portuguesa.

 

Acima apresenta-se uma jarra em vidro moldado, muito provavelmente produzida numa unidade da Marinha Grande em meados daquele século. Esta simples decoração com uma camada de reflexos alaranjados e irisados é popularmente conhecida como "casca de cebola".

 

 

© MAFLS

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Dezembro 14 2013

 

 

Figura em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal, de Vila Nova de Gaia, com cerca de 8,5 x 11,2 x 5,8 cm., representando um galgo da raça borzoi. Apresenta na base, incisa, a indicação alfanumérica E-40 e a marca EC Candal impressa sob o vidrado.


Na sequência do elogio da velocidade, que o Futurismo associou à indústria, à mecanização e à modernidade, os galgos vieram a epitomizar, durante o período Art Déco, essa ideia aliada ainda à elegância e ao luxo, como se pode constatar nas famosas gravuras de Louis Icart (1880-1950), em geral, e na pintura Natacha (c. 1928), de António Soares (1894-1978), em particular.


A presente imagem consta do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, e é da autoria da fotógrafa americana Maggie Nimkin (http://www.maggienimkin.com/).

 

Note-se que a imagem original foi registada em película e posteriormente digitalizada, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

As representações realistas de animais não são invulgares na produção da EC do Candal, embora as produções mais interessantes surjam associadas às estilizadas representações monocromáticas, mais ou menos caricaturais, como a que se pode ver mais abaixo e as que se puderam observar nos coelhos, de várias cores, exibidos na exposição acima mencionada.

 

(http://halotuga.blogs.sapo.pt/tag/milou)

 

Este fox terrier em porcelana, com cerca de 5 cm. de altura, não ostenta qualquer marca visível da EC, mas apresenta incisa a numeração E-43, que corresponde ao registo habitual desta fábrica. Curiosamente, apresenta ainda na base, a lápis, o seu preço de venda – 6$00. 

 

Como se sabe, a figura mais célebre de um fox terrier teve origem na banda desenhada, através de Milou, o fiel companheiro de Tintin, personagens estas criadas por Hergé (pseudónimo de Georges Remi, 1907-1983).

 

No final da década de 1940 já haviam sido publicados 14 diferentes álbuns de Tintin, pelo que é possível que esta figura do Candal procurasse associar-se à imagem de sucesso daquela personagem.

 

Aproveita-se ainda a oportunidade para divulgar um espaço, da autoria de uma antiga trabalhadora da fábrica, Maria da Conceição Costa, dedicado exclusivamente às peças do Candal: http://detalhesceramicos.blogspot.pt/.

 

          

 

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Setembro 07 2013

 

Pequena jarra, com cerca de 12 cm. de altura e e 9,5 cm. de diâmetro, em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal, de Vila Nova de Gaia. Na base, para além da marca EC dentro de um losango, apresenta também impressa a indicação J-31, referente ao modelo.

 

A presente imagem consta do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, e é da autoria da fotógrafa americana Maggie Nimkin (http://www.maggienimkin.com/).

 

Note-se que a imagem original foi registada em película e posteriormente digitalizada, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

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Junho 23 2013

 

Não se havendo encontrado uma peça cerâmica que ilustre os tradicionais símbolos profanos alusivos ao S. João – o alho-porro e os martelinhos, evocam-se hoje essas populares festividades do Porto e de Gaia, mas também de Braga (http://mfls.blogs.sapo.pt/120112.html) e de outras terras do país, apresentando uma pequena figura de criança com cornetim.

 

Modelada em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal, e com cerca de 13,2 cm. de altura, ostenta decoração com esmalte policromado e complementos a dourado sobre o vidrado.


Com esta peça encontramo-nos, mais uma vez, perante uma figura que evoca a produção da fábrica alemã Hümmel, como já foi referido anteriormente: http://mfls.blogs.sapo.pt/189591.html, sendo esta uma cópia evidente da figura número 97 da série produzida por essa fábrica, onde apenas o boné surge como pormenor distintivo: http://www.antiquesnavigator.com/index.php?main_page=documents&content=search&c=Hummel+Figurines&s=trumpet+boy&sumbit=Submit.


Note-se, porém, como a pintura desta peça da EEC está à altura da excelente qualidade das peças da fábrica alemã, características que não se encontram em muitas adaptações ou cópias de outras fábricas, nacionais ou estrangeiras.


Aproveita-se a oportunidade para deixar uma ligação ao blog Detalhes Cerâmicos, espaço que desde Maio de 2012 vem divulgando exclusivamente peças da fábrica Electro-Cerâmica do Candal: http://detalhesceramicos.blogspot.pt/.



Complementa-se ainda a celebração das festividades de S. João com a reprodução de uma gravura flamenga, apresentando uma mancha impressa de cerca de 11,8 x 25,8 cm., do século XVII.


Gravada em água-forte por Gaspar Bouttats (c. 1625 - c. 1703), esta vista desenhada e executada pelo pintor Ioannis (Jan) Peeters (1624-1677), que também se especializou em representações de marinhas e naufrágios, composições que o consagraram, pretende mostrar a igreja de S. João Baptista, e a paisagem envolvente, alegadamente erigida no local de nascimento do santo.


Originalmente, esta gravura integrava um álbum intitulado Vistas de Jerusalém e seus Arredores.



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