Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Junho 15 2011

   

 

A propósito do motivo Estátua (popularmente conhecido como Cavalinho) reproduziu-se aqui, há cerca de um ano, um prato da fábrica C. & J. Shaw, de Inglaterra (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/53402.html), estampado num tom designado como puce, em inglês.

 

Colocadas perante esta cor, em Portugal, as pessoas, na sua maioria, recorreriam ao termo violeta, claro ou escuro, para a classificar, o que parece redutor se atendermos às inúmeras designações das variantes cromáticas que surgem na língua inglesa (http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_colors).

 

Tal preocupação é irrelevante se considerarmos que, hoje em dia, o termo puce é praticamente um arcaísmo, aplicado em inglês quase exclusivamente nas designações ligadas à decoração cerâmica ou nos restritos círculos dos fashion districts.

 

Mas será interessante constatarmos que estas tonalidades de puce traduzem o gosto de uma época.

 

Para ilustrar algumas das tonalidades abrangidas pela designação puce, mostra-se aqui uma rara jarra em porcelana Derby, do período Duesbury (1756-1811; William Duesbury I, 1725-1786, William Duesbury II, 1763-1797, William Duesbury III, 1790-?), produzida no último quartel do século XVIII.

 

A paisagem reproduzida, intitulada View in Westmoreland, do condado inglês homónimo, terá sido pintada pelo mais consagrado pintor paisagista da fábrica, Zachariah Boreman (1736-1810), sendo George Robertson (1776?-1833) e John Brewer (1764-1816) outros pintores conhecidos nessa área temática.

 

            

 

As tonalidades que envolvem a moldura dourada da paisagem são também características da decoração de algumas fábricas inglesas da segunda metade do século XVIII, como a Longton Hall (activa entre 1749 e 1760), que utilizava uma variante conhecida como crimson puce, e a Chelsea (1745-1769), adquirida pela Derby em 1770. Desta última transitou Zachariah Boreman para a Derby.

 

Outras variantes destas tonalidades surgiam ainda em diversas fábricas alemãs da época, tais como Frankenthal, Fulda, Fürstenberg, Höchst, Ludwigsburg e Nynphenburg, podendo portanto concluir-se serem estas tonalidades características da segunda metade desse século.

 

Aliás, quanto a outras cores que traduzem o gosto de uma época, sabe-se também como a preferência pelo azul na loiça estampada inglesa de finais do século XVIII e do século XIX é uma clara evocação do glamour e do prestígio da porcelana oriental decorada a azul, facto que esteve também na origem do desenvolvimento da decoração de porcelana a azul cobalto, um azul homogéneo e profundo, aperfeiçoado e celebrizado pela fábrica francesa de Sèvres.

 

Azul esse que a própria Fábrica de Loiça de Sacavém veio a reproduzir já no século XX, denominando-o precisamente como azul de Sèvres. 

 

 

No entanto, nem sempre as tonalidades aplicadas nas artes decorativas traduzem l'air du temps, permitindo uma datação mais ou menos precisa das peças por esse método indirecto.

 

Acontece assim com estas duas peças em vidro opalino, provavelmente de fabricação francesa, decorado com esmalte em tons de puce já no século XIX, durante o período de transição do estilo Império para o Historismus. Aqui, no entanto, poder-se-ia já falar de púrpura e do implícito estatuto e prestígio dessa cor nos impérios da antiguidade clássica e no consulado napoleónico.

 

Acontece assim também com os tons alaranjados da terracota utilizados em feéricas decorações do período Art Déco, mas já anteriormente utilizados na decoração neoclássica de fábricas estrangeiras e nacionais, como, num período mais tardio, a Vista Alegre.

 

Acontece ainda o mesmo com o célebre rosa Pompadour, de Sèvres, criado no século XVIII para homenagear a marquesa Jeanne Antoinette Poisson (1721-1764), madame de Pompadour, mas que veio a ser utilizado com frequência já no final do século XIX, quer em peças da própria Royal Crown Derby quer da Wedgwood, como se constatará num posterior artigo.

 

Veja-se a página da empresa Royal Crown Derby em: http://www.royalcrownderby.co.uk/.

 

 

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Maio 04 2011

 

Cerca de cinco meses depois de aqui ter sido publicada uma imagem dos trabalhos de restauro (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/80286.html), eis um aspecto parcial dos painéis de Jorge Colaço (1868-1942) então escondidos por telas e andaimes e entretanto recuperados.

 

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Janeiro 15 2011

 

Conjunto de azulejos, não assinados, da Fábrica do Desterro, em Lisboa.

 

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Novembro 19 2010

 

Jarra, formato Portugalia 1, posteriormente reclassificado como número 4, pintada à mão sob o vidrado.

 

O formato Portugalia 1 surge já referido na tabela de Outubro de 1929, sob o número 5, com a indicação de 30 cm. de altura (este exemplar mede 34 cm.) e o preço de 40$00.

 

Nessa tabela são ainda referenciadas as diversas variantes desta jarra – Portugalia 2, sob o número 7, com 30 cm. de altura; Portugalia 4, sob o número 15, com 20 cm. de altura; Portugalia 3 do 1.º, sob o número 16, com 29 cm. de altura; Portugalia 3 do 2.º, sob o número 16A, com 23 cm. de altura; Portugalia 3 do 3.º, sob o número 16B, com 15 cm. de altura; Portugalia 7, sob o número 24, com 25 cm. de altura; Portugalia 8, sob o número 31, com 15 cm. de altura; e Portugalia 9, sob o número 32, com 11 cm. de altura.

 

 

A gramática regionalista destas ilustrações aproxima-se do traço mais caricatural de Jorge Barradas (1894-1971), embora não se conheça qualquer registo de colaboração deste artista com a FLS.

 

Aproxima-se também do traço regionalista menos estilizado de Piló (Manuel Pilo da Silva, 1905-1988; vejam-se alguns dos seus desenhos mais estilizados em http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/tag/pil%C3%B3), conforme o copo da CIP, assinado e pintado a esmalte, reproduzido abaixo bem ilustra.

 

Mais uma vez, contudo, não se conhece registo da colaboração de Piló com a FLS.

 

 

Existem outros vidros da Marinha Grande de meados do século XX que apresentam pinturas a esmalte tratando cenas regionalistas com traços algo semelhantes aos de esta jarra, particularmente uma jarra patente no Museu do Vidro (cf. http://ww2.cm-mgrande.pt/), embora a sua autoria não possa ser atribuída com segurança.

 

Note-se que este é, claramente, um traço distinto daquele que Álvaro Mendes Alves (1905-1996) desenvolveu no tratamento de temas regionalistas e folclóricos (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/50463.html).

 

 

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Setembro 30 2010

 

Detalhes de painéis de azulejos da estação ferroviária de S. Bento, Porto.

 

Notem-se as manchas presentes na imagem superior, que correspondem à tela adesiva colocada para suster alguns dos azulejos dos diversos painéis que necessitam de urgente consolidação.

 

 

Este último é um dos painéis restaurados, parcial ou extensivamente, em 1978, por F. Gonçalves (activo entre c. 1954 e c. 1978), pintor que esteve ligado à Fábrica do Carvalhinho, de Vila Nova de Gaia.

 

 

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Setembro 18 2010

 

Caneca formato Direita, com decoração estampada a preto, pintura manual policromada sobreposta à estampa e filete dourado, tudo sobre o vidrado.

 

No lado oposto ao que se reproduz, apresenta ainda imagens de um barrete e uma vara de campino, chocalhos e uma canga, entre flores. Entre estes dois lados, apresenta também a inscrição "Lembrança do Ribatejo", estampada a preto sobre o vidrado.

 

 

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Agosto 17 2010

 

Detalhes de painéis de azulejos da estação ferroviária de S. Bento, Porto.

 

Note-se como a saia da figura reproduzida acima, em primeiro plano, evoca, nas flores estilizadas em círculos, o Orfismo e a obra dos pintores Robert (1885-1941) e Sonia Delaunay (1885-1979).

 

Provavelmente trata-se apenas de uma coincidência, embora estes, amigos dos pintores Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918) e Eduardo Viana (1881-1967), tenham permanecido no Minho e em Vila do Conde durante alguns meses do início da primeira Guerra Mundial, período que coincidiu com a conclusão das obras desta estação.

 

 

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Julho 20 2010

 

Azulejos, com cenas rurais e religiosas, instalados no átrio da estação ferroviária de S. Bento, Porto.

 

Conforme referido anteriormente, e ao contrário do que algumas fontes declaram, estes azulejos foram produzidos na FLS entre 1905 e 1916, sob o traço e a orientação do pintor Jorge Colaço (1868-1942).

 

Na exposição As Fábricas de Loures no Contexto da República, actualmente a decorrer no MCS, pode-se consultar correspondência da FLS que atesta essa produção.

 

 

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Abril 11 2010

  

 

Painéis de azulejos do Mercado Municipal de Vila Franca de Xira, representando cenas da lezíria ribatejana, com particular destaque para os touros e os campinos. 

 

Uma fotografia patente no catálogo da exposição Porta Aberta às Memórias, Segunda Edição (MCS, 2009) mostra uma versão não montada do painel reproduzido acima que apresenta, em segundo plano, diferentes figuras e diferente paisagem, bem como uma cercadura completamente diferente. Apresenta ainda em azulejo, abaixo da imagem, uma legenda com o título A Primeira Lição.

 

  

 

O painel de cima encontra-se assinado A. P. Gomes (Álvaro Pedro Gomes, 1894-1974) e o de baixo, com a data de 1930, A. C. M. (António Castro Mourinho, 1892-1963).

 

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Março 04 2010

 

Painel alusivo ao Outono que se encontra sobre a entrada poente do mercado municipal de Vila Franca de Xira. Entre este painel e o painel com as armas do município pode-se observar, tal como nos restantes três torreões de entrada, um friso floral de tardia inspiração Arte Nova.

 

Note-se que o brasão do município, executado em 1930 tal como os demais conjuntos azulejares, apenas é encimado por quatro torres. Somente a partir de 1984, data de elevação de Vila Franca de Xira a cidade, passaram estas armas a ostentar cinco torres.

 

 

Abaixo da platibanda e a toda a volta do edifício, rematando os estreitos painéis que ladeiam os diversos portões das lojas, podem ainda apreciar-se repetidamente conjuntos de dezasseis azulejos com um outro motivo Arte Nova.

 

 

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