Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Agosto 22 2014

 

No Outono passado cometeu-se mais um dos inúmeros atentados contra o património e a memória (http://mfls.blogs.sapo.pt/269287.html), nestes tristes tempos em que a preservação da identidade nacional parece estar entre as menores das prioridades.

 

Contra o que vem sendo hábito nesta vil tristeza em que vivemos, desta vez parece que, para além do choro sobre o leite derramado, houve coimas e eficazes medidas coercivas para, pelo menos, repôr a memória através da instalação de uma réplica do painel destruído.

 

Não se sabe é se o proprietário foi, de facto, obrigado a suportar os custos da reabilitação do painel original, ou se este chegou mesmo a ser restaurado, como havia sido proposto pelos técnicos camarários.

 

Fica Lisboa, apesar de tudo, com um pastiche a suavizar a memória da dura realidade que continua a ameaçar o património municipal e nacional.

 

Pena é que, a exemplo do que se faz, ou fez, noutras intervenções, como em alguns restauros dos painéis azulejares da estação ferroviária de S. Bento, no Porto, a ninguém tenha ocorrido a ideia de assinalar que este conjunto é uma réplica, nem tenha havido o cuidado de indicar o nome da oficina que a executou. 

 

© MAFLS

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Outubro 10 2013

 

O vazio desta fachada que, para os mais optimistas e bem-intencionados, poderia significar a remoção provisória de um revestimento azulejar para limpeza e restauro, documenta, afinal, mais um irreversível atentado contra a memória e o património azulejar do país.

 

Resta saber se, por incúria, ignorância, ou dolo intencional, o centenário painel produzido em 1912 na Fábrica de Loiça de Sacavém foi total e irremediavelmente destruído, como garantem alguns testemunhos, ou se terá sido velada, inescrupulosa e malevolamente retirado da fruição pública.

 

Vejam-se os artigos anteriormente publicados neste espaço sobre o desaparecido painel, e aquele que subsistiu, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/a.+dean.

 

Abaixo reproduz-se o artigo publicado sobre este assunto no jornal Diário de Notícias do passado dia 8 de Outubro de 2013, com uma imagem não creditada mas aparentemente retirada de um dos artigos publicados neste espaço.

 

No artigo daquele jornal deve corrigir-se a incorrecta afirmação de que o painel desaparecido denotava uma composição de influência chinesa, quando, entre diversas outras características, o kimono, o penteado e os kanzashi (http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/382122.html) comprovam inequivocamente ser esta uma composição reminiscente da tendência japonizante que, no ocidente, marcou a pintura e as artes decorativas das últimas três décadas do século XIX.

 

 

© MAFLS

 

publicado por blogdaruanove às 21:01

Agosto 09 2010

 

Pormenor de um painel de azulejos, datado de 1912 e pertencente a uma antiga mercearia, existente no cruzamento da Avenida Visconde de Valmor com a Avenida 5 de Outubro, em Lisboa. Para além da pintura policromada sob o vidrado, este painel apresenta ainda retoques a dourado sobre o vidrado.

 

A figura feminina apresenta-se aqui a tocar um shamizen, instrumento musical japonês, de cordas, habitualmente associado à arte das gueixas.

 

Com a reabertura do Japão ao mundo ocidental, no início da década de 1850, uma nova tendência sucedeu à chinoiserie e se desenvolveu na Europa e na América, a qual passou a ser conhecida, também em Francês, como japonisme.

 

A consagração desta tendência deu-se durante as exposições universais de 1867 e 1878, e estendeu-se à pintura, marcando a obra de artistas como Claude Monet (1840-1926; cf., entre outras, a obra Madame Monet en costume japonais [1875]) e Vincent van Gogh (1853-1890). (Para a discussão de mais alguns aspectos desta tendência cf. http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/30564.html.)

 

Em 1860, na sequência daquela reabertura e a exemplo do que aconteceu com outras nações ocidentais, Portugal assinou com o Japão um Tratado de Paz, Amizade e Comércio.

 

 

© MAFLS

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Junho 10 2010

 

Pormenor de um painel de azulejos, datado de 1912 e pertencente a uma antiga mercearia, existente no cruzamento da Avenida Visconde de Valmor com a Avenida 5 de Outubro, em Lisboa. Para além da pintura policromada sob o vidrado, este painel apresenta ainda retoques a dourado sobre o vidrado.

 

No CDMJA existe uma lista dactilografada pela secretaria-geral da FLS, intitulada ESTRANGEIROS QUE ESTIVERAM AO SERVIÇO DA FÁBRICA EM DIVERSOS SECTORES DE TRABALHO e datada de 5 de Abril de 1971, onde são enumerados sete pintores.

 

Surgem aí referenciados Taylor (datas desconhecidas, inglês, pintor sobre vidro), John Dean (datas desconhecidas, inglês, pintor sobre vidro), Jorge Colaço (1868-1942, marroquino, pintor de azulejos), Fabian Tomaz Lagore (datas desconhecidas, espanhol, pintor de azulejos), Bernard Gusgen (datas desconhecidas, alemão, pintor sobre vidro que trabalhou na fábrica entre 1924 e 1927), Wilhelm Wagner (datas desconhecidas, alemão, pintor sobre biscoito que trabalhou na fábrica entre 16 de Junho de 1928 e 1945), Karl Huber (datas desconhecidas, alemão, pintor sobre biscoito que trabalhou na fábrica entre 12 de Janeiro de 1932 e 31 de Agosto de 1969).

 

Muito provavelmente, o inglês John Dean aqui listado corresponderá a este A. Dean que assinou o painel.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

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