Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Agosto 10 2011

 

 

Chávena de chá e pires em faiança da fábrica OAL, em Alcobaça.

 

Este motivo, conhecido em diferentes cores – amarelo, azul, verde e vermelho, não deixa de recordar as serigrafias com flores de grandes dimensões produzidas nas décadas de 1960 e 1970 por Andy Warhol (1928-1987).

 

Uma dessas obras – Ten Foot Flowers (1967), contemporânea, aliás, desta peça cerâmica da OAL, pode ser observada na magnífica Colecção Berardo de arte moderna (cf. http://mirror.berardocollection.com/?toplevelid=1&lang=pt), depositada no CCB, em Lisboa.

 

Esta decoração cerâmica surge na senda de uma outra gramática decorativa ligada à representação floral de grandes dimensões, praticada nas décadas de 1920 e 1930, particularmente em Inglaterra, na cerâmica de Clarice Cliff (1899-1972; cf. http://www.claricecliff.com/picture_gallery/index_js.shtml), e de outras ceramistas como Susie Cooper (1902-1995) e Charlotte Rhead (1885-1947), mas também na cerâmica continental, em fábricas como a belga Boch Frères Keramis, com Charles Catteau (1880-1966) e seus discípulos (cf. http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/tag/boch+fr%C3%A8res).

 

Em Portugal, a FLS também seguiu essa tendência com motivos florais de grandes dimensões, podendo dois exemplos dessa decoração ser vistos aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/fgd.

 

 

 

Esta caixa em porcelana da fábrica Vista Alegre, com decoração a esmalte e ouro sobre o vidrado, ilustra também essa tendência noutras fábricas portuguesas.

 

Ostentando a marca VA correspondente ao período 1922-47, esta peça apresenta uma decoração floral invulgar na produção da fábrica, quer pelo tratamento estilizado dos motivos florais ampliados quer pelas tonalidades aplicadas, evocativas de alguma decoração presente na produção das fábricas russas da época, como a Lomonosov.

 

    

 

Prato decorativo de meados do século XX, em porcelana da celebre fábrica russa ΔYΛΕΒΟ (Dulevo), com motivos florais pintados à mão e complementos a ouro.

 

Embora este fundo azul evoque, e tenha conseguido preservar, o prestígio do azul cobalto de Sèvres, é comum encontrar na decoração das grandes fábricas russas (soviéticas), do segundo quartel do século XX, flores de grandes dimensões associadas, obviamente, à cor vermelha.

 

Assim, durante o século XX, a decoração com motivos florais de grandes dimensões teve dois períodos marcantes – as décadas de 1920 e 1930, que coincidiram com o período do estilo Art Déco, e as décadas de 1960 e 1970, que coincidiram com o período da Arte Pop.

 

 

 

No entanto, o pós-modernismo também lhe concedeu atenção, como se  pode observar nestas peças concebidas pelo designer holandês Maarten Vrolijk (n. 1966; cf. http://www.maartenvrolijk.com/; peça à esquerda, editada em 1993) e pelo consagrado e já clássico designer e ceramista dinamarquês Bjørn Wiinblad (1918-2006. cf. http://www.rosenthalusa.com/1288d808/WIINBLAD_Bj%C3%B8rn.htm) para a fábrica alemã de porcelana Rosenthal.

 

O conjunto da direita, modelado pelo arquitecto e designer italiano Mario Bellini (n. 1935), tem a sua componente escultórica complementada com a decoração de Wiinblad, que fez sair da asa da chávena a haste da flor. O conjunto de Vrolijk, modelado e decorado por si, assume-se como um todo escultórico, onde forma, decoração e função pretendem conjugar-se harmoniosamente, formando o próprio conjunto uma flor estilizada.

 

Ao contrário do que se possa pensar, contudo, a tradição da decoração cerâmica com flores de grandes dimensões já vinha de séculos anteriores.

 

Sem recuar à decoração dos azulejos de Iznik (alguns exemplares belíssimos podem ser observados na colecção da FCG, em Lisboa: http://www.museu.gulbenkian.pt/obra.asp?num=1641&nuc=a4&lang=pt), ou de peças de épocas anteriores, basta mostrar o conjunto para chá, fabricado pela empresa inglesa Davenport entre cerca de 1815 e 1860, reproduzido abaixo.

 

Apresentando óbvia influência da cerâmica azul oriental, com uma taça, não uma chávena com asa, e um pires de rebordo alto (características que nos podem levar a datar o seu fabrico do início do período indicado), quase nos faz esquecer as pequenas florinhas que marcaram muita da decoração cerâmica inglesa da segunda metade do século XIX.

 

 

© MAFLS

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Julho 24 2011

 

Grande centro de mesa reticulado, ou fruteiro, em faiança da Olaria de Alcobaça, com 32 cm. de diâmetro e quatro pés, pintado à mão sob o vidrado.

 

Segundo o opúsculo Faiança de Alcobaça (1997), de Jorge Pereira de Sampaio, as iniciais correspondentes ao pintor, A. S., tanto são atribuíveis a Alfredo Santos (datas desconhecidas) como a Armando Saraiva Mendes (datas desconhecidas).

 

De qualquer modo, atente-se na notável pintura dos motivos vegetais a azul cobalto e do conjunto central de flores.

 

Vejam-se peças de outras fábricas, com abas recortadas, em: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/abas recortadas.

 

 

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Outubro 09 2010

 

Jarra da Olaria de Alcobaça, Lda., OAL, decorada com desenhos de groselhas, folhas e ramos desse arbusto, sob o vidrado, e retoques e filete a ouro sobre o vidrado brilhante.

 

Esta decoração, bem distinta da produção tradicional das décadas de 1930 e 1940 e rara na produção das décadas subsequentes, ilustra claramente a abertura da empresa às exigências do mercado de exportação, sem contudo abdicar de uma decoração manual especializada.

 

Como se pode verificar nas imagens reproduzidas abaixo, a decoração com groselhas foi bastante popular, estando as bagas, em geral, especialmente associadas à decoração Art Nouveau. Poderá ver mais alguns exemplos de cerâmica europeia e americana decorada com desenhos de bagas aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/78448.html e aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/87433.html.

 

Fundada em 1927, a empresa OAL veio a encerrar em 1984.

 

 

Prato de sobremesa em porcelana, marcado "IT / UNO / "Favorite" / Bavaria", pintado à mão sobre o vidrado, fora da fábrica, e assinado e datado "B. Curke / 1914", na decoração.

 

Esta fábrica alemã, sobre a qual poucas referências existem, exportava no início do século XX para os EUA, onde a empresa Burley & Tyrrell Co., de Chicago, era uma das suas importadoras e distribuidoras.

 

 

Cafeteira em porcelana pintada à mão sobre o vidrado, fora da fábrica, assinada "K. R.", na base, e assinada e datada " K. Ryan / 14", no interior da tampa. A peça encontra-se marcada "Victoria / Austria", na base. Esta empresa foi fundada em 1883 na então localidade austríaca de Altrohlau, que hoje integra a República Checa e é conhecida como Stará Role, tendo sido nacionalizada em 1945.

 

A pintura de peças brancas de porcelana vidrada, fora das suas fábricas de origem, foi comum durante todo o século XX. Em Portugal é vulgar encontrarem-se peças dos serviços brancos da Vista Alegre, pintadas sobre o vidrado, que foram cozidas em muflas exteriores à fábrica e apresentam assinaturas que não correspondem aos artistas da VA. 

 

 

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Dezembro 10 2009

 

Chávena e pires em faiança, com decoração sob o vidrado, da Olaria de Alcobaça (OAL).

 

Este conjunto ilustra claramente a similaridade de uma linha decorativa revivalista, das décadas de 1960 e 1970, anteriormente exemplificada por um prato  da FLS (http://mfls.blogs.sapo.pt/22890.html).

 

A Olaria de Alcobaça foi fundada em 1927, tendo encerrado em 1984.

 

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