Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Agosto 11 2018

 

Cinzeiro, com cerca de 2,1 x 9,8 x 9,5 cm., em faiança da fábrica Aleluia, Aveiro.

 

Note-se como a imagem da igreja matriz se encontra estampada mas apresenta alguns complementos, como o céu, pintados à mão. Do mesmo modo, a legenda "Recordação de Vouzela" encontra-se também pintada à mão.

 

 

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Junho 02 2018

 

Pequeno azulejo, com cerca de 6,5 x 6,5 cm., em faiança da fábrica Aleluia, Aveiro.

 

Integralmente pintado à mão, este exemplar, que já saíu da fábrica com o cordão colorido para suspensão, ostenta um dos anexins popularizados durante as primeiras décadas do Estado Novo.

 

As inúmeras variantes destes anexins e adágios, como já foi referido, foram reproduzidas por inúmeras fábricas portuguesas de cerâmica, particularmente nas décadas de 1940 e 1950.

 

 

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Junho 03 2017

 

Jarra, que originalmente apresentava uma tampa convexa, em faiança da fábrica Aleluia, de Aveiro.

 

 

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Maio 20 2017

 

Pequena jarra, com cerca de 7,6 cm. de altura, em faiança da fábrica Aleluia, de Aveiro.

 

Ostenta uma imagem estampada, complementada com pintura manual e filetagem a dourado, do Mosteiro da Batalha e, no verso, a inscrição Batalha / Portugal, dentro de uma cercadura.

 

Curiosamente, os elementos que constituem a cercadura surgem também com frequência nos ferros forjados de alguma arquitectura da década de 1950, e ainda nalguma da década seguinte.

 

 

Esta imagem do Mosteiro da Batalha integra uma série de gravuras sobre monumentos portugueses, onde, entre outros, surgem o templo romano de Évora (conhece-se a gravura aplicada sobre um pequeno cachepot quadrangular como o que se pode ver aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/239670.html, com a referência X186) ou a estátua de D. Afonso Henriques, em Guimarães (conhece-se a gravura aplicada sobre um pequeno prato, com cerca de 9,8 cm. de diâmetro, ostentando a referência X1002).

 

O formato desta jarra produziu-se em diversas dimensões, com diferentes vidrados e em diferentes cores, incluindo o azul cobalto complementado a ouro.

 

Com esta última decoração conhece-se um outro exemplar, com cerca de 15,3 cm. de altura, ostentando a marca manuscrita X250 - E / Aleluia / [A]veiro / Feito em / Portugal.

 

 

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Setembro 04 2016

 

 

Dois cinzeiros promocionais em faiança da fábrica Aleluia, de Aveiro.

 

O primeiro, com cerca de 5,6 cm. de altura, 8,1 cm. de diâmetro na base e 9,1 cm. de diâmetro máximo nos suportes para cigarro, ostenta quatro conjuntos de legendas – "CAIS / DA / FONTE / NOVA", "TELEF. / 22061 / (3 linhas) / APARTADO 13", "AZULEJOS / BRANCOS / E PINTADOS" e "LOUÇAS / DOMÉSTICAS / SANITÁRIAS / E ARTÍSTICAS".

 

O segundo, com cerca de 3,9 cm. de altura, 11,6 cm. de diâmetro na base e 13,1 cm. de diâmetro no rebordo, apresenta um vidrado pouco vulgar na produção da Aleluia e ostenta apenas as legendas que se podem observar na imagem – "Aleluia / Aveiro".

 

Obviamente, nenhum destes exemplares apresenta qualquer marca na base.

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Junho 04 2016

 

Par de azulejos em faiança, com cerca de 10,4 x 10,4 cm., produzidos na fábrica Aleluia, de Aveiro.

 

Estes motivos folclóricos estiveram particularmente em voga na produção da fábrica durante a década de 1950, podendo-se encontrar dois outros exemplos aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/371206.html.

 

Tal como ali foi referido – "a recuperação e reformatação dos valores do folclore bem como a sua dinamização nas décadas de 1940 a 1960 está geralmente associada ao Estado Novo e aos vários organismos corporativos desenvolvidos pelo regime – SPN/SNI, FNAT, Casas do Povo."

 

"Um aspecto, contudo, é muitas vezes subvalorizado ou escamoteado na análise desse revivalismo. É que ele havia sido promovido já na década de 1920 por artistas como Bernardo Marques (1898-1962) ou Roberto Nobre, (1903-1969),  certamente na senda da recuperação de um imaginário popular europeu relançado anteriormente pelos Ballets Russes, de Diaghilev (Sergei Pavlovich Diaghilev, 1872-1929), e rapidamente aplaudido, acarinhado e  adoptado pelos modernistas."

 

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Dezembro 06 2015

 

Pequenas jarras em faiança da fábrica Aleluia, de Aveiro.

 

Acima, exemplar com cerca de 5,8 cm. de altura e 6,4 cm. de diâmetro máximo; abaixo, exemplar com cerca de 10 cm. de altura e 7,4 cm. de diâmetro máximo.

 

 

Embora o formato 42 seja, obviamente, mais antigo que o 179, ambas as jarras apresentam combinações cromáticas e tonalidades invulgares na produção da Aleluia.

 

Traduzem estes dois exemplares, os seus motivos e as tonalidades que lhes estão associadas, uma produção claramente característica de um período posterior ao final da II Grande Guerra, mas também anterior à produção modernista e contemporânea que a Aleluia começou a desenvolver a partir da segunda metade da década de 1950. 

 

 

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Agosto 08 2015

 

Pequena jarra, com cerca de 6,1 cm. de altura, em faiança da fábrica Aleluia, de Aveiro. 

 

Como MUONT demonstrou recentemente, este formato inspirou-se num modelo que terá tido origem na consagrada fábrica alemã Rosenthal (http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/2015/07/jarra-art-deco-com-tres-asas-pequena.html), embora a Vista Alegre também tenha produzido um formato semelhante, com quatro asas, a partir do final da década de 1930.

 

Através desta peça pode comprovar-se como a decoração apresentada, embora em faiança, reproduz fielmente a simples e elegante decoração minimalista patente no modelo em porcelana da Rosenthal.

 

Curioso é constatar que a Aleluia apenas tenha optado por esta réplica do original, correspondente ao formato 273, numa fase mais tardia da sua produção e em dimensões ainda mais reduzidas do que as dos formatos 20 e 21.

 

Esta opção tardia poderá relacionar-se com o domínio de certas técnicas de vidrado que a Aleluia adoptou predominantemente na década de 1950 (http://mfls.blogs.sapo.pt/154322.html), conhecendo-se um cinzeiro com este vidrado e a referência X-261-AA (http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/371206.html), que ostenta a marca do cinquentenário da fábrica (1955).

 

 

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Junho 21 2015

 

O programa Perdidos e Achados, do canal SIC Notícias, divulgou ontem uma peça, intitulada Viagem pela Cerâmica Portuguesa, sobre a cerâmica portuguesa, em geral, e sobre a produção das Caldas da Rainha, em particular.

 

Nesta peça televisiva, com 13 minutos e 21 segundos de duração, que ao longo da semana vinha sendo anunciada com o título genérico "A Arte em Cacos", registam-se depoimentos de antigas funcionárias da Secla, de gestores empresariais, de marchands, de curadores, de coleccionadores e de investigadores de cerâmica, entre os quais surge a incontornável autora do blog Cerâmica Modernista em Portugal (http://ceramicamodernistaemportugal.blogspot.pt/), Rita Gomes Ferrão.

 

A propósito da produção de outras notáveis regiões cerâmicas portuguesas, como a região de Aveiro, reproduz-se aqui uma das muitas e excelentes peças que foram comercializadas pela, também incontornável, fábrica Aleluia durante as décadas de 1950 e 1960.

 

Veja-se a reportagem da SIC Notícias aqui: http://sicnoticias.sapo.pt/programas/perdidoseachados/2015-06-20-Viagem-pela-ceramica-portuguesa.

 

 

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Dezembro 14 2014

Gomil em faiança, com cerca de 29,6 cm. de altura, produzido pela fábrica Aleluia, de Aveiro.

 

A exemplo de outras peças das décadas de 1950 e 1960, como um gomil da fábrica Raul da Bernarda, de Alcobaça, anteriormente aqui reproduzido (http://mfls.blogs.sapo.pt/119411.html), também esta peça remete claramente para elementos composicionais característicos de uma determinada época, quer na obra do pintor e escultor Jean [Hans] Arp (1886-1966; cf. http://en.wikipedia.org/wiki/Jean_Arp), quer na obra do escultor Henry Moore (1898-1986; cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_Moore). 

 

O acabamento nacarado que reveste parcialmente esta peça ocorre, como já aqui se referiu antes (http://mfls.blogs.sapo.pt/224453.html#comentarios), não apenas na Aleluia mas também na produção cerâmica de outras fábricas portuguesas.

 

Curiosamente, este recurso técnico está intimamente relacionado com a produção vidreira e com um acabamento químico específico, conhecido em inglês como flashing. Através de este processo, mais rápido e menos oneroso, obtem-se uma finíssima camada colorida, ou irisada, sobre a superfície, criando assim um efeito quase semelhante ao do dispendioso vidro oitocentista característico da Boémia, cuja designação se popularizou nos meios vidreiros portugueses como vidro doublé, em que as camadas coloridas sobrepostas eram lapidadas ou gravadas para mostrar as camadas inferiores.

 

 

O irisado da superfície do vidro atingiu a consagração no período e nas peças Art Nouveau, em fábricas como a europeia Loetz ou a americana Tiffany.

 

Uma versão muito característica acabou por se consagrar em Portugal, durante o segundo quartel do século XX, através de um revestimento alaranjado popularmente conhecido como "casca de cebola" (cf. http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/286639.html), embora existam também tonalidades que podem variar entre o verde e o azul, consoante a cor de fundo do vidro.

 

Na cerâmica, estes acabamentos, mais irisados do que nacarados, foram também consagrados no período Art Nouveau, em fábricas ou oficinas como a americana Weller (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/weller), a belga Boch Frères / Keramis (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/boch+fr%C3%A8res), as francesas Gaziello (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/jean+gaziello), Massier (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/cl%C3%A9ment+massier) e Rambervillers (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/rambervillers), ou a húngara Zsolnay.

 

A propósito do formato deste gomil, das suas combinações cromáticas e dos movimentos artísticos contemporâneos, vejam-se uma notável jarra da fábrica inglesa Beswick, e também uma outra notável jarra da Aleluia, aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/148829.html.

 

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