Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Julho 26 2014

 

Conjunto de açucareiro, cafeteira, leiteira e manteigueira da Sociedade de Porcelanas, de Coimbra.

 

Aplicada sobre um formato associado à gramática Art Déco, encontramos uma decoração, correspondente ao motivo LB 5056, claramente evocativa da influência do movimento suprematista.

 

Curiosamente, apesar de na base da cafeteira se encontrar manuscrita a identificação do formato como sendo Belga, este corresponde, efectivamente, ao formato Porto.

 

Veja-se uma variante cromática desta decoração, apresentada por MUONT, aqui: http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/2011/12/servico-de-cha-modelo-porto-porcelana.html.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Maio 17 2014

 

No dia em que, simbólica e supostamente, se fecha uma caixa de inanidades e se assiste ao demagógico e propagandístico regozijo oficial, enquanto sobre o país pairam inexoráveis avejões e a maioria dos portugueses sofre a dura realidade quotidiana herdada daquela tecnocrática boceta de Pandora, apresentam-se duas caixas de porcelana de diferentes fábricas e com diferentes formatos.

 

Primeiramente, um exemplar com decoração floral estampada, e complementos a platina, da fábrica Electro-Cerâmica do Candal. Esta caixa, com cerca de 7,6 x 11,9 x 7,6 cm., corresponde ao formato F8 da EC, como se pode comprovar no final do artigo.

 

Tal formato teve uma variante quadrada, que se conhece com decoração alusiva à Exposição do Mundo Português, realizada em Lisboa no ano de 1940 (cf. http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/tag/exposi%C3%A7%C3%A3o+do+mundo+portugu%C3%AAs).

 

 

Seguidamente, uma pequena caixa da Sociedade de Porcelanas de Coimbra, com cerca de 3,9 cm. de altura e 7 cm. de diâmetro, apresentando decoração vegetalista e floral, estilizada ao gosto Art Déco, pintada à mão e com complementos a ouro.

 

Embora estes exemplares sejam os dois, provavelmente, da década de 1940, note-se como a caixa da SP ostenta um motivo claramente modernista na sua representação figurativa.

 

Na marca da Electro-Cerâmica, note-se como surge um segundo logótipo esmaltado sobre o vidrado que foi sobreposto ao logótipo inciso na pasta.

 

     

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Dezembro 01 2012

     

 

Estatueta, em biscuit da Sociedade de Porcelanas, representando uma tricana de Coimbra.

 

Com cerca de 19,8 cm. de altura, esta peça aproxima-se claramente, quer na temática quer na modelação, das diversas estatuetas com trajos regionais produzidas pela Vista Alegre a partir do segundo quartel do século XX.

 

No entanto, os diversos detalhes da delicada modelação, o requebro das ancas e da cintura, e toda a sensação de longilínea elegância que emana desta estatueta, aproximam-na muito mais dos estilizados exemplares femininos modelados na VA durante o período 1947-1968, como a Mulher da Beira Litoral, a Mulher do Douro Litoral, ou a Varina de Lisboa, do que das figuras mais compactas e estáticas do período anterior (1922-1947).

 

É muito provável, aliás, que o modelador das referidas peças da VA tenha sido também o autor desta estatueta. O que não será de modo algum surpreendente, se recordarmos que a VA consolidou a sua posição na administração da SP em 1945, depois de um processo de aquisição que se tinha iniciado dez anos antes.

 

A revista Vista Alegre número 18, de Abril de 2001, apresenta um artigo de oito páginas dedicado ao escultor, modelador e gravador coimbrão Cabral Antunes (1916-1986), onde são apresentadas doze das treze figuras regionais que, em 1956, criou para a VA, incluindo as três mencionadas acima.

 

Comparando os traços característicos daquelas figuras com os desta tricana, facilmente se conclui que Cabral Antunes terá sido certamente o autor desta estatueta em biscuit da SP.

 

Medalha da autoria de Cabral Antunes cunhada em 1978.

 

Como se pode constatar pelo exemplar reproduzido acima, o autodidacta Cabral Antunes foi ainda um notável medalhista, actividade que iniciou em 1963 com uma peça dedicada ao escritor Aquilino Ribeiro (1885-1963).

 

Nessa área, celebrizou-se quer pelas composições figurativistas colectivas de algumas alegorias históricas, como a apresentada acima e a que pode ser vista aqui: http://chaves.blogs.sapo.pt/351622.html, quer pelo figurativismo realista de efígies singulares, como a que pode ser vista aqui: http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/292007.html.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Fevereiro 25 2012

 

Chávena de café e pires formato Porto, da Sociedade de Porcelanas de Coimbra, com filetagem dourada e decoração geométrica esmaltada sobre o vidrado. Ambas as peças apresentam a marca SP1.

 

O motivo geométrico triangular aplicado nesta decoração é claramente evocativo de uma famosa litografia construtivista de El Lissitzky (1890-1941), editada em 1919 e reproduzida abaixo, denominada Derrotar os Brancos com a Cunha Vermelha, título que alude ao confronto entre bolcheviques (vermelhos) e mencheviques na URSS.

 

A evocação é ainda mais evidente quando se sabe que esta decoração também foi comercializada pela SP em vermelho (cf. http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.com/2012/01/servico-de-cafe-modelo-cubico-porcelana.html#links), embora neste caso se tratem de chávenas e pires octogonais do formato Cúbico, onde o valor simbólico da intersecção do círculo pelo triângulo está diluído.

 

Este exemplar foi exibido na exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, conjuntamente com um bule, uma leiteira, um açucareiro e uma chávena de chá com pires (respectivamente, números 45 e 48 a 51 do catálogo) do mesmo formato e com a mesma decoração, embora as asas destes últimos estejam apenas decoradas com uma filetagem a ouro.

 

 

Conforme já foi referido anteriormente (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/143462.html), aquela que mais tarde ficou a ser a Sociedade de Porcelanas de Coimbra denominava-se Porcelana de Coimbra quando se constituíu como sociedade anónima de responsabilidade limitada, em 13 de Maio de 1922.

 

A designação Sociedade de Porcelanas, Limitada, foi instituída a 31 de Agosto de 1926, num período em que a situação empresarial e financeira da Porcelana de Coimbra (PC) era já preocupante e a SP lhe sucedeu, com a fábrica na Arregaça.

 

Com efeito, a PC acabou por ser dissolvida em 8 de Julho de 1929, tendo entrado em imediata liquidação, para a qual foram nomeados "com os mais amplos poderes" Faustino Corrito e José Cordeiro Guerra, poderes que incluíam os "de venda ou alienação de bens móveis e imóveis da sociedade particularmente, sem dependência de hasta pública".

 

O activo desta sociedade veio a ser colocado em praça a 17 de Julho desse ano. Ainda a 25 de Outubro de 1929, na sequência deste processo, foi contraído pela SP um empréstimo junto da Caixa Geral de Depósitos, Crédito e Previdência, garantido com hipoteca e penhor mercantil dos antigos bens da Porcelana de Coimbra.

 

Este empréstimo encontrava-se ainda por liquidar a 28 de Junho de 1935, data em que foi substituído o pacto social da SP. A 15 e 27 desse mês havia-se registado a primeira intervenção da Empresa Electro-Cerâmica (EEC), do Candal, e da Vista Alegre, de Ílhavo, no capital social da SP, que era então de 10.000$00 e passou a estar equitativamente dividido por estas duas empresas.

 

Um dos responsáveis pela VA, João Teodoro Ferreira Pinto Basto (1870-1953), na sua obra A Cerâmica Portuguesa (1935), que reproduz um discurso proferido em 20 de Dezembro de 1934, refere o seguinte sobre a SP:

 

"6.º Centro – Coimbra – Porcelana – Sociedade de Porcelanas. Produz loiça domestica e artigos electricos. Começou a sua laboração há cerca de 12 anos. Emprega caolino da sua concessão de S. Vicente em Ovar e tem aperfeiçoado principalmente o fabrico de loiça domestica de uso corrente."

 

Conforme também já foi anteriormente referido, a aposta da VA na SP consolidou-se em 1945.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Outubro 13 2009

 

A produção de Jasper Ware em Portugal cingiu-se, tanto quanto se sabe, a quatro fábricas – Artibus, em Aveiro, Fábrica de Loiça de Sacavém, Sociedade de Porcelanas, em Coimbra, e Vista Alegre, em Ílhavo.

 

De todas as outras fábricas conhecidas, existiria mais uma com capacidade técnica e artística para produzir também peças nessa pasta cerâmica – a Electrocerâmica do Candal, fundada em finais da década de 1910, em Vila Nova de Gaia. Esta veio a ser adquirida em meados do século XX pela Vista Alegre, tal como a Sociedade de Porcelanas (SP), pelo que não seria de todo impossível que, tal como a SP, tivesse produzido peças nesta pasta.

 

A Artibus desenvolveu diversas peças de altíssima qualidade, quer na modelagem, quer na pintura, quer ainda na combinação de processos de tratamento da porcelana, incluindo o biscuit

 

 

Para complementar a peça da FLS apresentada anteriormente (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/1638.html) e ilustrar algumas das variantes conhecidas em Jasper Ware das restantes fábricas portuguesas, reproduzem-se duas peças da Vista Alegre, acima, e uma da Sociedade de Porcelanas.

 

A primeira peça da VA, em azul, apresenta a marca relativa aos anos de 1968-1971 e a segunda, uma caixa com remate metálico, de origem, nos rebordos de encaixe, a marca relativa a 1947-1968.

 

A peça da SP, como se pode observar, foi produzida em 1967 e apresenta a particularidade de combinar pasta azul, vidrada na superfície, com biscuit para a figura de Nossa Senhora.

 

Refira-se, ainda, que a combinação de biscuit com pasta de porcelana branca pintada a esmalte de outra cor ocorreu em diversas peças da Artibus, com notáveis resultados.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 13:09

mais sobre mim
Abril 2018
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
12
13
14

16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


pesquisar