Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Outubro 22 2011

 

 

 

Grande taça em porcelana da Vista Alegre, com cerca de 31,7 cm. de diâmetro, decorada sobre o vidrado.

 

Concebida em 2010 pela artista plástica Joana Vasconcelos (n. 1971; cf. http://www.joanavasconcelos.com/home.html), e intitulada La Tache, esta foi a quarta peça lançada pela VA no âmbito do projecto artistas contemporâneos.

 

A artista Joana Vasconcelos numa fotografia promocional da peça.

 

Ao contrário do que aconteceu com anteriores edições de cerâmica contemporânea da VA (cf. http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/20398.html), as peças deste projecto têm estado limitadas a formatos previamente existentes, sendo os artistas convidados apenas a conceber a decoração. 

 

Como se pode verificar, a taça reproduzida é a número 270 de uma edição alegadamente limitada a 500 exemplares. 

 

 

© MAFLS

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Outubro 05 2011

 

Conforme é comummente referido nos catálogos e livros que tratam da história e da produção da porcelana na Vista Alegre, esta é a empresa cerâmica portuguesa que apresenta um dos mais claros registos cronológicos para a mudança de logótipo e marcas, uma vez que a mudança de administração é tradicionalmente acompanhada de mudança da marca que se apõe nas peças.

 

Estas breves notas debruçam-se sobre algumas marcas utilizadas entre 1922 e 1980 que, se exceptuarmos variantes, se resumem a quatro modelos e aos correspondentes períodos – 1922-1947, 1947-1968, 1968-1971 e 1971-1980.

 

Entre outras publicações, esta tabela encontra-se registada no livro Vista Alegre: Porcelanas (1989), de autoria colectiva, e no opúsculo Vista Alegre: Porcelanas Portuguesas (1998), de Ilda Arez (datas desconhecidas).

 

   Marca correspondente ao período 1924-1947.

 

Através da consulta dessa tabela, constata-se que a marca reproduzida acima correponde ao período de 1924 a 1947, sendo que a antecedente desta variante, em que, por exemplo, os traços horizontais que rematam a inicial V são mais curtos, havia sido introduzida em 1922 e esteve também em uso até 1947.

 

Neste primeiro exemplo, contudo, o interessante é que esta é a marca aposta no verso do cinzeiro, sob o vidrado, enquanto que a frente apresenta a marca e a data que se reproduzem. Tal como a filetagem, surgem a azul sobre o vidrado.

 

Será esta uma indicação de a nova marca ter sido apenas introduzida a 19 de Julho de 1948, uma segunda-feira? O facto de a nova marca surgir em destaque na peça sugere que a data celebra uma efeméride relativa à VA, muito possivelmente a da introdução do novo logótipo. Assim sendo, haveria lugar a um pequeno ajustamento na cronologia da referida tabela.

 

 

O segundo exemplo, patente numa peça experimental, apresenta a marca correspondente ao período 1947-1968 acompanhada de anotações referentes aos tempos de cozedura.

 

A marca VA surge sob o vidrado, bem como a referência e a data P. H. 19.7-54. Também o tempo de  cozedura de 20 minutos foi aposto, a azul, sob o vidrado, embora a indicação de cozedura adicional de mais 15 minutos tenha sido já aposta sobre o vidrado.

 

Esta peça, decorada a azul cobalto, sob o vidrado, e a dourado, sobre o vidrado, é um excelente exemplo do acompanhamento que a VA fazia do design da época.

 

Marca correspondente ao período 1947-1968.

 

De facto, este é um motivo que está muito próximo de outros motivos que então surgiram na cerâmica escandinava, particularmente em algumas peças desenhadas por Stig Lindberg (1916-1982; http://mfls.blogs.sapo.pt/63240.html), a partir da década de 1940, para a fábrica sueca Gustavsberg.

 

No entanto, esta peça da VA destaca-se dos desenhos florais de Lindberg pela maior elegância decorrente do tratamento singelo e harmonioso das formas vegetais e pela abordagem quase minimalista da composição.

 

Além de tudo isto, note-se ainda como a circularidade do rebordo está bastante imperfeita, traduzindo assim as características experimentais da peça.

 

          

 

O exemplo seguinte surge numa taça decorada integralmente sobre o vidrado, com um motivo mais uma vez próximo do gosto orientalizante que marcou durante décadas a produção da VA.

 

As romãzeiras, a representação das flores de maiores dimensões e a predominância em exclusivo dos tons de azul e dos retoques a dourado remetem claramente para essa gramática oriental.

 

Marca especial correspondente a 1974.

 

A marca aqui reproduzida corresponde à marca comemorativa dos 150 anos da VA, utilizada durante todo o ano de 1974.

 

Surge ainda a legenda complementar "1.° dia do lançamento / da nova marca / 2-1-74". Esta indicação "nova marca" refere-se exclusivamente à marca do centenário, pois uma versão quase igual deste logótipo, sem coroa de louros nem as datas 1824-1974, como se pode ver abaixo, havia sido já introduzida em 1971.

 

 

Finalmente, o último exemplo apresentado ilustra algo que aconteceu com frequência na década de 1970 – a aposição simultânea da marca VA e da marca SP.

 

Como referido anteriormente, a Sociedade de Porcelanas, de Coimbra, foi adquirida pela VA em 1945. No entanto, até à década de 1970 não era comum haver sobreposição das distintas marcas da fábrica de Coimbra e da fábrica de Ílhavo.

 

A peça apresenta a marca SP sob o vidrado, indicando portanto ser originária de Coimbra, e a marca VA sobre o vidrado, o que poderá indicar ter sido decorada em Ílhavo. Esta sobreposição é conhecida em peças com marca VA correspondentes quer a 1968-1971 quer a 1971-1980, quer ainda em peças exportadas nesse período para os EUA.

 

Esta decoração, de grande qualidade, aliás, embora não pintada à mão, como à primeira vista parece, poderá ter sido também destinada ao mercado de exportação.

 

   Marca correspondente ao período 1971-1980.

 

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Agosto 10 2011

 

 

Chávena de chá e pires em faiança da fábrica OAL, em Alcobaça.

 

Este motivo, conhecido em diferentes cores – amarelo, azul, verde e vermelho, não deixa de recordar as serigrafias com flores de grandes dimensões produzidas nas décadas de 1960 e 1970 por Andy Warhol (1928-1987).

 

Uma dessas obras – Ten Foot Flowers (1967), contemporânea, aliás, desta peça cerâmica da OAL, pode ser observada na magnífica Colecção Berardo de arte moderna (cf. http://mirror.berardocollection.com/?toplevelid=1&lang=pt), depositada no CCB, em Lisboa.

 

Esta decoração cerâmica surge na senda de uma outra gramática decorativa ligada à representação floral de grandes dimensões, praticada nas décadas de 1920 e 1930, particularmente em Inglaterra, na cerâmica de Clarice Cliff (1899-1972; cf. http://www.claricecliff.com/picture_gallery/index_js.shtml), e de outras ceramistas como Susie Cooper (1902-1995) e Charlotte Rhead (1885-1947), mas também na cerâmica continental, em fábricas como a belga Boch Frères Keramis, com Charles Catteau (1880-1966) e seus discípulos (cf. http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/tag/boch+fr%C3%A8res).

 

Em Portugal, a FLS também seguiu essa tendência com motivos florais de grandes dimensões, podendo dois exemplos dessa decoração ser vistos aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/fgd.

 

 

 

Esta caixa em porcelana da fábrica Vista Alegre, com decoração a esmalte e ouro sobre o vidrado, ilustra também essa tendência noutras fábricas portuguesas.

 

Ostentando a marca VA correspondente ao período 1922-47, esta peça apresenta uma decoração floral invulgar na produção da fábrica, quer pelo tratamento estilizado dos motivos florais ampliados quer pelas tonalidades aplicadas, evocativas de alguma decoração presente na produção das fábricas russas da época, como a Lomonosov.

 

    

 

Prato decorativo de meados do século XX, em porcelana da celebre fábrica russa ΔYΛΕΒΟ (Dulevo), com motivos florais pintados à mão e complementos a ouro.

 

Embora este fundo azul evoque, e tenha conseguido preservar, o prestígio do azul cobalto de Sèvres, é comum encontrar na decoração das grandes fábricas russas (soviéticas), do segundo quartel do século XX, flores de grandes dimensões associadas, obviamente, à cor vermelha.

 

Assim, durante o século XX, a decoração com motivos florais de grandes dimensões teve dois períodos marcantes – as décadas de 1920 e 1930, que coincidiram com o período do estilo Art Déco, e as décadas de 1960 e 1970, que coincidiram com o período da Arte Pop.

 

 

 

No entanto, o pós-modernismo também lhe concedeu atenção, como se  pode observar nestas peças concebidas pelo designer holandês Maarten Vrolijk (n. 1966; cf. http://www.maartenvrolijk.com/; peça à esquerda, editada em 1993) e pelo consagrado e já clássico designer e ceramista dinamarquês Bjørn Wiinblad (1918-2006. cf. http://www.rosenthalusa.com/1288d808/WIINBLAD_Bj%C3%B8rn.htm) para a fábrica alemã de porcelana Rosenthal.

 

O conjunto da direita, modelado pelo arquitecto e designer italiano Mario Bellini (n. 1935), tem a sua componente escultórica complementada com a decoração de Wiinblad, que fez sair da asa da chávena a haste da flor. O conjunto de Vrolijk, modelado e decorado por si, assume-se como um todo escultórico, onde forma, decoração e função pretendem conjugar-se harmoniosamente, formando o próprio conjunto uma flor estilizada.

 

Ao contrário do que se possa pensar, contudo, a tradição da decoração cerâmica com flores de grandes dimensões já vinha de séculos anteriores.

 

Sem recuar à decoração dos azulejos de Iznik (alguns exemplares belíssimos podem ser observados na colecção da FCG, em Lisboa: http://www.museu.gulbenkian.pt/obra.asp?num=1641&nuc=a4&lang=pt), ou de peças de épocas anteriores, basta mostrar o conjunto para chá, fabricado pela empresa inglesa Davenport entre cerca de 1815 e 1860, reproduzido abaixo.

 

Apresentando óbvia influência da cerâmica azul oriental, com uma taça, não uma chávena com asa, e um pires de rebordo alto (características que nos podem levar a datar o seu fabrico do início do período indicado), quase nos faz esquecer as pequenas florinhas que marcaram muita da decoração cerâmica inglesa da segunda metade do século XIX.

 

 

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Abril 23 2011

 

Pequena jarra de porcelana da Vista Alegre, com 14,2 cm. de altura, decorada com pintura manual sobre o vidrado.

 

De acordo com uma ficha dos arquivos da Vista Alegre, este é o motivo P.799, o qual foi aprovado em 22 de Janeiro de 1929 pelo director artístico da empresa, J. Cazaux (datas desconhecidas), para um outro formato, o 1169, que corresponde à jarra Quatro Asas e tem 25 cm. de altura.

 

Anotações complementares desta ficha referem que a pintura foi executada por Ângelo Chuva (datas desconhecidas), a partir de um modelo adquirido pela VA, e que o custo do formato 1169 decorado com este motivo complementado a ouro era de 18$20 à saída da fábrica, sendo o seu preço de comercialização de 80$00. 

 

Para comparação de custos e preços entre o formato 1169 e o formato 1401, correspondente ao modelo Quatro Asas sem Asas, cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/72873.html.

 

Um jarra formato 1169, decorada com este motivo complementado a ouro, foi exibida na exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos E.U.A. em 2005.

 

 

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Janeiro 23 2011

 

Jarra em porcelana da Vista Alegre, com pintura manual a dourado e violeta e os grãos das espigas em relevo.

 

Este formato, denominado Quatro asas sem asas (por referência ao anterior formato 1169, que apresentava essas asas), corresponde ao número 1401, tendo a sua decoração (P. 1090) sido aprovada pelo director artístico da VA , J. Cazaux (datas desconhecidas), em 17 de Dezembro de 1930.

 

O seu preço de custo à saída da fábrica era de 87$92, sendo o seu preço de retalho de 92$00. Este valor representava uma margem de lucro extremamente reduzida em comparação, por exemplo, com uma jarra de  formato 1169, pintada à mão com a decoração P. 799, que na mesma época tinha um preço de custo de 18$20 e era comercializada a 80$00.

 

Esta peça foi exibida na exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada em 2005 nos E.U.A., tendo a sua imagem sido utilizada no convite oficial (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/31762.html).

 

 

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Dezembro 12 2010

 

Grande jarra da Vista Alegre pintada à mão, com esmalte e dourado sobre o vidrado. Adaptada posteriormente, fora da fábrica, a base de candeeiro.

 

Embora a marca corresponda ao período de 1947 a 1968, a decoração e a palette de cores recordam a decoração P. 940 de uma pequena taça que Anne-Marie Fontaine (n. 1900), designer da Manufacture Nationale de Sèvres (http://manufacturedesevres.culture.gouv.fr/), concebeu para a VA em 1926, bem como outras decorações florais da artista para a porcelana de Sèvres.

 

 

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Outubro 13 2009

 

A produção de Jasper Ware em Portugal cingiu-se, tanto quanto se sabe, a quatro fábricas – Artibus, em Aveiro, Fábrica de Loiça de Sacavém, Sociedade de Porcelanas, em Coimbra, e Vista Alegre, em Ílhavo.

 

De todas as outras fábricas conhecidas, existiria mais uma com capacidade técnica e artística para produzir também peças nessa pasta cerâmica – a Electrocerâmica do Candal, fundada em finais da década de 1910, em Vila Nova de Gaia. Esta veio a ser adquirida em meados do século XX pela Vista Alegre, tal como a Sociedade de Porcelanas (SP), pelo que não seria de todo impossível que, tal como a SP, tivesse produzido peças nesta pasta.

 

A Artibus desenvolveu diversas peças de altíssima qualidade, quer na modelagem, quer na pintura, quer ainda na combinação de processos de tratamento da porcelana, incluindo o biscuit

 

 

Para complementar a peça da FLS apresentada anteriormente (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/1638.html) e ilustrar algumas das variantes conhecidas em Jasper Ware das restantes fábricas portuguesas, reproduzem-se duas peças da Vista Alegre, acima, e uma da Sociedade de Porcelanas.

 

A primeira peça da VA, em azul, apresenta a marca relativa aos anos de 1968-1971 e a segunda, uma caixa com remate metálico, de origem, nos rebordos de encaixe, a marca relativa a 1947-1968.

 

A peça da SP, como se pode observar, foi produzida em 1967 e apresenta a particularidade de combinar pasta azul, vidrada na superfície, com biscuit para a figura de Nossa Senhora.

 

Refira-se, ainda, que a combinação de biscuit com pasta de porcelana branca pintada a esmalte de outra cor ocorreu em diversas peças da Artibus, com notáveis resultados.

 

 

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