Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Julho 01 2013

 

© MCS/CDMJA

 

O INÍCIO DE UMA CARREIRA NA FLS (XI) 

 

Um dos produtos que mais evidenciou a Sacavém, em particular a nível internacional, foi a loiça decorativa e, nesta área, a série de peças relacionadas com a Guerra Peninsular ou, como também são referidas, as Invasões Francesas, bem como as figuras equestres de cavaleiros medievais. O conjunto de peças da Guerra Peninsular era composto por figuras de oficiais e soldados, montados ou apeados, dos vários regimentos, quer dos exércitos britânicos e portugueses quer dos franceses.

 

Estas peças apenas eram vendidas nos espaços comerciais da empresa, ou seja, nas lojas de Lisboa, Porto e Coimbra. Não houve, contudo, grande procura em Portugal, pois as invasões haviam correspondido a um período de enorme sofrimento para o povo português, parecendo este não querer relembrar aquele período dramático da sua história através destas peças. A memória de tal sofrimento ainda hoje perdura no léxico, através de expressões como "ir tudo para o maneta", que alude aos saques perpetrados pelas tropas comandadas pelo general Loison (Louis Henri Loison, 1771-1816).

 

A nível internacional, no entanto, estas figuras foram muito apreciadas e ainda hoje são avidamente disputadas pelos coleccionadores quando algum exemplar aparece em leilões ou em lojas da especialidade, principalmente nos países anglo-saxónicos. Em Portugal, existem pelo menos três  museus onde se podem apreciar colecções destas estatuetas – o Museu Militar, em Lisboa, o Museu Militar, no Buçaco, e o Museu Leonel Trindade, em Torres Vedras (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/museu+municipal+leonel+trindade).

 

Curiosamente, a única colecção completa das figuras das Invasões Francesas, de que tenho conhecimento, encontra-se nos Estados Unidos, mais especificamente na posse de um director jubilado da Faculdade de História da Florida State University. Tive o privilégio de visitar esta colecção quando fui convidado a apresentar uma comunicação durante um congresso sobre o período napoleónico, que se realizou nessa universidade, sedeada em Tallahassee, capital da Flórida, em Janeiro de 2010.

 

De qualquer forma, penso que estas figuras, bem como as dos cavaleiros medievais, são consideradas pelo meio especializado como sendo das melhores no seu género até este momento, não só pela qualidade do fabrico e modelação, da autoria de Armando Mesquita (1907-1982), mas também pelas aturadas pesquisas realizadas, que se traduziram numa minuciosa e fiel reprodução quer dos uniformes quer da heráldica medieval.

 

Estas peças eram consideradas de grande prestígio, de tal forma que o Estado Português tinha o costume de as oferecer em visitas oficiais ou a personalidades importantes. Consta que uma delas foi oferecida ao marechal inglês Montgomery (Bernard Law Montgomery, 1887-1976), o qual já havia sido homenageado pela FLS na década de 1940 através de uma peça caricatural executada por Leonel Cardoso (1898-1987).

 

© Clive Gilbert

© MAFLS

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Janeiro 31 2013

 

Figura da série Bébé, representando um amolador, criada antes de 1947 por Leonel Cardoso (1898-1987).

 

Esta peça surge indicada numa adenda manuscrita da tabela de Novembro de 1945, existente no CDMJA, sob o número 424 e a referência Figura Bébé "Amola tesouras", ao preço de 35$00. Na tabela de Maio de 1951 surge ao preço de 40$00, não constando já da tabela de Maio de 1960.


Fotografias da peça por Hector Castro, coleccionador e proprietário deste exemplar, a quem se agradece a cedência das imagens.




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Janeiro 09 2013

 

Modelada por Leonel Cardoso (1898-1987), esta figura da série Bébé surge referenciada na tabela de Novembro de 1945 sob o número 403 e a designação "Figura de pequeno galucho", ao preço de 35$00.

 

Já na tabela de Maio de 1951 surge a 40$00, para "Côres Mates ou coloridos s/ ouro".

 

Fotografias da peça por Hector Castro, coleccionador e proprietário deste exemplar, a quem se agradece a cedência das imagens.

 


© MAFLS

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Janeiro 02 2013

Caricatura de Clive Gilbert executada em 1967 por Leonel Cardoso (1898-1987).

Note-se o novo logótipo da FLS concebido por Clive Gilbert.


O INÍCIO DE UMA CARREIRA NA FLS (V)

 

A seguir à Segunda Guerra Mundial a Fábrica de Loiça de Sacavém decidiu fazer investimentos na área de produção, pois os custos directos de fabrico eram bastante elevados, especialmente no que dizia respeito à mão de obra. Optou-se por investir na renovação do equipamento e do sistema de cozimento tendo em consideração que os antigos fornos redondos intermitentes, semelhantes àquele que veio a ser preservado no Museu de Sacavém, para além de precisarem de muita mão de obra em certos períodos, como na altura da carga e descarga, não eram totalmente fiáveis.

 

Além disso, dependiam muito de uma constante e competente vigilância do forneiro que estivesse de serviço, particularmente em determinados períodos do aquecimento e do arrefecimento, que eram momentos críticos. Nessa altura a curva do cozimento tinha de ser mais lenta para permitir que a transformação da sílica na pasta decorresse sem problemas num período bastante sensível que, no caso de não ser devidamente acompanhado, resultaria em elevadas perdas na loiça, pois esta ficaria rachada.

 

Havia uma história que se contava sobre o Mestre John Barlow que dizia conseguir ele ver, a mais de cem metros de distância, se uma fornada de loiça tinha saído com poucas perdas ou se, pelo contrário, tinham havido muitas perdas por falta de controle do cozimento. Quem ouvia isto ficava espantado e perguntava como é que aquilo era possível. O Mestre repondia então que se houvesse muita gente à volta do forno ficava a saber que tinham havido poucas perdas. Se, pelo contrário, não estivesse lá ninguém era certo que o cozimento tinha sido um desastre!

 

Assim, no final da década de 1940, a administração resolveu adquirir em Itália fornos eléctricos contínuos de rolos, para aproveitar o baixo custo da energia eléctrica na altura. Contudo, estes fornos apresentavam uma desvantagem pois, durante o cozimento, os azulejos tinham de ser transportados em placas refractrárias importadas, que eram muito caras.


A solução encontrada foi a de aplicar a experiência adquirida ao longo da segunda Guerra Mundial, durante a qual era impossível importar produtos complementares deste género para o fabrico de loiça. Nesse período, até o ministro Duarte Pacheco (1900-1943) intercedeu junto da FLS para que parte das suas reservas de lenha seca, destinadas aos fornos intermitentes redondos, fosse cedida a terceiros, uma vez que era praticamente impossível importar carvão!


Na altura da guerra os técnicos da Sacavém foram obrigados a puxar pela cabeça e a produzir, ou procurar internamente, eles próprios, muitos destes produtos ou matérias primas. Anos depois, assim foi no caso das placas cerâmicas para os azulejos! 

 

Mais tarde viriam a adquirir-se fornos túneis para o cozimento da loiça de mesa e da loiça sanitária, para substituir aquele que já existia desde 1912 (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/58149.html). Obsoleto, quer quanto ao consumo de energia, quer quanto à fiabilidade de cozimento, ainda chegou a ser transformado por duas vezes, primeiro para cozer a gás pobre e mais tarde a gás propano.

 

É este um assunto que voltarei a tratar posteriormente.


© Clive Gilbert

© MAFLS

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Dezembro 03 2012

Caricatura de Clive Gilbert executada em 1967 por Leonel Cardoso (1898-1987).

Note-se o novo logótipo da FLS concebido por Clive Gilbert.

 

O INÍCIO DE UMA CARREIRA NA FLS (IV) 

 

Para complementar os apoios sociais já referidos, existiu na fábrica, durante as décadas de 1930 e 1940, uma vacaria, pois havia a ideia de que o leite então disponível no mercado era, em grande parte, adulterado. Assim, a qualidade do leite disponível para o pessoal da empresa ficava assegurada. Junto às vacas havia uma cocheira com algumas mulas, que puxavam uns vagões sobre carris pelos arruamentos principais da fábrica. Estes vagões transportavam matérias-primas e outro material necessário em vários locais ou dependências da fábrica. O mais curioso era que, todos os dias, logo que tocava a sirene ao meio-dia para indicar a hora do almoço, as mulas recusavam-se a continuar a trabalhar e voltavam para a cocheira! Sem sequer acabarem o trabalho que tinham iniciado. Ao fim do dia acontecia exactamente a mesma coisa!

 

Alguns funcionários mais maliciosos comentavam que até parecia haver um sindicato das mulas na FLS! Estes comentários sibilinos estabeleciam contraponto com uma organização activa na empresa, que havia sido encorajada por Herbert Gilbert – o sindicato dos trabalhadores da indústria cerâmica, cuja primeira sede foi dentro da própria fábrica.

 

Continuando a referir os aspectos sociais, para além da vacaria havia uma horta, perto das moradias, que fornecia a cantina. A empresa tinha também o seu próprio corpo de bombeiros, pois os meios da corporação que nessa altura existia em Sacavém não se revelavam suficientes para acudir a um eventual incêndio industrial de grandes proporções.

 

Como não haviam grandes actividades fora das horas do trabalho, a empresa tinha um campo de jogos para a prática de futebol, hóquei em patins, basquetebol, atletismo, e outras modalidades. Ainda antes desta época, a empresa tinha já a sua equipa de futebol que, em 1909, jogou contra o S. L. Benfica. O resultado desse encontro foi de 1-0 a favor do Benfica.

 

Pouco tempo depois de eu começar a trabalhar na Sacavém, em Julho de 1960, fui convidado a candidatar-me a presidente do Grupo Desportivo da Fábrica de Loiça de Sacavém. Fui eleito (claro, aquilo só dava trabalho que não era pago!) e escolhi a minha equipe para a direcção. Qual não foi o meu espanto quando fui informado que teria de mandar a lista para a P.I.D.E., a fim de todos os membros da lista serem aprovados!

 

Uma das particularidades de que me apercebi quando fui acompanhar jogos da nossa equipa, que na altura participava no campeonato da F.N.A.T. (Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho, instituída em 1935), era que os jogos normalmente acabavam em pancadaria, com vários jogadores de ambas as partes a serem expulsos! Como resultado resolvemos acabar com a prática do futebol na FLS e aplicar a verba destinada a esta área (cerca de 100.000$00 escudos por época, o que na altura era um valor bastante elevado) para fins sociais. Essencialmente, garantindo empréstimos ou donativos aos trabalhadores mais carenciados. O funcionamento deste serviço foi entregue à assistente social da empresa. Tudo corria muito bem, mas ao fim de algum tempo notámos que os "clientes" eram sempre os mesmos pois aqueles que realmente precisavam de apoio tinham vergonha de o pedir…

 

O mais engraçado, no meio disto tudo, é que houve um caso de uma trabalhadora que tinha pedido um empréstimo e que um dia veio entregar a verba em dívida, despedindo-se da empresa na mesma altura. Viemos a saber mais tarde que ela tinha uma casa da má fama em Moscavide. Consta que, certo dia, um cliente, não tendo dinheiro para pagar o serviço prestado, lhe deu uma cautela da lotaria. Claro que já se está a ver o que veio a acontecer... A trabalhadora acabou por ganhar uma pequena fortuna!

 

© Clive Gilbert

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Novembro 04 2012

 

Figura da série Bébé, representando um Pauliteiro de Miranda do Douro, criada por Leonel Cardoso (1898-1987).

 

Como já foi referido anteriormente, esta figura corresponde ao número 425 da tabela de Maio de 1951, onde surge sob a designação Figura bébé "Pauliteiro", ao preço de 40$00 para "Côres Mates ou coloridos s/ ouro", não surgindo já na tabela de Maio de 1960.


Um exemplar da tabela de Novembro de 1945 existente no CDMJA, cuja numeração impressa acaba na peça número 415, apresenta uma adenda manuscrita de novas peças até ao número 547-B, onde esta figura surge ao preço de 35$00 par "Colorido s/ ouro".

 

Sobre esta série, veja-se ainda o que foi escrito aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/56396.html. Sobre figuras semelhantes, de outras fábricas portuguesas, veja-se também: http://mfls.blogs.sapo.pt/189777.html.

 

Fotografias da peça por Hector Castro, coleccionador e proprietário deste exemplar.

 

 

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Julho 29 2012

© MCS/CDMJA 

 

Fotografia apresentando a escultura de um cavaleiro tauromáquico modelado por Leonel Cardoso (1898-1987), já referida anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/cavaleiro+taurom%C3%A1quico).

 

A reprodução desta fotografia é uma cortesia do Museu de Cerâmica de Sacavém / Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso.

 

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Março 21 2011

 

Catálogo da XLIX exposição de pintura a óleo e escultura da Sociedade Nacional de Belas Artes, realizada em 1953.

 

Do mesmo constam os nomes de alguns artistas da FLS – José Ribeiro (1907-?), Leonel Cardoso (1898-1987), Mário Salvador (1905-?), na pintura, e Armando Mesquita (1907-1982), na escultura.

 

Estas participações surgiam na sequência de outras anteriores, pois Álvaro Mendes Alves (1905-1996; exibiu em 1943), Armando Mesquita (1946), Hermengarda Gilman de Carvalho (datas desconhecidas; 1918, 1946), José Pedro (1907-1981; 1946), José Ribeiro (datas desconhecidas; 1946), Leonel Cardoso (1938, 1940, 1943, 1944, 1945, 1946, 1948, 1949), Luna de Carvalho (datas desconhecidas; 1946) e Mário Salvador (1946 e 1948), já haviam exibido na SNBA, pelo menos nos anos indicados.

 

 

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Novembro 17 2010

 

Medalha desenhada por Leonel Cardoso (1898-1987) em 1972, para ilustrar o novo logótipo da FLS e assinalar os alegados 122 anos de fundação da empresa – recorde-se que a administração da época comemorou o centenário da fábrica em 18 de Novembro de 1950, conforme se pode constatar na placa então dedicada a Leland Gilbert (1907-1979) que seu filho, Clive Gilbert (n. 1938), doou ao MCS. 

 

Cunhada em bronze, com um diâmetro de 80 mm., encontra-se assinada, "Leonel", e datada, "972", mas não apresenta numeração nem indica tiragem ou casa gravadora. 

 

Apesar de Manuel Inez Soares (n. 1926) referir no seu livro Medalhística (1973), uma compilação de artigos sobre medalhística publicados no jornal O Século entre Novembro de 1971 e Novembro de 1972, que a tiragem desta medalha se limitou aos 80 exemplares, é bem possível que tenham sido cunhadas algumas medalhas suplementares. 

 

Uma versão deste novo logótipo já havia sido utilizada em 1969 no stand que a FLS apresentou em Angola, na 1.ª edição da FILDA, Feira Internacional de Luanda, conforme se pode verificar em algumas fotografias que integram o acervo do CDMJA.

 

Anteriormente, este logótipo surgira também em papel timbrado da empresa, datado de 12 de Junho de 1967, como se pode constatar no catálogo da exposição Porta Aberta às Memórias, volume I, realizada em 2008 no MCS.

 

 

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Agosto 15 2010

 

"A Mocidade que passa / Garbosa e cheia de graça!". Bilhete postal editado pela Mocidade Portuguesa e circulado em Setembro de 1947. Aguarela original assinada "Leonel" [Cardoso] e datada [1]"939". Ainda em 1939, o autor desenhou uma série de postais reproduzindo trajos portugueses, cujas sucessivas tiragens ultrapassaram os 80.000 exemplares.

 

De entre a vasta obra de Leonel Cardoso (1898-1987) para a FLS, a série Bébé, cuja produção se iniciou em 1945, estabeleceu uma imagem de marca especificamente associada à fábrica, cuja popularidade se manteve ao longo de quase duas décadas. Em menos de cinco anos, Leonel Cardoso criou para esta série mais de cinquenta figuras diferentes, as quais estão assim registadas na tabela de Maio de 1951:

 

 

391 - Figura bébé "Saloio do Ribatejo"; 392 - Figura bébé "Saloia"; 399 - Figura bébé "Alentejano; 400 - Figura bébé "Alentejana" (ceifeira); 401 - Figura bébé "Peixeira" (Lisboa); 402 - Figura bébé "Marujo"; 403 - Figura bébé "Galucho"; 416 - Figura bébé "Guarda Republicano"; 417 - Figura bébé "Criada"; 418 - Figura bébé "Estudante"; 419 - Figura bébé "Tricana"; 420 - Figura bébé "Moço de forcado"; 421 - Figura bébé "Toureiro a pé"; 422 - Figura bébé "Minhota"; 423 - Figura bébé "Homem do Douro"; 424 - Figura bébé "Amola tesouras"; 425 - Figura bébé "Pauliteiro"; 426 - Figura bébé "Homem da Madeira"; 427 - Figura bébé "Mulher da Madeira"; 428 - Figura bébé "Pescador da Nazaré"; 429 - Figura bébé "Mulher da Nazaré"; 430 - Figura bébé "Saloio"; 431 - Figura bébé "Campino a cavalo"; 432 - Figura bébé "Cavaleiro tauromáquico"; 433 - Figura bébé "Homem da Beira"; 434 - Figura bébé "Mulher da Beira (fiandeira)"; 435 - Figura bébé "Cavaleiro hípico"; 436 - Figura bébé "Aluno Colégio Militar"; 437 - Figura "O Fado" (Severa); 444 - Figura bébé "Gaita de foles"; 445 - Figura bébé "Lavadeira"; 446 - Figura bébé "Açoreana"; 447 - Figura bébé "Tocador de harmónio"; 448 - Figura bébé "Zé Pereira"; 449 - Figura bébé "Mulher de Leiria"; 450 - Figura "As três irmãs"; 451 - Figura bébé "Pastor da Serra"; 475 - Figura bébé "Magala a cavalo"; 477 - Figura bébé "Romaria"; 477-A - Figura bébé "Fogueteiro"; 477-B - Figura bébé "Homem dançando"; 477-C - Figura bébé "Mulher dançando"; 477-D - Figura bébé "Homem dançando"; 477-E - Figura bébé "Mulher dançando"; 483 - Carro de bois (Minho); 483-A - Figura bébé "Minhota", para acompanhar o mesmo [todas as figuras anteriores foram criadas, seguramente, até 1947]; 495 - Figura bébé "Toureiro e touro"; 511 - Figura bébé "Futebolista"; 512 - Figura bébé "Polícia"; 521 - Figura bébé "Ardina"; 522 - Figura bébé "Engraxador"; 523 - Figura bébé "Vendedeira de criação"; 532 - Figura bébé "Vendedeira com burro"; 534 - Figura bébé "Moço de forcados e touro"; 542 - Grupo "Três bêbados".

 

 

É possível que os modelos da série Bébé se tenham inspirado nas populares figuras dos Meninos Gordos de meados do século XIX, largamente reproduzidas em faiança na época. Contudo, é importante notar a semelhança entre os cinco desenhos de Stuart Carvalhais (1887-1961), intitulados Figurinos para Carnaval de Miúdos e  publicados em 1935 na revista Sempre Fixe, e a obra de Leonel Cardoso, que também colaborou na mesma publicação.

 

Aliás, as semelhanças entre os desenhos de Stuart, o postal reproduzido e as peças 401 - Peixeira, 445 - Lavadeira, 447 - Tocador de harmónio e 511 - Futebolista, evidenciam essa provável inspiração de Leonel Cardoso. Note-se, no entanto, que a série não apresenta nenhuma figura da Mocidade Portuguesa.

 

Conforme referido anteriormente, a FLS reproduziu em 1989, por ocasião da exposição dedicada a Leonel Cardoso no Museu de Cerâmica das Caldas da Rainha, um conjunto de peças desta série, limitadas a três exemplares para cada figura. De acordo com o catálogo da exposição, essas reproduções correspondem a Guarda Republicano, Toureiro, Manolete [sic], Marujo, Magala, Polícia Sinaleiro, Homem do Harmónio, Jogador de Futebol - Sporting, Ardina, Sopeira, Amola Facas e Tesouras, Fogueteiro, Santo António, Lavadeira de Caneças, Tricana, Homem da Beira, Mulher da Beira, Homem de Trás-os-Montes, Mulher do Minho, Vindimador do Alto Douro, Mulher dos Açores, Homem da Madeira, Mulher da Madeira, O Fado, Os Bêbedos.

 

Entre outros, exemplares destes dois últimos conjuntos – O Fado e Os Bêbedos, pertencentes ao acervo do MCS e evocativos de dois famosos quadros homónimos do pintor José Malhoa (1855-1933), foram exibidos em 2005 nos EUA, durante a exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period. Estes dois conjuntos são também os únicos da série Bébé que ainda são referenciados na tabela de 1960.

 

 

As figuras desta série tornaram-se tão populares nas décadas de 1940 e 1950 que houve oficinas e pequenas fábricas de cerâmica a produzir peças claramente inspiradas nestes modelos, como o mealheiro em barro não-vidrado reproduzido acima. É claro que, observando hoje esta curiosa peça, não podemos deixar de pensar na sua semelhança com as figuras entretanto criadas por Fernando Botero (n. 1932) no seu universo pictórico e escultórico.

 

Relativamente ao tema do bilhete postal, note-se que Leonel Cardoso executou também uma ilustração com a Mocidade Portuguesa em marcha, a qual foi reproduzida numa jarra em vidro da Marinha Grande.

 

 

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