Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Setembro 04 2016

 

 

Dois cinzeiros promocionais em faiança da fábrica Aleluia, de Aveiro.

 

O primeiro, com cerca de 5,6 cm. de altura, 8,1 cm. de diâmetro na base e 9,1 cm. de diâmetro máximo nos suportes para cigarro, ostenta quatro conjuntos de legendas – "CAIS / DA / FONTE / NOVA", "TELEF. / 22061 / (3 linhas) / APARTADO 13", "AZULEJOS / BRANCOS / E PINTADOS" e "LOUÇAS / DOMÉSTICAS / SANITÁRIAS / E ARTÍSTICAS".

 

O segundo, com cerca de 3,9 cm. de altura, 11,6 cm. de diâmetro na base e 13,1 cm. de diâmetro no rebordo, apresenta um vidrado pouco vulgar na produção da Aleluia e ostenta apenas as legendas que se podem observar na imagem – "Aleluia / Aveiro".

 

Obviamente, nenhum destes exemplares apresenta qualquer marca na base.

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Agosto 14 2016

 

Paliteiro em faiança, com cerca de 12,4 x 5,2 x 2,2 cm., ostentando nos flancos as inscrições HOTEL do FACHO / FOZ do ARELHO - PORTUGAL e na base a assinatura manuscrita M. Antónia / C. da RAINHA.

 

A assinatura corresponde a Maria Antónia Parâmos (1922-1976), ceramista e pintora caldense que colaborou com a fábrica Secla em 1954 e 1955.

 

Inaugurado em 1910, o centenário Hotel do Facho passou por algumas vicissitudes, mas foi entretando recuperado e encontra-se actualmente a funcionar em pleno (https://fachoguesthouse.wordpress.com/myhome/fachoguesthouse/).

 

 

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Julho 02 2016

 

Paliteiros em faiança moldada reproduzindo dois chapéus característicos do século XIX.

 

O primeiro exemplar, com cerca de 6,4 x 10,6 x 8,4 cm., foi produzido em pasta branca, ligeiramente amarelada, vidrada e não apresenta qualquer marca.

 

O segundo, com cerca de 6,2 x 8,8 x 7,8 cm., foi produzido em pasta esbranquiçada pintada mas não vidrada e apresenta a marca "JM / 51". A eventual origem das iniciais JM já havia sido discutida anteriormente aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/69408.html.

 

 

Sendo substancialmente mais pesado e apresentando pasta moldada com maior espessura, é possível que o primeiro paliteiro tenha sido produzido nas Caldas da Rainha.

 

Como se sabe, os paliteiros abertos, tal como os conjuntos abertos para sal e pimenta, eram característicos do século XIX, tendo os modelos decorativos com várias perfurações subsistido até ao primeiro quartel do século XX, como se pode comprovar na diversificada produção da Vista Alegre, altura em que começaram a ser substituídos pelos populares modelos triangulares com um único orifício.

 

 

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Junho 04 2016

 

Par de azulejos em faiança, com cerca de 10,4 x 10,4 cm., produzidos na fábrica Aleluia, de Aveiro.

 

Estes motivos folclóricos estiveram particularmente em voga na produção da fábrica durante a década de 1950, podendo-se encontrar dois outros exemplos aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/371206.html.

 

Tal como ali foi referido – "a recuperação e reformatação dos valores do folclore bem como a sua dinamização nas décadas de 1940 a 1960 está geralmente associada ao Estado Novo e aos vários organismos corporativos desenvolvidos pelo regime – SPN/SNI, FNAT, Casas do Povo."

 

"Um aspecto, contudo, é muitas vezes subvalorizado ou escamoteado na análise desse revivalismo. É que ele havia sido promovido já na década de 1920 por artistas como Bernardo Marques (1898-1962) ou Roberto Nobre, (1903-1969),  certamente na senda da recuperação de um imaginário popular europeu relançado anteriormente pelos Ballets Russes, de Diaghilev (Sergei Pavlovich Diaghilev, 1872-1929), e rapidamente aplaudido, acarinhado e  adoptado pelos modernistas."

 

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Maio 22 2016

 

Medalha em faiança, com cerca de 9,4 cm. de diâmetro, produzida em 1979 e ostentando uma imagem alusiva ao Mosteiro da Batalha, situado no concelho homónimo, bem como a assinatura manuscrita "Furriel".

 

Como já foi aqui referido anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/outras-fabricas-outras-loicas-cxcv-297225), Francisco Jorge Furriel (1925-2014), ingressou na fábrica Secla em 1953, onde veio a chefiar a secção de pintura, tendo aí permanecido até à sua aposentação, na década de 1990.

 

 

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Maio 18 2016

 

Em cima, um prato em relevo, com cerca de 20,6 cm. de diâmetro, comercializado nas décadas de 1980 e 1990 mas apresentando um motivo característico da tradicional produção caldense que já vinha de décadas anteriores.

 

Em baixo, uma peça com cerca de 8,6 x 17,1 x 2,6 cm., que também pode ser utilizada como cinzeiro, comemorativa dos Encontros de Cerâmica Artística realizados em 1992.

 

 

Embora o Museu Bordalo Pinheiro, que não se dedica exclusivamente à cerâmica e abrange ainda o grafismo e outras vertentes da iniciativa e criatividade bordaliana, apenas tenha sido fundado em Agosto de 1916, em Lisboa, as celebrações do seu centenário iniciam-se hoje, para assinalar também o Dia Internacional dos Museus. 

 

Acompanhe as várias actividades do museu aqui: http://museubordalopinheiro.cm-lisboa.pt/.

 

 

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Janeiro 16 2016

 

Pequeno pote oitavado com tampa, medindo cerca de 16,4 cm. de altura, em faiança da fábrica do Outeiro, Águeda.

 

Note-se como esta gramática floral orientalizante segue uma tendência da fábrica do Outeiro que já tinha sido ilustrada através dos crisântemos patentes na tampa de um conjunto para aperitivos, apresentado aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/204930.html.

 

Porém, ao contrário do fundo negro daquela tampa, este pote ostenta uma tonalidade azul cobalto bastante escura.

 

 

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Dezembro 20 2015

 

Prato moldado e relevado, em faiança da Sado Internacional, de Setúbal, comemorativo do Natal de 1973.

 

 

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Dezembro 12 2015

 

Grande travessa, com cerca de 30,2 x 42,5 x 4,7 cm., em faiança da fábrica Faianças de S. Roque, Aveiro.

 

Apresentando um formato oitavado comum já nas travessas do último quartel do século XIX, esta peça ilustra três técnicas decorativas – esponjado no rebordo, stencil (chapa recortada) nos motivos florais e no motivo central e pintura manual livre nas pinceladas a verde.

 

Embora não seja uma peça que originalmente tivesse um custo de comercialização elevado, a aplicação destas técnicas distintas traduz uma produção relativamente onerosa quanto à mão-de-obra envolvida.

 

 

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Dezembro 06 2015

 

Pequenas jarras em faiança da fábrica Aleluia, de Aveiro.

 

Acima, exemplar com cerca de 5,8 cm. de altura e 6,4 cm. de diâmetro máximo; abaixo, exemplar com cerca de 10 cm. de altura e 7,4 cm. de diâmetro máximo.

 

 

Embora o formato 42 seja, obviamente, mais antigo que o 179, ambas as jarras apresentam combinações cromáticas e tonalidades invulgares na produção da Aleluia.

 

Traduzem estes dois exemplares, os seus motivos e as tonalidades que lhes estão associadas, uma produção claramente característica de um período posterior ao final da II Grande Guerra, mas também anterior à produção modernista e contemporânea que a Aleluia começou a desenvolver a partir da segunda metade da década de 1950. 

 

 

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