Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Junho 30 2018

 

Taça com asas, com cerca de 6,8 cm. de altura x 14,2 cm. e 12,6 cm. de diâmetro máximo, produzida na fábrica Viúva de Alfredo de Oliveira, Coimbra.

 

Este formato com asas é evocativo das antigas escudelas, embora tradicionalmente essas taças apresentassem asas na horizontal, e também das mais recentes taças para consommé.

 

Note-se com a decoração floral, que surge também na concavidade da taça, apresenta uma estilização semelhante a certas representações pictóricas de Manuel Cargaleiro (n. 1927), as quais ocorrem ainda em algumas das suas produções cerâmicas.

 

 

Conhecida inicialmente como Fábrica do Lagar, situada já então na Rua Direita, esta empresa tem o primeiro documento conhecido datado de 24 de Junho de 1824, através de um contrato de arrendamento em nome de Joaquim da Silva (datas desconhecidas), arrendatário que viria a ser substituído pouco depois, a 3 de Julho do mesmo ano, por Angelina Ludovina, Joanna de Mesquita, Joaquim Ignacio e Joaquim da Silva (datas desconhecidas).

 

Joaquim da Silva viria a adquirir outras fábricas em Coimbra durante os anos de 1834 e 1835, atribuindo em 1840 a seu filho, Leonardo Ferreira da Cunha (datas desconhecidas), como dote de noivado, a fábrica da Rua Direita, que este viria a arrendar, em 1867, a Francisco António Maria de Sousa e Francisco Ferreira Duarte (datas desconhecidas).

 

Em 1873 lavrou-se nova escritura, em nome de Adelino Augusto Pessoa, Adriano Augusto Pessoa, Alberto Pessoa e Ermelinda do Ceo Pessoa (datas desconhecidas), ocorrendo em 1897 a constituição da empresa Afonso Pessoa & Pimentel, que viria a ser dissolvida pouco depois. A fábrica passou então a ser detida exclusivamente por Afonso Augusto Pessoa, pelo menos até ao ano de 1905.

 

No século XX, a fábrica esteve a ser explorada por António Cardoso de Carvalho (datas desconhecidas), desde 1915. Já na década de 1920, passou para a posse e administração de Alfredo de Oliveira (datas desconhecidas). Após a sua morte, que terá ocorrido antes de 1942, a viúva, Maria do Nascimento Almeida Martinho (datas desconhecidas), requereu que a fábrica passasse a ter a denominação correspondente à marca que se reproduz abaixo.

 

Embora algumas fontes refiram que esta fábrica encerrou há várias décadas, uma recente publicação do Museu de Lamego, da autoria de Filipa Formigo (datas desconhecidas) e Luís Sebastian (datas desconhecidas), intitulada A Última Olaria de Faiança de Coimbra (2016), de onde se retiraram as informações patentes nos quatro parágrafos anteriores, documenta a sua produção até àquele ano, sob a designação Sociedade Cerâmica Antiga de Coimbra, Lda., empresa constituída em 13 de março de 1965.

 

 

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Julho 21 2015

 

Tal como já foi aqui referido, a escritura de constituição da SPAL foi lavrada a 21 de Julho de 1965.

 

A Sociedade de Porcelanas de Alcobaça teve como fundadoras as empresas Elias & Paiva, Lda., Olaria de Alcobaça, Lda., Raul da Bernarda & Filhos, Lda., e ainda Joaquim Augusto Coelho Ferreira da Bernarda.

 

O capital social de constituição ascendia a 9.000.000$00, estando distribuído pelas seguintes quotas – Elias & Paiva, Lda., 3.000.000$00; Olaria de Alcobaça, Lda., 3.000.000$00; Raul da Bernarda & Filhos, Lda., 2.100.000$00; e Joaquim Augusto Coelho Ferreira da Bernarda, 900.00000.

 

À data de constituição da sociedade apenas cinquenta por cento deste capital se encontrava realizado, tendo sido estipulado que os restantes quatro milhões e quinhentos mil escudos deveriam dar entrada na caixa social até 31 de Dezembro daquele ano.

 

 

Contrastando com o sóbrio e tristonho pin que a SPAL escolheu para assinalar o seu cinquentenário, o qual está ilustrado no início deste artigo, nada melhor do que reproduzir uma das suas decorações mais feéricas para sublinhar a habitual excelência da maioria da produção da empresa.

 

Em sintonia com tal contraste, intitula-se este motivo Paradoxo. Surge aqui ilustrado num conjunto de pires e chávena de café, peças que ostentam a versão IV desta decoração comercializada na década de 1990.

 

O motivo Paradoxo apresentava diferentes composições geométricas onde se inscreviam combinações cromáticas, semelhantes a esta, sumptuosamente complementadas a ouro.

 

Veja-se como a decoração desta série pode perfeitamente competir com alguns dos motivos das célebres Espresso Sammeltasse, no formato "Cupola" concebido por Mario Bellini (n. 1935), comercializadas também na mesma década pela conceituada fábrica alemã Rosenthal: http://www.rosenthal.de/en/shop/brands/studio-line-2-en/gifts-and-accessories-en/espresso-collectors-cups-en/.

 

 

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Maio 31 2015

 

A propósito do ano em que decorrem as comemorações do cinquentenário de fundação da SPAL, cuja escritura de constituição foi lavrada a 21 de Julho de 1965, apresentam-se hoje dois pratos da série Watercolors, comercializada a partir de 1981, com decoração floral aplicada sobre o vidrado.

 

Acima, um motivo intitulado Hillside, abaixo um motivo intitulado Trillium (Trillium Grandiflorum).

 

Note-se como este último evoca claramente algumas das composições florais da consagrada pintora norte-americana Georgia O'Keeffe (1887-1986), podendo algumas das suas pinturas com temática semelhante ser vistas aqui: http://www.okeeffemuseum.org/natural-and-still-life-forms.html.

 

Como se verifica pelo texto complementar das marcas reproduzidas abaixo, estes motivos foram criados pela, também norte-americana, artista Mary Lou Goertzen (n. 1929), que originalmente os executou em aguarela.

 

 

Um documentário particularmente intimista sobre Mary Lou, e seu marido Ernie Goertzen (1926-2004), pode ser visto aqui: https://vimeo.com/28994730.

 

A partir dos 40m e 30s pode-se ouvir um relato sobre o contacto inicial estabelecido pela Block China Company, que durante as décadas de 1970 e 1980 encomendava as suas peças a fábricas da Alemanha, Portugal e Suíça, para convencer a artista a reproduzir as suas aguarelas em porcelana.

 

Além disso, pode-se observar também um exemplar de prato com o motivo Trillium, exemplares com diversos outros motivos, os decalques utilizados na produção cerâmica e diferentes formatos deste serviço.

 

Para além de Mary Lou Goertzen, muitos outros artistas e designers, nacionais e estrangeiros, colaboraram com a SPAL, directa ou indirectamente, desde a década de 1960.

 

Alguns deles serão aqui posteriormente referidos, em artigos a publicar durante o mês de Julho. 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Janeiro 14 2014

 

Gravura de Caetano Alberto da Silva (1843-1924).

 

"Foi quando se ouviram, coadas no ar macio e quente, umas badaladas alegres e alviçareiras. Mas ninguém se iludiu. Aquilo não era toque de missa ou baptizado. As badaladas eram do almofariz de bronze, que os Bravais tinham na varanda grande e que, batido pelo pilão nas bordas cinzeladas, produzia um som mais rico e poderoso que o sino da Igreja. Tocá-lo nos dias festivos de malhada ou vindima, para avisar a sua gente de que a comida estava pronta, constituía uma das prosápias do abastado lavrador. E com justa razão, que o tanger daquele traste, herdado de antigos avós, ouvia-se até Vilela Seca, quando o vento corria de feição.

 

Meia hora mais tarde, já toda a gente abancava à mesa, armada a toda a correnteza da varanda grande, com tábuas de castanho sobre toscos cavaletes adrede preparados, a poder de prego e martelo, pelo Moina Tamanqueiro, que era um ás em carpintaria do género forte e feio. Mas as toalhas eram de linho e a louça, da Fábrica de Sacavém, ainda exibia, esmaltada a azul escuro, a brava figura de Dom Fuas Roupinho, com o cavalo todo empinado na borda dum rochedo, e salvo do abismo por estupendo milagre da Virgem.

 

– Eh gente! agora é que vai ser malhar! – dizia o Ladral, enquanto lhe serviam uma enorme montanha de arroz.

 

– Santo nome de Deus! – fez um dos parceiros, admirando a pratada. – Parece a serra do Marão!

 

– Trabalha aqui melhor do que na eira! – acrescentou um terceiro.

 

– Deixem comer o homem! – proferiu o dono da casa. – E sirvam-se todos à vontade. Graças a Deus, há que bonde!."

 

Excerto do romance Fazenda Abandonada (1965), de Reis Ventura (1910-1988).

 

Embora haja notícia de que a FLS produziu pratos com imagem da Nossa Senhora da Nazaré, como peças de devoção e recordação da visita ao Sítio da Nazaré, não é muito provável que estes fossem adquiridos em tão grande quantidade com o fim de serem usados nas refeições.

 

O autor terá usado aqui de liberdade literária ou então terá sobreposto sincreticamente esta imagem do cavaleiro D. Fuas Roupinho ao motivo Estátua (Cavalinho), esse sim produzido como conjunto de jantar. 

 

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